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Pessoas, Entidades
Bakunin, Mikhail Aleksandrovitch
Pessoa singular · 1814-1876

Mikhail Alexandrovich Bakunin (30 de maio de 1814, Premukhino, Rússia – 1 de julho de 1876, Berna, Suíça) foi um anarquista revolucionário russo, considerado o principal propagador das ideias anarquistas no século XIX, pensador e escritor de ideias políticas.

Bakunin foi enviado em jovem para a Escola de Artilharia em São Petersburgo, indo depois para a linha da frente, da qual desertou. Viajou até Berlim em 1840, onde se juntou ao grupo dos Jovens Hegelianos, e depois mudou-se para a cidade de Dresden onde publicou o seu primeiro escrito revolucionário. Este texto garantiu-lhe uma ordem de prisão e a perda do passaporte. Passou pela Suíça e Bélgica, acabando por se estabelecer em Paris, onde conviveu com socialistas franceses e alemães, incluindo Proudhon e Marx.

Assistiu e participou nos eventos da revolução de 1848 em Paris e depois viajou para o leste, esperando que a revolta se espalhasse também na Alemanha e Polónia. Participou na insurreição de Dresden em 1849, sendo preso. Foi eventualmente transferido para uma prisão russa, em São Petersburgo.

Em 1857, foi libertado para a Sibéria, na qual contraiu casamento com a filha de um mercador polaco. Através de uma conexão familiar da sua esposa conseguiu autorização para viajar, e depois de chegar à costa, embarcou num navio viajando através do Japão e Estados Unidos para a Grã-Bretanha.

A sua chegada a Londres significou a sua reunião com Herzen - com o qual teve uma querela. Em 1864, estabeleceu-se em Itália dedicando-se à escrita das suas ideias. Enquanto vivia em Génova, em 1868, juntou-se à Primeira Internacional. Bakunin e Marx acabaram por se desentender, e Marx expulsou Bakunin e os seus seguidores da Internacional, levando a uma divisão no movimento socialista europeu (e norte-americano).

Batalha, Ladislau Estêvão da Silva.
Pessoa singular · 1856 -1936

Ladislau Estevão da Silva Batalha - escritor, jornalista, político e intelectual português de orientação socialista - nasceu a 2 de agosto de 1856, em Lisboa, e faleceu a 26 de fevereiro de 1939, em Arruda dos Vinhos. Era filho de João Cesário da Silva Batalha e de Emília Adelaide Batalha.

A sua vida política iniciou-se muito jovem: com quinze anos, já frequentava o Centro Republicano Democrático. Frequentava também a Nova Livraria Internacional, onde passavam franceses e espanhóis foragidos ou exilados e figuras do republicanismo português.

Em 1876, ocorreu a sua polémica expulsão do Centro Republicano Democrático, juntamente com Carrilho Videiro, por ser acusado de ser 'espião do governo'. Em resposta a estes eventos, escreveu o panfleto 'A nova inquisição ou o directorio republicano e os seus actos perante a opinião pública', criticando duramente o Centro Democrático. Decidiu então abandonar o país, viajando para São Tomé e Príncipe.

Em S. Tomé, foi contratado pelo Governador-geral para ser intérprete, devido ao seu domínio do inglês, francês e alemão. Depois, tornou-se funcionário da Curadoria-Geral, com o objetivo de fiscalizar as roças. Perseguido pelos roceiros, partiu para Angola em 1877, onde trabalhou no Jornal de Luanda. Deslocou-se então para o interior de Angola, dedicando-se ao comércio. Recebeu uma proposta de casamento com uma princesa de Soba Quinebuto e chegou a casar-se - mas optou por fugir, seguindo com dois companheiros que conhecera na tribo para o norte de Angola.

Daí chegou ao Congo Belga e ao Estado Livre do Congo, embarcando num navio baleeiro norte-americano rumo a New Bedford, Massachusetts. Nessa cidade, trabalhou numa fábrica de vidro como gravador. Integrou então a tripulação de um navio bacalhoeiro - viajando pelo Ártico. Embarcou de novo como marinheiro, desta vez rumando ao Japão e China. Com intenções de voltar à pátria, em Cabo Verde recebeu uma proposta de trabalho, prestando serviços para os consulados argentino e francês. Conheceu a sua primeira mulher, que lhe daria uma filha - mas ambas viriam a morrer de tuberculose.

Regressou a Portugal c.1887-1890, dedicando-se à escrita de algumas obras políticas. Partiu de novo, desta vez para o Reino Unido, em 1903 - esta viagem foi alvo de relatos publicados inicialmente no Diário de Notícias, e depois reunidos num livro. Em 1909, juntamente com a sua mulher Ernestina Costa, estabeleceu-se no Barreiro. Aí se envolveu no movimento operário local e fundou o periódico Àvante! Defensor das classes trabalhadoras e dos interesses locaes (1909-1910).

A 11 de maio de 1919, foi eleito deputado nas eleições para a Câmara dos Deputados nas listas do Partido Socialista Português pelo círculo eleitoral do Porto. Foi também eleito para a Comissão das Colónias. A sua última intervenção no parlamento foi em 1921.

Em 1922, foi fundado o semanário O Protesto, do qual Ladislau Batalha foi o primeiro diretor. Entre 1926 e 1927, colaborou várias vezes no semanário A Batalha.

Cadernos de circunstância
Pessoa coletiva · Novembro 1967-?

Cadernos de circunstância era uma publicação de ciências sociais que analisava a situação política, económica e cultural em Portugal. Era editado no exílio em primeiro em Arcueil e mais tarde em Paris. Era socialista e revolucionário

A comissão coordenadora da publicação era composta pelas seguintes pessoas, com alguma flutuação entre os números: Alfredo Margarido, Aquiles de Oliveira, Fernando C. Medeiros, João Rocha, José Porto e Manuel Villaverde Cabral, Alberto Melo, João Freire, Jorge Valadas, José Hipólito dos Santos, José Rodrigues dos Santos.

cadernos necessarios
Pessoa coletiva · Junho 1969 - Março 1970

Cadernos necessarios era uma publicação socialista revolucionária que apresentava artigos críticos ao Estado Novo, sobre assuntos como colonialismo, o movimento estudantil, habitação e eleições. Também era critico da oposição do regime, tendo como seu objetivo autodescrito a apresentação dos textos dos vários autores da esquerda, sem a crença numa única verdade.

Os números 1 ao 5, e o número extra "Textos" foram republicados em 1975 pela editora Afrontamento, edição que se encontra esgotada (https://www.edicoesafrontamento.pt/products/cadernos-necessarios-1969-1970)

Carmo, Isabel do
Pessoa singular · 1940-

Maria Isabel Augusta Cortes do Carmo (Barreiro, 12 de setembro de 1940) é uma médica, professora e ativista antifascista portuguesa. Em 2004 foi condecorada pelo presidente Jorge Sampaio com o grau de grande oficial da Ordem da Liberdade.

Enquanto estudante de medicina participou nas lutas académicas de 1962. Foi dirigente da Ordem dos Médicos até ao seu encer´ramento pelo Estado Novo em 1972. Foi fundadora e dirigente, em conjunto com Carlos Antunes do grupo Brigadas Revolucionárias (BR), criado em 1970 e mais tarde também do partido político, que lhe servia de fachada, o Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), criado em 1973. Posteriormente à revolução de 25 de abril de 1974, durante o Processo Revolucionário em Curso desenvolveu atividade política nas ruas, empresas e fábricas. Em 1978 foi detida sob a acusação de autoria moral da ações armadas, das quais foi mais tarde ilibada e negou sempre ter tido qualquer papel na colocação das bombas. Em 1989, liderou a Comissão Pró-Amnistia Otelo e companheiros

Federação Maximalista Portuguesa
PT-AHS-ICS-FMP · Pessoa coletiva · 1919 - 1920

A Federação Maximalista Portuguesa (FMP) foi um movimento revolucionário, fundado no dia 27 de abril de 1919, em Lisboa, inspirado pelas fações mais radicais envolvidas na Revolução Russa de 1917. Principalmente composto por anarquistas, por sindicalistas e pela esquerda revolucionária do PSP (Partido Socialista Português).

Figueiredo, Manuel Luís de
PT/AHS-ICS/MLF · Pessoa singular · 1861-1927

Manuel Luís de Figueiredo nasceu em Lisboa em 1861. Entre os onze e os dezassete anos, aprendeu o ofício de tipógrafo no Jornal da Noite.
Aos dezassete anos assume a direção de "O Protesto", órgão do Partido Operário Socialista e, ao longo da vida, será redator dos principais periódicos de orientação socialista.
Na década de 1890, participou em comissões oficiais nomeadas para a elaboração de leis laborais (a regulamentação do trabalho dos menos e das mulheres na indústria; os acidentes de trabalho; a criação de bolsas de trabalho etc).
Já no fim do século, muda-se para Setúbal e, sob sua direção, sai o primeiro número do jornal "O Productor", órgão de classe dos soldadores que só durou até Setembro. Viria ainda a dirigir o jornal "O Trabalho", um semanário local com elevada tiragem e que o próprio concebia como um jornal com uma missão pedagógica e reivindicativa.
Os últimos anos de vida serão marcados por um crescente isolamento político, fruto do declínio do Partido Socialista e da crise do pós-guerra. Viria a falecer a 9 de fevereiro de 1927 em Setúbal.

Gazeta da Semana
Pessoa coletiva · 1976/04/01 - 1977/01/15

GAZETA DA SEMANA, semanário, publicou-se de 1 de abril de 1976 e 3 de dezembro de 1976, totalizando 31 edições complementadas por um número especial, em 15 de janeiro de 1977, que pretendeu, sem êxito, relançar o jornal. Teve como diretor João Martins Pereira, e como último proprietário a ÁGUA MOLE – Sociedade Cooperativa para produção de actividades culturais e editoriais, SCAR. Era um jornal da esquerda revolucionaria, sem afiliação partidário.

O novo semanário era propriedade de João Martins Pereira - secretário de Estado da Indústria e Tecnologia do IV Governo Provisório, em funções durante o “Verão Quente” de 1975 - que também era o diretor; o jornalista Jorge Almeida Fernandes assumia as funções de diretor-adjunto; a redação era constituída por jornalistas do recentemente desaparecido diário República (em 22/12/1975), e contava com a colaboração de Fernando Silva Oliveira Baptista, ministro da Agricultura do IV Governo Provisório, Valentim Alexandre, Alfredo Soveral Martins, Adelino Gomes e Joaquim Furtado, entre outros.

Teve uma vida breve, 9 meses, e intermitente, pois conheceu duas interrupções, sempre derivadas de «dificuldades económicas», abertamente assumidas: a primeira, entre Agosto e Setembro; a segunda, e derradeira, entre Dezembro de 1976 e Janeiro de 1977. Deixou um legado de 31 números mais 1, um «Número Especial», a sua última batalha pela sobrevivência.
-Hemeroteca Municipal de Lisboa

Hamon, Augustin Frédéric.
Pessoa singular · 1862-1945

Augustin Frédéric Adolphe Hamon (Nantes, 20 de janeiro de 1862 - Penvénan, 3 de dezembro de 1945) foi um sociólogo, jornalista e filósofo francês, passando ao longo da sua vida pelo anarquismo, o socialismo e o comunismo.

Integrou-se, pelo menos inicialmente, nas correntes do antissemitismo de esquerda, publicando o livro "L'agonie d'une société", juntamente com George Bachot (1889) e colaborando com o jornal antissemita Le Peuple. Embora mais tarde o seu antissemitismo se tornasse mais moderado, fez em 1899, uma crítica positiva ao livro "L'aryno-sémitisme".

Foi delegado para a Bourse du Travail de Nantes no Congresso Internacional Socialista em Londres em 1896. Editou de 1897 a 1903 a revista L'Humanité nouvelle.

Em 1901, casou-se com Henriëtte Rynenbroeck que será sua co-tradutora das obras de George Bernard Shaw. En 1904, decidiu por razões financeiras, estabelecer-se em Port-Blanc, parte de Penvénan. Nessa época, aderiu à SFIO (Section Française de l'International Ouvrière) e ingressou na Maçonaria Francesa. Estava também afiliado às ideias do livre-pensamento.

Durante a I Guerra, exilou-se no Reino Unido, e foi 'lecturer' na London School of Economics and Politcal Science. Regressado a França, nos anos 20, foi redator do jornal La Charrue Rouge, um boletim político local.

Durante a II Guerra, participou na Resistência francesa e aderiu ao PCF (Partido Comunista Francês) em 1945, ano da sua morte.

Lafargue, Paulo.
Pessoa singular · 1842-1911

Paul Lafargue (Santiago de Cuba, 15 de janeiro de 1842, local — Draveil, 25 de novembro de 1911, local) foi um escritor, economista, jornalista e ativista francês. A sua obra mais conhecida é O Direito à Preguiça (em francês: Le Droit à la Paresse). Nasceu em Cuba, tendo ascendência francesa e crioula, mas passou a maior parte da sua vida em França.

Estudou Medicina em Paris, inicialmente defendendo a filosofia positivista. A sua filosofia aproximou-se da visão anarquista de Proudhon, e como anarquista juntou-se à secção francesa da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), também conhecida como Primeira Internacional. No entanto, ao aproximar-se de Marx e Auguste Blanqui, começou a afastar-se do anarquismo.

Em 1865, após ter participado no Congresso Internacional de Estudantes em Liège, Lafargue foi banido de todas as universidades francesas e foi para Londres. Foi aí que, ao frequentar a casa de Karl Marx, conheceu a sua filha Laura, com a qual se casou em 1868.

Depois da Comuna de Paris de 1871, a repressão política fez Lafargue fugir para Espanha, onde se instalou em Madrid, contactando com a secção espanhola da Internacional (Federación Regional Española de la Asociación Internacional de Trabajadores - FRE-AIT), dominada pela fação anarquista. Lafargue envolveu-se com a propaganda e a difusão do marxismo.

A partir de 1880, foi editor do jornal socialista francés L’Égalité e começou a publicar o primeiro manuscrito do Direito à preguiça. Mudou-se para Paris em 1882, e juntamente com Jules Guesde e Gabriel Deville começou a dirigir as atividades do Partido dos Trabalhadores Franceses (Parti Ouvrier Français - POF). Em 1891, foi eleito para o parlamento francês, embora estivesse sob custódia policial.

Morreu juntamente com a sua esposa, Laura Marx, num pacto de suicídio mútuo.

Letourneau, Charles
Pessoa singular · 1831-1902

Charles Jean-Marie Letourneau (23 de setembro de 1831, Auray (Morbihan) — 21 de fevereiro de 1902, Paris) foi um antropólogo, livre-pensador e membro da comuna de Paris.

Iniciou os estudos de medicina, mas abandonou-os em 1860, ingressando em 1865 na Sociedade de Antropologia de Paris. Antes da guerra, conviveu com os principais representantes do Livre-pensamento francês, materialistas e ateus, como Albert Regnard e Louis Asseline, no âmbito do jornal La Pensée Nouvelle (anteriormente La Libre Pensée).

Em 1871, quando eclodiu a guerra com a Prússia, Letourneau foi recrutado durante o cerco de Paris e tornou-se médico-chefe num regimento. Em 1871, juntou-se à Comuna de Paris, exercendo funções de médico junto dos communards. Após a repressão da Comuna, partiu para o exílio em Florença, com a sua família, onde se formou em antropologia evolucionista. Regressou a França em 1878, mantendo contacto com numerosos socialistas revolucionários, como Piotr Lavrov. Em 1886, inaugurou um curso sobre história das civilizações na Escola de Antropologia de Paris.

Inicialmente presidente da Sociedade de Antropologia de Paris, tornou-se em 1886 o seu secretário-geral, cargo que ocupou até à sua morte. Sucedeu assim a Paul Broca, que tinha ocupado o cargo até 1880. Foi o tradutor para a língua francesa de Ernst Haeckel, bem como de uma obra de Ludwig Büchner.

Lluria, Enrique
Pessoa singular · 1863-1925

Enrique Lluria y Despau (Matanzas (Cuba) c. 1863 - Cienfuegos (Cuba), 1925) foi um médico e publicista cubano.

Iniciou os seus estudos de Medicina na Universidade de Havana, concluindo o curso em Barcelona em 1889. Daí, passou a Paris, onde se especializou em urologia. Em 1890 regressou a Cuba, mas pouco tempo depois foi para Paris para trabalhar no Hospital Necker. Abriu mais tarde uma clínica urológica em Madrid.

Na política, afiliou-se ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) em 1905 e participou na Agrupación Socialista Madrileña. Colaborou com a Revista Socialista, publicando sobre socialismo científico, evolução social, educação popular ou higiene pública. Também manteve contacto com outros intelectuais socialistas e anarquistas, como Carlos Malato, Francisco Ferrer ou Pablo Iglesias. Era amigo do pinto Joaquín Sorolla.

Em 1917, mudou-se para a Galiza, fundando no ano seguinte um sanatório. Dois anos mais tarde voltou a Cuba para fundar com outros intelectuais a filial cubana de Clarté, Agrupamento Internacional de Intelectuais Progressistas, organizada pelo escritor francês Henri Barbusse para denunciar as consequências da I Guerra e promover a solidariedade com a Revolução Russa.

Marx, Karl
Pessoa singular · 1818-1883

Karl Marx (Trier (Prússia), 5 de maio de 1818 - Londres, 14 de março de 1883) foi um filósofo, economista e socialista alemão. Desenvolveu a teoria do materialismo histórico, analisando a luta de classes no capitalismo, e previu o eventual triunfo do proletariado e a instauração do comunismo. As suas ideias deram origem ao marxismo.

Doutorou-se em filosofia na Universidade de Jena em 1841. Foi fortemente inspirado pelas ideias de Hegel, nomeadamente por obras como A Ideologia Alemã e Grundrisse. Em Paris, escreveu os seus Manuscritos Económicos e Filosóficos. Nessa cidade, conheceu Friedrich Engels, tendo com ele uma relação de amizade que duraria toda a sua vida. Mudou-se para Bruxelas em 1845 tornando-se ativo na Liga Comunista.

Nesse período, escreveu O Manifesto Comunista (1848) em co-autoria com Engels. Sendo expulso da Bélgica e da Alemanha, mudou-se para Londres onde escreveu O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852) e iniciou a escrita da sua grande obra - Das Kapital (1867-1894). A partir do ano de 1864, Marx esteve envolvido na Primeira Internacional, onde teve um conflito com a fação anarquista liderada por Bakunin.

Mendonça, António Pedro Lopes de
Pessoa singular · 1826-1865

António Pedro Lopes de Mendonça (Lisboa, 14 de novembro de 1826 – Lisboa, 8 de outubro de 1865), mais conhecido por Lopes de Mendonça, foi um jornalista, romancista, dramaturgo e folhetinista português, que também se destacou como activista social, defendendo um socialismo utópico e romântico

Lopes de Mendonça nasceu no seio de uma família burguesa de origem açoriana residente em Lisboa.
Aos 14 anos de idade iniciou uma passagem pela Armada Portuguesa, que terminou com a sua demissão em 1845. Enquanto aspirante da Marinha frequentou o curso de Matemática da Universidade de Coimbra

Em 1843, publica as Cenas da Vida Contemporânea, muito influenciadas por Balzac.

Participou no campo setembrista nos combates da Revolução da Maria da Fonte e da Patuleia (1846–1847), demonstrando bem o seu pendor esquerdista. Terminada a guerra civil, voltou a Lisboa. Em 1847, ingressou no jornalismo a convite de José Estêvão, como articulista no jornal A Revolução de setembro.

Em 1849, publicou o romance Memórias dum Doido, inicialmente surgido em folhetim na Revista Universal Lisbonense.

Coligiu no volume dos Ensaios de Crítica e de Literatura uma série de artigos de crítica literária anteriormente publicados no jornal A Revolução de setembro.

Em 1850, fundou, juntamente com Sousa Brandão e Vieira da Silva, o jornal socialista Eco dos Operários, onde divulgava o socialismo utópico de Proudhon.

Um ano depois, viajou pela Itália, viagem refletida conjunto de crónicas que publicou nos anos seguintes sob o título de Recordações de Itália

Apoiou a Regeneração, sendo convidado a integrar as listas governamentais pelo círculo eleitoral de Lamego. Foi eleito deputado nas eleições gerais de 12 de Dezembro de 1852. Foi relator da Comissão Parlamentar de Estatística em 1854, mas pouco conseguiu. Pouco depois abandonou definitivamente a vida parlamentar.

Em 1859, publicou as Memórias da Literatura Contemporânea, refundição dos Ensaios de crítica publicados dez anos antes. Em 1860, após a recusa de António Feliciano de Castilho, foi nomeado para a cátedra de Literatura Moderna no Curso Superior de Letras de Lisboa. Poucas aulas deu, pois por esta altura já se encontrava muito diminuído por doença mental, que pouco depois levaria ao seu internamento no hospício de Rilhafoles. Com 34 anos foi considerado como sofrendo de loucura incurável: viveu os últimos cinco anos da sua curta vida internado em Rilhafoles, onde faleceu em 1865.

Movimento: Boletim Informativo Das Forças Armadas
Pessoa coletiva · 1974/09/09 - 1975/08/14

[quinzenal] Boletim Informativo do Movimento das Forças Armadas, dirigido pela Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Foram publicados ao todo 25 números, entre 1 de setembro de 1974 e 14 de agosto de 1975, que tinham por objetivo divulgar a situação económica, social, política e militar vivida em Portugal, após o 25 de Abril de 1974. A edição do boletim era da responsabilidade da 5ª Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas, e a sua distribuição estava a cargo do jornal O Século.
-http://casacomum.org/cc/arquivos?set=e_3147

Nogueira, César.
Pessoa singular · 1879-

César Henrique Xavier Nogueira nasceu em 1879 de uma família de tradição militar forjada no liberalismo, tendo frequentado os melhores colégios da capital. Aderiu ao Partido Socialista Português (PSP) em 1908, na altura da sua refundação por ocasião da fusão das correntes revolucionária (Azedo Gneco) e possibilista (Luis de Figueiredo). Foi uma voz muito marcante do partido durante as duas décadas seguintes, como director ou redactor principal dos seus órgãos de imprensa - ‘A República Social’, ‘A Batalha Socialista’ e ‘O Combate’ - secretário externo do Conselho Central e delegado ao Bureau da Internacional Socialista. Nestas últimas qualidades tornou-se no elo essencial de ligação do PSP à II Internacional do princípios do século XX. Foi correspondente muito assíduo de Eduard Bernstein, Camille Huysmans e de todos os grandes partidos socialistas europeus. Por seu intermédio, notícias e análises sobre a república portuguesa e o seu movimento operário apareciam em periódicos centrais do socialismo do seu tempo, como o ‘Vorwärts’ e ‘Die Neue Zeit’. Devido à sua porfia e metódico trabalho secretarial, o PSP participou no histórico Congresso anti-guerra da Internacional Socialista, reunido em Basileia em 1912, aderindo depois formalmente a esta organização em 1914. A sua formação marxista não seria muito mais profunda do que a permitida pela leitura da imprensa e de algumas brochuras de ampla circulação no movimento socialista europeu do seu tempo. César Nogueira apoiou a entrada de Portugal na grande guerra, em 1916, partilhando por inteiro os objectivos “patrióticos” da preservação do império colonial. Contudo, perante a definitiva rendição do PSP ao carreirismo político republicano burguês, afastou-se do partido, lançando um grito de revolta na forma de uma “Carta Aberta”, publicado a 3 de Setembro de 1922 no semanário ‘A Voz do Operário’. Para quem aprecia o marxismo clássico, este documento histórico, apesar das suas ingenuidades teóricas, revela-nos um César Nogueira no seu melhor. Em 1925 tornaria a filiar-se no mesmo PSP, a cuja inglória morte assistiria poucos anos depois. Os dois volumes das suas ‘Notas para a história do socialismo em Portugal’ (Portugália, Lisboa, 1964-66) são um instrumento de estudo fundamental sobre as organizações socialistas portuguesas até ao final da I República.

Pereira, João Martins
Pessoa singular · 1932-2008

João Martins Pereira (JMP) nasce em Lisboa, em novembro de 1932. Apesar da formação inicial em engenharia química-industrial no Instituto Superior Técnico, em 1956, estuda sociologia e economia do trabalho no Institut des Sciences Sociales du Travail, em Paris, em 1963 e 1964. Dois anos depois, em 1966, entra para a redação da Seara Nova onde ficaria até 1968. A partir de 1969, faz parte da redação de O Tempo e o Modo, até ser expulso, em 1971, por uma maioria maoista associada ao Movimento Reoganizativo do Proletariado Português (MRPP). Entretanto, ainda em 1971, publica Pensar Portugal Hoje, e, em 1974, Indústria, Tecnologia e Quotidiano. Nesse mesmo ano, logo após o golpe militar de 25 de Abril, torna-se o principal responsável pela área económica da revista Vida Mundial, dirigida por Augusto Abelaira. A convite de João Cravinho entra, em Março de 1975, para o IV Governo Provisório como secretário de Estado da Indústria e da Tecnologia do IV Governo Provisório e está, por isso, à frente do processo de nacionalizações. No entanto, demite-se do cargo em julho desse mesmo ano. Em 1976, publica O Socialismo, a Transição e o Caso Português e apoia criticamente a candidatura presidencial de Otelo Saraiva de Carvalho, assinando uma carta aberta ao próprio publicada pela imprensa nacional e estrangeira. Ainda em 1976 ajuda a fundar a Gazeta da Semana (mais tarde, em 1980, Gazeta do Mês), da qual será diretor. Publica, em 1980, Sistemas Económicos e Consciência Social e, em 1983, No Reino dos Falsos Avestruzes: provavelmente o livro mais polémico do autor, merecendo críticas e elogios de diversos setores político-partidários. Dois anos mais tarde, vota em Maria de Lurdes Pintasílgo apesar de esta não lhe criar particular entusiasmo político. Em 1987 apoia a campanha para as eleições europeias do Partido Socialista Revolucionário (PSR) e entra para a redação do seu jornal Combate – do qual fará parte até 2003. Entretanto, em 1989, publica O Dito e o Feito: livro diarístico mas de fundo político. Apesar de não ser militante, intervem no congresso de fundação do Bloco de Esquerda, em 1999. Em 2005 publica o seu último livro em vida, Para a História da Indústria em Portugal: 1941-1965: adubos e siderurgia. Morre em novembro de 2008, vítima de cancro.
-João Moreira

Rossi, Pasquale
Pessoa singular · 1867-1905

Pasquale Rossi (Cosenza, 12 de fevereiro de 1867 - Dipignano (Cosenza), 23 de fevereiro de 1905) foi um sociólogo e médico italiano. A sua área de interesse, no campo da psicologia, eram os fenómenos coletivos e de massas.

Estudou na Faculdade de Medicina e Cirurgia da Universidade de Nápoles. Entrou aí em contacto com o ambiente socialista napolitano e tornou-se o promotor de algumas associações. Em 1891, foi preso e condenado por ter tomado parte nas desordens do 1º de maio. Terminou o curso em 1892, voltou a Cosenza e exerceu a profissão, abrindo um ambulatório social a favor das classes mais pobres.

Em 1893, esteve por detrás da criação de dois periódicos: Il Domani, periódico semanal, e Rassega socialista, revista mensal. Il Domani (que teve a duração de um mês) nasceu para incentivar ao voto socialista nas eleições de julho. A Rassegna socialista, publicando-se de julho a dezembro desse ano, tinha artigos teóricos sobre a relação entre o anarquismo e o socialismo.

Em 1894, publicou o opúsculo 'I perseguitati' (Os Perseguidos) que logo foi apreendido.

Membro da Federação Socialista da Calábria no primeiro Congresso Regional de Paola (1896), marcou também presença no segundo congresso em Catanzaro (1897).

No clima reacionário que se seguiu às revoltas de 1898, foi julgado por ter publicado o número único 'Calabria nuova', sendoa cusado de incitar ao ódio entre classes sociais.

Em 1898, foi também a publicação do seu trabalho 'L'animo della folla' que foi bem recebida pelos círculos progressistas na Europa.

De 1900 a 1902, foi um diretor do Arquivo de psicologia e ciências afins, que dedicou particular atenção às conversas em dialeto calabrês, formas de comunicação da chamada «gente comum».

Em 1904, candidatou-se às eleições legislativas, mas não obteve nenhum sucesso.

Trótski, Leon
Pessoa singular · 1879-1940

Lev (ou Leon) Davidovich Trótski (né Bronstein, Ianovka, Império Russo (Atual Ucrânia) - Coyoacán, Cidade do México, 7 de novembro [26 de outubro C.Juliano] 1879 – 21 agosto de 1940), foi um revolucionário russo, político e intelectual. Foi uma figura central na Revolução Russa de 1905, na Revolução de Outubro de 1917, na Guerra Civil Russa e no estabelecimento da União Soviética, da qual foi exilado em 1929 - sendo depois assassinado em 1940. Ideologicamente um marxista e leninista, as ideias de Trotsky deram origem a uma vertente do marxismo chamada trotskismo.

Trotsky juntou-se ao Partido Operário Social-Democrata Russo em 1898, sendo preso e exilado para a Sibéria por causa das suas atividades políticas. Em 1902, fugiu para Londres, onde conheceu Lenin. Inicialmente, tomou o partido Menchevique (contra os Bolcheviques de Lenin) no cisma de 1903, mas declarou-se 'sem fação' em 1904. Durante a revolução de 1905, foi eleito presidente do Soviete de São Petersburgo. Foi de novo exilado para a Sibéria, mas escapou em 1907, indo para o estrangeiro.

Depois da Revolução de Fevereiro de 1917, juntou-se aos Bolcheviques e foi presidente do Soviete de Petrogrado. Ajudou a liderar a Revolução de Outubro e como Comissário para os Assuntos Externos negociou o Tratado de Brest-Litovsk, pelo qual a Rússia se retirou da I Guerra Mundial. Foi Comissário dos Assuntos Militares de 1918 a 1925, sendo responsável pela construção do Exército Vermelho e pela sua vitória na guerra civil. Em 1922, Lenin formou um bloco com Trotsky contra a crescente burocratização do regime soviético. Em 1923, Trotsky liderava a fação da Oposição de Esquerda.

Depois da morte de Lenin em 1924, Trotsky emerge como um dos principais críticos de Stalin. Contudo, Stalin consegue triunfar politicamente, e Trotsky é expulso do Politburo em 1926, do partido em 1927, exilado para Alma Ata em 1928 e deportado em 1929. Nesses anos, viveu na Turquia, França e Noruega antes de se estabelecer no México em 1937. No exílio escreveu contra o Estalinismo, defendeu a sua teoria de revolução permanente, e em 1928 fundou a Quarta Internacional. Depois de ser sentenciado à morte, in absentia, nos julgamentos de Moscovo de 1936, foi assassinado por um agente estalinista em 1940.

Vandervelde, Émile
Pessoa singular · 1866-1938

Emile Vandervelde (Ixelles, 25 de janeiro de 1866 – Ixelles, 27 de dezembro de 1938) foi um político socialista belga, uma figura de destaque no Partido Trabalhista Belga (POB-BWP) e no socialismo internacional. A sua alcunha era "le patron" (o patrão).

Entrou na Universidade Livre de Bruxelas como estudante de Direito em 1881. Em 1885, juntou-se à Liga de Trabalhadores de Ixelles (Ligue Ouvrière de Ixelles). Em 1886, juntou-se ao recém formado Partido Trabalhista Belga. Esteve também ativo na Maçonaria belga, sendo um membro da Lodge Les Amis Philanthropes du Grand Orient de Belgique (Bruxelas).

Teve uma assento na Câmara de Representantes, primeiro por Charleroi (1894-1900) e depois por Bruxelas (1900-1938). Enquanto deputado, era um oponente de Leopoldo II e das suas políticas no Congo.

Teve posições importantes na Segunda Internacional, sendo presidente (1900-1919) do comité executivo do Bureau, em Bruxelas.

No contexto da I Guerra, foi nomeado Ministro de Estado em 1914, e apoiou a resistência contra a invasão alemã da Bélgica. Foi um delegado da Bélgica na Conferência de Paz de Paris (que deu origem ao Tratado de Versalhes) e esteve envolvido na Liga das Nações. Em 1923, ajudou a fundar a Internacional Operária e Socialista, da qual foi presidente entre 1929 e 1935.

Foi Ministro da Intendência (1917-1918), Ministro da Justiça (1918-1921) - defendendo reforma prisional, medidas contra o alcoolismo, direitos dos sindicatos e direitos das mulheres. Em 1922, juntou-se a um grupo de advogados socialistas que defenderam os membros do Partido Socialista Revolucionário (Rússia) no julgamento de 1922.

Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros (1925-1927), contribuindo para o Pacto de Locarno, e teve uma posição no Conselho de Ministros (1925-1936). Foi finalmente Ministro da Saúde (1936-1937).

Em 1933, tornou-se o primeiro presidente do Partido Trabalhista Belga.