Mostrar 3 resultados

Pessoas, Entidades
Deus, João de.
Pessoa singular · 1830-1896

João de Deus Nogueira Ramos (São Bartolomeu de Messines, Silves, 8 de Março de 1830 — Lapa, Lisboa, 11 de Janeiro de 1896), mais conhecido por João de Deus, foi um poeta lírico e pedagogo, defensor de um método de ensino da leitura, assente numa Cartilha Maternal.

Demorou dez anos a concluir o curso de Direito na Universidade de Coimbra. De 1851 conhece-se o poema Pomba e a elegia Oração, a qual foi a sua primeira obra publicada, tendo saído a público na Revista Académica em 1855. em 1858, uma crítica fortemente elogiosa no artigo A propósito de um Poeta, publicado no Instituto de Coimbra por Antero de Quental.

Foi para Beja, onde, entre 1862 e 1864, dirigiu o jornal O Bejense (onde publicou muitas das suas primeiras poesias). Mantendo colaboração com a imprensa regional alentejana e algarvia e redigindo a Folha do Sul, em São Bartolomeu de Messines e em Silves tentou sem sucesso a advocacia, tendo em 1868 optado por partir para Lisboa, cidade onde passou a residir.

Apresentou-se às eleições em 1868 como candidato independente pelo Círculo de Silves - sendo eleito. Em 1874, casou com Guilhermina das Mercês Battaglia. Um dos seus filhos, João de Deus Ramos, continuaria a obra pedagógica de seu pai.

Publicou em 1876, a sua Cartilha Maternal, método de ensino da leitura revolucionário no panorama pedagógico nacional. Este método foi dois anos depois, e por proposta do deputado Augusto de Lemos Álvares Portugal Ribeiro, aprovado como o método nacional de aprendizagem da escrita da língua portuguesa. Graças a esta decisão, João de Deus teria a nomeação vitalícia de "Comissário Geral da Leitura"

Em 1895, foi-lhe feita uma homenagem à escala nacional, sendo honrado como sócio honorário da Academia Real das Ciências e do Instituto de Coimbra e com a grã-cruz da Ordem de Santiago da Espada.

Madureira, Cândido José Aires de
Pessoa singular · 1825-1900

Cândido José Aires de Madureira (Agrobom, Alfândega da Fé, 1825 - Porto, 4 de Agosto de 1900), mais conhecido principalmente pelo título de Abade de Arcozelo. É considerado, juntamente com Castilho e João de Deus, um dos mais importantes pedagogos portugueses do século XIX.

Em 1876 - publicada A Cartilha Maternal de João de Deus, editada pelo Abade de Arcozelo. No jornal do Comércio de Lisboa e Porto, em 1879, João de Deus acusou o abade de ter plagiado a Cartilha Maternal para a sua obra Alfabeto Natural.

O seu manual de leitura, Alfabeto Natural, teve a sua primeira edição em 1876. Em O Abade de Arcozelo e o Público, lançado em 1883, o Abade reagiu à publicação de um panfleto que lançava dúvidas sobre a validade de se ensinar pelo seu método. O jornal Primeiro de Janeiro, em outubro de 1883, registrou a intervenção do Abade de Arcozelo na alfabetização de um surdo. Em Biblioteca do povo e das escolas de 1887, Arcozelo procurou provar o caráter científico do Alfabeto Natural, pedindo ao amigo Urbino de Freitas, professor da Faculdade de Medicina de Coimbra, que fizesse a apresentação do manual

Foi pároco na diocese do Porto, de Custóias (de 1857 a 1860) e de Arcozelo (de 1860 a 1895).