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          Bakunin, Mikhail Aleksandrovitch
          Pessoa singular · 1814-1876

          Mikhail Alexandrovich Bakunin (30 de maio de 1814, Premukhino, Rússia – 1 de julho de 1876, Berna, Suíça) foi um anarquista revolucionário russo, considerado o principal propagador das ideias anarquistas no século XIX, pensador e escritor de ideias políticas.

          Bakunin foi enviado em jovem para a Escola de Artilharia em São Petersburgo, indo depois para a linha da frente, da qual desertou. Viajou até Berlim em 1840, onde se juntou ao grupo dos Jovens Hegelianos, e depois mudou-se para a cidade de Dresden onde publicou o seu primeiro escrito revolucionário. Este texto garantiu-lhe uma ordem de prisão e a perda do passaporte. Passou pela Suíça e Bélgica, acabando por se estabelecer em Paris, onde conviveu com socialistas franceses e alemães, incluindo Proudhon e Marx.

          Assistiu e participou nos eventos da revolução de 1848 em Paris e depois viajou para o leste, esperando que a revolta se espalhasse também na Alemanha e Polónia. Participou na insurreição de Dresden em 1849, sendo preso. Foi eventualmente transferido para uma prisão russa, em São Petersburgo.

          Em 1857, foi libertado para a Sibéria, na qual contraiu casamento com a filha de um mercador polaco. Através de uma conexão familiar da sua esposa conseguiu autorização para viajar, e depois de chegar à costa, embarcou num navio viajando através do Japão e Estados Unidos para a Grã-Bretanha.

          A sua chegada a Londres significou a sua reunião com Herzen - com o qual teve uma querela. Em 1864, estabeleceu-se em Itália dedicando-se à escrita das suas ideias. Enquanto vivia em Génova, em 1868, juntou-se à Primeira Internacional. Bakunin e Marx acabaram por se desentender, e Marx expulsou Bakunin e os seus seguidores da Internacional, levando a uma divisão no movimento socialista europeu (e norte-americano).

          Eltzbacher, Paul
          Pessoa singular · 1868-1928

          Paul Eltzbacher (18 de fevereiro de 1868, Colónia – 25 de outubro de 1928, Berlim) foi um advogado e escritor alemão, nascido numa família judaica. Em 1899, completou o seu doutoramento com uma dissertação intitulado 'Der Anarchismus' (Anarquismo), que analisava do ponto de vista do Direito as ideias de sete pensadores anarquistas. O livro foi recebido positivamente, incluindo por intelectuais anarquistas como Kropotkin e Tolstoy, e foi traduzido em múltiplas línguas. Mais tarde, Eltzbacher abandonou o anarquismo e teve uma mudança política, tornando-se um teórico de ideias nacionalistas e um precursor do Nacional Bolchevismo.

          Gaupp, Ernst
          Pessoa singular · 1865-1916

          Ernst Wilhelm Theodor Gaupp (13 de julho 1865, Beuthen (atual Polónia) – 23 de novembro 1916) foi um anatomista alemão, conhecido pelos seus estudos sobre o desenvolvimento morfológico do crânio nos vertebrados.

          Goethe, Johann Wolfgang von
          Pessoa singular · 1749-1832

          Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, 28 de agosto de 1749 – Weimar, 22 de março de 1832) foi um escritor alemão, dos mais influentes na língua alemã, abrangendo o género da poesia, romance e peças de teatro. Foi também cientista, diretor de teatro e estadista.

          Groos, Karl
          Pessoa singular · 1861-1946

          Karl Groos (10 de dezembro de 1861, Heidelberg – 27 de março de 1946, Tübingen) foi um filósofo e psicólogo alemão que propôs uma teoria instrumentalista do jogo. No seu livro de 1898 "Os jogos dos animais" propõe que a brincadeira/jogo consiste numa preparação para os desafios da vida.

          Horta, José Carlos
          PT/AHS-ICS/JCH · Pessoa singular · 1935-2020

          José Carlos Horta nasceu em Inhamússua, Homoíne, Moçambique, em 16 de dezembro de 1935.
          Participou no Núcleo Clandestino dos Alunos do Liceu Nacional Salazar de Lourenço Marques entre os anos de 1951 e 1953. Foi preso pela PIDE, junto a outros alunos do Liceu Nacional Salazar, em março de 1953, acusados de lerem e discutirem livros e revistas proibidos pelo regime português. Ao cabo de duas semanas foram libertados.

          Em Dezembro de 1953, mudou-se para Liège, Bélgica, para prosseguir seus estudos universitários, onde integrou um círculo de estudantes de esquerda. No verão de 1957, participou, como membro da delegação belga, no Sexto Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Moscovo, onde conheceu Marcelino dos Santos, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança. No inverno e primavera de 1958, albergou, em Liège, Viriato da Cruz, fundador do movimento “Vamos Descobrir Angola”, do Partido Comunista Angolano (PCA) e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Viriato havia saído de Angola em 10 de Setembro de 1957, rumo a Paris, com breve passagem por Lisboa, para não ser preso pela PIDE; apareceu em Liège, à procura de Horta, com uma carta de apresentação de Marcelino dos Santos. Ambos estabelecem uma amizade que perduraria até a morte de Viriato em Pequim, em 13 de junho de 1973. De acordo com seu amigo Edmundo Rocha, “Liège serviria de porto e abrigo a vários nacionalistas angolanos”, como Marcelino dos Santos, Mário de Andrade e o próprio Viriato da Cruz.

          Colaborou com o Movimento Anti-Colonialista (MAC) e, depois, com a Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas (FRAIN) formada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) de que foi conselheiro.
          De 1960 a 1961, desempenhou as funções de conselheiro político do MPLA, durante o período de instalação em Conacri e em Leopoldville dos seus dirigentes (1959-1961). Em Liège assegurou várias ligações entre militantes, editou os primeiros cartões de membro, o programa, os estatutos e o regulamento interno do MPLA. Também editou o livro “Le Procès des Cinquante”, que denunciava a prisão de nacionalistas em Angola, em 1959. O livro contém uma introdução não assinada de Viriato da Cruz e um texto assinado por Mário de Andrade, a quem seu irmão, Joaquim Pinto de Andrade, de Luanda, enviou informação sobre as prisões, sobre os presos políticos e respetivas fotografias, ao mesmo tempo que apoiava as suas famílias, juntamente com Arminda Faria, entre outros nacionalistas.

          Dentre os estudantes das colónias africanas portuguesas que se encontravam no exterior, foi Horta o primeiro a lançar a ideia de uma organização de jovens africanos. Em finais de 1959, assim escreve ao amigo Viriato da Cruz: “A melhor lição que lá [no Sétimo Festival da Juventude e dos Estudantes de Viena] recebi foi a necessidade de uma associação para estudantes. A cada passo pude avaliar essa necessidade que pareceu imperiosa... todas as associações beneficiam de bolsas...”. Entre 1959 e 1965, foi fundador e dirigente da União Geral dos Estudantes da África Negra sob Dominação Colonial Portuguesa (UGEAN), tendo organizado os seus primeiro (1961) e segundo (1963) congressos, que ocorreram em Rabat, Marrocos. Em Janeiro de 1961, em virtude dessas atividades, tem recusada a renovação da sua autorização de residência na Bélgica como estudante. Da Bélgica, segue para a Alemanha Oriental. Em Outubro de 1961, José Carlos Horta e o angolano Luís de Almeida são acusados pela PIDE de “intensa actividade subversiva contra as províncias ultramarinas portuguesas” e de estarem “a provocar o êxodo de estudantes africanos residentes em Portugal” (êxodo conhecido como a “Fuga dos Cem”). A PIDE lançou, a seguir, um pedido de captura contra Horta. É expulso da UGEAN em 1965, após decisão do seu Conselho Consultivo em reunião ocorrida entre 22 e 25 de setembro desse mesmo ano, em Nuzov, Checoslováquia. Tem-se, por conseguinte, o seu afastamento do MPLA. Viaja para Argel (Argélia) em novembro de 1965, com um laissez-passer da República Democrática Alemã, inscrevendo-se no Bureau Algérien de Protection aux Réfugiés et Apatrides (BAPRA). Refugia-se em Argel até 1974. No verão de 1975, instala-se em Portugal (Algés). Profissionalmente, atuou como engenheiro de logística de transporte, função que lhe exigia recorrentes viagens internacionais.
          *****adaptado de Angela Lazagna, 2020

          Marx, Karl
          Pessoa singular · 1818-1883

          Karl Marx (Trier (Prússia), 5 de maio de 1818 - Londres, 14 de março de 1883) foi um filósofo, economista e socialista alemão. Desenvolveu a teoria do materialismo histórico, analisando a luta de classes no capitalismo, e previu o eventual triunfo do proletariado e a instauração do comunismo. As suas ideias deram origem ao marxismo.

          Doutorou-se em filosofia na Universidade de Jena em 1841. Foi fortemente inspirado pelas ideias de Hegel, nomeadamente por obras como A Ideologia Alemã e Grundrisse. Em Paris, escreveu os seus Manuscritos Económicos e Filosóficos. Nessa cidade, conheceu Friedrich Engels, tendo com ele uma relação de amizade que duraria toda a sua vida. Mudou-se para Bruxelas em 1845 tornando-se ativo na Liga Comunista.

          Nesse período, escreveu O Manifesto Comunista (1848) em co-autoria com Engels. Sendo expulso da Bélgica e da Alemanha, mudou-se para Londres onde escreveu O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852) e iniciou a escrita da sua grande obra - Das Kapital (1867-1894). A partir do ano de 1864, Marx esteve envolvido na Primeira Internacional, onde teve um conflito com a fação anarquista liderada por Bakunin.

          Matthias, Leo
          Pessoa singular · 1893-1970

          Leo Matthias (nascido a 16 de janeiro de 1893 em Berlim, falecido a 8 de setembro de 1970 em Ascona, Suíça), também conhecido como Leo Lawrence Matthias e, como autor, L.L. Matthias, foi um jornalista e escritor de viagens alemão.

          Matthias realizou longas viagens pelo Médio Oriente, à Pérsia, Índia, México e Rússia. Deixou a Alemanha em 1933. De 1933 a 1951, foi funcionário público e professor de Sociologia em vários países da América Latina e nos EUA. Em 1951, regressou à Europa. Em 1954/55, viajou para a China. Viveu em Ascona, na Suíça, até à sua morte.

          Rocker, Rudolf.
          Pessoa singular · 1873 - 1958

          Johann Rudolf Rocker (25 de março de 1873 – 19 de setembro de 1958) foi um escritor anarquista alemão.

          Na sua juventude, trabalhou como rapaz de cabine em embarcações de rio e depois como aprendiz de tipógrafo. Envolveu-se no movimento sindical e juntou-se ao Partido Social Democrata alemão (SPD), antes de começar a inclinar-se mais para o anarquismo, influenciado por figuras como Bakunin e Kropotkin. Foi expulso do SPD e eventualmente fugiu para Paris. Em 1895, transferiu-se para Londres, onde se tornou uma figura relevante no meio anarquista iídiche. Editando o periódico Arbeter Fraynd, publicando os principais pensadores anarquistas e organizando greves na indústria têxtil. Iniciou uma relação com Milly Witkop, uma anarquista nascida na Ucrânia de ascendência judaica. Durante a I Guerra foi internado como inimigo interno e no final da guerra foi deportado para os Países Baixo.

          Na década de 20, esteve principalmente na Alemanha onde foi um dos arquitetos da Freie Arbeiter Union Deutschlands (FAUD) (em português: União Livre de Trabalhadores da Alemanha) e do seu órgão de imprensa Der Syndikalist e um dos fundadores da Associação Internacional de Trabalhadores IWA-AIT - federação internacional de sindicatos anarcossindicalistas . A sua preocupação com a ascensão das ideias nacionalistas e fascistas começou nessa época. Abandonou a Alemanha em 1933, indo para os Estados Unidos. De novo envolvido com a comunidade iídiche, estando ativo no grupo Freie Arbeiter Stimme, e envolvendo-se com a educação libertária e a solidariedade com a Revolução Espanhola.

          As suas obras Nacionalismo e Cultura, e Anarco-sindicalismo foram publicadas na década de 30. Na II Guerra, apoiou os Aliados e depois do seu término publicou Pioneiros da Liberdade Americano, ensaios sobre a história do pensamento liberal e anarquista nos EUA.

          Schopenhauer, Arthur.
          Pessoa singular · 1788 - 1860

          Arthur Schopenhauer (Gdansk, 22 de fevereiro de 1788 – Frankfurt, 21 de setembro de 1860) foi um filósofo alemão. Conhecida pela sua obra O Mundo como Vontade e Representação, de 1818 (expandida em 1844), que caracteriza o mundo fenomenal como a manifestação de uma vontade numenal cega e irracional. Com base no idealismo transcendental de Immanuel Kant, Schopenhauer desenvolveu um sistema metafísico e ético ateísta que rejeitava as ideias contemporâneas do idealismo alemão. Foi também um dos primeiros filósofos ocidentais a afirmar princípios da filosofia indiana, como o ascetismo, a negação do eu, e a noção do mundo como aparência. Normalmente é integrado no pessimismo.

          UGEAN - União Geral dos Estudantes da África Negra
          PT-AHS-ICS-UGEAN · Pessoa coletiva · 1959-1966(?)

          A União Geral dos Estudantes da África Negra (UGEAN) começou a desenvolver-se no seio do Movimento Anticolonial entre 1959 e 1960 (MAC, fundado em 1957, em Paris). Sob a impulsão de José Carlos Horta e do Comité Diretor Provisório — constituído por Luís D'Almeida (Angola), José Fret (São Tomé e Príncipe), Carlos Rocha e Edmundo Rocha (Angola), e pelo próprio Horta (Moçambique) —, a UGEAN inicia as suas atividades com o objetivo de obter reconhecimento internacional por parte dos movimentos internacionais de estudantes, em particular da União Internacional de Estudantes (UIE, fundada em 1946, com sede em Praga). Paralelamente, começa a angariar as primeiras bolsas de estudo, destacando-se como bolseiros iniciais estudantes que mais tarde viriam a assumir algum papel de relevo na história pós-colonial destes países: João Cruz Pinto (Guiné), Manuel Pinto da Costa (São Tomé e Príncipe) e Artur Janeiro da Fonseca (Moçambique).

          Entre os dias 22 e 25 de setembro de 1961, realiza-se o Congresso Constitutivo da UGEAN em Rabat (Marrocos), revelando-se um grande sucesso e contando com importantes apoios da UIE e da CONCP, para além da presença de diversos dirigentes de movimentos progressistas africanos, com particular destaque para o MPLA, o PAI e a UDENAMO.

          Os anos seguintes são atribulados, marcados por disputas políticas e ideológicas, decorrentes do surgimento de organizações nacionais de estudantes associadas aos movimentos de libertação — em particular, a União Nacional dos Estudantes Moçambicanos (UNEMO), fundada em Paris em 1961 e com ligações à FRELIMO, e a União de Estudantes Angolanos (UNEA), fundada na Suíça em 1962 e com ligações à UPA. Apesar da realização do 2.º Congresso e de um Seminário sobre Unidade (1963, Rabat), a crise da UGEAN vai-se acentuando devido a estas disputas. O período seguinte é marcado pela progressiva fragmentação da organização. O 3.º Congresso, convocado para 1965, é cancelado, sendo substituído por uma reunião do Conselho Consultivo, realizada em Nuzov (Checoslováquia), entre 22 e 25 de setembro. Para além de várias decisões políticas, nesta reunião dá-se também a expulsão de José Carlos Horta da UGEAN.

          Desde então, a atividade da UGEAN entra em declínio, havendo pouca informação sobre o seu fim. No entanto, mantém-se a publicação de um boletim de informação no ano de 1966 (consultável em formato digital no AHS, com o código de referência: CAHS-MNA-150).

          Ziegler, Theobald
          Pessoa singular · 1846-1918

          Theobald Ziegler (Göppingen, 9 de fevereiro de 1846 – 1 de setembro de 1918) foi um filósofo e educador alemão.

          Ziegler estudou teologia e filosofia na universidade de Tübingen, e foi professor universitário em várias cidades. Em 1882 ele tornou-se reitor de uma escola secundária em Estrasburgo, e depois tornou-se professor de filosofia na Universidade dessa cidade.

          Entre as suas obras conta-se uma biografia de David Friedrich Strauss e uma obra sobre Friedrich Nietzsche.