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Pessoas, Entidades
Botelho, Adriano.
Pessoa singular · 1892 - 1983

Adriano Inácio Botelho (Angra do Heroísmo, 12 de setembro de 1892 — Lisboa, 1 de maio de 1983) foi jornalista, militante anarquista e dirigente anarco-ssindicalista, membro do Comité Confederal da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e dirigente de O Semeador, um dos mais produtivos grupos anarquistas portugueses.
Tirou o ensino primário e o liceu nos Açores, frequentou a Universidade de Coimbra. Mudou-se para Lisboa em 1914, vivendo depois por uns anos em S. Miguel, retornando a Lisboa em 1919.
Ao longo das décadas de 1920 e 1930 afirmou-se como um dos mais eficientes colaboradores da imprensa ligada à C.G.T. e às suas estruturas de base sindical. Considerado um «excelente jornalista», não houve nenhum jornal anarquista do tempo com o qual não colaborasse, o mesmo acontecendo com jornais operários como A Batalha, A Comuna, Aurora, Renovação (1925-1926) e muitos outros.

Durante a fase inicial do Estado Novo, viveu na clandestinidade e colaborou, anonimamente, no jornal A Batalha.

Carneiro, José da Costa
Pessoa singular · 1883-1946

Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário em Tóquio, entre 1925 a 1930.

Casa da Imprensa (1982-)
Pessoa coletiva · 1926-

A Casa da Imprensa – Associação Mutualista tem a sua origem na Associação de Classe dos Trabalhadores de Imprensa de Lisboa, criada em abril de 1905. O alvará régio que reconhece a associação tem a data de 24 de abril de 1905 e é assinado por D. Carlos. A primeira Direção era liderada por António José Guedes, sendo presidente da Assembleia Geral Luís Galhardo.

A associação, uma das várias que existiram com diversos objetivos e em diferentes momentos entre os profissionais da imprensa, teve em simultâneo, até final de 1924, altura em que se desdobrou no Sindicato dos Profissionais da Imprensa e na Caixa de Previdência do Sindicato dos Profissionais de Imprensa – Associação de Socorros Mútuos, as características de uma associação mutualista e as de uma associação de defesa de classe, por melhores condições de trabalho e salariais e de regulação de acesso à profissão jornalística.

A associação integrou desde o seu início, como sua estrutura principal, um Cofre de Beneficência e Pensões, que concedia benefícios materiais na doença e no desemprego, e pensões a viúvas e órfãos dos jornalistas associados. Além disto, teve sempre serviços clínicos, nos primeiros anos assegurados por médicos em regime de voluntariado.

O financiamento do Cofre era assegurado pelas quotizações e por receitas suplementares, realizando saraus de diversa índole, exposições, quermesses e tômbolas, em iniciativas patrocinadas por figuras públicas da época, como Manuel d’Arriaga, que viria a ser o primeiro Presidente da República, e que por essa ação foi proclamado Sócio de Mérito. A realização de iniciativas para a recolha de fundos destinados à sua ação seria aliás uma constante de toda a vida da Casa da Imprensa, atravessando várias épocas. As quotizações por si só não chegavam para financiar a atividade mutualista e, além das iniciativas, também os donativos particulares e os subsídios oficiais foram tendo um papel significativo no financiamento da mútua.

Fonseca, José Tomás da.
Pessoa singular · 1877-1968

José Tomás da Fonseca (Mortágua, 10 de Março de 1877 — Lisboa, 12 de Fevereiro de 1968) foi um agricultor, ex-seminarista, poeta, escritor, historiógrafo, jornalista, professor, político e militante republicano de cariz ateu e anticlerical português. Pertenceu ao Movimento de Unidade Democrática, à Maçonaria e ao Partido Comunista Português.

Por causa de seu ateísmo militante, sua verve polemista, das ideias republicanas, laicistas e ateias, das críticas às aparições em Fátima e à igreja católica Tomás foi perseguido pela PIDE, preso diversas vezes e 14 de seus livros foram censurados e banidos durante as ditaduras sidonista e salazarista.

A perseguição a Tomás da Fonseca o afastou das atividades docentes que ele desenvolvia no Conselho Superior de Instrução Pública, da direção da Escola Normal de Lisboa e de Coimbra e da Universidade Livre de Coimbra, que ele ajudou a fundar.

Fonseca, Lília.
Pessoa singular · 1906-1991

Maria Lília Valente da Fonseca Severino (Benguela, 21 de Maio de 1906 - Lisboa, 14 de Agosto de 1991) foi uma jornalista e escritora portuguesa. Foi a primeira mulher a integrar uma lista candidata às eleições legislativas, em 1957.

Nascida em Benguela, veio para Portugal muito nova. Estudou no Liceu Infanta D. Maria, em Coimbra, e na Escola Carolina Michäelis, no Porto.
Regressada a Angola, trabalhou como jornalista em Luanda, no diário A Província de Angola. Quando se radicou em Portugal, mais tarde, foi correspondente deste diário.

O seu primeiro romance foi publicado em 1944, Panguila, onde traça um retrato fiel da sociedade benguelense colonial da época.
Em Novembro de 1945, assinou um manifesto de intelectuais em protesto contra «as limitações de toda a espécie» a que a actividade intelectual estava sujeita pelo regime.

Fundou, em 1950, a revista Jornal-Magazine da Mulher, sendo sua directora até ao último número, em 1956.
Em 1957 foi candidata, a primeira mulher numa lista, às eleições legislativas.

Criou um grupo teatral, o Teatro de Fantoches de Branca Flor. O grupo apresentou-se em escolas, colónias de férias, bairros pobres da periferia de Lisboa e em teatros de província e representou Portugal em festivais internacionais de teatro de fantoches.

Foi bolseira da Fundação Gulbenkian, que lhe deu oportunidade de visitar teatros de marionetas de vários países.
Publicou numerosas obras literárias sobre a situação social da mulher, mas, principalmente, romances e literatura infantil.

Garção, Francisco Mayer
Pessoa singular · 1872-1930

Francisco de Sande Salema Mayer Garção (Lisboa, 18 de fevereiro de 1872 - Lisboa, 4 de agosto de 1930) foi um jornalista republicano e prolífico escritor. Era considerado «o príncipe do jornalismo». Foi pai do advogado Fernando Mayer Garção, opositor ao Estado Novo.

Lopo, Júlio de Castro.
Pessoa singular · 1889 - 1971

Júlio de Castro Lopo nasceu em Valpaços, em 1899 e morreu no mesmo local, em 1971. Era funcionário público, mas a sua grande paixão foi a investigação. Distinguiu-se como intelectual.

Passou grande parte da sua vida, quase meio século, em Angola. É conhecido por uma infinidade de obras e artigos científicos escritos em jornais e revistas.

Pinto Quartin. Familia
Família · 1906-2006

O AHs foi fundado a partir do depósito do Fundo de Pinto Quartin, entre 1979 e 1980. Em 2006 recebeu o espólio de Deolinda Vieira Lopes, companheira de longa data de Pinto Quartin. Recebeu também nessa altura o espólio de Glicinia Quartin, a filha mais nova do casal. O espólio de PQ e o de GQ inclui documentação acumulada por Deolinda Vieira Lopes.

Pinto, Álvaro.
Pessoa singular · 1889-1957

"Fundador da revista A Águia, em 1910, é também um dos principais dinamizadores do grupo de jovens republicanos que criou, no Porto, a Renascença Portuguesa, de que a revista se tornaria órgão oficial, a partir da sua 2ª série, em 1912. As vinte cartas de Fernando Pessoa que, como seu destinatário, Álvaro Pinto deu a conhecer, em 1944, na revista Ocidente, constituem um precioso documento sobre as relações do poeta de Lisboa com o movimento saudosista portuense. Álvaro Pinto é, entre 25 de Abril de 1912 (data da primeira carta) e Novembro de 1914, um interlocutor privilegiado, atendendo à sua qualidade de secretário da redacção da revista e responsável, por isso, pelos contactos com os colaboradores. Torna-se, assim, também um elo de ligação de Pessoa com os principais renascentes: Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão. Por outro lado, dá mostras de um grande zelo na edição da revista (onde Pessoa aparece, pela primeira vez, em público, no nº 4, Abril de 1912, com «A nova Poesia Portuguesa sociologicamente considerada»), conforme as explicações de Pessoa e as suas desculpas pelo atraso no envio ou conclusão dos artigos prometidos deixam supor. O poeta felicita-o mesmo, numa carta de 28 de Janeiro de 1913, pela sua «maravilhosa tenacidade, a sua capacidade organizadora e aquela dedicação», postas «ao serviço de uma causa cuja importância é maior do que talvez o mais ousado de nós ousa dizer». Mas, Pessoa afasta-se progressivamento da orientação saudosista e lusitanista de A Águia, do espírito de seita que anima o grupo. Os mentores da revista começam a dar sinal de pouca simpatia pelas suas colaborações. Uma carta de 12 de Novembro de 1914 consuma o «divórcio», mostrando-se Pessoa ofendido pela ausência de resposta à sua vontade de publicar uma plaquette de O Marinheiro, através da revista, e clarificando as suas divergências com a Renascença Portuguesa, que Álvaro Pinto representa."

Quaresma, Virgínia.
PT/AHS-ICS/VGQ · Pessoa singular · 1882 - 1973

Nascida em 1882, desenvolveu ao longo da primeira metade do século XX uma profícua carreira como jornalista, desempenhando também um papel importante papel na luta pelos direitos das mulheres, pela igualdade na educação para rapazes e raparigas, pela democracia, pela causa republicana e pelo pacifismo.

Reconhecida como a primeira jornalista em Portugal, não se deixou limitar aos lugares e modos de escrita que até então eram comumente reservados a mulheres e dedicou-se às reportagens investigativas, seguindo os princípios da objetividade e do apuramento exaustivo dos fatos que começavam a ganhar terreno sobre o jornalismo mais opinativo que caracterizara o século XIX. Exerceu a profissão em importantes veículos da imprensa portuguesa da altura, como ‘O Século’, ‘A Capital’ e ‘A Época’, e, também, no Brasil, país em que viveu por dois períodos (1912-1917) e (1930-1964), procurando afastar-se da atmosfera repressiva do Estado Novo.

Para além do destaque que alcançou como profissional de imprensa, Virgínia Quaresma foi também conferencista de renome sobre as ideias feministas e sobre a necessária vinculação entre o feminismo e a democracia, defendendo a coeducação (currículos iguais para rapazes e raparigas) como instrumento fundamental para a emancipação das mulheres.

Quartin, António Tomás Pinto.
PT-AHS-ICS-PQ · Pessoa singular · 1887-1970

Filho de pai português e mãe brasileira, nasce no Rio de Janeiro, Brasil. Em 1905 inscreve-se na Universidade de Coimbra para estudar Direito, de onde é expulso em 1907 por participar na greve académica. Em 1913, por ter mantido a nacionalidade brasileira, é expulso para o Brasil, acusado de estar envolvido no rebentamento da bomba lançada na Rua do Carmo em Junho de 1913, e regressa novamente a Portugal em 1915. Trabalhou principalmente como jornalista, tendo dirigido diversas publicações anarquistas, como o jornal Amanhã (1909), Terra Livre (1913) e a redacção d’A Batalha; e colaborado em muitas outras. Casou-se com Deolinda Lopes Vieira, professora primária, e membro do Conselho Nacional de Mulheres Portuguesas, com quem teve 3 filhos.