Boletim editado pela F.P.L.N e dirigida por Manuel Sertório
Argélia
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Folha informativa do MPLA (Angola). Com este slogan, também editou brochuras.
Albert Camus - escritor francês - nasceu a 7 de novembro de 1913, em Mondovi (Argélia), e faleceu a 4 de janeiro de 1960 perto de Sens (França). Insere-se na corrente filosófica do absurdismo.
Filho de pieds-noirs na Argélia, teve um papel proeminente entre os intelectuais de esquerda nesse país. Juntou-se ao Partido Comunista Francês em 1935, embora não fosse marxista. Deixou o partido um ano depois e juntou-se Partido Comunista Argelino. Foi expulso do partido por se opor à linha estalinista.
Em 1938 começou a trabalhar no jornal de esquerda Alger républicain, tomando uma posição anti-fascista e opondo-se ao autoritarismo colonialista. O jornal foi banido em 1940 e Camus fugiu para Paris. Quando os alemães invadiram a França na 2ª Guerra, Camus juntou-se à Resistência francesa e foi editor do jornal Combat.
O seu primeiro romance L'Étranger (O Estrangeiro) foi publicado em 1942. Nesse mesmo ano publicou o Mito de Sísifo, analisando o niilismo contemporâneo. Tema que transporta também para o seu segundo romance, La Peste (1947).
Na sua obra L’homme révolté, Camus atacou o totalitarismo comunista, defendendo o socialismo libertário e o anarco-sindicalismo, o que levou a uma ruptura com Sartre.
Recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1957, com quarenta e quatro anos, notícia que ele recebeu com surpresa porque antecipava a vitória de André Malraux.
Publicou, com base em Argel, pelo menos 6 números deste boletim, entre 1964 e 1966.
Humberto da Silva Delgado (Torres Novas, Brogueira, Boquilobo, 15 de maio de 1906 – Los Almerines, Espanha, 13 de fevereiro de 1965) foi um militar português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube do regime salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral reconhecidamente fraudulento, onde não houve fiscalização pela parte da oposição, que deu a vitória ao candidato do regime, Américo Tomás. Ficou popularmente conhecido como o General sem Medo.
Tornou-se professor Catedrático de Psiquiatria. Com 16 anos iniciou a sua atividade política no MUD Juvenil. Aos 18 anos participou ativamente na campanha do General Humberto Delgado. Como Presidente da Comissão Pró-Associação dos Estudantes de Medicina de Lisboa foi dos mais destacados dirigentes das greves de 1962. Na sequência destas greves, e tendo participado na greve da fome, foi expulso por trinta meses da Universidade de Lisboa. Em Coimbra, de 1962 a 1965, participa ativamente na reorganização do movimento estudantil local. Em agosto de 1962 é eleito, em Reunião Nacional do Movimento Estudantil, como o primeiro Secretário-Geral do Secretariado Nacional dos Estudantes Portugueses. Funda, em 1963, em Coimbra, o movimento clandestino "Movimento Sindical Estudantil" que, durante anos, coordena a atividade estudantil antifascista e que dirige com, entre outros, A. Correia de Campos, Medeiros Ferreira, N. Brederode Santos, Valentim Alexandre. Preso três vezes pela PIDE, por períodos curtos, vê-se obrigado ao exílio em 1965, na Suíça, onde viveu até 1976. Neste país desenvolve uma intensa atividade política em ligação com Portugal, entre outros, com Jorge Sampaio, e com Argel, sobretudo, com Manuel Alegre e Piteira Santos. Militante do PCP desde os 18 anos, abandona este partido, em 1967, no mesmo dia em que as tropas Russas entram na Checoslováquia, como sinal de protesto contra este facto. Militante do Partido Socialista, desde agosto de 1974, foi várias vezes membro da Direção Nacional e Política deste partido. Deputado de 1983 a 1985 e de 1991 até 1999 foi, entre outros cargos, deputado à Assembleia da NATO e Presidente da Comissão da Administração do Território e Poder Local. Autor do relatório da Assembleia da República sobre a regionalização, em 1997. Durante o processo de regionalização distinguiu-se na defesa da identidade Trasmontana e da integridade do Douro. Tem-se preocupado com a problemática da proteção do ambiente e do património dando particular atenção ao tema dos rios internacionais de Portugal.
Movimento unitário da oposição ao Estado Novo - que incluía a Junta Central de Acção Patriótica e as Juntas de Acção Patriótica (JAP’s) - criado a 28 de Dezembro de 1962 na Conferência das Forças Antifascistas Portuguesas realizada em Roma. Nesta conferência estiveram presentes Álvaro Cunhal, António Lopes Cardoso, Fernando Piteira Santos, Francisco Ramos da Costa, Manuel Sertório, Manuel Tito de Morais e Mário Ruivo. Fora o corolário de um processo decorrente das eleições presidenciais de 1958 e que pretendia criar um amplo movimento unitário que reeditasse o que havia sido o Movimento de Unidade Democrática. Inicialmente a FPLN é dirigida por uma junta composta por Álvaro Cunhal (ou outros elementos do PCP), Tito de Morais da Resistência Republicana Socialista (RRS), Rui Cabeçadas do Movimento de Acção Revolucionária (MAR), Piteira Santos e Manuel Sertório. Embora ausente a maior parte do tempo em Praga, por doença, Humberto Delgado era o presidente.
A direcção da FPLN, chamada inicialmente de Comissão Delegada, fixa-se na recém-independente Argélia e aí funcionará até ao 25 de Abril de 1974. A vida da FPLN em Argel é tumultuosa, marcada por inúmeros conflitos, nomeadamente em torno de questões como a prioridade a atribuir à questão colonial, a adopção de novos métodos de luta contra a ditadura, nomeadamente a luta armada, ou o dissídio sino-soviético, padecendo de fracturas internas que espelhavam as novas e velhas tensões da oposição anti-salazarista e as questões que determinavam o debate político da década de 60.
Em Junho de 1964 Humberto Delgado chega a Argel para assumir a presidência da FPLN, num clima de forte crispação, com graves diferendos pessoais a misturarem-se com a radicalização das posições políticas. Em Outubro tem lugar a III Conferência da FPLN em Argel e a ruptura entre Humberto Delgado e Álvaro Cunhal, decorrente também da referida questão da luta armada, torna-se inevitável, levando o general a romper com a Frente Popular de Libertação Nacional e a criar a Frente Portuguesa de Libertação Nacional apostada na acção armada mas sem expressão real.
Ao longo da década de 60 a Frente Popular de Libertação Nacional conhece alterações, deixando de contar com o MAR e a RRS, ao mesmo tempo que se firma a hegemonia do PCP até ao momento em que este partido é expulso da Junta Revolucionária Portuguesa (JRP), o órgão máximo da FPLN, forjando-se então o ascendente das Brigadas Revolucionárias.
Na actividade da FPLN teve particular importância a Rádio Voz da Liberdade, mais tarde denominada Rádio Voz da Revolução.
José Carlos Horta nasceu em Inhamússua, Homoíne, Moçambique, em 16 de dezembro de 1935.
Participou no Núcleo Clandestino dos Alunos do Liceu Nacional Salazar de Lourenço Marques entre os anos de 1951 e 1953. Foi preso pela PIDE, junto a outros alunos do Liceu Nacional Salazar, em março de 1953, acusados de lerem e discutirem livros e revistas proibidos pelo regime português. Ao cabo de duas semanas foram libertados.
Em Dezembro de 1953, mudou-se para Liège, Bélgica, para prosseguir seus estudos universitários, onde integrou um círculo de estudantes de esquerda. No verão de 1957, participou, como membro da delegação belga, no Sexto Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Moscovo, onde conheceu Marcelino dos Santos, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança. No inverno e primavera de 1958, albergou, em Liège, Viriato da Cruz, fundador do movimento “Vamos Descobrir Angola”, do Partido Comunista Angolano (PCA) e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Viriato havia saído de Angola em 10 de Setembro de 1957, rumo a Paris, com breve passagem por Lisboa, para não ser preso pela PIDE; apareceu em Liège, à procura de Horta, com uma carta de apresentação de Marcelino dos Santos. Ambos estabelecem uma amizade que perduraria até a morte de Viriato em Pequim, em 13 de junho de 1973. De acordo com seu amigo Edmundo Rocha, “Liège serviria de porto e abrigo a vários nacionalistas angolanos”, como Marcelino dos Santos, Mário de Andrade e o próprio Viriato da Cruz.
Colaborou com o Movimento Anti-Colonialista (MAC) e, depois, com a Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas (FRAIN) formada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) de que foi conselheiro.
De 1960 a 1961, desempenhou as funções de conselheiro político do MPLA, durante o período de instalação em Conacri e em Leopoldville dos seus dirigentes (1959-1961). Em Liège assegurou várias ligações entre militantes, editou os primeiros cartões de membro, o programa, os estatutos e o regulamento interno do MPLA. Também editou o livro “Le Procès des Cinquante”, que denunciava a prisão de nacionalistas em Angola, em 1959. O livro contém uma introdução não assinada de Viriato da Cruz e um texto assinado por Mário de Andrade, a quem seu irmão, Joaquim Pinto de Andrade, de Luanda, enviou informação sobre as prisões, sobre os presos políticos e respetivas fotografias, ao mesmo tempo que apoiava as suas famílias, juntamente com Arminda Faria, entre outros nacionalistas.
Dentre os estudantes das colónias africanas portuguesas que se encontravam no exterior, foi Horta o primeiro a lançar a ideia de uma organização de jovens africanos. Em finais de 1959, assim escreve ao amigo Viriato da Cruz: “A melhor lição que lá [no Sétimo Festival da Juventude e dos Estudantes de Viena] recebi foi a necessidade de uma associação para estudantes. A cada passo pude avaliar essa necessidade que pareceu imperiosa... todas as associações beneficiam de bolsas...”. Entre 1959 e 1965, foi fundador e dirigente da União Geral dos Estudantes da África Negra sob Dominação Colonial Portuguesa (UGEAN), tendo organizado os seus primeiro (1961) e segundo (1963) congressos, que ocorreram em Rabat, Marrocos. Em Janeiro de 1961, em virtude dessas atividades, tem recusada a renovação da sua autorização de residência na Bélgica como estudante. Da Bélgica, segue para a Alemanha Oriental. Em Outubro de 1961, José Carlos Horta e o angolano Luís de Almeida são acusados pela PIDE de “intensa actividade subversiva contra as províncias ultramarinas portuguesas” e de estarem “a provocar o êxodo de estudantes africanos residentes em Portugal” (êxodo conhecido como a “Fuga dos Cem”). A PIDE lançou, a seguir, um pedido de captura contra Horta. É expulso da UGEAN em 1965, após decisão do seu Conselho Consultivo em reunião ocorrida entre 22 e 25 de setembro desse mesmo ano, em Nuzov, Checoslováquia. Tem-se, por conseguinte, o seu afastamento do MPLA. Viaja para Argel (Argélia) em novembro de 1965, com um laissez-passer da República Democrática Alemã, inscrevendo-se no Bureau Algérien de Protection aux Réfugiés et Apatrides (BAPRA). Refugia-se em Argel até 1974. No verão de 1975, instala-se em Portugal (Algés). Profissionalmente, atuou como engenheiro de logística de transporte, função que lhe exigia recorrentes viagens internacionais.
*****adaptado de Angela Lazagna, 2020
José Oscar Monteiro nasceu em Lourenço Marques (actual cidade de Maputo) em 1941. Filho de pais goeses, foi levado pelos contornos do colonialismo a uma consciência nacionalista ativa. Representante da Frelimo na Argélia e na Europa do Sul, organiza a audiência do Papa Paulo VI com os dirigentes nacionalistas, contribui para a adoção do estatuto de prisioneiros de guerra para os combatentes das lutas de libertação.
Participa nas negociações públicas e confidenciais sobre os Acordos de Lusaka, é um dos seis Ministros da Frelimo no Governo de Transição e é Ministro no Primeiro Governo independente.
Lecciona Direito Constitucional na Universidade Eduardo Mondlane, dirige o Governo de Gaza onde fica conhecido como "madlhaya ndlala" (mata-fome).
Faz parte do Bureau Político do Partido Frelimo, assessora o movimento de libertação da Namíbia, trabalha com Xanana Gusmão na prisão de Salemba em Jakarta.
Participa na formação da nova geração de dirigentes da África do Sul multirracial, como Professor na Universidade de Wits, faz parte do Comité de Peritos em Administração Pública das Nações Unidas.
Engenheiro eletrotécnico e político português. Opositor ao
Algumas das suas publicações com carácter periódico: Angola in Arms; Boletim do Militante; Boletim de Informação; Leopardo; Vitória ou Morte; Vitória é Certa, A Vitória é Certa.
Emissora radiofónica da oposição portuguesa sediada em Argel organizada em torno da Frente Patriótica de Libertação Nacional. Mais tarde a emissora mudaria o nome para Rádio Voz da Revolução. As emissões eram transmitidas para a metrópole e para as colónias, desempenhando um papel importante tanto na luta contra o regime português como contra o colonialismo. Notificava e reflectia sobre factos censurados em Portugal, nomeadamente sobre a guerra colonial, transmitia canções proibidas, entrevistas e depoimentos de líderes dos movimentos de libertação e da oposição portuguesa, divulgava campanhas para a libertação dos presos políticos. Ouvida clandestinamente em Portugal, era um importante veículo de disseminação das ideias e propaganda da oposição antifascista.
Nasceu em Lisboa, onde iniciou a carreira de advogado.
Desde a Juventude foi animador de organizações de luta pelo socialismo, que não chegaram a alcançar influência nem a ter continuidade. Defendeu vários presos políticos no Tribunal Plenário e tornou-se entretanto, com Câmara Reis, uma das figuras centrais da revista Seara Nova.
Exerceu considerável influência no processo conducente à campanha eleitoral de Humberto Delgado em 1958. Aliado quase permanente que era do PCP, empenhou-se a princípio na candidatura de Arlindo Vicente. Mas rapidamente se apercebeu de que a campanha de Delgado se estava tornando um factor potencial de derrubamento do salazarismo. A tomada de posição pública de Manuel Sertório contribuiu de forma relevante para a viragem que em pouco tempo havia de levar à desistência de Arlindo Vicente e à unificação das oposições.
Consumada em 1958 a fraude eleitoral salazarista, iniciou-se uma vaga de repressão que forçou ao exílio numerosas personalidades oposicionistas. Manuel Sertório refugiou-se em São Paulo no ano seguinte, onde viveu até 1965. Data desse tempo a sua acidentada colaboração com Delgado, com quem chegou a estar de relações cortadas devido a profundas divergências políticas, mas de quem foi noutras ocasiões o mais respeitado mentor. Acompanhou o general a Praga pouco antes do assassínio deste pela PIDE, para uma reunião de ambos com Álvaro Cunhal, destinada a restabelecer uma colaboração do delgadismo com o PCP.
Sob o título Humberto Delgado 70 Cartas Inéditas, publicaria mais tarde a copiosa correspondência que nesses anos trocou com o general e um balanço crítico da sua própria orientação.
Entretanto começava a guerra de libertação nas colónias e Manuel Sertório passava a ser na oposição metropolitana, exilada ou não, um símbolo da solidariedade com os povos africanos. Em atenção a esse prestígio de anticolonialista, esteve como convidado português na conferência de Nova Deli e Bombaim, em Outubro de 1961.
O golpe brasileiro de 1964 levou-o a fixar-se na Argélia, que proporcionava as melhores condições para a colaboração das várias correntes antifascistas entre si e com os movimentos de libertação das colónias. Aí viveu o golpe de Boumediene é a invasão da Checoslováquia, que acabou de afastá-lo do PCP. Depois dessa ruptura, viria a ser duramente atacado em escritos polémicos de Álvaro Cunhal.
Com o 25 de Abril regressou a Lisboa, tendo recusado diversos cargos públicos que Ihe oferecia o novo regime e mantido, durante vários anos, uma colaboração informal com as organizações da área do trotskismo. Publicista fértil colaborou, entre outros, no Estado de S. Paulo, Portugal Democrático (fase do exílio brasileiro); Afrique-Asie, Revolution Africaine, Rádio Portugal Livre (fase do exílio argelino), Diário Popular; República, O Jornal, Combate Operário, Combate Socialisa, Militante Socialista (após o regresso). Na última fase foi um dos animadores da revista de investigação Estudos do Comunismo e da revista política Versus.
(ROSAS, Fernando; BRITO, J. M. Brandão de - Dicionário do Estado Novo)
Nasceu em Trigaches, Beja, em 13 de janeiro de 1915. Frequentou o Liceu de Beja e, já em Lisboa, quando estudante universitário de Letras, aderiu, em 1933, à Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas e integrou os Grupos de Defesa Académica.
Foi preso, pela primeira vez, em 9 de março de 1934, quando participava numa manifestação de estudantes contra a organização fascista "Ação Escolar Vanguarda", antecessora da "Mocidade Portuguesa", foi levado para uma esquadra e libertado no dia 14. Seria novamente preso em 1 de fevereiro de 1935 e entregue pelas autoridades de Beja à Seção Política e Social da PVDE, seguindo para Peniche em 19 de março de 1935. Julgado pelo Tribunal Militar Especial (TME), foi condenado a 22 meses de prisão correcional e perda dos direitos políticos por cinco anos. em 14 de outubro, passou por Caxias a fim de ser deportado para Cabo Verde, com destino ao Campo de Concentração do Tarrafal. Tinha, então, 21 anos. Por ter sido amnistiado, regressou do Tarrafal em 15 de julho de 1940 e saiu em liberdade. Retomou os estudos na Faculdade de Letras, onde se licenciou em Histórico-Filosóficas, e prosseguiu a atividade partidária clandestina, intervindo na reorganização do Partido Comunista Português.
Seguiram-se novas detenções, sendo condenado em 4 de junho de 1943, mais uma vez, pelo TME a 4 anos de prisão correcional e perda dos direitos políticos por dez anos. Embarcaria no dia 12 para Cabo Verde, a fim de reentrar no Campo de Concentração do Tarrafal. Seria abrangido pela amnistia estabelecida pelo Decreto-Lei n.º 35.041, de 18 de Outubro de 1945, regressando a Lisboa a 1 de fevereiro de 1946.
Em 1947, é publicado, clandestinamente, o seu livro “Tarrafal Campo da Morte Lenta”, no mesmo ano em que partiu para Moçambique e onde permanecerá até ao início de 1950.
Membro do Comité Central do PCP desde 1953, seria novamente preso a 5 de abril de 1954, seguindo, a 4 de agosto, para as prisões privativas da Subdiretoria do Porto da PVDE, de onde se evadiu a 3 de outubro, juntamente com Joaquim Gomes. Retornou à clandestinidade, sendo preso pela Delegação do Porto em 5 de dezembro de 1958, “por ser membro do Partido Comunista Português”: transferido para Lisboa no dia seguinte, entrou no Aljube e, em 28 de janeiro de 1959, passou para Peniche, de onde se evadiu, com mais nove presos políticos, em 3 de janeiro de 1960.
Não voltaria a ser detido, passando a desenvolver a sua ação política no estrangeiro, nomeadamente no âmbito da criação, em Bucareste, da Rádio Portugal Livre, de que foi diretor, em Argel, enquanto representante do Partido Comunista na Frente Patriótica de Libertação Nacional, e em Itália, na ligação aos movimentos de libertação de Angola, Guiné e Moçambique.Só regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974, tendo sido eleito, por escassos dias, deputado por Santarém à Assembleia Constituinte.
Faleceu na madrugada de 10 de maio de 1975, juntamente com a sua esposa Maria Luísa da Costa Dias, num acidente de viação ocorrido na auto-estrada de Vila Franca de Xira, (atual A1), quando regressavam de uma reunião partidária em Benavente.