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            Almeida, Onésimo T.
            Pessoa singular · 1946 -

            Onésimo T. Almeida nasceu em Pico da Pedra, São Miguel, Açores, em 1946. Professor da Universidade Brown e académico há muito envolvido com a comunidade imigrante portuguesa, emigrou de São Miguel para os Estados Unidos no início da década de 1970.
            Através dos seus escritos e da organização de atividades políticas na Nova Inglaterra, Onésimo foi uma das poucas vozes que, de forma consistente, criticou publicamente o regime português.
            Após a Revolução, tornou-se um defensor público do futuro de Portugal, influenciando as respostas nos Estados Unidos à situação política do país e colaborando com os líderes que viriam a conduzir a transição portuguesa para a democracia. Os seus escritos públicos, a sua produção académica e o seu ativismo — incluindo a organização e participação em protestos durante este período de transição — foram fundamentais para que os portugueses e outros nos Estados Unidos pudessem compreender este momento histórico decisivo.

            Botelho, Adriano.
            Pessoa singular · 1892 - 1983

            Adriano Inácio Botelho (Angra do Heroísmo, 12 de setembro de 1892 — Lisboa, 1 de maio de 1983) foi jornalista, militante anarquista e dirigente anarco-ssindicalista, membro do Comité Confederal da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e dirigente de O Semeador, um dos mais produtivos grupos anarquistas portugueses.
            Tirou o ensino primário e o liceu nos Açores, frequentou a Universidade de Coimbra. Mudou-se para Lisboa em 1914, vivendo depois por uns anos em S. Miguel, retornando a Lisboa em 1919.
            Ao longo das décadas de 1920 e 1930 afirmou-se como um dos mais eficientes colaboradores da imprensa ligada à C.G.T. e às suas estruturas de base sindical. Considerado um «excelente jornalista», não houve nenhum jornal anarquista do tempo com o qual não colaborasse, o mesmo acontecendo com jornais operários como A Batalha, A Comuna, Aurora, Renovação (1925-1926) e muitos outros.

            Durante a fase inicial do Estado Novo, viveu na clandestinidade e colaborou, anonimamente, no jornal A Batalha.

            Brasil, Jaime.
            PT AHS-ICS JBrasil · Pessoa singular · 1896-1966

            Artur Jaime Brasil Luquet Neto (N. Angra do Heroísmo, 1896 – m. Lisboa, 1966) foi escritor e jornalista. Cursou o liceu e, durante a Grande Guerra, a escola de oficiais milicianos, entrando para o Exército como alferes.

            Jornalista brilhante, crítico literário e de arte, foi redactor do Primeiro de Janeiro, do Século, do Século da Noite, da República, do Diabo, dirigiu o jornal O Globo, de efémera duração, e muitos foram os jornais e revistas em que colaborou, sendo à data da sua morte chefe da delegação em Lisboa de O Primeiro de Janeiro, cuja excelente página «Das Artes, das Letras» organizou, desde início, durante muitos anos, e na qual colaboraram José Régio, Casais Monteiro, Gaspar Simões, Jorge de Sena, bem como inúmeros dos melhores autores das décadas de 40 e 50; as recensões críticas eram, nessa página que passou a ser dirigida pelo poeta Alberto de Serpa , assinadas com a letra A. (correspondente a Artur, de seu primeiro nome).

            Grande amigo do seu patrício Vitorino Nemésio, ajudou-o quando este, em 1921, vindo dos Açores, se estreou no jornalismo profissional.

            Jaime Brasil, para além de jornalista culto e probo, distinguiu-se como polemista, não poupando o adversário nas pugnas que travou (com o diário católico Novidades, a propósito do livro A Questão Sexual; com Agustina Bessa-Luís, acerca de Os Super-Homens, em 1950; e com um camilianista a quem chama «camelianista», em 1958).

            Em 1925 fundou o Sindicato dos Profissionais de Imprensa de Lisboa, do qual foi o primeiro secretário-geral. Em Paris, onde residia desde 1937 e para onde voltou, algum tempo, no final dos anos 40, fundou em 1939 a Union des Journalistes Amis de la République Française.

            Cabral, Manuel Villaverde.
            Pessoa singular · 1940-

            Nasceu em 1940 na freguesia de Rosto do Cão (S. Roque), concelho de Ponta Delgada, S. Miguel, Açores. Casado; uma filha e dois filhos; uma neta e um neto.
            Concluiu o Curso Geral dos Liceus em 1957 no Liceu D. João de Castro em Lisboa, tendo ingressado no mesmo ano no curso de Arquitectura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, que abandonou em 1958 para iniciar a vida profissional, primeiro como funcionário público e, depois, como quadro editorial (Jornal do Foro, Publicações Europa-América e Editorial Ulisseia).
            Exilado político desde Novembro de 1963 até ao 25 de Abril de 1974 em França, onde continuou a desenvolver actividades profissionais nos meios editoriais (quadro, empregado de livraria, tradutor, consultor, revisor de provas, etc.) e onde retomou os estudos universitários como trabalhador-estudante no ano lectivo de 1965-66.

            Carreiro, José Bruno
            Pessoa singular · 1880-1957

            José Bruno Tavares Carreiro - jurista, jornalista e política autonomista açoriano - nasceu em Coimbra, a 28 de Agosto de 1880 e morreu em Ponta Delgada, a 4 de Janeiro de 1957.

            Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Coimbra. Regressou a S. Miguel, onde exerceu o cargo de Subdelegado do Procurador Régio e a prática de advogado. A partir de 1910, foi nomeado secretário do governo civil, cargo ocupado até à reforma, em 1949.

            Aderiu ao Partido Regenerador e colaborou no seu jornal, O Distrito, em 1907-08. Em 1920 fundou o Correio dos Açores, dirigindo-o até 1937.

            Gomes, Mário de Azevedo.
            Pessoa singular · 1885 - 1965

            Mário de Azevedo Gomes (Angra do Heroísmo, 22 de dezembro de 1885 — São Lisboa, 12 de dezembro de 1965) foi um agrónomo, professor universitário e político português.
            Filho do oficial da Marinha Manuel de Azevedo Gomes e de Alice Hensler.

            Formou-se em Agronomia no Instituto de Agronomia e Veterinária. Iniciou a sua carreira de decente, sendo professor da Escola Nacional de Agricultura de Coimbra e no Instituto Superior de Agronomia. Aí, regeu primeiro o curso de Biologia Geral. Em fevereiro de 1915, foi nomeado professor catedrático de Silvicultura no mesmo instituto, cargo que manteria até à sua jubilação (com algumas interrupções).

            Foi fundador e primeiro diretor da Estação Agrária Nacional e dirigiu os programas de extensão rural, então designados por instrução agrícola, entre 1919 e 1925. Foi também chefe de repartição de instrução agrícola no Ministério da Instrução Pública.

            Em 1919, foi nomeado diretor-geral da instrução agrícola no Ministério da Agricultura. Foi vogal do Conselho Técnico Florestal. Entre dezembro de 1923 e fevereiro de 1924, foi ministro da Agricultura.

            Foi vogal do Conselho Superior de Agricultura, como delegado da Sociedade de Ciências Agronómicas. Fez também parte da Comissão encarregada de elaborar o projeto da arborização da serra de Monsanto e regiões limítrofes.

            Participou na oposição à ditadura militar e ao regime do Estado Novo. Foi colaborador da Seara Nova até 1940 e membro da Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática (MUD), da qual seria presidente. Por causa de um manifesto crítico contra a posição de Portugal relativamente à ONU, foi demitido do seu cargo como professor na Universidade Técnica de Lisboa (foi readmitido em 1951).
            Em 1948, já depois da extinção do MUD, foi o presidente da comissão central da candidatura de Norton de Matos. Foi o primeiro subscritor do Programa para a Democratização da República (1961). Foi preso político várias vezes: em 1946, 1948 e 1958.

            Foi consultor técnico da Companhia das Lezírias do Tejo e Sado e fez estudos para os Serviços Florestais na década de 1950 (monografia do Parque da Pena).

            Casou com Cristina Leopoldina Sousa de Menezes Marcellin Chambica (1918).

            Luz, Machado da
            Pessoa singular · 1903-1985
            Medeiros, Helena
            Pessoa singular · 1954 -

            Helena Medeiros nasceu em 1954 em Santa Bárbara, Ribeira Grande, São Miguel. Com 17 anos deixou os Açores com destino a Fall River, Massachusetts.
            Enquanto jovem imigrante micaelense, Medeiros participou em vários projetos de apoio a imigrantes, incluindo a Portuguese Youth Cultural Organization em Fall River, bem como um programa destinado a integrar estudantes portugueses recém-chegados no sistema escolar local.
            Trabalhou durante várias décadas como investigadora, nomeadamente na University of Southern California e na SUNY Albany, onde realizou um estudo longitudinal sobre a esquizofrenia em contextos locais e de imigração, utilizando os Açores como estudo de caso.

            Nemésio, Vitorino.
            Pessoa singular · 1901-1978

            Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Santa Cruz, Praia da Vitória, 19 de dezembro de 1901 – Prazeres, Lisboa, 20 de fevereiro de 1978) foi um poeta, romancista, cronista, académico e intelectual português.

            Na infância, teve fraco desempenho na escolaridade, tendo sido expulso do Liceu de Angra, e reprovado no quinto ano. Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria. Concluiu o liceu em Coimbra, em 1921, e inscreveu-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica da mesma Faculdade.

            Na primeira viagem que fez a Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conhece Miguel Unamuno, escritor e filósofo espanhol (1864–1936). Nesse mesmo ano foi iniciado na Maçonaria.

            Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, no ano seguinte, concluiu o curso de Filologia Românica, com elevadas classificações, começando desde logo a lecionar literatura italiana.

            Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio. Entre 1937 e 1939 lecionou na Vrije Universiteit Brussel, tendo regressado depois ao ensino na Faculdade de Letras de Lisboa.

            Em 1958 lecionou no Brasil. A 12 de setembro de 1971, atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde ensinara durante quase quatro décadas, passando a ser Catedrático Jubilado.

            Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de dezembro de 1975 a 25 de outubro de 1976.

            Pereira, José Augusto
            Pessoa singular · 1885-1969

            Comumente conhecido como Cónego Pereira, foi um historiador (foi um dos fundadores do Instituto Histórico da Ilha Terceira) e jornalista eclesiástico (redigiu para periódicos como A Crença, Correio da Horta e A União).
            Foi ainda cónego da Sé de Angra do Heroísmo, professor de Seminário Diocesano no mesmo local e vigário-geral dessa mesma diocese.

            Quintanilha, Aurélio.
            Pessoa singular · 1892-1987

            Aurélio Pereira da Silva Quintanilha (Santa Luzia, Angra do Heroísmo, 24 de abril de 1892 — Santa Isabel, Lisboa, 27 de junho de 1987) foi um professor universitário e cientista português. Ideologicamente, estava afiliado com o anarquismo, estando ativo politicamente especialmente no período anterior ao Estado Novo.

            Aurélio Quintanilha concluiu o liceu em Ponta Delgado. Com 16 anos partiu para o continente, primeiro para Lisboa e depois para Coimbra para frequentar a Escola do Exército, a qual terminaria com sucesso.

            Como não queria seguir a carreira militar, passou para Medicina na Universidade de Coimbra. Em 1912, regressou a Lisboa, para a Faculdade de Medicina.

            Os primeiros registos da sua atividade política datam também desta época. Em 1912, Quintanilha, com Adriano Botelho (dirigente anarcossindicalista da CGT, e outros) participou nas comemorações do 1º de Maio, integrado na corrente anarquista.

            Colaborou com o semanário anarquista Terra Livre, dirigido por Pinto Quartin, a partir de 1913. Nesse ano, participou no Congresso de Lisboa do Livre Pensamento Universal. Em 1914, fez parte do grupo anarquista “A Brochura Social” (Lisboa), juntamente com Neno Vasco e Sobral de Campos, grupo que pretendia editar mensalmente folhetos de propaganda libertária.

            Participou como orador num comício organizado pelo grupo libertário Aurora (Porto), acompanhando Neno Vasco e Sobral de Campos. Participou também na Conferência Anarquista da Região Sul (Junho de 1914, Lisboa)

            Em 1915, representou a Federação das Juventudes Sindicalistas de Portugal e França, no Congresso Mundial contra a Guerra (Ferrol, Espanha) e que se realizou clandestinamente. Tendo sido descobertos pela polícia são expulsos de território espanhol os delegados portugueses.

            Também nesse ano, iniciou-se na licenciatura em Ciências Histórico-Naturais na Faculdade de Ciências de Lisboa. Foi convidado em 1917 para segundo assistente em Citologia.

            Apoiou o golpe militar sidonista de Dezembro de 1917 juntamente com outros militantes libertários e republicanos. Na tentativa insurrecional monárquica de Paiva Couceiro (Janeiro e Fevereiro de 1919), Aurélio Quintanilha juntou-se à resistência militar.

            Nesse mesmo ano, terminou a licenciatura, obtendo a classificação de 20 valores. Foi convidado para primeiro assistente na Faculdade de Ciências de Coimbra, lecionando Morfologia e Fisiologia dos Vegetais. Desenvolveu também um centro de investigação de Biologia Experimental. Nessa época, iniciou a sua colaboração com a Sociedade Broteriana e com o seu Boletim.

            Para desenvolver o seu conhecimento sobre pedagogia, matriculou-se como aluno da Escola Normal Superior de Coimbra. Em 1921, fez o Exame de Estado com uma dissertação sobre com o título Educação de hoje — Educação de amanhã, assumindo uma visão libertária da educação, sugerindo a inclusão da educação sexual no ensino.

            Em 1925, Quintanilha foi um dos criadores da Universidade Livre de Coimbra que terá uma relativamente curta vida, terminando o projeto em 1933.

            Em 1926, doutorou-se com a tese Contribuição ao estudo dos Synchytrium e apresentou a dissertação O Problema das Plantas Carnívoras – estudo citofisiológico da digestão no Drosophyllum lusitanicum link. Foi então nomeado Professor Catedrático da Universidade de Coimbra.

            No ano de 1928, frequentou a “República das Águias” onde se conspirava contra a Ditadura Militar. No ano anterior, tinha sido detido pela PVDE.

            De 1928 a 1931, Quintanilha estagiou em Berlim. Foi expulso da Universidade de Coimbra no contexto do Estado Novo em 1935, apesar da sua atividade política ser muito reduzida na época. Emigrou e estabeleceu-se em França.

            Em 1937, pela sua comunicação no Congresso de Amesterdão: Cytologie et génétique de la séxualité chez les champigons, recebeu o Prémio Emil Christian Hansen, tendo-lhe sido atribuído a medalha de ouro da Academia Real das Ciências da Dinamarca.

            Serviu no exército francês, como voluntário. Após a derrota e ocupação da França, foi desmobilizado e regressou a Portugal.

            Em 1943, a Academia de Ciências de Lisboa concedeu-lhe o Prémio Artur Malheiros pelo seu trabalho Doze Anos de Citologia e Genética dos Fungos. Nesse ano, conseguiu que Salazar o enviasse para Moçambique, dirigindo aí o Centro de Investigação Científica Algodoeira de Lourenço Marques, cidade onde ficou até 1975.

            Em 1958, foi eleito sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

            Em 1975, o Presidente de Moçambique, Samora Machel, concedeu-lhe a nacionalidade moçambicana.

            Ribeiro, Ernesto Rodolfo Hintze.
            Pessoa singular · 1849 - 1907

            Presidente do Conselho de Ministros, Ministro das Obras Públicas, da Fazenda e dos Negócios Estrangeiros. Deputado e Par do Reino, formou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Tornou-se, em 1900, líder do Partido Regenerador.

            Scott, Dulce Maria Soares
            Pessoa singular · 1959-

            Dulce Maria (Medeiros) Soares Scott nasceu em São Miguel, Açores, em 1959 e emigrou para os Estados Unidos em 1977.
            Licenciou-se na Universidade de Massachusetts Dartmouth e obteve graus avançados na Universidade Brown, onde estudou sociologia e ciência política. Atualmente é presidente do Departamento de Serviço Social e Justiça Criminal e professora de Sociologia e Justiça Criminal na Universidade de Anderson, em Indiana.