A Águia

Zona de identificação

Tipo de entidade

Pessoa coletiva

Forma autorizada do nome

A Águia

Forma(s) paralela(s) de nome

    Formas normalizadas do nome de acordo com outras regras

      Outra(s) forma(s) de nome

        identificadores para entidades coletivas

        Área de descrição

        Datas de existência

        1910-1932

        Histórico

        Um voo singular e longo
        "Ali – tudo o que é grande, forte, altivo:
        A Águia poisa, a nuvem pára,
        O ar é puro e vivo
        O Céu é mais profundo e a luz mais clara!"
        (Jaime Cortesão, A morte da águia, Poema heróico)

        Ao atravessar a Primeira República, A Águia fez e deu a conhecer o ambiente cultural e cívico da segunda e da terceira décadas do século XX português.

        A leitura das peças dos quatrocentos e vinte e três autores publicados transfere-nos para o seio dos confrontos doutrinários, das expressões de sensibilidade e das referências culturais da época.

        Ao apresentar-se, a partir de Janeiro de 1912, como órgão da "Renascença Portuguesa", a revista mensal de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social passou a dar expressão a um dos movimentos de intelectuais mais significativos e bem sucedidos na história nacional, pela ambição invulgar que mostrou, pelas vontades que soube congregar e, sobretudo, pela actividade criativa, editorial e formativa que desenvolveu.

        O próprio subtítulo, acima transcrito, regista a largueza de um gesto que queria abarcar autores distintos e domínios variados, desde que unidos pelo propósito de se subordinarem ao imperativo da reforma cultural da comunidade nacional. A atenção dispensada às artes, com a inclusão regular de gravuras originais, mais tarde reunidas em álbum autónomo, exemplifica, em âmbito particular, um desígnio que era geral.

        Embora a esperança de ressurgimento nacional assente na edificação dos concidadãos tenha merecido ampla adesão, já a aproximação dispensada ao nacionalismo novi-romântico e ao programa saudosista anunciado por Teixeira de Pascoaes, no editorial de abertura da segunda série, mostrou-se bem mais circunscrita. Álvaro Pinto, a alma executiva do periódico, tomou mesmo a iniciativa de propor a declaração de que o saudosismo não constituía doutrina da revista, António Sérgio contestou-o, em polémica viva, e o próprio Pascoaes acabou por retrair-se face às reservas suscitadas pela iluminação poética que revelara.

        A par da riqueza, da variedade e das contradições dos letrados da época, mormente nas suas vertentes adversas à positividade da racionalidade científica, A Águia distinguiu-se por dar a conhecer uma república com vida intelectual policêntrica.

        Não deixando de ser um título de vocação nacional, aliás, bem sucedido desde o início, a revista foi sempre uma publicação centrada no Porto, mesmo quando Álvaro Pinto levou a sua produção para o seu Anuário do Brasil, no Rio de Janeiro.

        A este propósito, não pode deixar-se de sublinhar que o vínculo do mensário ao Porto redobrou a partir da terceira série, dirigida por Leonardo Coimbra. Por um lado, o projecto seareiro, congeminado por renascentistas do grupo de Lisboa, a que Jaime Cortesão se juntou, afirmou-se e fez vingar as teses que tinham oposto Proença e Sérgio a Pascoaes. Por outro lado, a criação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, por iniciativa do próprio Leonardo Coimbra, conduziu a um relacionamento muito próximo entre a direcção da revista e a actividade docente da nova e irreverente escola.

        A leitura de A Águia, na elucidação das vozes, tonalidades, convergências, contradições, percursos e ciclos que lhe foram próprios, não cabe, obviamente, neste apontamento introdutório, que se destina a assinalar tão-só o lugar maior que o mensário ocupou na história intelectual recente.

        [...]

        Luís Andrade

        Locais

        Estado Legal

        Funções, ocupações e atividades

        Mandatos/fontes de autoridade

        "Dados editoriais
        A revista mensal A Águia, publicada entre Dezembro de 1910 e Junho de 1932, conheceu 205 edições, repartidas por cinco séries.
        A partir da segunda série, A Águia apresentou-se como órgão do movimento intelectual Renascença Portuguesa. Ao mesmo tempo que reiterava a pertinência dos princípios que afirmara em 1910, a revista propôs-se congregar grupos de intelectuais dispersos, editar inéditos e contribuir para o renascimento cultural da identidade portuguesa sob a bandeira política da liberdade, da democracia e da República.
        Ao longo de toda a publicação, o Brasil foi o país privilegiado em termos de presença e diálogo culturais e políticos. Sempre com a sede no Porto, A Águia foi impressa, entre Maio de 1920 e Junho de 1921, no Anuário do Brasil, no Rio de Janeiro.

        1ª Série – 10 n.ºs, de 1 Dez. de 1910 a Jul. de 1911 – A Águia: revista quinzenal ilustrada de literatura e crítica (a partir do n.º 7, de 1 Março de 1911, passou a ser publicada mensalmente, sem o registar no subtítulo). Nesta série, as informações sobre moradas, corpos directivos, colaboradores, tipografia e sumário do número constam da capa.

        N.º 1 (1 Dez. de 1910) a N.º 3 (1 Jan. de 1911)
        Director e proprietário: Álvaro Pinto.
        Editor: Tércio de Miranda.
        Direcção e administração: R. da Alegria, 218, Porto.
        Tipografia: Empresa Guedes, R. Formosa, Porto.

        N.º 4 (15 Jan. de 1911)
        Álvaro Pinto juntou a condição de editor ao estatuto de director.

        2ª Série – 120 n.ºs, de Jan. de 1912 a Out. de 1921 – A Águia: revista mensal de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social – Órgão da Renascença Portuguesa: associação de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social.
        N.º 1 (Jan. de 1912)
        Administrador: Tércio de Miranda.
        Director literário: Teixeira de Pascoaes.
        Director artístico: António Carneiro.
        Director científico: José de Magalhães.
        Secretário: Álvaro Pinto.
        Administração e redacção: Rua da Alegria, 218, Porto.
        Tipografia: Costa Carregal, Travessa Passos Manuel, 27, Porto.
        Gravuras: Cristiano de Carvalho, Rua de Cedofeita, 95, 1.º, Porto.

        N.º 2 (Fev. de 1912)
        Directores: Teixeira de Pascoaes e António Carneiro; sai José de Magalhães.

        N.º 13 (Jan. de 1913)
        Administração e redacção: Rua Sá da Bandeira, 363-2.º, Porto.

        N.º 25 (Jan. de 1914)
        Administrador e secretário de redacção: Álvaro Pinto; sai Tércio de Miranda.
        Administração, redacção e tipografia: Praça da República, 160-2, Porto.

        N.º 49 (Jan. de 1916)
        Administração, redacção e tipografia: Rua dos Mártires da Liberdade, 176, Porto.

        N.º 61-62-63 (Jan.-Fev.-Mar. de 1917)
        Director artístico: António Carneiro.
        Gerente: Álvaro Pinto.
        Gravuras: Cristiano Carvalho e Comércio do Porto.

        N.º 67-68 (Jul.-Ago. de 1917)
        Gravuras: Simão Guimarães.

        N.º 79-80-81 (Jul.-Ago.-Set. 1918)
        Correspondentes assinalados:
        França – Phileas Lebesgue
        Salamanca – Miguel de Unamuno
        Barcelona – Ribera y Rovira
        Rio de Janeiro – Costa Macedo.

        N.º 91-92-93 (Jul.-Ago.-Set. de 1919)
        Propriedade da Renascença Portuguesa.
        Directores: António Carneiro e Álvaro Pinto.
        Os correspondentes espanhóis deixam de constar.

        N.º 101-102 (Mai.-Jun. de 1920) a N.º 112-113-114 (Abr.-Mai.-Jun. de 1921)
        Redacção e administração mantêm-se na Rua Mártires da Liberdade, 176, Porto.
        Tipografia: Anuário do Brasil, Rua D. Manuel, 62, Rio de Janeiro.

        N.º 115-116-117 (Jul.-Dez. de 1921)
        Tipografia: A Tribuna, Rua Duque de Loulé, 108-124, Porto.

        3ª Série – 60 n.ºs, de Jul. de 1922 a Dez. de 1927 – A Águia: revista mensal de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social – Órgão da Renascença Portuguesa: associação de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social.
        N.º 1 (Jul. de 1922)
        Director: Leonardo Coimbra.
        Correspondentes:
        Paris – Phileas Lebesgue
        Rio de Janeiro – Álvaro Pinto.
        Redacção, administração e tipografia: Rua Mártires da Liberdade, 178, Porto.
        Gravuras: Simão Guimarães.
        Distribuidor no Brasil: Anuário do Brasil, Av. Rio Branco, 131-1º, Rio de Janeiro.

        N.º 7 (Jan. de 1923)
        Directores: Leonardo Coimbra e António Carneiro.

        N.º 19-20 (Jan.-Fev. de 1924)
        O Anuário do Brasil deixa de ser referido como distribuidor.

        N.º 37-42 (Jul.-Dez. de 1925)
        Secretário de redacção: Hernâni Cidade.

        N.º 55-57 (Jan.-Mar. de 1927)
        Muda o correspondente do Rio de Janeiro: Armando Tâmega.

        4ª Série – 12 n.ºs, de Jan. 1928 a Dez. de 1930, todos visados pela censura – A Águia: revista mensal de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social – Órgão da Renascença Portuguesa: associação de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social. Nesta série, toda a informação dos corpos directivos e o sumário dos artigos constam da capa da revista. O número duplo 10/11 (Jul.-Out. de 1929) foi objecto de apreensão policial.

        N.º 1-2 (Jan.-Abr. de 1928)
        Directores: Leonardo Coimbra, José Teixeira Rego e Hernâni Cidade.
        Director artístico: António Carneiro.
        Redacção e administração: Rua Mártires da Liberdade, 178, Porto.
        Tipografia: Costa Carregal, Travessa Passos Manuel, 27, Porto.

        N.º 7-8 (Jan.-Mar. de 1929)
        Comissão directiva: Leonardo Coimbra, Adolfo Casais Monteiro, Santana Dionísio.

        N.º 10-11 (Jul.-Out. de 1929)
        Comissão directiva: Leonardo Coimbra e Santana Dionísio (na capa). No bloco editorial da p. 1, Casais Monteiro ainda consta.

        5ª Série ou Ano XX – 3 n.ºs, de Jan. a Jun. de 1932, todos visados pela censura – A Águia: revista bimestral de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social – Órgão da Renascença Portuguesa: associação de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social. Nesta série toda a informação dos corpos directivos e o sumário dos artigos constam da capa da revista. Publicidade nos três números.

        N.º 1 (Jan.-Fev. de 1932)
        Comissão directiva: Leonardo Coimbra, Santana Dionísio.
        Secretário de redacção: Carlos Bastos.
        Redacção e administração: Rua Mártires da Liberdade, 178, Porto.
        Tipografia: Imprensa Moderna.

        N.º 2 (Mar.-Abr. de 1932)
        Comissão directiva: Aarão de Lacerda junta-se à direcção da revista.
        Redacção e administração: Rua do Almada, 627-629, Porto.

        N.º 3 (Mai.-Jun. de 1932)
        Comissão directiva: Delfim Santos junta-se à direcção da revista.
        Adelaide Machado

        Slhi

        Estruturas internas/genealogia

        Revista da Renascença Portuguesa

        Contexto geral

        1ª República Portuguesa (1910-1932)

        Área de relacionamentos

        Entidade relacionada

        Pinto, Álvaro. (1889-1957)

        Identificador de entidade relacionada

        Categoria da relação

        associativa

        Datas da relação

        Descrição da relação

        Entidade relacionada

        Cortesão, Jaime. (1884-1960)

        Identificador de entidade relacionada

        Categoria da relação

        associativa

        Datas da relação

        Descrição da relação

        Entidade relacionada

        A Renascença Portuguesa (Associação) (1912-1921)

        Identificador de entidade relacionada

        Categoria da relação

        hierárquica

        Tipo de relação

        A Renascença Portuguesa (Associação) é o proprietário de A Águia

        Datas da relação

        1912-1932

        Descrição da relação

        Área de pontos de acesso

        Pontos de acesso - Assunto

        Pontos de acesso - Local

        Ocupações

        Zona do controlo

        Identificador de autoridade arquivística de documentos

        PT/AHS-ICS/aguia_j

        Identificador da instituição

        PT/AHS-ICS

        Regras ou convenções utilizadas

        Estatuto

        Preliminar

        Nível de detalhe

        Mínimo

        Datas de criação, revisão ou eliminação

        criação: ip 2023
        revisão, ip, 2024-01, história, dados editoriais, contexto, fonte
        revisão, ip 2024-10, história

        Línguas e escritas

          Script(s)

            Fontes

            Álvaro Pinto, Ocidente, Vol. I, n.º 1, Maio de 1938, pp. 137-152. http://ric.slhi.pt/A_Aguia/testemunhos/alvaro_pinto
            Dados Editoriais: https://pt.revistasdeideias.net/pt-pt/a-aguia/foreword/editorial-data
            Trindade, Luis, Um Voo Singular e Longo: https://pt.revistasdeideias.net/pt-pt/a-aguia/foreword/presentation

            Notas de manutenção