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Pessoas, Entidades
Almeida, Fialho de
Pessoa singular · 1857-1911

José Valentim Fialho de Almeida nasceu em Vila de Frades, no Alentejo, dia 7 de maio de 1857, e faleceu em Cuba (Alentejo), a 4 de março de 1911.

Foi estudar para Lisboa em 1866, no Colégio Europeu. Fez a sua estreia literária no jornal Correspondência de Leiria. Por falta de meios económicos, abandonou os estudos e começou a trabalhar como praticante de farmácia numa botica lisboeta. Publica o seu primeiro volume 'Contos' em 1881. Voltou a estudar, desta vez no Liceu Francês e na Escola Politécnica, iniciando a formação em Medicina. Entretanto, colaborou frequentemente com a imprensa, escrevendo contos, crónicas, críticas literárias e teatrais, e redigiu entradas para dicionários e outras publicações. Chegou também a dar aulas. Terminado o curso em 1885, Fialho de Almeida nunca chegou a fazer a prática de médico - optando ao invés por se dedicar exclusivamente à escrita e à prática jornalística.

Em 1889, um editor portuense (Alcino Aranha) atraído pelo estilo original e satírico de Fialho de Almeida, propôs-lhe a publicação mensal de uma crónica. Surgiu então, nesse ano, o primeiro fascículo d'Os Gatos, que se publicaria até 1894 - marcado por um tom crítico e satírico.

Fialho de Almeida colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente nos jornais humorísticos Pontos nos ii (1885–1891) e A Comédia Portuguesa (fundado em 1888),e também nas revistas: Renascença (1878–1879?), A Mulher (1879), O Pantheon (1880–1881), Ribaltas e Gambiarras (1881), Branco e Negro (1896–1898), Brasil-Portugal (1899–1914), Serões (1901–1911) e, postumamente, na Revista de turismo iniciada em 1916. Também colaborou n' O Interesse Público, de que foi diretor literário (Lisboa, 1886), n' O Repórter (Porto, 1888), Revista de Portugal (Porto, 1889-1892), de Eça de Queirós, Ovos Moles e Mexilhões (Aveiro, 1893), Serões: revista mensal illustrada (Lisboa, 1901), Novidades (Lisboa, 1885) e Correio da Manhã (Rio de Janeiro, 1901). Usou o pseudónimo de «Valentim Demónio» em diversos artigos publicados na revista literária A Crónica, por ele fundada, e dirigida, em 1880.

Distinguiu-se também como contista, publicando várias obras.

Em 1893, na sequência do seu casamento com Emília Augusta Garcia Pego, alentejana e abastada proprietária rural, Fialho de Almeida foi residir para Cuba. Ela faleceu no ano seguinte, o que o levou a abandonar a vida do campo e a regressar à escrita. Viajou por Espanha, França, Suíça, Alemanha, Bélgica e Holanda. Criticou duramente o recém-implantado regime da República, antes de falecer em 4 de março de 1911, em Cuba.

Andrade, Celeste de
Pessoa singular · 1922-2007

Maria Celeste Freire de Andrade Rates, nasceu no dia 17 de junho de 1922, na cidade de Lisboa (foi registada após alguns dias, sendo a data oficial do seu nascimento 22 de junho de 1922), e faleceu em 2007 na mesma cidade.

Filha de José Carlos Rates, um dos fundadores do Partido Comunista Português (PCP), escritor e dirigente sindical e de Maria Freire de Andrade, doméstica.

Estava rodeada de escritores, já que era prima do escritor, professor, editor e diretor literário Garibaldino de Andrade e sobrinha do escritor e crítico literário João Pedro de Andrade. Ela escolheu começar a trabalhar, embora tivesse os meios económicos para não o fazer, o que levou a que não terminasse o Liceu. Trabalhou como correspondente comercial e a traduzir correspondência para o francês.

Em 1943, casou-se com o operário Carlos Emídio de Jesus Duarte - divorciaram-se apenas três anos depois. Trabalhou como atriz no Teatro-estúdio do Salitre, com o nome Maria Celeste. Aí, conheceu o seu futuro marido Nataniel Costa, que era escritor, diplomata e professor. Casaram em 1947, tendo sido padrinhos de casamento a atriz Glicínia Quartin e o seu marido António Jacinto das Neves Pedro, o tio de Celeste, João Pedro de Andrade e o encenador, jornalista e coreógrafo Tomás Ribas. Nesse mesmo ano, publicou o seu primeiro conto, ‘A Gata’, no periódico semanal Mundo Literário, nº50.

Nataniel era também diretor literário da editora Estúdios Cor, responsável pela publicação de traduções de Celeste de Andrade, entre as quais A Minha Infância de Máximo Gorki e Fim de Semana em Zudycoote de Robert Merle. Publicou também pela Estúdios Cor o seu primeiro romance, 'Grades Vivas', em 1954.

De 1959 a 1962, Celeste de Andrade viveu em França, onde o marido era cônsul português, e depois na Suíça, onde ele cumpriu a função de embaixador. Já em plena democracia, Celeste conclui os seus estudados, terminando o Liceu e estudando História na Universidade Autónoma. Trabalhou como assistente de um professor na disciplina de História da Arte, na mesma instituição de ensino. Escreveu pequenos escritos, sob o pseudónimo Cláudia Avelar. Foi amiga de Irene Lisboa e de José Saramago, para quem chegou a enviar o original do que seria o seu segundo livro.

Celeste Andrade faleceu em Lisboa, no ano de 2007, sem nunca mais ter conseguido publicar. O espólio da escritora está com a sua filha Paula Nataniel.

Andrade, João Pedro de
Pessoa singular · 1902-1974

João Pedro Freire de Andrade - dramaturgo, novelista, crítico literário e teatral, ensaísta e tradutor português - nasceu em Ponte de Sor, a 13 de Março de 1902 e morreu em Lisboa, dia 13 de Fevereiro de 1974. Escreveu mais de 20 peças de teatro.

Filho de José Pedro da Conceição e de Rufina Freire de Andrade, foi-lhe dado o nome João Pedro da Conceição ao nascer. Requisitou a mudança de nome para refletir o apelido da mãe, e adotou João Pedro de Andrade como nome literário.

Começou a trabalhar no jornal O Século quando se mudou para Lisboa com a família. Na cidade, estudou contabilidade no Instituto Comercial de Lisboa e tornou-se guardo-livros em Santiago do Cacém. Alcançou o posto de chefe de contabilidade na empresa Amoníaco Português.

As suas primeiras obras literárias foram de poesia - estreou-se com o poema Beatrice (1921) e com a coletânea - Castelos... (1923) - primeiro e último livro de poesia. Publicou contos para o 'Domingo Ilustrado' a partir de 1926, colaboração que se estendeu até 1964. A sua inclinação para o teatro começou com a peça Noite negra (hoje perdido), que enviou ao suplemento Notícias Teatral (Diário de Notícias).

Só em 1939 conseguiu publicar a sua primeira peça - 'Continuação da comédia', editada pela revista 'presença - folha de arte e de crítica' (fundada e dirigida por João Gaspar Simões, Branquinho da Fonseca e José Régio).

A censura existente durante o regime do Estado Novo prejudicou o dramaturgo, levando a que as suas peças não fossem representadas em palco. 'Transviados' e 'O lobo e o homem' eram para ser levadas ao palco do Dona Maria II, mas foram ambas proibidas.

O Teatro-Estúdio do Salitre foi um dos teatros que apoiou e levou a palco algumas das suas peças, como 'O saudoso extinto' e 'Maré alta' (esta última tinha sido proibida pela censura). O grupo Companheiros do Pátio das Comédias também representaram a sua peça - 'Continuação da comédia' em 1948, que teve também uma versão exibida na RTP (1957) e transmitida pela rádio (1973). Outras peças foram encenadas pela Sociedade Guilherme Cossoul e pelo Teatro d'Ensaio.

Traduziu várias obras de Camus, André Gide, Flaubert, Honoré de Balzac, Marcel Aymé, Claude Roy, etc. Também foi um prolífico crítico de teatro, deixando vários artigos espalhados por vários periódicos.

Barros, João de.
Pessoa singular · 1881-1960

João de Barros foi um poeta, pedagogo e político português. Nasceu na Figueira da Foz, dia 4 de Fevereiro de 1881 e faleceu em Lisboa, dia 25 de Outubro de 1960.

Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra.

Em 1910 iniciou-se na Maçonaria, com o nome simbólico de João de Deus.

Durante a 1ª República Portuguesa, foi um alto funcionário do Ministério da Instrução Pública, desempenhando as funções de chefe de repartição, diretor-geral do ensino primário, diretor-geral do ensino secundário e secretário-geral do ministério. Ligou também o seu nome, com o de João de Deus Ramos, à Reforma da Instrução Primária, de 29 de Março de 1911.

Aderiu ao Partido Republicano Português, depois dito Partido Democrático, e nele se manteve até 1924, data em que aderiu ao Partido Republicano da Esquerda Democrática. Foi um dos últimos Ministros dos Negócios Estrangeiros da 1ª República.

Defendeu a existência de relações culturais entre Portugal e o Brasil.

A Ditadura MIlitar e o Estado Novo afastaram-no da vida política ativa, mas continuou a defender ideais republicanos, participando em diversas manifestações da Oposição Democrática e apoiando as candidaturas à presidência da República de Norton de Matos (1949) e Humberto Delgado (1958).

Bastos, Rachel
Pessoa singular · 1903-1984

Rachel/Raquel Bastos Osório de Castro e Oliveira foi uma escritora e cantora portuguesa. Nasceu em 1903 e faleceu em 1984, em Lisboa.

Soprano ligeiro, estudou no Conservatório Nacional e iniciou a sua carreira artística em 1923, no Coliseu dos Recreios, interpretando o papel de Gilda, do Rigoletto. O êxito levou-a a representar várias figuras principais de ópera italiana e nacional, tanto em palcos portugueses como brasileiros. Acabou por abandonar a ópera e dedicar-se apenas ao lied (género musical de origem alemã - canção a uma voz (ou mais) acompanhada por piano).

Em 1930, casou com o escritor José Osório de Oliveira, filho de Ana de Castro Osório, o que possivelmente a incentivou a enveredar pela escrita.

Conviveu de perto com Cecília Meireles e o seu marido, Correias Dias.

Batalha, Ladislau Estêvão da Silva.
Pessoa singular · 1856 -1936

Ladislau Estevão da Silva Batalha - escritor, jornalista, político e intelectual português de orientação socialista - nasceu a 2 de agosto de 1856, em Lisboa, e faleceu a 26 de fevereiro de 1939, em Arruda dos Vinhos. Era filho de João Cesário da Silva Batalha e de Emília Adelaide Batalha.

A sua vida política iniciou-se muito jovem: com quinze anos, já frequentava o Centro Republicano Democrático. Frequentava também a Nova Livraria Internacional, onde passavam franceses e espanhóis foragidos ou exilados e figuras do republicanismo português.

Em 1876, ocorreu a sua polémica expulsão do Centro Republicano Democrático, juntamente com Carrilho Videiro, por ser acusado de ser 'espião do governo'. Em resposta a estes eventos, escreveu o panfleto 'A nova inquisição ou o directorio republicano e os seus actos perante a opinião pública', criticando duramente o Centro Democrático. Decidiu então abandonar o país, viajando para São Tomé e Príncipe.

Em S. Tomé, foi contratado pelo Governador-geral para ser intérprete, devido ao seu domínio do inglês, francês e alemão. Depois, tornou-se funcionário da Curadoria-Geral, com o objetivo de fiscalizar as roças. Perseguido pelos roceiros, partiu para Angola em 1877, onde trabalhou no Jornal de Luanda. Deslocou-se então para o interior de Angola, dedicando-se ao comércio. Recebeu uma proposta de casamento com uma princesa de Soba Quinebuto e chegou a casar-se - mas optou por fugir, seguindo com dois companheiros que conhecera na tribo para o norte de Angola.

Daí chegou ao Congo Belga e ao Estado Livre do Congo, embarcando num navio baleeiro norte-americano rumo a New Bedford, Massachusetts. Nessa cidade, trabalhou numa fábrica de vidro como gravador. Integrou então a tripulação de um navio bacalhoeiro - viajando pelo Ártico. Embarcou de novo como marinheiro, desta vez rumando ao Japão e China. Com intenções de voltar à pátria, em Cabo Verde recebeu uma proposta de trabalho, prestando serviços para os consulados argentino e francês. Conheceu a sua primeira mulher, que lhe daria uma filha - mas ambas viriam a morrer de tuberculose.

Regressou a Portugal c.1887-1890, dedicando-se à escrita de algumas obras políticas. Partiu de novo, desta vez para o Reino Unido, em 1903 - esta viagem foi alvo de relatos publicados inicialmente no Diário de Notícias, e depois reunidos num livro. Em 1909, juntamente com a sua mulher Ernestina Costa, estabeleceu-se no Barreiro. Aí se envolveu no movimento operário local e fundou o periódico Àvante! Defensor das classes trabalhadoras e dos interesses locaes (1909-1910).

A 11 de maio de 1919, foi eleito deputado nas eleições para a Câmara dos Deputados nas listas do Partido Socialista Português pelo círculo eleitoral do Porto. Foi também eleito para a Comissão das Colónias. A sua última intervenção no parlamento foi em 1921.

Em 1922, foi fundado o semanário O Protesto, do qual Ladislau Batalha foi o primeiro diretor. Entre 1926 e 1927, colaborou várias vezes no semanário A Batalha.

Branco, Camilo Castelo.
Pessoa singular · 1825-1890

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (16 de março de 1825, Lisboa - 1 de junho de 1890, Famalicão) foi um escritor português do Romantismo, que se destacou pela quantidade e qualidade dos seus escritos. Desde a poesia, a traduções, a romances, a obras históricos, e outros, produzindo uma diversificada obra literária.

Brehm, António Mesquita
Pessoa singular · 1927-2022

António Mesquita Brehm, dramaturgo e ficcionista português, nasceu em Lisboa em 29 de junho de 1927 e faleceu na mesma cidade em abril de 2022.

Descendente de uma família alemã originária da Baviera. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas em Lisboa. Foi redator do jornal O Século.

Mudou-se para Luanda, onde foi professor e continuou a escrita de romances e peças de teatro. Fundou o Grupo Experimental Verney. Em 1961, escreveu um texto de ficção sobre a guerra colonial, "Kambuli: O Despertar da Consciência", que circulou clandestinamente em Angola e em Portugal e acabou apreendido pela PIDE.

Em 1962, tomou parte na tentativa de golpe militar, tendo sido preso juntamente com Manuel Alegre e Silva Araújo. Ainda em Angola fundou Liga de Apoio aos Presos Políticos, que, após a libertação, recebeu os prisioneiros do Campo de Concentração de São Nicolau, e presidiu às Jornadas para a Renovação do Ensino em Angola.

De novo em Lisboa, foi nomeado coordenador dos Cursos de Comunicação Social destinados oficialmente à formação de jornalistas das ex-colónias portuguesas de África. Em 1980 e sob o pseudónimo de Vitório Káli, submeteu o romance "Jánika: O Livro da Noite e do Dia" ao Prémio de Literatura do Círculo de Leitores, que ganhou.

Dedicou-se também à pesquisa nos campos da metapsíquica e da parapsicologia, atividade que marcou as suas obras de ficção.

Brun, André
Pessoa singular · 1881-1926

André Francisco Brun (Coração de Jesus, Lisboa, 9 de Maio de 1881 – Camões, Lisboa, 22 de Dezembro de 1926) foi um humorista e escritor português de ascendência francesa. Era filho de André Régis Brun e de Anna Dayska Nougaraide, doméstica, ambos cidadãos franceses.

A 9 de junho de 1915, casou primeira vez civilmente, em Lisboa, com Maria Irene Soares Vieira da Silva. Divorciaram-se em 1925. A 12 de junho de 1926, casou segunda vez civilmente, em Lisboa, com a escritora Alice Ogando. Viria a morrer de tuberculose nesse mesmo ano, doença contraída quando combateu na I Guerra (cuja participação inspirou a sua obra A Malta das Trincheiras).

Caires, Lutegarda Guimarães de
Pessoa singular · 1858-1935

Lutegarda do Livramento Guimarães de Caires (poetisa, escritora e feminista) nasceu em Vila Real de Santo António, 17 de novembro de 1858 e faleceu em Lisboa, 30 de março de 1935. Era filha de João António Guimarães e de Maria Teresa de Barro.

Mudou-se para Lisboa, e casou em 1877 com o tenente de infantaria Serafim Duarte Soares Coelho. O marido vai para Angola onde virá a falecer em 1889. Nesse mesmo ano, conheceu o que viria a ser o segundo marido - João de Caires, advogado madeirense e escritor, além de fundador da Sociedade de Propaganda de Portugal. Desse casamento, nasceu o seu filho Álvaro Guimarães de Caires, que viria a ser médico, professor na Universidade de Sevilha, escritor e investigador

Dedicou-se a causas sociais, visitando crianças doentes no Hospital D. Estefânia. Durante dez anos promoveu o evento "Natal das Crianças dos Hospitais". Em 1911, fez um estudo da situação dos presos, especialmente das mulheres (naquela época, as prisões eram mistas), denunciando as terríveis condições das prisões portuguesas. Em junho de 1913, Lutegarda Guimarães, juntamente com Ana Augusta de Castilho, Beatriz Pinheiro, Maria Veleda e Joana de Almeida Nogueira, representaram a delegação portuguesa na Sétima Conferência da Aliança Internacional de Sufrágio Feminino, em Budapeste. Feminista convicta, insurgiu-se contra a discriminação de que eram vítimas as mulheres por não poderem dispor dos seus próprios bens. Publicou vários artigos em jornais em defesa dos direitos das mulheres.

Câmara, João da
Pessoa singular · 1852-1908

João Maria Evangelista Gonçalves Zarco da Câmara (Alcântara (Lisboa), 27 de Dezembro de 1852 - Alcântara (Lisboa), 2 de Janeiro de 1908), mais conhecido como D. João da Câmara, foi um dramaturgo português. Foi o primeiro português a ser nomeado para o Prémio Nobel da Literatura, em 1901.

Era filho dos 1.ºs marqueses da Ribeira Grande, D. Francisco de Sales Gonçalves Zarco da Câmara (1819-1872) e de sua mulher D. Ana da Piedade Brígida Senhorinha Francisca Máxima Gonzaga de Bragança Mello e Ligne Sousa Tavares Mascarenhas da Silva (1822-1856).

Câmara, José Paulo da
Pessoa singular · 1887-1939

José Paulo da Câmara (Lisboa, 25 de Janeiro de 1887 - Campinas, Brasil, 1939) foi um poeta, dramaturgo e jornalista português. Filho do dramaturgo e escritor português D. João Maria Evangelista Gonçalves Zarco da Câmara e de D. Eugénia de Melo Breyner. Era irmão de Tomás da Câmara.

Carreiro, José Bruno
Pessoa singular · 1880-1957

José Bruno Tavares Carreiro - jurista, jornalista e política autonomista açoriano - nasceu em Coimbra, a 28 de Agosto de 1880 e morreu em Ponta Delgada, a 4 de Janeiro de 1957.

Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra. Regressou a S. Miguel, onde exerceu o cargo de Subdelegado do Procurador Régio e a prática de advogado. A partir de 1910, foi nomeado secretário do governo civil, cargo ocupado até à reforma, em 1949.

Aderiu ao Partido Regenerador e colaborou no seu jornal, O Distrito, em 1907-08. Em 1920 fundou o Correio dos Açores, dirigindo-o até 1937.

Castro, Augusto de
Pessoa singular · 1883-1971

Augusto de Castro Sampaio Corte-Real (Porto, 11 de janeiro de 1883 — Campolide, 24 de julho de 1971), mais conhecido por Augusto de Castro, foi um escritor, advogado, jornalista, diplomata e político português.

Foi diretor do "Diário de Notícias" de 1919 a 1924, de 1939 a 1945, e a partir de 1947 até à data da sua morte. Também colaborou na Revista Nova (1901-1902), no periódico A Imprensa (1919) e no Boletim do Sindicato Nacional dos Jornalistas (1941-1945).

Castro, José Maria Ferreira de.
Pessoa singular · 1898-1974

José Maria Ferreira de Castro (Ossela, Oliveira de Azeméis, 24 de maio de 1898 – Porto, 29 de junho de 1974) foi um escritor e jornalista português.

Aos 12 anos, embarcou com destino a Belém do Pará, no Brasil. Ali viria a publicar o seu primeiro romance, Criminoso por Ambição, em 1916. Viveu em plena floresta amazónica durante quatro anos.

Em 1930 publicou A Selva, obra que o tornou um escritor de dimensão internacional, tendo sido traduzida para 15 línguas. Por causa desta obra chegou a ser candidato a Prémio Nobel.

Após o falecimento da esposa Diana Liz, Ferreira de Castro partiu para a Inglaterra de barco, na companhia do escritor Assis Esperança. Castro ficou doente, com septicemia, mas foi tratado pelo médico e historiador de arte Reynaldo dos Santos. Em consequência do estado de luto, em dezembro de 1931 Ferreira de Castro tentou cometer suicídio, mas sem sucesso. Partiu para a Madeira, onde escreveu o romance Eternidade (1933), cujo tema é a obsessão pela morte.

Dantas, Júlio.
Pessoa singular · 1876 - 1962

Júlio Dantas (Lagos, 19 de Maio de 1876 – Lisboa, 25 de maio de 1962) foi um escritor, médico, político e diplomata português.

Filho de Casimiro Augusto Vanez Dantas e de Maria Augusta Pereira de Eça, estudou no Colégio Militar em Lisboa e depois na Escola Médico-Cirúrgica dessa cidade, concluindo o curso em 1900. Daí passou a exercer Medicina no Exército, o que faria durante doze anos.

Entretanto, iniciava a sua carreira como dramaturgo: em 1899, era feita a primeira produção de uma das suas peças de teatro "O que morreu de amor", no Teatro Dona Amélia. A Ceia dos Cardeais (1902) guarneceu-lhe grande popularidade, sendo reeditada até hoje. Além disso, com obra na sua peça 'A Severa' foi feito o primeiro filme sonoro em português. A peça 'Os crucificados' abordava a questão da homossexualidade, algo inovador na época.

Iniciou a sua carreira política em 1905, sendo eleito deputado pelo Partido Progressista no círculo de Coimbra (1905). Em 1908, foi eleito sócio da Academia de Ciências de Lisboa - viria a ser seu presidente a partir de 1922.

Foi nomeado Diretor da Secção Dramática do Conservatório Nacional (1909), em que também foi professor e organizador do respetivo museu.

Em 1915, após a saída do segundo número da revista Orfeu, Dantas foi um dos críticos e opositores a este movimento literário. Por esse motivo, Almada Negreiros escreveu o conhecido Manifesto Anti-Dantas.

Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros em três governos (1914, 1921-1922, 1923), de Instrução Pública (durante apenas 41 dias). Pertenceu ao Partido Reconstituinte (1920) e ao Partido Nacionalista (1923).

Entre 1925 e 1928 foi o (primeiro) presidente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (SECTP), que mais tarde daria origem à Sociedade Portuguesa de Autores.

Em 1935 tornou-se procurador à Câmara Corporativa, cargo que deteria até 1961. Enveredou na carreira diplomática e , em 1941, foi enviado como embaixador especial ao Brasil e ficaria como embaixador permanente no Rio de Janeiro a partir de 1949.

Como escritor, Júlio Dantas acabou conotado com o regime do Estado Novo: “Júlio Dantas passou, com algum fundamento, pelo ornamento beatificado do Estado Novo, exemplo clássico do escritor conformista ao serviço de um regime que o promoveu e com ele se promoveu" (Dicionário Cronológico de Autores Portugueses). No entanto, algumas das suas obras revelam um caráter mais complexo.

Casou civilmente em 1942 com Maria Isabel Penedo Cardoso e Silva.

Deus, João de.
Pessoa singular · 1830-1896

João de Deus Nogueira Ramos (São Bartolomeu de Messines, Silves, 8 de Março de 1830 — Lapa, Lisboa, 11 de Janeiro de 1896), mais conhecido por João de Deus, foi um poeta lírico e pedagogo, defensor de um método de ensino da leitura, assente numa Cartilha Maternal.

Demorou dez anos a concluir o curso de Direito na Universidade de Coimbra. De 1851 conhece-se o poema Pomba e a elegia Oração, a qual foi a sua primeira obra publicada, tendo saído a público na Revista Académica em 1855. em 1858, uma crítica fortemente elogiosa no artigo A propósito de um Poeta, publicado no Instituto de Coimbra por Antero de Quental.

Foi para Beja, onde, entre 1862 e 1864, dirigiu o jornal O Bejense (onde publicou muitas das suas primeiras poesias). Mantendo colaboração com a imprensa regional alentejana e algarvia e redigindo a Folha do Sul, em São Bartolomeu de Messines e em Silves tentou sem sucesso a advocacia, tendo em 1868 optado por partir para Lisboa, cidade onde passou a residir.

Apresentou-se às eleições em 1868 como candidato independente pelo Círculo de Silves - sendo eleito. Em 1874, casou com Guilhermina das Mercês Battaglia. Um dos seus filhos, João de Deus Ramos, continuaria a obra pedagógica de seu pai.

Publicou em 1876, a sua Cartilha Maternal, método de ensino da leitura revolucionário no panorama pedagógico nacional. Este método foi dois anos depois, e por proposta do deputado Augusto de Lemos Álvares Portugal Ribeiro, aprovado como o método nacional de aprendizagem da escrita da língua portuguesa. Graças a esta decisão, João de Deus teria a nomeação vitalícia de "Comissário Geral da Leitura"

Em 1895, foi-lhe feita uma homenagem à escala nacional, sendo honrado como sócio honorário da Academia Real das Ciências e do Instituto de Coimbra e com a grã-cruz da Ordem de Santiago da Espada.