A Guiné-Bissau proclamou a independência em 24 de setembro de 1973, e Portugal demorou quase um ano a reconhecê-la. Mas 1975 é o ano que ganhou o nome das independências: Moçambique (25 junho), Cabo Verde (5 julho), São Tomé e Príncipe (12 julho), Angola (11 novembro). Estes países fazem 50 anos em 2025, e marcam igual tempo do fim do colonialismo português – bons motivos para termos começado a trabalhar em formas de celebramos em anos anteriores.
Há dois anos decidimos destacar no Mensário nº 2 as dinâmicas de difusão do Boletim PAIGC Actualités (1969-1974); no Mensário nº 6, relembrámos o projeto sobre a Descolonização Portuguesa, dirigido entre 1995 e 2003 pelo investigador Manuel Lucena e no Mensário nº 10, o AHS aproveitou a organização de um Congresso sobre Imprensa no Exilio para sistematizar e tornar acessíveis publicações do seu acervo produzidas por movimentos de libertação africanos.
É com base nesse trabalho que neste número a Escolha do Arquivista trata a ligação da rede de apoio aos movimentos de libertação africanos e a deserção de portugueses nos Países Baixos, explorando vários fundos do AHS, grande parte proveniente de estudantes portugueses no exílio, como o de António Barreto, José Barreto, José Laranjo, Vítor Matias Ferreira.
Para além disso, estamos a processar o espólio de José Carlos Horta (1935-2020), que fornece fontes sobre a rede de apoio aos movimentos de libertação africanos – quanto dela se sobrepõe à existente nesses fundos do AHS derivados de estudantes portugueses no exílio? O Seminário e a Oficina Arquivos da Libertação: anticolonialismos, memórias das Independências Africanas (19 a 21 de maio), de que o AHS é um dos promotores, vai certamente permitir-nos pensar ainda mais todos estes fundos que salvaguardamos relativos às independências.
Por fim, entrecruzando com o tema das independências, este número destaca também a história do teatro em Portugal ao longo do século XX, ora através de uma coleção pessoal, da atriz Glicínia Quartin, ora um subfundo institucional, da Sociedade Theatro Livre (1902-1908), resultado da recente colaboração da investigadora Daniela Spina com o AHS. Boas leituras. Inês Ponte
https://doi.org/10.57854/j95v-hh77/ulisboaics.2025