Item 439 - Águia : Órgão da Renascença Portuguesa / Dir. Álvaro Pinto; Prop. e órgão da Renascença Portuguesa. Porto: [s.n.]

Original Objeto digital not accessible

Zona de identificação

Código de referência

PT-AHS-ICS-PQ-J-439

Título

Águia : Órgão da Renascença Portuguesa / Dir. Álvaro Pinto; Prop. e órgão da Renascença Portuguesa. Porto: [s.n.]

Data(s)

  • 1910-12-01 (Produção)

Nível de descrição

Item

Dimensão e suporte

Vários exemplares; papel

Zona do contexto

Nome do produtor

(1889-1957)

História biográfica

"Fundador da revista A Águia, em 1910, é também um dos principais dinamizadores do grupo de jovens republicanos que criou, no Porto, a Renascença Portuguesa, de que a revista se tornaria órgão oficial, a partir da sua 2ª série, em 1912. As vinte cartas de Fernando Pessoa que, como seu destinatário, Álvaro Pinto deu a conhecer, em 1944, na revista Ocidente, constituem um precioso documento sobre as relações do poeta de Lisboa com o movimento saudosista portuense. Álvaro Pinto é, entre 25 de Abril de 1912 (data da primeira carta) e Novembro de 1914, um interlocutor privilegiado, atendendo à sua qualidade de secretário da redacção da revista e responsável, por isso, pelos contactos com os colaboradores. Torna-se, assim, também um elo de ligação de Pessoa com os principais renascentes: Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão. Por outro lado, dá mostras de um grande zelo na edição da revista (onde Pessoa aparece, pela primeira vez, em público, no nº 4, Abril de 1912, com «A nova Poesia Portuguesa sociologicamente considerada»), conforme as explicações de Pessoa e as suas desculpas pelo atraso no envio ou conclusão dos artigos prometidos deixam supor. O poeta felicita-o mesmo, numa carta de 28 de Janeiro de 1913, pela sua «maravilhosa tenacidade, a sua capacidade organizadora e aquela dedicação», postas «ao serviço de uma causa cuja importância é maior do que talvez o mais ousado de nós ousa dizer». Mas, Pessoa afasta-se progressivamento da orientação saudosista e lusitanista de A Águia, do espírito de seita que anima o grupo. Os mentores da revista começam a dar sinal de pouca simpatia pelas suas colaborações. Uma carta de 12 de Novembro de 1914 consuma o «divórcio», mostrando-se Pessoa ofendido pela ausência de resposta à sua vontade de publicar uma plaquette de O Marinheiro, através da revista, e clarificando as suas divergências com a Renascença Portuguesa, que Álvaro Pinto representa."

Nome do produtor

(1910-1932)

História administrativa

Um voo singular e longo
"Ali – tudo o que é grande, forte, altivo:
A Águia poisa, a nuvem pára,
O ar é puro e vivo
O Céu é mais profundo e a luz mais clara!"
(Jaime Cortesão, A morte da águia, Poema heróico)

Ao atravessar a Primeira República, A Águia fez e deu a conhecer o ambiente cultural e cívico da segunda e da terceira décadas do século XX português.

A leitura das peças dos quatrocentos e vinte e três autores publicados transfere-nos para o seio dos confrontos doutrinários, das expressões de sensibilidade e das referências culturais da época.

Ao apresentar-se, a partir de Janeiro de 1912, como órgão da "Renascença Portuguesa", a revista mensal de literatura, arte, ciência, filosofia e crítica social passou a dar expressão a um dos movimentos de intelectuais mais significativos e bem sucedidos na história nacional, pela ambição invulgar que mostrou, pelas vontades que soube congregar e, sobretudo, pela actividade criativa, editorial e formativa que desenvolveu.

O próprio subtítulo, acima transcrito, regista a largueza de um gesto que queria abarcar autores distintos e domínios variados, desde que unidos pelo propósito de se subordinarem ao imperativo da reforma cultural da comunidade nacional. A atenção dispensada às artes, com a inclusão regular de gravuras originais, mais tarde reunidas em álbum autónomo, exemplifica, em âmbito particular, um desígnio que era geral.

Embora a esperança de ressurgimento nacional assente na edificação dos concidadãos tenha merecido ampla adesão, já a aproximação dispensada ao nacionalismo novi-romântico e ao programa saudosista anunciado por Teixeira de Pascoaes, no editorial de abertura da segunda série, mostrou-se bem mais circunscrita. Álvaro Pinto, a alma executiva do periódico, tomou mesmo a iniciativa de propor a declaração de que o saudosismo não constituía doutrina da revista, António Sérgio contestou-o, em polémica viva, e o próprio Pascoaes acabou por retrair-se face às reservas suscitadas pela iluminação poética que revelara.

A par da riqueza, da variedade e das contradições dos letrados da época, mormente nas suas vertentes adversas à positividade da racionalidade científica, A Águia distinguiu-se por dar a conhecer uma república com vida intelectual policêntrica.

Não deixando de ser um título de vocação nacional, aliás, bem sucedido desde o início, a revista foi sempre uma publicação centrada no Porto, mesmo quando Álvaro Pinto levou a sua produção para o seu Anuário do Brasil, no Rio de Janeiro.

A este propósito, não pode deixar-se de sublinhar que o vínculo do mensário ao Porto redobrou a partir da terceira série, dirigida por Leonardo Coimbra. Por um lado, o projecto seareiro, congeminado por renascentistas do grupo de Lisboa, a que Jaime Cortesão se juntou, afirmou-se e fez vingar as teses que tinham oposto Proença e Sérgio a Pascoaes. Por outro lado, a criação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, por iniciativa do próprio Leonardo Coimbra, conduziu a um relacionamento muito próximo entre a direcção da revista e a actividade docente da nova e irreverente escola.

A leitura de A Águia, na elucidação das vozes, tonalidades, convergências, contradições, percursos e ciclos que lhe foram próprios, não cabe, obviamente, neste apontamento introdutório, que se destina a assinalar tão-só o lugar maior que o mensário ocupou na história intelectual recente.

[...]

Luís Andrade

Entidade detentora

História do arquivo

Fonte imediata de aquisição ou transferência

Zona do conteúdo e estrutura

Âmbito e conteúdo

Revista quinzenal ilustrada de literatura e crítica.

Avaliação, seleção e eliminação

Incorporações

Sistema de organização

Zona de condições de acesso e utilização

Condições de acesso

Condiçoes de reprodução

Idioma do material

    Sistema de escrita do material

      Notas ao idioma e script

      Características físicas e requisitos técnicos

      Instrumentos de descrição

      Zona de documentação associada

      Existência e localização de originais

      Existência e localização de cópias

      Unidades de descrição relacionadas

      Descrições relacionadas

      Zona das notas

      Nota

      Director e proprietário: Álvaro Pinto.

      Identificador(es) alternativo(s)

      Pontos de acesso

      Pontos de acesso - Assunto

      Pontos de acesso - Local

      Pontos de acesso - Nomes

      Pontos de acesso de género (tipologias documentais)

      Identificador da descrição

      Identificador da instituição

      Regras ou convenções utilizadas

      Estatuto

      Nível de detalhe

      Datas de criação, revisão, eliminação

      Línguas e escritas

        Script(s)

          Fontes

          Objeto digital (URI externo) zona de direitos

          Área de ingresso