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Pessoas, Entidades
AGAA - Associação de Grupos Autónomos Anarquistas
PT-AHS-ICS-AGAA · Pessoa coletiva · 1974-1976

Associação de grupos anarquistas radicais que durante o processo revolucionário português de 1974-1975 preconizava o “comunismo libertário” não marxista e a “associação livre de indivíduos”. Rejeitava qualquer aliança com o poder revolucionário, o Estado, o MFA e todos os demais partidos. Recusando ainda o poder popular e os Conselhos Revolucionários, defendia a autogestão revolucionária e o controlo directo das empresas pelos trabalhadores.

Arshinov, Piotr Andreyevich
Pessoa singular · 1887-1937

Piotr Andreyevich Arshinov, anarquista russo e intelectual, que nasceu na Rússia (então Império Russo) em 1997 e morreu c. 1937.

A sua família era da classe trabalhadora, da região de Penza. Aos 17 anos, mudou-se para a região do Turquestão Russo, trabalhando como maquinista. Quando se iniciou a Revolução de 1905, Arshinov juntou-se à fação Bolchevique do Partido Social Democrata Russo, editando o jornal Molot.

Arshinov foi para a Ucrânia e juntou-se aos anarquistas. Liderou uma célula terrorista anarquista e organizou uma série de ataques. Foi preso e condenado à pena de morte pelo homicídio de um patrão, mas conseguiu escapar, fugindo para a França e depois para a Áustria-Hungria, onde fez tráfico de armas e contrabando de propaganda anarquista. Aí, foi preso em 1911 e extraditado para a Rússia, sendo condenado a 20 anos de prisão.

Na prisão conheceu o anarquista ucraniano Nestor Makhno. Depois da Revolução de Fevereiro (1917), ambos foram libertados devido a uma amnistia geral. Makhno tornou-se o líder de um movimento popular na Ucrânia após a Revolução de Outubro. Arshinov, juntamente com outros anarquistas russos, juntou-se a ele. Seguiu-se um período conflituoso e complexo. Arshinov permaneceu com Makhno até 1921, quando foi para a Alemanha.

Já em Berlim completou a sua "História do Movimento Makhnovista". Mudou-se então para Paris onde estabeleceu o jornal anarquista Delo Truda. Participou na publicação da "Plataforma Organizadora da União Geral dos Anarquistas", que estabelecia um enquadramento sobre como anarco-comunistas se deveriam organizar.

Nos anos 30, Arshinov abandonou a orientação anarquista e começou a expressar apoio pelo governo soviético de Stalin. Ele e a mulher decidiram regressar à sua pátria - o que fizeram em 1934. Três anos depois, Arshinov foi preso e executado durante a Grande Purga.

Bakunin, Mikhail Aleksandrovitch
Pessoa singular · 1814-1876

Mikhail Alexandrovich Bakunin (30 de maio de 1814, Premukhino, Rússia – 1 de julho de 1876, Berna, Suíça) foi um anarquista revolucionário russo, considerado o principal propagador das ideias anarquistas no século XIX, pensador e escritor de ideias políticas.

Bakunin foi enviado em jovem para a Escola de Artilharia em São Petersburgo, indo depois para a linha da frente, da qual desertou. Viajou até Berlim em 1840, onde se juntou ao grupo dos Jovens Hegelianos, e depois mudou-se para a cidade de Dresden onde publicou o seu primeiro escrito revolucionário. Este texto garantiu-lhe uma ordem de prisão e a perda do passaporte. Passou pela Suíça e Bélgica, acabando por se estabelecer em Paris, onde conviveu com socialistas franceses e alemães, incluindo Proudhon e Marx.

Assistiu e participou nos eventos da revolução de 1848 em Paris e depois viajou para o leste, esperando que a revolta se espalhasse também na Alemanha e Polónia. Participou na insurreição de Dresden em 1849, sendo preso. Foi eventualmente transferido para uma prisão russa, em São Petersburgo.

Em 1857, foi libertado para a Sibéria, na qual contraiu casamento com a filha de um mercador polaco. Através de uma conexão familiar da sua esposa conseguiu autorização para viajar, e depois de chegar à costa, embarcou num navio viajando através do Japão e Estados Unidos para a Grã-Bretanha.

A sua chegada a Londres significou a sua reunião com Herzen - com o qual teve uma querela. Em 1864, estabeleceu-se em Itália dedicando-se à escrita das suas ideias. Enquanto vivia em Génova, em 1868, juntou-se à Primeira Internacional. Bakunin e Marx acabaram por se desentender, e Marx expulsou Bakunin e os seus seguidores da Internacional, levando a uma divisão no movimento socialista europeu (e norte-americano).

Benedy, José do Patrocínio.
Pessoa singular · 1866 - 1951

Tipógrafo, fotógrafo e fotogravador.

Militante de várias causas (defensor dos marinheiros republicanos em 1908; de Ferrer em 1909; dos trabalhadores rurais, etc.) , distinguiu-se pelas suas excentricidades verbais e .Polítiicas. Anarquista e republicano, aderente ao Partido Socialista em 1920, Benedy era uma típica figura de autodidata e erudito, cujos escritos se encontram em quase toda a imprensa operária da I RepÚblica. Redactor de A Greve fez parte da primeira geração sindicalista revolucionária. Em 1920 fundou um jornal com o seu nome José Benedy, de que era, como é lógico, o único redactor. Autor prolixo escreve entre outros Pedras Toscas, 1912, Cirurgia, 1913, Escrita Simplificada, 1913; O Grande e Horrível Cime, 1916; 3º Congresso cbs Trabalhadores Rurais, 1918; A Ciência Redentora, 1921; O Vinho e o seu valor Fisiológico, 1930; etc.
(Sobre Benedy veja-se Alexandre Vieira, Figuras Gradas do Movimento Social). JPP

Bloch, Albert
Pessoa singular · 1856-1903

Michel-Albert Bloch, tradutor, nasceu em 1856 e faleceu em 1903, em Paris. De origem judaico-alemã. Em meados da década de 1890 foi professor da Escola Politécnica em Buenos Aires. Mudou-se para Paris onde se distinguiu como defenso de Dreyfus, colaborador do jornal anarquista "Le Libertaire" e conferencista. Pouco depois da sua morte foi publicada a obra 'La substance universelle' que escreveu em colaboração com Georges Mathias Paraf-Javal.

Botelho, Adriano.
Pessoa singular · 1892 - 1983

Adriano Inácio Botelho (Angra do Heroísmo, 12 de setembro de 1892 — Lisboa, 1 de maio de 1983) foi jornalista, militante anarquista e dirigente anarco-ssindicalista, membro do Comité Confederal da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e dirigente de O Semeador, um dos mais produtivos grupos anarquistas portugueses.
Tirou o ensino primário e o liceu nos Açores, frequentou a Universidade de Coimbra. Mudou-se para Lisboa em 1914, vivendo depois por uns anos em S. Miguel, retornando a Lisboa em 1919.
Ao longo das décadas de 1920 e 1930 afirmou-se como um dos mais eficientes colaboradores da imprensa ligada à C.G.T. e às suas estruturas de base sindical. Considerado um «excelente jornalista», não houve nenhum jornal anarquista do tempo com o qual não colaborasse, o mesmo acontecendo com jornais operários como A Batalha, A Comuna, Aurora, Renovação (1925-1926) e muitos outros.

Durante a fase inicial do Estado Novo, viveu na clandestinidade e colaborou, anonimamente, no jornal A Batalha.

Campelo, Jorge.
Pessoa singular · 1882 - 1966

dinamizador do projecto de "comuna livre" em Albarraque, que os anarquistas Carlos Nobre e Jorge Campeio criaram no início dos anos 20, mas que veio a fracassar e ser partilhado, sob a forma de lotes urbanos, entre um bom número de pessoas de ideias "avançadas

Freire, João

Campos, Alexandre Sobral de.
Pessoa singular · 1888 - 1962?

Nasceu em Margão. Casou com Maria Amélia Caldas Xavier. Anarquista no seu tempo de estudante, em Coimbra, pertenceu à Falange Demagógica. Participou no Congresso Anarquista de 1914. Colaborou na publicação Terra Livre. Participou na fundação do Partido Comunista Português. Foi militante esperantista. Foi chefe de gabinete do ministro do Trabalho e Comércio Augusto Dias Silva.
Director da publicação "Moçambique : órgão oficioso da Liga de Defesa e Propaganda da Província de Moçambique".

Castelhano, Mário.
Pessoa singular · 1896 - 1940

Líder histórico do movimento anarcossindicalista, Mário Castelhano nasceu a 31 de maio de 1896 em Lisboa, onde residia no bairro da Graça. Começou a trabalhar aos 14 anos na Companhia Portuguesa dos Caminhos-de-Ferro (CP), tendo ascendido mais tarde a empregado de escritório. O ativismo e o envolvimento direto em inúmeras lutas operárias e sindicais levariam a que fosse despedido.

Presente nas greves dos ferroviários de 1911, 1918 e 1920, foi também dirigente sindical na CP, no Sindicato dos Ferroviários de Lisboa e vários sindicatos da Confederação Geral do Trabalho (CGT), e dirigiu os jornais A Federação Ferroviária, O Ferroviário e O Rápido. Pertenceu à comissão organizadora do I Congresso Ferroviário de junho de 1922 e à comissão executiva da Federação Ferroviária com o pelouro das relações internacionais. Participou, como delegado da Federação Ferroviária, no congresso nacional operário realizado na Covilhã em 1922 e esteve na reorganização do Conselho Confederal da CGT no verão de 1926, tornando-se secretário-geral e redator principal do seu órgão,
A Batalha.

Depois de em maio de 1927 a CGT ter sido ilegalizada e dissolvida e a sede do jornal A Batalha assaltada, Mário Castelhano é preso, em outubro, e deportado para Angola, onde permaneceu dois anos. Em setembro de 1930, foi transferido para os Açores e, em abril de 1931, seguiu para a Ilha da Madeira, onde logrou dar apoio à revolta contra a Ditadura Militar que ali se desencadeara. Falhado este movimento revolucionário, Castelhano conseguiu organizar a fuga para Lisboa, embarcando clandestinamente no porão do navio Niassa. Em 1933, voltou a ser o principal responsável da CGT e, nesta qualidade, esteve entre os organizadores do 18 de janeiro de 1934. No entanto, foi preso no dia 14 e colocado no Presídio Militar da Trafaria, acusado de ter estado envolvido na preparação da greve geral revolucionária em Sines e no fabrico de armas para a revolta na Marinha Grande.

Condenado, em 8 de março de 1934, pelo Tribunal Militar Especial a dezasseis anos de degredo nas colónias, com prisão e multa de 20.000$00, ficou entregue ao Governo. A 8 de setembro de 1934, seguiu para a Prisão da Fortaleza de Angra do Heroísmo, nos Açores. Dois anos depois, em outubro de 1936, foi transferido para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. Neste presídio participou em várias lutas dos presos por melhores condições e desenvolveu importante atividade cultural, reflexiva e pedagógica.

Mário Castelhano morreria a 12 de outubro de 1940, vítima de febre intestinal, agravada pela constante falta de assistência médica e medicamentosa, bem como pelas paupérrimas condições de higiene do Campo de Concentração do Tarrafal.

Costa, Emílio.
Pessoa singular · 1877-1952

Emílio Martins Costa - anarquista, jornalista e professor português - nasceu a 21 de fevereiro de 1877, em Portalegre, e faleceu a 17 de fevereiro de 1952, em Lisboa. Filho de Boaventura Costa, fabricante, e de Angélica Rosa Martins.

De Portalegre, mudou-se para Lisboa em 1896, onde frequentou o Instituto Industrial e, em 1899, matriculou-se também no Curso Superior de Letras. Não viria a concluir nenhum dos cursos. Assinou o Manifesto Académico Republicano (1897), participou na fundação do Centro Académico Republicano e entrou para a Maçonaria Académica, passando depois para a Carbonária Portuguesa e pertencendo também à Loja Montanha onde alcançou o grau de mestre. Fundou o jornal O Amigo do Povo (1901-1903), onde defendeu, sob o pseudónimo de Demétrio, as suas ideias anarquistas e libertárias.

Viveu alguns anos na Bélgica (1903-?) onde estudou na Universidade Nova de Bruxelas, sendo aluno do pensador anarquista Elisée Reclus. Em 1905, iniciou uma colaboração com o jornal Les Temps Nouveaux, que se prolongaria até 1914, dirigido por Jean Grave. Em 1906, iniciou também a sua colaboração com o jornal "A luta", de Brito Camacho (mantida até 1909).

Publicou-se em 1907 A Conquista do Pão, semanário em parte dirigido por Emílio Costa. Em 1908, iniciou colaboração com o Germinal, de Setúbal, e com A Sementeira. Entrou também para a administração do parisiense La Révolution, dirigido por Émile Pouget. Em Paris, entrou em contacto com um grupo de intelectuais fundadores da Liga Internacional de Educação Racional para Crianças, entre os quais Ferrer, Max Nordeau, Alfred Naquet, etc. - seria inclusive secretário de Ferrer durante alguns meses.

Em 1909, ano do seu regresso a Portugal, traduziu três brochuras - Sindicalismo e Socialismo, A Confederação Geral do Trabalho (Emile Pouget), A Ação Sindicalista (Victor Griffuelhes).

Fundou em sua casa uma Biblioteca Popular, e colaborou no jornal republicano O Intransigente, dirigido por Baltazar Teixeira. Colaborou no semanário O Sindicalista até à sua partida para a Suíça, onde foi desempenhar as funções de secretário particular de Guerra Junqueiro, que era embaixador.

De volta a Portalegre, iniciou a sua carreira como professor, dando aulas no Liceu Mouzinho da Silveira, em Portalegre, entre 1911 e 1913. Fez parte do grupo libertário Ação Direta, em Lisboa. Em 1912, iniciou sua colaboração com o Lumen, e como redator do Intransigente de Machado Santos. Fundou o semanário O Semeador, libertário, anticlerical e regionalista. Em 1913, começou a trabalhar na Sociedade de Propaganda de Portugal. Iniciou a publicação de A Semana, sendo seu diretor.

A Grande Guerra causou uma clivagem no movimento anarquista - de um lado os não intervencionistas com o Grupo de Propaganda Libertária, editor de A Aurora (Porto). Em Lisboa, os que defendiam a intervenção na guerra, o Grupo Germinal, entre o qual se incluía Emílio Costa. Foi docente também no Liceu Passos Manuel (1915-1918?), em Lisboa, intermitentemente na Escola Comercial Ferreira Borges, e depois no Colégio Estoril (1918-1921). Também foi docente na Escola-Oficina n.º 1 e na Escola Académica.

Em 1925, foi contratado para o Instituto de Orientação Profissional, dirigido por Faria de Vasconcelos.

Em 1930, iniciou correspondência com Alexandre Vieira, que estava exilado em Paris.

Durante o Estado Novo, opôs-se à ditadura, participando no Movimento de Unidade Democrática (MUD) desde a sua fundação - fazendo parte da junta consultiva como vogal.

Eltzbacher, Paul
Pessoa singular · 1868-1928

Paul Eltzbacher (18 de fevereiro de 1868, Colónia – 25 de outubro de 1928, Berlim) foi um advogado e escritor alemão, nascido numa família judaica. Em 1899, completou o seu doutoramento com uma dissertação intitulado 'Der Anarchismus' (Anarquismo), que analisava do ponto de vista do Direito as ideias de sete pensadores anarquistas. O livro foi recebido positivamente, incluindo por intelectuais anarquistas como Kropotkin e Tolstoy, e foi traduzido em múltiplas línguas. Mais tarde, Eltzbacher abandonou o anarquismo e teve uma mudança política, tornando-se um teórico de ideias nacionalistas e um precursor do Nacional Bolchevismo.

Escola Oficina n. 1
PT/AHS-ICS/EscOfic1 · Pessoa coletiva · 1905 -1987

A Escola Oficina n.º 1 de Lisboa (1905-1987) foi a mais emblemática das escolas novas portuguesas, tendo desenvolvido o seu projeto inovador principalmente entre 1907 e 1919. No entanto, a sua existência inscreveu-se num tempo longo, tendo funcionado durante mais de oitenta anos. O modelo pedagógico inovador que a caracterizou foi impulsionado por Adolfo Lima e inspirou-se nos ideais libertários e anarquistas, matriz a partir da qual foram interpretados os princípios da Educação Nova. Esta Escola adotou muitas das práticas inovadoras deste movimento, como o self-government escolar, a valorização dos trabalhos manuais, a educação física e a educação estética. Colocou o aluno no centro do processo pedagógico, visando a sua educação integral. Definiu rituais e normas no quotidiano escolar, assim como práticas de saúde e higiene. A partir dos anos trinta, com o regime político salazarista, perdeu o seu carácter experimental e tornou-se uma escola “normal”, igual a outras escolas oficiais.

Girard, André.
Pessoa singular · 1860–1942

Ativista e jornalista anarquista francês. Amigo de Jean Grave, ajudou a fundar a Les Temps Noveaux (1895-1921), sendo um dos seus colaboradores.

Gori, Pietro.
Pessoa singular · 1865 - 1911

Pietro Gori (1865–1911) foi um anarquista italiano nascido em Messina, filho de toscanos. Advogado de profissão, que defendeu membros do movimento anarquista em diversas ocasiões. Atuou na Itália, Argentina e Estados Unidos. Além da sua atividade política, é conhecido também como compositor de peças de teatro e algumas das mais famosas canções anarquistas do fim do século XIX, entre as quais Addio a Lugano (Adeus a Lugano), Stornelli d'esilio (Versos do Exílio) e La ballata di Sante Caserio (A Balada de Sante Caserio).

Grave, Jean.
Pessoa singular · 1854 -1939

Jean Grave (16 de outubro, 1854, Le Breuil-sur-Couze – 8 de dezembro, 1939, Vienne-en-Val) foi um ativista francês do movimento anarquista. Foi o editor de três periódicos anarquistas importantes na sua época: Le Révolté, La Révolte e Les Temps Nouveaux. Escreveu dezenas de panfletos e vários livros relacionados com o anarquismo.

Grave apoiou o anarquismo a partir da década de 70 do século XIX, inicialmente um apoiante das ideias de Jules Guesde. Estabelecendo-se primeiro em Paris e depois em Genebra - nesta cidade foi convidado por Kropotkin e Elisée Reclus para ser o editor de Le Révolté que foi renomeado La Révolte quando se mudou para Paris em 1886. Foi o editor de La Révolte de 1887 a 1894.

Em 1893, Grave escreveu 'La société mourante et l'anarchie', sendo por essa obra condenado a dois anos de prisão. Várias figuras como Octave Mirbeau, Élisée Reclus, Paul Adam e Bernard Lazare defenderam-no, mas ele manteve-se preso. O julgamento tornou o livro ainda mais popular e foi traduzido em várias línguas. Grave seria considerado inocente no "julgamento dos trinta".

De 1895 a 1921 Grave foi o editor de Les Temps Nouveaux, que foi uma revista influente em círculos literários e artísticos. Em 1914, Grave juntou-se a Kropotkin na Inglaterra, e assinou o manifesto dos Dezasseis, em apoio aos Aliados na I Guerra, o que o punha contra os anarquistas anti-guerra.

Hamon, Augustin Frédéric.
Pessoa singular · 1862-1945

Augustin Frédéric Adolphe Hamon (Nantes, 20 de janeiro de 1862 - Penvénan, 3 de dezembro de 1945) foi um sociólogo, jornalista e filósofo francês, passando ao longo da sua vida pelo anarquismo, o socialismo e o comunismo.

Integrou-se, pelo menos inicialmente, nas correntes do antissemitismo de esquerda, publicando o livro "L'agonie d'une société", juntamente com George Bachot (1889) e colaborando com o jornal antissemita Le Peuple. Embora mais tarde o seu antissemitismo se tornasse mais moderado, fez em 1899, uma crítica positiva ao livro "L'aryno-sémitisme".

Foi delegado para a Bourse du Travail de Nantes no Congresso Internacional Socialista em Londres em 1896. Editou de 1897 a 1903 a revista L'Humanité nouvelle.

Em 1901, casou-se com Henriëtte Rynenbroeck que será sua co-tradutora das obras de George Bernard Shaw. En 1904, decidiu por razões financeiras, estabelecer-se em Port-Blanc, parte de Penvénan. Nessa época, aderiu à SFIO (Section Française de l'International Ouvrière) e ingressou na Maçonaria Francesa. Estava também afiliado às ideias do livre-pensamento.

Durante a I Guerra, exilou-se no Reino Unido, e foi 'lecturer' na London School of Economics and Politcal Science. Regressado a França, nos anos 20, foi redator do jornal La Charrue Rouge, um boletim político local.

Durante a II Guerra, participou na Resistência francesa e aderiu ao PCF (Partido Comunista Francês) em 1945, ano da sua morte.

Kropotkine, Pedro.
Pessoa singular · 1842-1921

geógrafo, economista, cientista político, sociólogo, zoólogo, historiador, filósofo e ativista político russo, um dos principais pensadores do anarquismo no fim do século XIX, considerado também o fundador da vertente anarcocomunista. Suas análises profundas da burocracia estatal e do sistema prisional também são relevantes na área de criminologia.

Nascido príncipe, membro da antiga família real de Rurik, na idade adulta Kropotkin rejeitou este título de nobreza pela sua decepção com a erudição dos aristocratas. Ainda adolescente foi obrigado a ingressar no exército imperial russo por ordem do próprio czar Nicolau I. Nesta mesma época passou a ter contato com a literatura revolucionária da época.

Interessado por geografia, tornou-se explorador do círculo polar ártico percorrendo milhares de quilômetros a pé e registando diferentes fenômenos relacionados a tundra e outras paisagens árticas. Em suas muitas viagens teve contato e passou a se solidarizar com os camponeses vivendo em condições miseráveis na Rússia e na Finlândia. Este sentimento de solidariedade fez com que Kropotkin abandonasse a atividade de pesquisador. Viajou para o Leste Europeu tendo contato em diversos países ativistas e revolucionários, entre estes os associados de Bakunin e os seguidores de Marx. Em Genebra, tornou-se membro da Primeira Internacional depois partiu em direção à Jura a convite de um anarquista que lhe relatara a força que o movimento adquirira naquela região. Estudou o programa revolucionário da Federação Anarquista de Jura, retornando à Rússia com a intenção de divulgá-lo entre ativistas libertários e populações marginalizadas. Na Rússia voltou a fazer pesquisas científicas, tomando parte em diferentes âmbitos do ativismo libertário.

Foi preso por diversas vezes por sua militância. Seus textos foram publicados por centenas de jornais ao redor do mundo. Seu funeral, em fevereiro de 1921, constituiu o último grande encontro de anarquistas na Rússia, uma vez que este país, desde a revolução de 1917, estava sob o domínio dos bolcheviques marxistas que passaram a perseguir, exilar e aniquilar os ativistas libertários onde quer que fossem encontrados.

Les Temps Noveaux
Pessoa coletiva · 1895-1921

Les Temps nouveaux é um jornal anarquista francês fundado em 1895 por Jean Grave e que desapareceu em 1921. Sucedeu aos jornais Le Révolté e La Révolte.
O título conta com um total de pelo menos 982 edições mais duas edições especiais. Les Temps nouveaux publicou também 72 brochuras com uma tiragem de 10.000 exemplares.