Horta, José Carlos

Zona de identificação

Tipo de entidade

Pessoa singular

Forma autorizada do nome

Horta, José Carlos

Forma(s) paralela(s) de nome

  • José Carlos Oliveira de Sousa Horta

Formas normalizadas do nome de acordo com outras regras

    Outra(s) forma(s) de nome

      identificadores para entidades coletivas

      Área de descrição

      Datas de existência

      1935-2020

      Histórico

      José Carlos Horta nasceu em Inhamússua, Homoíne, Moçambique, em 16 de dezembro de 1935.
      Participou no Núcleo Clandestino dos Alunos do Liceu Nacional Salazar de Lourenço Marques entre os anos de 1951 e 1953. Foi preso pela PIDE, junto a outros alunos do Liceu Nacional Salazar, em março de 1953, acusados de lerem e discutirem livros e revistas proibidos pelo regime português. Ao cabo de duas semanas foram libertados.

      Em Dezembro de 1953, mudou-se para Liège, Bélgica, para prosseguir seus estudos universitários, onde integrou um círculo de estudantes de esquerda. No verão de 1957, participou, como membro da delegação belga, no Sexto Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Moscovo, onde conheceu Marcelino dos Santos, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança. No inverno e primavera de 1958, albergou, em Liège, Viriato da Cruz, fundador do movimento “Vamos Descobrir Angola”, do Partido Comunista Angolano (PCA) e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Viriato havia saído de Angola em 10 de Setembro de 1957, rumo a Paris, com breve passagem por Lisboa, para não ser preso pela PIDE; apareceu em Liège, à procura de Horta, com uma carta de apresentação de Marcelino dos Santos. Ambos estabelecem uma amizade que perduraria até a morte de Viriato em Pequim, em 13 de junho de 1973. De acordo com seu amigo Edmundo Rocha, “Liège serviria de porto e abrigo a vários nacionalistas angolanos”, como Marcelino dos Santos, Mário de Andrade e o próprio Viriato da Cruz.

      Colaborou com o Movimento Anti-Colonialista (MAC) e, depois, com a Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas (FRAIN) formada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) de que foi conselheiro.
      De 1960 a 1961, desempenhou as funções de conselheiro político do MPLA, durante o período de instalação em Conacri e em Leopoldville dos seus dirigentes (1959-1961). Em Liège assegurou várias ligações entre militantes, editou os primeiros cartões de membro, o programa, os estatutos e o regulamento interno do MPLA. Também editou o livro “Le Procès des Cinquante”, que denunciava a prisão de nacionalistas em Angola, em 1959. O livro contém uma introdução não assinada de Viriato da Cruz e um texto assinado por Mário de Andrade, a quem seu irmão, Joaquim Pinto de Andrade, de Luanda, enviou informação sobre as prisões, sobre os presos políticos e respetivas fotografias, ao mesmo tempo que apoiava as suas famílias, juntamente com Arminda Faria, entre outros nacionalistas.

      Dentre os estudantes das colónias africanas portuguesas que se encontravam no exterior, foi Horta o primeiro a lançar a ideia de uma organização de jovens africanos. Em finais de 1959, assim escreve ao amigo Viriato da Cruz: “A melhor lição que lá [no Sétimo Festival da Juventude e dos Estudantes de Viena] recebi foi a necessidade de uma associação para estudantes. A cada passo pude avaliar essa necessidade que pareceu imperiosa... todas as associações beneficiam de bolsas...”. Entre 1959 e 1965, foi fundador e dirigente da União Geral dos Estudantes da África Negra sob Dominação Colonial Portuguesa (UGEAN), tendo organizado os seus primeiro (1961) e segundo (1963) congressos, que ocorreram em Rabat, Marrocos. Em Janeiro de 1961, em virtude dessas atividades, tem recusada a renovação da sua autorização de residência na Bélgica como estudante. Da Bélgica, segue para a Alemanha Oriental. Em Outubro de 1961, José Carlos Horta e o angolano Luís de Almeida são acusados pela PIDE de “intensa actividade subversiva contra as províncias ultramarinas portuguesas” e de estarem “a provocar o êxodo de estudantes africanos residentes em Portugal” (êxodo conhecido como a “Fuga dos Cem”). A PIDE lançou, a seguir, um pedido de captura contra Horta. É expulso da UGEAN em 1965, após decisão do seu Conselho Consultivo em reunião ocorrida entre 22 e 25 de setembro desse mesmo ano, em Nuzov, Checoslováquia. Tem-se, por conseguinte, o seu afastamento do MPLA. Viaja para Argel (Argélia) em novembro de 1965, com um laissez-passer da República Democrática Alemã, inscrevendo-se no Bureau Algérien de Protection aux Réfugiés et Apatrides (BAPRA). Refugia-se em Argel até 1974. No verão de 1975, instala-se em Portugal (Algés). Profissionalmente, atuou como engenheiro de logística de transporte, função que lhe exigia recorrentes viagens internacionais.
      *****adaptado de Angela Lazagna, 2020

      Locais

      Moçambique (Homoíne, Maputo [Lourenço Marques], Bélgica [Liège], União Soviética [Moscovo], Áustria [Viena], Marrocos [Rabat], Alemanha Oriental [Leipzig], Argélia, Portugal [Algés]

      Estado Legal

      Funções, ocupações e atividades

      Mandatos/fontes de autoridade

      Estruturas internas/genealogia

      Contexto geral

      Oposição ao Estado Novo

      Área de relacionamentos

      Entidade relacionada

      UGEAN - União Geral dos Estudantes da África Negra (1959-1966(?))

      Identificador de entidade relacionada

      PT-AHS-ICS-UGEAN

      Categoria da relação

      associativa

      Datas da relação

      1959 - 1965

      Descrição da relação

      fundador e dirigente. Expulso em 1965

      Entidade relacionada

      Santos, Marcelino dos. (1929 - 2020)

      Identificador de entidade relacionada

      Categoria da relação

      associativa

      Datas da relação

      1957

      Descrição da relação

      No verão de 1957, José Carlos Horta participou, como membro da delegação belga, no Sexto Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Moscovo, onde conheceu Marcelino dos Santos, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança.

      Entidade relacionada

      Andrade, Mário Coelho Pinto de. (1928 - 1990)

      Identificador de entidade relacionada

      Categoria da relação

      associativa

      Datas da relação

      1957

      Descrição da relação

      No verão de 1957, José Carlos Horta participou, como membro da delegação belga, no Sexto Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Moscovo, onde conheceu Marcelino dos Santos, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança.

      Entidade relacionada

      Bragança, Aquino de. (1924 - 1986)

      Identificador de entidade relacionada

      Categoria da relação

      associativa

      Datas da relação

      1957

      Descrição da relação

      No verão de 1957, José Carlos Horta participou, como membro da delegação belga, no Sexto Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Moscovo, onde conheceu Marcelino dos Santos, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança.

      Entidade relacionada

      Cruz, Viriato da. (1928-1973)

      Identificador de entidade relacionada

      Categoria da relação

      associativa

      Datas da relação

      Descrição da relação

      No inverno e primavera de 1958, JCH albergou, em Liège, Viriato da Cruz, fundador do movimento “Vamos Descobrir Angola”, do Partido Comunista Angolano (PCA) e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA)

      Área de pontos de acesso

      Pontos de acesso - Assunto

      Ocupações

      Zona do controlo

      Identificador de autoridade arquivística de documentos

      PT/AHS-ICS/JCH

      Identificador da instituição

      PT/AHS-ICS

      Regras ou convenções utilizadas

      Estatuto

      Preliminar

      Nível de detalhe

      Mínimo

      Datas de criação, revisão ou eliminação

      criado por Ip, 2023-11
      Edição "Histórico", 2025-03, jps.

      Línguas e escritas

        Script(s)

          Fontes

          Angela Lazagna, 2020, "Morreu José Carlos Horta (1935-2020)", https://networks.h-net.org/node/7926/discussions/6155030/morreu-jos%C3%A9-carlos-horta-1935-2020
          Horta, José Carlos, 2014, Memorando Biográfico e Documentos Comprovativos.

          Notas de manutenção