Presos políticos / prisões políticas

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          Andringa, Diana.
          PT/AHS-ICS/DAndringa · Pessoa singular · 1947 -
          Bakunin, Mikhail Aleksandrovitch
          Pessoa singular · 1814-1876

          Mikhail Alexandrovich Bakunin (30 de maio de 1814, Premukhino, Rússia – 1 de julho de 1876, Berna, Suíça) foi um anarquista revolucionário russo, considerado o principal propagador das ideias anarquistas no século XIX, pensador e escritor de ideias políticas.

          Bakunin foi enviado em jovem para a Escola de Artilharia em São Petersburgo, indo depois para a linha da frente, da qual desertou. Viajou até Berlim em 1840, onde se juntou ao grupo dos Jovens Hegelianos, e depois mudou-se para a cidade de Dresden onde publicou o seu primeiro escrito revolucionário. Este texto garantiu-lhe uma ordem de prisão e a perda do passaporte. Passou pela Suíça e Bélgica, acabando por se estabelecer em Paris, onde conviveu com socialistas franceses e alemães, incluindo Proudhon e Marx.

          Assistiu e participou nos eventos da revolução de 1848 em Paris e depois viajou para o leste, esperando que a revolta se espalhasse também na Alemanha e Polónia. Participou na insurreição de Dresden em 1849, sendo preso. Foi eventualmente transferido para uma prisão russa, em São Petersburgo.

          Em 1857, foi libertado para a Sibéria, na qual contraiu casamento com a filha de um mercador polaco. Através de uma conexão familiar da sua esposa conseguiu autorização para viajar, e depois de chegar à costa, embarcou num navio viajando através do Japão e Estados Unidos para a Grã-Bretanha.

          A sua chegada a Londres significou a sua reunião com Herzen - com o qual teve uma querela. Em 1864, estabeleceu-se em Itália dedicando-se à escrita das suas ideias. Enquanto vivia em Génova, em 1868, juntou-se à Primeira Internacional. Bakunin e Marx acabaram por se desentender, e Marx expulsou Bakunin e os seus seguidores da Internacional, levando a uma divisão no movimento socialista europeu (e norte-americano).

          Bernardino, José.
          Pessoa singular · 1935 - 1996

          Dirigente estudantil e do PCP.

          Caraça, Bento de Jesus.
          Pessoa singular · 1901-1948

          Bento de Jesus Caraça nasceu em Vila Viçosa a 18 de Abril de 1901. Era filho dos trabalhadores rurais João António Caraça e Domingas da Conceição Espadinha. Revelou desde muito cedo uma grande capacidade e rapidez de aprendizagem que fizeram com que os seus estudos fossem apoiados pela família Albuquerque, de quem o pai de Caraça era feitor, em Vila Viçosa. Completou a sua instrução primária em 1911, tendo ido então para o Liceu de Sá da Bandeira, em Santarém, Aos 13 anos mudou-se para Lisboa, onde concluiu os seus estudos do ensino secundário em 1918, no Liceu Pedro Nunes.

          Matriculou-se em 1918 no Instituto Superior de Comércio, posteriormente designado Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (I.S.C.E.F.), actual Instituto Superior de Economia e Gestão (I.S.E.G.). Concluiu a licenciatura em 1923. Entretanto, a partir de 1919, era 2º assistente do 1º grupo de cadeiras do ISCEF. Terminada a licenciatura em 1923, foi nomeado 1º assistente em 13 de Dezembro de 1924, tendo no ano lectivo de 1924-1925 regido a cadeira de «Matemáticas Superiores - Análise Infinitesimal, Cálculo das Probabilidades e suas Aplicações». Em 1927 foi nomeado professor extraordinário e, em 28 de Dezembro de 1930, foi nomeado professor catedrático da cadeira de «Matemáticas Superiores - Álgebra Superior. Princípios de Análise Infinitesimal. Geometria Analítica». Manteve a regência desta cadeira até à sua demissão compulsiva em 7 de Outubro de 1946.

          A par da sua carreira académica, Bento Caraça desenvolveu uma intensa actividade política em acções contra o regime ditatorial de Oliveira Salazar (1889-1970), quer a nível clandestino, quer em movimentos legais e semi-legais. Foi membro da Liga Portuguesa contra a Guerra e o Fascismo, criada em 1934, do Movimento de Unidade Anti-Fascista (MUNAF), de que foi fundador em 1943, e do Movimento de Unidade Democrática (MUD), fazendo parte da sua comissão central em 1945. Em Setembro de 1946 foi-lhe instaurado um processo disciplinar pelo Ministro da Educação, na sequência da assinatura de um manifesto contra a admissão de Portugal na ONU. Em seguida foi expulso da cátedra universitária, sendo-lhe proibida a docência, no ensino público ou privado. Em Outubro desse ano foi preso pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), o que aconteceu de novo em Dezembro. Em 1948 foi preso pela terceira vez, juntamente com outros membros do MUD, que entretanto foi proibido. Interveio activamente na preparação da candidatura de Norton de Matos (1867-1955) à Presidência da República e em 25 de Junho morreu em sua casa.

          Coelho, Isaura Assunção da Silva Borges.
          Pessoa singular · 1926-2019

          Isaura Assunção da Silva [Borges Coelho por casamento], filha de Francisco Dias da Silva e de Maria Assunção da Silva, nasceu a 22 de julho3 de 1926 em Portimão e faleceu a 11 de junho de 2019, na Parede, onde residia.

          Lutou pelo direito ao casamento das enfermeiras dos Hospitais Civis. Era, aliás, referida pelos agentes da PIDE como “a casamenteira”, na altura em que trabalhava no Hospital dos Capuchos. Mas Borges Coelho denunciou também as terríveis condições de trabalho que, ao tempo, se viviam nos hospitais: jornadas de 12 ou 24 horas, turnos noturnos (as chamadas “velas”) 30 dias seguidos (chamado «regime das 30 velas»), apenas com uma folga semanal e obrigatórios de 6 em 6 meses, faltas de material como roupa ou material técnico e doentes deitados, em colchões, no chão. A luta pela dignificação da profissão esteve sempre presente na sua vida tendo sido delegada sindical na Maternidade Alfredo da Costa desde 25 de abril de 1974 até à sua aposentação.

          Ingressou no Curso Geral de Enfermagem, em 1949, na Escola de Enfermagem Artur Ravara, com 23 anos. Iniciou a sua vida profissional em 1952 no Hospital de Santo António dos Capuchos em Lisboa.

          No ano seguinte, a 3 de novembro de 1953, foi presa “para averiguações, tendo recolhido ao depósito de presos de Caxias”6, tendo sido uma das mulheres que, sem pertencer a uma organização politica, foi condenada pelo Tribunal Plenário de Lisboa, no dia 16 de Julho de 1954, a pena maior. Foi condenada a 2 anos de prisão maior, à perda de direitos políticos por 15 anos e a “medidas de segurança” prorrogáveis o que fez com que a sua prisão se prolongasse por 4 anos, dois dos quais em isolamento, sendo expulsa da função pública. A extrema debilidade em que se encontrava e a forte contestação que a sua detenção originou acabou por levar à sua libertação, em 1957, graças a uma amnistia aquando da visita da rainha Isabel II de Inglaterra, ficando com residência fixa em Portimão em casa dos pais.

          Na sua “biografia prisional”7, narrou sinteticamente o processo de ter sido presa, punida sucessivamente e ter tido noção da prisão da sua irmã Hortência que tinha entregado o abaixo-assinado a Salazar. A sua luta pelo direito ao casamento das enfermeiras dos hospitais civis começou quando 12 enfermeiras do hospital Júlio de Matos foram despedidas por serem casadas. Promoveu um abaixo-assinado dirigido ao Presidente do Conselho Oliveira Salazar, ao Cardeal Cerejeira e ao Enfermeiro-mor dos Hospitais Civis, exigindo a revogação do parágrafo 4º, do artigo 3º do decreto-lei 31913 de 12 de março de 1942 que referia “o tirocínio ou prestação de enfermagem hospitalar feminina são reservados a mulheres solteiras ou viúvas sem filhos” (p. 229 do referido decreto).

          A duração da pena e a brutalidade com que foi tratada, quer durante o julgamento quer durante a prisão, poderão ser enquadradas pelas ideias do Estado Novo sobre a função social da mulher. A Constituição de 1933, ao abordar a situação da mulher, sublinhava que esta devia ser afastada do trabalho fora do lar uma vez que esta situação levava à desagregação da família. (Pimentel, p. 55). O verdadeiro trabalho da mulher era em casa, mantendo a união da família e promovendo a educação dos filhos. Estas ideias eram apoiadas e valorizadas pelas organizações femininas católicas da época que lutavam pelo reconhecimento social da maternidade e do trabalho doméstico, contra o trabalho feminino fabril (id, p. 56).

          Nesta linha de pensamento o exercício de várias profissões foi impedido, nomeadamente o acesso à carreira diplomática e ao Ministério das Obras Públicas e Comunicações, ou dificultado como no caso das professoras primárias (tinham de pedir autorização para se casarem e era favorecido o casamento dentro da mesma classe). As telefonistas da Anglo-Portuguese Telephone Company, o pessoal feminino do Ministério dos Negócios Estrangeiros, as hospedeiras de ar da TAP e as enfermeiras dos Hospitais Civis estavam impedidas de casar (Pimentel, p.60).

          Assim o movimento gerado por Isaura Borges Coelho foi visto pelo regime como uma afronta às suas leis e como uma questão política e social profundamente perigosa.

          Isaura Borges Coelho teve Maria Lamas e Maria Isabel Aboim Inglez como testemunhas de defesa e a enfermeira Hortênsia da Silva Campos Lima, sua irmã, foi igualmente presa em Caxias por estar envolvida na luta contra o celibato destas profissionais de saúde dos Hospitais Civis (Tavares, p. 96).

          “A Maria Lamas foi minha testemunha. Fez uma defesa brilhante, pois ela esteve sempre na vanguarda da defesa de todos os problemas das mulheres portuguesas. A dra Aboim Inglês, ao depor em minha defesa, foi presa em pelo tribunal.”8.

          Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas, conhecida como Maria Lamas, era jornalista e escritora, diretora da revista «Modas e Bordados» desde 1938 e de que se demitiu para presidir ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas em 1945, esteve várias vezes presa em Caxias entre 1949 e 1953; era conhecida como ativista pela paz e pelos direitos das mulheres, defensora da presença das mulheres no espaço público.

          Maria Isabel Saavedra Hahnemann de Aboim Inglês era licenciada em Histórico-Filosóficas, tinha sido professora e diretora do colégio Fernão de Magalhães, tendo-se tornado em 1945, membro da comissão central do Movimento de Unidade Democrática. Foi presa pela PIDE em 1946 na sequência de um abaixo-assinado contra a admissão de Portugal na ONU – depois do encerramento do seu colégio e “de ser impedida pelo regime de lecionar no ensino particular e oficial, tentou ir para o Brasil (…) mas também disso foi impedida restando-lhe montar um atelier de costura com o qual sobreviveu com muitas dificuldades.”9 (Pimentel, 1997, p.409). No julgamento de Borges Coelho, Aboim Inglês protestou por se encontrarem agentes da PIDE na sala de audiências e das testemunhas, pelo que o juiz Abreu de Mesquita a condenou a três dias de prisão, por falta de respeito ao tribunal.

          Na sua narrativa, Isaura Borges Coelho continuou: “O juiz era o Abreu Mesquita e o procurador-geral era o dr. Furtado dos Santos que, por acaso, apesar do 25 de Abril, ainda está no Supremo Tribunal. Este disse que pedia pena maior para mim, não por ter provas, mas por convicção. Isto consta tudo do meu processo”. Assim, foi julgada em plenário a 15 de julho de 1954 e condenada, considerando a própria que “ficou tudo espantado, porque até aí muito poucas mulheres tinham sido condenadas por política, ainda por cima inocentes, como era o meu caso.”10

          De acordo com um inquérito “realizado pela Inspeção da Assistência Social, o pessoal feminino de enfermagem dos hospitais civis, impedido de contrair matrimónio desde 1942, concluiu que «a proibição matrimonial era desrespeitada» e que, mesmo assim, havia nos hospitais um défice de enfermeiras que «por razões psicológicas» não optavam pela carreira hospitalar.” (Pimentel & Pereira de Melo, 2015).

          No folheto “Repressão, Libertemos Isaura Silva”, datado de 16 de maio de 1954, pode ler-se: “A jovem enfermeira dos hospitais civis de Lisboa, Isaura Silva – que há seis meses se encontra num isolamento contínuo onde a sua saúde está em perigo com a má alimentação, a falta de assistência médica, recusando-lhe por vezes a visita de um médico particular -. Acaba de ser alvo de mais um atentado contra as liberdades democrática. A PIDE forjou um processo contra esta dedicada enfermeira, cuja prisão levantou grandes manifestações de solidariedade (…) Lutar pela libertação de Isaura Silva é lutar pela nossa liberdade” (Arquivo de História Social, Espólio Pinto Quantin, Item 171)11.

          Sofrendo de depressão e magreza extrema, Isaura foi internada no Hospital de Santa Maria diversas vezes entre setembro de 1955 e janeiro de 1956. Não obstante Ducla Soares recomendar à PIDE a sua libertação, voltou para Caxias, onde veio a constatar que o seu noivo, com quem tivera casamento marcado a 28 de novembro, mês em que fora presa, estava agora detido na cela ao lado.

          Na prisão, no período entre 1954 e 1956, foi punida com dias de prisão em cela disciplinar a pão e água (por se ter dirigido por escrito ao Diretor da prisão, em manifestação coletiva), um mês de suspensão de visitas por indisciplina e insubordinação, dois meses em cela disciplinar (por “ter arrombado a porta da sala onde estavam alojadas, insubordinando, causando alarido e escândalo”), um mês sem visitas, isto em acumulação à pena, que era interrompida por cada punição.

          “Restituída à liberdade condicional a 20 de fevereiro de 1957”12 e à liberdade definitiva dez anos mais tarde.

          Casou a 4 de janeiro de 1959, com o historiador António Borges Coelho, no Forte de Peniche, onde este estava preso e de onde saiu em libertação condicional a 22 de maio de 1962.

          Depois de sair da prisão, Isaura Borges Coelho esteve um ano com residência fixa em Portimão, com obrigação de apresentação mensal à PIDE. Após este período, e em Lisboa, começou a trabalhar como voluntária no IPO. Seguiu-se um curto período de 6 meses na Liga dos Amigos dos Hospitais de onde foi expulsa quando se soube do seu passado político.

          Conseguiu alguma estabilidade profissional, com a ajuda de Pulido Valente e a contratação por Pedro Monjardino13, trabalhando na clínica particular Pro-Matre14, até 1965. Fez o Curso de Enfermeiras Parteiras Puericultoras do Instituto Maternal15 e conseguiu ser admitida como enfermeira eventual na Maternidade Alfredo da Costa em 1965.

          Foi reintegrada na função pública em 1975 e manteve-se na MAC, passando de enfermeira de 2ª classe a 1ª e progredindo para enfermeira-chefe, tendo tomado posse em 1979. Em 1980, fez o Curso de Especialização em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica. Exerceu, até à reforma, o cargo de enfermeira-chefe do Serviço de Prematuros16 da Maternidade Alfredo da Costa, onde foi igualmente delegada sindical do Sindicato dos Enfermeiros da Zona Sul, depois (em 1988) Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

          Os relatos de amigos retratam-na como uma pessoa corajosa, com uma enorme alegria de viver, generosa e que nunca perdeu a vontade de lutar.

          Foi condecorada pelo presidente Jorge Sampaio, com a Ordem da Liberdade, grau de comendador, por alvará de 8 de março de 2002. A Ordem da Liberdade “destina-se a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da Civilização, em prol da dignificação da Pessoa Humana e à causa da Liberdade”.

          Recebeu a medalha de honra do Município de Portimão e o título de cidadã benemérita em 2018. A sua história e a da irmã foram contadas, com memórias, imagens e documentos da época, num filme de Susana de Sousa Dias, “Enfermeiras do Estado Novo”(2000).

          Cortesão, Jaime.
          Pessoa singular · 1884-1960

          Jaime Cortesão (Ançã/Cantanhede, 29-4-1884 – Lisboa, 14-8-1960) foi um escritor português (poeta, ficcionista, dramaturga, e também escritor de viagens), além de crítico literário, político e professor.

          Filho do filólogo António Augusto Cortesão e de Norberta Cândida Zuzarte Cortesão, Cortesão iniciou os seus estudos em Coimbra, em Filologia Clássica e Direito. Pensou em seguir Belas-Artes, mas acabou por escolher Medicina, também em Coimbra. Transferiu-se em 1905 para a Escola Médico-cirúrgica do Porto onde se envolveu na militância estudantil.

          Participou na greve académica de 1907, que se opunha ao governo de João Franco. Nesse ano, Cortesão foi um dos co-fundadores da Nova Silva, uma revista de orientação anarquista. O seu percurso político inicia-se com a sua adesão ao Partido Republicano Português em 1908. É um dos principais impulsionadores do movimento “Renascença Portuguesa” (que nasceu a 1 de janeiro de 1912) - de ideal nacionalista, ligado a ideias sebastianistas. Associado a este movimento surgem publicações como A Águia - revista de orientação republicana, e A Vida Portuguesa, que era efetivamente o órgão de imprensa desse movimento, e que Cortesão dirige.

          Jaime Cortesão concluiu a sua licenciatura em Lisboa em 1910 - com a dissertação ‘A arte e a medicina (Antero de Quental e Sousa Martins)’. É também nesse ano que publicou a sua primeira poesia - A Morte da Águia. Casou em Coimbra, em 1912, com a sua prima Carolina Ferreira Cortesão.

          Exerceu como médico durante um curto espaço de tempo. Instalou-se então no Porto lecionando História e Literatura no Liceu Rodrigues de Freitas. Como diretor da Renascença Portuguesa, animou a criação das Universidades Populares. Participou na Junta Revolucionária do Porto, que derrotou a ditadura de Pimenta de Castro, foi então eleito em junho desse ano pelo Partido Democrático, empenhando-se na defesa da participação de Portugal na I Guerra. Ele próprio foi para a frente como médico miliciano voluntário, para a Flandres, sendo ferido. Em Portugal, foi preso três meses pelo governo de Sidónio Pais. Combateu também contra a tentativa de restauração monárquica de 1919 (Monarquia do Norte) - e por isso foi recompensado pelo governo republicano com a direção da Biblioteca Nacional.

          Colaborando com Raul Proença, iniciou-se no projeto da Seara Nova em 1921. A partir da BN promoveu a edição dos Anais das Bibliotecas e Arquivos e da revista Lusitânia.
          Já na Ditadura militar, participou numa tentativa de derrube do regime, e foi então afastado do cargo de diretor da BN. Viveu em exílio até 1940, em Espanha e em França, dedicando-se à produção de estudos historiográficos. Em Espanha, colaborou com republicanos portugueses exilados e a ditadura franquista fá-lo fugir de novo para França, mas perante a ocupação alemã, regressou a Portugal. É de novo preso agora pelo governo de Salazar, que declarou o seu exílio para o Brasil. Aí ficaria até 1957. Durante o longo período de exílio produziu vários estudos historiográficos, além de ser responsável por cursos universitários, exposições, conferências, etc.

          De regresso a Portugal, participou no Diretório Democrático-social, viu o seu nome indicado para candidato à presidência da República, convite que recusou e envolveu-se na campanha de Humberto Delgado.
          Em 1958, com 74 anos, foi preso no Forte de Caxias, juntamente com António Sérgio, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes, tendo sido libertado depois de uma forte campanha de indignação e protesto por parte da imprensa brasileira.

          Cunha, Octávio.
          Pessoa singular · 1949

          Médico pediatra.
          Preso em 19 de Maio de 1962.

          Cunhal, Álvaro Barreirinhas.
          Pessoa singular · 1913 - 2005

          Secretário-geral do Partido Comunista Português entre 1961 e 1992.

          Duarte, Francisco Miguel.
          Pessoa singular · 1907 - 1988

          Francisco Miguel Duarte (Beja, Baleizão, 18 de dezembro de 1907 – Lisboa, 21 de maio de 1988), também conhecido pela alcunha de Chico Sapateiro, por exercer essa profissão, foi um escritor, poeta e político português vinculado ao Partido Comunista Português, de que foi dirigente, autor do livro Das Prisões à Liberdade (Lisboa, Edições Avante!, 1986).

          Poeta, cujos temas principais são a revolução e o povo, tem entre os seus trabalhos mais conhecidos, um poema em honra da memória de Catarina Eufémia, sua conterrânea, já que o autor também era natural de Baleizão.

          Foi o dirigente do Comité Provincial do PCP no Algarve. A sua prisão em 1947 conduziu ao desmantelamento daquela organização provincial.

          Foi o último preso político a permanecer, sozinho, por seis meses, no Campo de Concentração do Tarrafal - Colónia Penal de Cabo Verde - antes de ser transferido, de novo, para Lisboa, a 26 de janeiro de 1954, onde continuaria preso, primeiro no Aljube e depois em Caxias.

          Foi eleito deputado pelo círculo eleitoral de Beja nas Eleições para a Assembleia Constituinte Portuguesa de 1975.

          A 30 de junho de 1980, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade.

          Fonseca, José Tomás da.
          Pessoa singular · 1877-1968

          José Tomás da Fonseca (Mortágua, 10 de Março de 1877 — Lisboa, 12 de Fevereiro de 1968) foi um agricultor, ex-seminarista, poeta, escritor, historiógrafo, jornalista, professor, político e militante republicano de cariz ateu e anticlerical português. Pertenceu ao Movimento de Unidade Democrática, à Maçonaria e ao Partido Comunista Português.

          Por causa de seu ateísmo militante, sua verve polemista, das ideias republicanas, laicistas e ateias, das críticas às aparições em Fátima e à igreja católica Tomás foi perseguido pela PIDE, preso diversas vezes e 14 de seus livros foram censurados e banidos durante as ditaduras sidonista e salazarista.

          A perseguição a Tomás da Fonseca o afastou das atividades docentes que ele desenvolvia no Conselho Superior de Instrução Pública, da direção da Escola Normal de Lisboa e de Coimbra e da Universidade Livre de Coimbra, que ele ajudou a fundar.

          Gomes, Mário de Azevedo.
          Pessoa singular · 1885 - 1965

          Mário de Azevedo Gomes (Angra do Heroísmo, 22 de dezembro de 1885 — São Lisboa, 12 de dezembro de 1965) foi um agrónomo, professor universitário e político português.
          Filho do oficial da Marinha Manuel de Azevedo Gomes e de Alice Hensler.

          Formou-se em Agronomia no Instituto de Agronomia e Veterinária. Iniciou a sua carreira de decente, sendo professor da Escola Nacional de Agricultura de Coimbra e no Instituto Superior de Agronomia. Aí, regeu primeiro o curso de Biologia Geral. Em fevereiro de 1915, foi nomeado professor catedrático de Silvicultura no mesmo instituto, cargo que manteria até à sua jubilação (com algumas interrupções).

          Foi fundador e primeiro diretor da Estação Agrária Nacional e dirigiu os programas de extensão rural, então designados por instrução agrícola, entre 1919 e 1925. Foi também chefe de repartição de instrução agrícola no Ministério da Instrução Pública.

          Em 1919, foi nomeado diretor-geral da instrução agrícola no Ministério da Agricultura. Foi vogal do Conselho Técnico Florestal. Entre dezembro de 1923 e fevereiro de 1924, foi ministro da Agricultura.

          Foi vogal do Conselho Superior de Agricultura, como delegado da Sociedade de Ciências Agronómicas. Fez também parte da Comissão encarregada de elaborar o projeto da arborização da serra de Monsanto e regiões limítrofes.

          Participou na oposição à ditadura militar e ao regime do Estado Novo. Foi colaborador da Seara Nova até 1940 e membro da Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática (MUD), da qual seria presidente. Por causa de um manifesto crítico contra a posição de Portugal relativamente à ONU, foi demitido do seu cargo como professor na Universidade Técnica de Lisboa (foi readmitido em 1951).
          Em 1948, já depois da extinção do MUD, foi o presidente da comissão central da candidatura de Norton de Matos. Foi o primeiro subscritor do Programa para a Democratização da República (1961). Foi preso político várias vezes: em 1946, 1948 e 1958.

          Foi consultor técnico da Companhia das Lezírias do Tejo e Sado e fez estudos para os Serviços Florestais na década de 1950 (monografia do Parque da Pena).

          Casou com Cristina Leopoldina Sousa de Menezes Marcellin Chambica (1918).

          Horta, José Carlos
          PT/AHS-ICS/JCH · Pessoa singular · 1935-2020

          José Carlos Horta nasceu em Inhamússua, Homoíne, Moçambique, em 16 de dezembro de 1935.
          Participou no Núcleo Clandestino dos Alunos do Liceu Nacional Salazar de Lourenço Marques entre os anos de 1951 e 1953. Foi preso pela PIDE, junto a outros alunos do Liceu Nacional Salazar, em março de 1953, acusados de lerem e discutirem livros e revistas proibidos pelo regime português. Ao cabo de duas semanas foram libertados.

          Em Dezembro de 1953, mudou-se para Liège, Bélgica, para prosseguir seus estudos universitários, onde integrou um círculo de estudantes de esquerda. No verão de 1957, participou, como membro da delegação belga, no Sexto Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Moscovo, onde conheceu Marcelino dos Santos, Mário Pinto de Andrade e Aquino de Bragança. No inverno e primavera de 1958, albergou, em Liège, Viriato da Cruz, fundador do movimento “Vamos Descobrir Angola”, do Partido Comunista Angolano (PCA) e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Viriato havia saído de Angola em 10 de Setembro de 1957, rumo a Paris, com breve passagem por Lisboa, para não ser preso pela PIDE; apareceu em Liège, à procura de Horta, com uma carta de apresentação de Marcelino dos Santos. Ambos estabelecem uma amizade que perduraria até a morte de Viriato em Pequim, em 13 de junho de 1973. De acordo com seu amigo Edmundo Rocha, “Liège serviria de porto e abrigo a vários nacionalistas angolanos”, como Marcelino dos Santos, Mário de Andrade e o próprio Viriato da Cruz.

          Colaborou com o Movimento Anti-Colonialista (MAC) e, depois, com a Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas (FRAIN) formada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) de que foi conselheiro.
          De 1960 a 1961, desempenhou as funções de conselheiro político do MPLA, durante o período de instalação em Conacri e em Leopoldville dos seus dirigentes (1959-1961). Em Liège assegurou várias ligações entre militantes, editou os primeiros cartões de membro, o programa, os estatutos e o regulamento interno do MPLA. Também editou o livro “Le Procès des Cinquante”, que denunciava a prisão de nacionalistas em Angola, em 1959. O livro contém uma introdução não assinada de Viriato da Cruz e um texto assinado por Mário de Andrade, a quem seu irmão, Joaquim Pinto de Andrade, de Luanda, enviou informação sobre as prisões, sobre os presos políticos e respetivas fotografias, ao mesmo tempo que apoiava as suas famílias, juntamente com Arminda Faria, entre outros nacionalistas.

          Dentre os estudantes das colónias africanas portuguesas que se encontravam no exterior, foi Horta o primeiro a lançar a ideia de uma organização de jovens africanos. Em finais de 1959, assim escreve ao amigo Viriato da Cruz: “A melhor lição que lá [no Sétimo Festival da Juventude e dos Estudantes de Viena] recebi foi a necessidade de uma associação para estudantes. A cada passo pude avaliar essa necessidade que pareceu imperiosa... todas as associações beneficiam de bolsas...”. Entre 1959 e 1965, foi fundador e dirigente da União Geral dos Estudantes da África Negra sob Dominação Colonial Portuguesa (UGEAN), tendo organizado os seus primeiro (1961) e segundo (1963) congressos, que ocorreram em Rabat, Marrocos. Em Janeiro de 1961, em virtude dessas atividades, tem recusada a renovação da sua autorização de residência na Bélgica como estudante. Da Bélgica, segue para a Alemanha Oriental. Em Outubro de 1961, José Carlos Horta e o angolano Luís de Almeida são acusados pela PIDE de “intensa actividade subversiva contra as províncias ultramarinas portuguesas” e de estarem “a provocar o êxodo de estudantes africanos residentes em Portugal” (êxodo conhecido como a “Fuga dos Cem”). A PIDE lançou, a seguir, um pedido de captura contra Horta. É expulso da UGEAN em 1965, após decisão do seu Conselho Consultivo em reunião ocorrida entre 22 e 25 de setembro desse mesmo ano, em Nuzov, Checoslováquia. Tem-se, por conseguinte, o seu afastamento do MPLA. Viaja para Argel (Argélia) em novembro de 1965, com um laissez-passer da República Democrática Alemã, inscrevendo-se no Bureau Algérien de Protection aux Réfugiés et Apatrides (BAPRA). Refugia-se em Argel até 1974. No verão de 1975, instala-se em Portugal (Algés). Profissionalmente, atuou como engenheiro de logística de transporte, função que lhe exigia recorrentes viagens internacionais.
          *****adaptado de Angela Lazagna, 2020

          Laranjo, José.
          PT AHS-ICS JL · Pessoa singular · 1944-

          Nasceu em Lisboa em 1944. Na sequência da sua participação no Movimento Estudantil, esteve preso de 27 de Abril a 2 de Maio de 1964. Estudou cinema. Fundou a Comissão Pró-Associação dos Estudantes Portugueses na Grã-Bretanha (Portuguese Students Support Committee), a qual manteve actividade regular até 1974 em favor dos estudantes presos em Portugal. O grupo procurava ainda sensibilizar a opinião pública inglesa para a situação política portuguesa, em particular entre estudantes britânicos, agindo em conjunto com outras organizações anti-colonialistas e anti-racistas. Segundo o testemunho de Álvaro de Miranda, a sua casa em Bromley, a Sul de Londres, transformara-se no "centro de actividade antifascista de Londres". O grupo também participou em acções como a do combate contra a invasão soviética da Checoslováquia e a Guerra do Vietname, entre muitas outras. Teve ainda actividade considerável em prol da defesa da comunidade de emigrantes (económicos) portugueses.

          Lima, Adolfo.
          Pessoa singular · 1874 - 1943

          Foi professor da Escola Oficina nº 1 de Lisboa, do Liceu de Pedro Nunes e da Escola Normal Primária de Lisboa, de que foi Diretor entre 1918 e 1921 tendo acompanhado a sua transferência para o monumental (ainda que inacabado à época) edifício construído em Benfica. Colaborou com várias outras instituições e associações com destaque para a Sociedade de Estudos Pedagógicos, A Voz do Operário ou a Universidade Popular Portuguesa. Foi, na fase final do seu
          percurso, que coincidiu com a fase inicial do Estado Novo salazarista, Diretor da Biblioteca-Museu do Ensino Primário. Chegou a ser preso, embora por um período curto, no início da ditadura militar que conduziu à institucionalização do regime autoritário. Embora discreto na sua militância, colaborou regularmente com o movimento anarquista, sendo inquestionável, também pelas ideias que professava, a sua pertença a esse mundo. JP

          Mashaba, Roberto Ndevu.
          Pessoa singular · 1855 - 1939

          Activista e missionário cristão evangélico em Moçambique, foi pioneiro na introdução Igreja Metodista Wesleiana na então colónia portuguesa do Índico. Pertencente à etnia Ronga, converteu-se à Igreja Metodista enquanto trabalhava como imigrante no território britânico de Natal. Quando regressou a Moçambique, fundou uma escola e assumiu-se como missionário protestante e activista dos direitos da população local face à administração colonial portuguesa. Em 1896, no contexto da luta das forças portuguesas contra Gungunhana, foi preso e deportado para Cabo Verde, mas quatro anos depois, por pressão de grupos religiosos britânicos, foi libertado e enviado para a África do Sul. Foi então ordenado pastor metodista, tendo-se notabilizado pela tradução de mais de cem hinos religiosos para a língua tsonga. (Wikipedia)

          Neto, António Agostinho.
          Pessoa singular · 1922 - 1979

          Presidente de Angola de 1975 a 1979.

          Oliveira, Manuel Rodrigues de.
          Pessoa singular · 1911-1996

          Manuel Rodrigues adere às juventudes comunistas em 1929.
          Em 1933 torna-se Secretário Político das Juventudes Comunistas.
          Foi preso no rescaldo da revolta do 18 de Janeiro de 1934.
          Editor da Biblioteca Cosmos.

          Ramos, Venceslau Ferreira
          PT AHS-ICS-VFR · Pessoa singular · 1916-1950

          Nasceu a 18 de fevereiro de 1916 em Avintes, Vila Nova de Gaia. Era modelador na fábrica de cerâmica do Carvalhido e residia em Oliveira do Douro. Membro do Partido Comunista Português (PCP), foi preso a 13 de maio de 1950, em Avintes, para averiguações por crimes contra a segurança do Estado.
          Viria a morrer no dia 22 de maio de 1950 na sede da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) no Porto. Segundo o jornal Avante!, terá sido espancado até à morte por agentes da PIDE. Como era habitual neste tipo de situações, a polícia política justificou o óbito com um suposto suicídio por enforcamento, proibindo a autópsia e impedindo qualquer presença no cemitério durante o funeral.

          Redol, António Alves.
          Pessoa singular · 1911 - 1969

          António Alves Redol (Vila Franca de Xira, Vila Franca de Xira, 29 de dezembro de 1911 – Campo Grande, Lisboa, 29 de novembro de 1969) foi um escritor considerado como um dos expoentes máximos do neorrealismo português.

          Filho de um pequeno comerciante, obteve um curso comercial, partindo em 1928 para Luanda. Regressou a Portugal em 1931. Colaborou em vários jornais e revistas da imprensa local como Vida Ribatejana, Goal ou Mensageiro do Ribatejo, mas também em O Diabo, Sol Nascente e Vértice.

          Tornou-se militante do Partido Comunista Português nos anos 40. Foi perseguido pelo regime, sendo preso duas vezes pela polícia política do Estado Novo.

          Foi o principal dinamizador do grupo neorrealista de Vila Franca de Xira, que integrava Soeiro Pereira Gomes, Dias Lourenço, Garcez da Silva, Bona da Silva e Arquimedes da Silva Santos.

          Foi o impulsionador dos chamados ‘Passeios no Tejo’, passeios culturais e políticos organizados nos finais da década de 30 e início de 40 em Vila Franca de Xira, que juntavam intelectuais que preparavam a luta contra a ditadura, e onde participaram Álvaro Cunhal, António Dias Lourenço, Soeiro Pereira Gomes, Fernando Lopes Graça, Manuel da Fonseca, Bento de Jesus Caraça, entre outros.

          Em 1953 foi também o principal dinamizador da experiência coletiva que ficou designada por ‘Ciclo do Arroz’, onde participaram Júlio Pomar, Cipriano Dourado, António Alfredo, Rogério Ribeiro e Alice Jorge.

          É considerado pioneiro do movimento neorrealista com o seu romance de estreia Gaibéus (1939).

          Ribeiro, Militão Bessa.
          PT/AHS-ICS/MLRB · Pessoa singular · 1896-1950

          "Filho de Francisco Bessa Ribeiro e Bárbara de Jesus, nasceu em Murça a 13 de agosto de 1896 e iniciou a sua militância política no Brasil, para onde emigrara aos 13 anos, trabalhando como marçano e operário têxtil. Foi, ainda, dirigente sindical, jogou futebol no Vasco da Gama e pertenceu ao Partido Comunista do Brasil.

          No início dos anos trinta, considerado «indesejável», foi repatriado para Portugal para ser entregue à polícia portuguesa. Conseguindo escapar, aderiu ao Partido Comunista Português (PCP). Foi preso em julho de 1934, acusado de pertencer ao Socorro Vermelho Internacional (SVI). Encarcerado na Prisão do Aljube do Porto, foi condenado pelo Tribunal Militar Especial, em abril de 1935, a doze meses de prisão em Peniche, onde permaneceu muito além do tempo a que fora sentenciado. Em Peniche, foi acusado de insubordinação, após participar numa luta dos presos, e dali transferido, em junho de 1935, para a Prisão da Fortaleza de Angra do Heroísmo, nos Açores.

          Em outubro de 1936, fez parte do grupo de presos que inaugurou o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, tendo integrado o organismo de Direção da Organização Prisional Comunista no Tarrafal. Em julho de 1940, foi restituído à liberdade após amnistia. Participou na reorganização do PCP, integrando o Secretariado a partir de 1941. Envolveu-se na organização do movimento grevista de 1942 até voltar a ser preso para averiguações, em novembro do mesmo ano, na Prisão do Aljube, em Lisboa. Condenado, em 5 de abril de 1944, a quatro anos de prisão correcional, foi reenviado para o Tarrafal, sendo solto no final de 1945, em resultado de nova amnistia.

          Em novembro de 1946, foi eleito para o Comité Central e, novamente, para o Secretariado do PCP. Em março de 1949, Militão Ribeiro foi preso numa casa clandestina no Luso. Acusado de pertencer «à organização secreta subversiva denominada ‘Partido Comunista Português’», passou pelas prisões da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) no Porto até ser transferido, em 10 de maio de 1949, para a Penitenciária de Lisboa.

          Debilitado pelas sucessivas prisões, maus-tratos e falta de assistência médica, uma doença pulmonar infeciosa viria a ser-lhe fatal. Profundamente doente, foi colocado em regime de rigoroso isolamento durante nove meses e abandonado, sem assistência médica digna desse nome, a uma morte anunciada. O próprio, em cartas escritas na prisão dois meses antes de morrer, acusava a PIDE de «envenenamento». A greve de fome que iniciara, como protesto contra o regime prisional a que estava submetido, não demoveu, porém, as autoridades, morrendo na prisão, em 1950, aos 54 anos."
          Museu do Aljube