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            Anti-Apartheid Movement
            GB - AAM · Pessoa coletiva · 1960 - 1994

            "The Anti-Apartheid Movement (AAM) was founded in 1960 to campaign for the eradication of apartheid. AAM grew out of the Boycott Movement which began in 1959. AAM, sometimes referred to as the British Anti-Apartheid Movement, operated in Britain (England, Wales and Scotland). AAM did not cover Northern Ireland which was covered by the Irish Anti-Apartheid Movement. AAM resolved to work for the total isolation of the apartheid system in South Africa and to support those struggling against the apartheid system".

            Bragança, João Carlos de, 2º Duque de Lafões
            Pessoa singular · 1719-1806

            2.º Duque de Lafões, 4.º Marquês de Arronches, 8.º Conde de Miranda do Corvo, 32º Senhor da Casa de Sousa.

            Nasceu em Lisboa a 6-03-1719 e morreu a 10-11-1806.

            O 2.º Duque de Lafões foi uma figura destacada na sua época. João Carlos de Bragança pensava em seguir os estudos na Universidade de Coimbra, mas as dúvidas do reitor e lentes sobre o tratamento adequado a um personagem de sangue real, apresentada ao monarca, motivou a ordem de D. João V para que regressasse à Corte. Após o terramoto de 1755, o Duque de Lafões foi um dos voluntários que permaneceu em Lisboa para tratar dos vivos e enterrar os mortos.

            Ausentou-se do Reino, em 1757, com autorização régia para "passar aos Exércitos da Alemanha [ou seja, da Áustria] para neles se exercitar na arte da guerra" (decorria então a Guerra dos Sete Anos, que opunha a Prússia, aliada da Inglaterra, à Áustria, que por sua vez estava coligada com a França e depois com a Rússia), passando por uma "curta" estadia em Inglaterra. Alguns biógrafos apontam que D. José lhe teria recusado a transmissão do título, mas esta hipótese é descartada pelo facto do seu irmão, Pedro Henrique (1º Duque) ter falecido quatro anos depois. Na verdade, João Carlos viajou com autorização do rei, e manteve relações cordiais com o monarca. Permaneceu vários meses em Inglaterra, tendo sido eleito membro da Royal Society de Londres. No ano de 1758, partiu finalmente para Viena, e participou em duas campanhas militares da Guerra dos Sete Anos.

            A 26 de junho de 1761, o seu irmão e 1º Duque de Lafões, Pedro de Bragança, morreu após uma prolongada doença.

            Assinada a paz em 1763, viajou pela Áustria, Itália, França, Rússia Alemanha, Suécia, Dinamarca e Turquia, só regressando a Portugal após a subida ao trono de D. Maria I. A soberana devolveu-lhe todas as honras e mercês, as comendas de sua Casa e o título de Duque de Lafões.

            Um ano após a sua chegada a Portugal, João Carlos de Bragança apresentou à rainha D. Maria I o projeto para a fundação de uma instituição de cultura, à semelhança das que conhecera no estrangeiro. Escolheu para seu colaborador o abade José Correia da Serra que também regressara ao Reino. Foi assim fundada a Academia das Ciências de Lisboa, cujos estatutos foram aprovados em 24 de Dezembro de 1779, tendo a 1.ª sessão ocorrido em 16 de Janeiro de 1780.

            Casou, a 29 de janeiro de 1788, com D. Henriqueta Maria Júlia de Lorena e Meneses, filha dos 5ºs Marqueses de Marialva - casamento com uma grande diferença de idades já que o Duque de Lafões tinha 70 anos e a sua esposa tinha 16. Deste casamento houve um filho varão, que foi o 1º Duque de Miranda do Corvo e faleceu em criança, e três filhas: D. Carlota Margarida (que morreu com apenas um ano de idade), D. Ana Maria, que lhe sucedeu como Duquesa de Lafões, e D. Maria Domingas, que pelo seu casamento foi Duquesa de Cadaval.

            Cadbury, William Adlington.
            PT/AHS-ICS/CAD · Pessoa singular · 1867 - 1957

            William Adlington Cadbury nasceu a 17 de Fevereiro de 1867.
            Empresário e neto de John Cadbury, fundador da empresa de chocolates Cadbury, William começou a trabalhar no negócio da família em 1887.
            Teve um papel bastante ativo na campanha contra o trabalho escravo em São Tomé e Príncipe, tendo publicado, em 1909, um livro intitulado "Os serviçais de São Tomé e Príncipe".
            A edição portuguesa foi publicada em 1910 com tradução de Alfredo Henrique da Silva.
            Foi também Lord Mayor de Birmingham entre 1919 e 1921, período em que criou o fundo de beneficência social com o seu nome.
            Morreu em 1957.

            Dickens, Charles
            Pessoa singular · 1812-1870

            Charles Dickens (7 de fevereiro de 1812, Portsmouth, Inglaterra — 9 de junho de 1870, Gad’s Hill, Inglaterra) foi um romancista inglês da época vitoriana, considerado um dos mais importantes dessa época.

            Ellis, Henry Havelock
            Pessoa singular · 1859-1939

            Henry Havelock Ellis (2 de fevereiro de 1859 – 8 de julho de 1939) foi um médico e escritor inglês que estudava a sexualidade humana. Co-escreveu o primeiro manual médico em inglês sobre homossexualidade (1897) e publicou uma série de trabalhos sobre várias orientações sexuais, assim como sobre psicologia transgénero. Desenvolveu as noções de narcissismo e autoerotismo. Foi também pioneiro no uso de drogas psicadélicas (nomeadamente na sua experiência com a mescalina). Apoiava ideais eugénicas e foi um dos vice-presidentes da Eugenics Society.

            Grupo Anticolonialismo
            Pessoa coletiva

            Morada do grupo Anticolonialismo: 3l,Basset Road Londres W.lO.

            Grupo de Democratas Portugueses em Inglaterra
            Pessoa coletiva · 1961(?)- ?

            Em Janeiro de 1961 o Grupo de Democratas Portugueses em Inglaterra (GDPI), em colaboração com a Goa League como representante dos movimentos de libertação das colónias, iniciou a publicação dum boletim mensal: o Portuguese and Colonial Bulletin.
            O GDPI esteve também na origem de um grupo parlamentar britânico de apoio ao movimento democrático em Portugal e pela libertação das colónias, o Council for Freedom in Portugal and Colonies, presidido pelo deputado trabalhista Anthony Wedgewood Benn, mais tarde ministro do governo de Harold Wilson e líder da esquerda trabalhista, tendo passado a ser conhecido simplesmente como Tony Benn. O seu secretário era David Ennals, então Secretário Internacional do Partido Trabalhista e subsequentemente ministro de negócios estrangeiros.

            Haggard, H. Rider
            Pessoa singular · 1856-1925

            Sir Henry Rider Haggard (22 de junho de 1856, Norfolk – 14 de maio de 1925, Londres) foi um escritor inglês de romances de aventura, situados em localizações 'exóticas', como o interior africano, e um pioneiro do género literário fantástico do mundo perdido. As suas principais obras são o romance de aventuras 'As Minas do Rei Salomão' (1885) (e sequelas), e o romance gótico 'Ela' (She).

            Huxley, Aldous
            Pessoa singular · 1894-1963

            Aldous Huxley (26 julho, 1894, Godalming, Surrey, Inglaterra—22 de novembro, 1963, Los Angeles, California, EUA.) foi um romancista inglês, mais bem conhecido pelo seu romance Admirável Mundo Novo (Brave New World), publicado em 1932 e que viria a servir de inspiração para muita da ficção distópica escrita depois.

            Lafargue, Paulo.
            Pessoa singular · 1842-1911

            Paul Lafargue (Santiago de Cuba, 15 de janeiro de 1842, local — Draveil, 25 de novembro de 1911, local) foi um escritor, economista, jornalista e ativista francês. A sua obra mais conhecida é O Direito à Preguiça (em francês: Le Droit à la Paresse). Nasceu em Cuba, tendo ascendência francesa e crioula, mas passou a maior parte da sua vida em França.

            Estudou Medicina em Paris, inicialmente defendendo a filosofia positivista. A sua filosofia aproximou-se da visão anarquista de Proudhon, e como anarquista juntou-se à secção francesa da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), também conhecida como Primeira Internacional. No entanto, ao aproximar-se de Marx e Auguste Blanqui, começou a afastar-se do anarquismo.

            Em 1865, após ter participado no Congresso Internacional de Estudantes em Liège, Lafargue foi banido de todas as universidades francesas e foi para Londres. Foi aí que, ao frequentar a casa de Karl Marx, conheceu a sua filha Laura, com a qual se casou em 1868.

            Depois da Comuna de Paris de 1871, a repressão política fez Lafargue fugir para Espanha, onde se instalou em Madrid, contactando com a secção espanhola da Internacional (Federación Regional Española de la Asociación Internacional de Trabajadores - FRE-AIT), dominada pela fação anarquista. Lafargue envolveu-se com a propaganda e a difusão do marxismo.

            A partir de 1880, foi editor do jornal socialista francés L’Égalité e começou a publicar o primeiro manuscrito do Direito à preguiça. Mudou-se para Paris em 1882, e juntamente com Jules Guesde e Gabriel Deville começou a dirigir as atividades do Partido dos Trabalhadores Franceses (Parti Ouvrier Français - POF). Em 1891, foi eleito para o parlamento francês, embora estivesse sob custódia policial.

            Morreu juntamente com a sua esposa, Laura Marx, num pacto de suicídio mútuo.

            Laski, Harold
            Pessoa singular · 1893-1950

            Harold Joseph Laski (30 de junho de 1893, Manchester — 24 de março de 1950, Londres) foi um teorista político e economista inglês. Foi chairman do Partido Trabalhista Britânico de 1945 a 1946 e foi professor na London School of Economics de 1926 a 1950.

            Inicialmente integrado no pluralismo, Laski tornou-se um defensor do marxismo a partir dos anos 30 e crente na necessidade de uma economia planeada baseada na posse coletiva dos meios de produção. Além disso, estava ideologicamente integrado no Sionismo. Escreveu sobre uma grande variedade de tópicos como socialismo, capitalismo, condições de trabalho, eugenia, sufrágio feminino, etc.

            Lorenzo, Anselmo
            Pessoa singular · 1841-1914

            Anselmo Lorenzo Asperilla (Toledo, 21.04.1841 — Barcelona, 30.11.1914) Líder sindical anarquista. Chamado o “avô do anarquismo espanhol”.

            Começou a trabalhar como tipógrafo em Madrid aos quinze anos. Em 1870, participou na fundação de La Solidaridad, órgão da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) - Primeira Internacional, da secção de Madrid. Em junho desse ano, no primeiro congresso de trabalhadores espanhol em Barcelona, representou a secção de Madrid. A perseguição da Internacional em Espanha, devido aos eventos da Comuna de Paris, significou o seu exílio em Lisboa no verão de 1971 com outros membros do Conselho Federal.

            Foi eleito na conferência secreta de Valência para representar a secção espanhola na conferência da Internacional em Londres, conhecendo aí pessoalmente Karl Marx. Por haver conhecido Marx e ser amigo do seu genro, Paul Lafargue, e pela sua pertença à redação de La Emancipación, que tinha uma inclinação marxista, Lorenzo tinha despertado a desconfiança dos outros membros do Conselho Federal - que favorecia o anarquismo. Isso levou-o a demitir-se do Conselho Federal em junho de 1872.

            Foi para França, onde em Marselha entrou na redação do Le Sémaphore de Marseille. Em março de 1874, foi para Barcelona onde fixou a sua residência. Ingressou no grupo da Aliança da Democracia Socialista. Em 1878, foi eleito para representar a Federação Regional Espanhola no Congresso Internacional de Paris. Em 1881, foi expulso dessa federação, acusado de exercer coação nas eleições.
            Iniciou-se na loja maçónica de Barcelona “Hijos del trabajo” em 1883, onde se manteve ativo até 1895. No ano seguinte foi nomeado representante na Junta de Escolas Laicas. Foi um dos principais impulsionadores da sua loja maçónica, como orador. Defendia a compatibilidade entre o socialismo e a maçonaria.

            Voltou ao movimento anarquista em 1885, integrando-se na Sociedad de Obreros Tipógrafos. Em 1886 publicou os folhetos ¿Acracia o República? e Fuera política. Em 1886, juntou-se à redação da revista Acracia.
            O atentado contra a procissão do Corpus Christi (7 de junho de 1896) deu azo a uma perseguição do movimento anarquista em Espanha. Centenas foram presos, entre os quais Anselmo Lorenzo, na fortaleza de Montjuic. Foi deportado para Paris.

            Trabalhou como revisor para a editora Garnier em Levallois-Perret. Conheceu Charles Albert e Jean Grave. Graças à amnistia de 1899, pôde regressar a Barcelona. Foi em 1901 que iniciou a sua colaboração com Francisco Ferrer, que tinha conhecido em Paris. Colaborou no Boletim da Escola Moderna e na tradução de autores franceses relacionados com o anarquismo, como Jean Grave, Élisée Reclus, Émile Pataud e Émile Pouget, Paul Gille. Também fez parte da redação de La Huelga General, uma publicação periódica fundada por Ferrer e dirigida por José Clariá e colaborou com La Revista Blanca de Federico Urales.

            Por causa de ter participado na campanha da imprensa a favor da greve geral foi preso de novo em Montjuic em 1902. Posteriormente à Semana Trágica foi deportado para Alcañiz. Havia de regressar a Barcelona em 1910.

            Malato, Charles.
            Pessoa singular · 1857-1938

            Charles Malato (Toul, Lorena, 7 de setembro de 1857 - Paris, 7 de novembro de 1938) foi um anarquista francês de origem italiana, escritor e publicista.

            A sua família era proveniente da nobreza de Nápoles, o seu pai foi defensor da Comuna de Paris, o que fez ser deportado com a sua família para a Nova Caledónia em 1874. Aí Charles conheceu Louise Michel (professora, escritora, filósofa anarquista - uma figura principal na Comuna de Paris), com quem participou nas revoltas kanaks de 1878.

            Regressou a França em 1881. Em 1886, foi um dos fundadores de La Ligue Cosmopolite, grupo anarquista. Associado a este grupo, surgiu Révolution Cosmopolite: jornal révolutionnaire socialiste indépendant, um jornal associado este grupo publicado entre 1886 e 1887, que Malato fundou juntamente com Louise Michel e Jacques Prolo.

            Em 1890, ele foi julgado juntamente com Ernest Gegout por ter publicado um artigo com indicações para o fabrico de bombas, foram por isto condenados a 15 meses de prisão. Expulso de França, Malato vai para Londres em abril de 1892, onde permaneceu dois anos e publicou o jornal Le Tocsin.

            De novo em França, durante o Caso Dreyfus, juntamente com Sébastien Faure participou na publicação do Journal du People, e fez parte do comité revolucionário encarregado de responder a manifestações nacionalistas. Foi preso após o atentado da rua de Rohan, contra Afonso XIII (1905), mas foi libertado.

            Entre 1907 e 1914, colaborou nos jornais La Guerre sociale e La Bataille syndicaliste. Foi um amigo próximo de Francisco Ferrer e de Max Hulmann.

            Quando começou a I Guerra foi um dos que assinou o Manifesto dos 16.

            Outros periódicos com os quais colaborou: L'Art social, La Société nouvelle, L'Aurore, Le Réveil lyonnais, L'Attaque (jornal de Ernest Gegout)

            Marx, Karl
            Pessoa singular · 1818-1883

            Karl Marx (Trier (Prússia), 5 de maio de 1818 - Londres, 14 de março de 1883) foi um filósofo, economista e socialista alemão. Desenvolveu a teoria do materialismo histórico, analisando a luta de classes no capitalismo, e previu o eventual triunfo do proletariado e a instauração do comunismo. As suas ideias deram origem ao marxismo.

            Doutorou-se em filosofia na Universidade de Jena em 1841. Foi fortemente inspirado pelas ideias de Hegel, nomeadamente por obras como A Ideologia Alemã e Grundrisse. Em Paris, escreveu os seus Manuscritos Económicos e Filosóficos. Nessa cidade, conheceu Friedrich Engels, tendo com ele uma relação de amizade que duraria toda a sua vida. Mudou-se para Bruxelas em 1845 tornando-se ativo na Liga Comunista.

            Nesse período, escreveu O Manifesto Comunista (1848) em co-autoria com Engels. Sendo expulso da Bélgica e da Alemanha, mudou-se para Londres onde escreveu O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852) e iniciou a escrita da sua grande obra - Das Kapital (1867-1894). A partir do ano de 1864, Marx esteve envolvido na Primeira Internacional, onde teve um conflito com a fação anarquista liderada por Bakunin.

            Matos, José Norton de.
            Pessoa singular · 1867-1955

            José Mendes Ribeiro Norton de Matos nasceu a 23 de março de 1867 em Santa Maria dos Anjos, Ponte de Lima, local onde foi batizado a 23 de abril do mesmo ano. Descendente de Norton por parte do pai e de Matos Prego pelo lado materno, José Norton de Matos era filho de Tomás Mendes Norton, Comendador da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, natural de Viana do Castelo, e de Emília da Conceição de Matos Prego e Sousa, natural da freguesia da Queijada em Ponte de Lima, ambos proprietários, recebidos na Igreja de Santa Maria de Refóios do Lima e moradores na Rua D. Pedro (atual Rua General Norton de Matos em Ponte de Lima).
            Ingressou em 1884 na Universidade de Coimbra onde completou o 3.º ano do curso de Matemática e, posteriormente, assentou praça no Regimento de Infantaria 23. Entrou no ano de 1888 na Escola de Guerra em Lisboa na qual concluiu o curso de Estado-Maior.
            A 22 de novembro de 1896 nasce a sua filha de nome Rita Norton de Matos, fruto da sua relação com Ester Newton Pereira, com quem casou por procuração a 12 de fevereiro de 1905.
            Relativamente à sua vida profissional, o General Norton de Matos exerceu ao longo da sua vida cargos de natureza diversa mas sempre com elevada responsabilidade, que vão desde Professor a Governador-Geral e Escritor. Iniciou a sua atividade na Índia para onde partiu em 1898 para montar, organizar e dirigir os Serviços de Agrimensura, de Cadastro e da Carta Agrícola. Deste modo, foi diretor da Repartição de Agrimensura do Estado da Índia, trabalhou nos Serviços de Geodésia e Cadastro (parte da Repartição de Agrimensura), na execução da triangulação secundária do território e do cadastro predial, rural e urbano; exerceu funções como administrador das Matas, diretor das Obras Públicas, membro do Conselho do Governo, na delimitação de territórios; foi ainda encarregado de várias missões à Índia Inglesa com vários objetivos (ex. estudo da organização do cadastro, de instrução técnica e de outros serviços da administração inglesa). Em dezembro de 1907 foi nomeado Provedor da Santa Casa da Misericórdia em Goa. Regressa em outubro de 1908 a Portugal, após dez anos ausente da então metrópole.
            Poucos meses após ter regressado, foi nomeado por decreto a 25 de fevereiro de 1909, secretário da Missão Diplomática em Macau presidida por Joaquim Machado, integrado na Comissão para a Delimitação de Macau e suas dependências. Embarcou para o desempenho das suas funções a 20 de maio de 1909 com destino a Hong Kong tendo regressado apenas em 17 de março de 1910 novamente para Portugal onde exerceu serviço no Corpo de Estado-Maior. A 30 de maio de 1910 foi eleito sócio efetivo da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses e em novembro de 1911 ocupou o lugar anteriormente deixado por Ernesto Jardim Vilhena no cargo de Vice-Presidente da União Colonial Portuguesa. Nesse mesmo ano foi promovido a major e nomeado, após concurso, para professor do Instituto Superior Técnico onde lecionou as cadeiras de Geometria Analítica e Geodesia/Topografia. Durante esse período de tempo manifestou interesse em se integrar na vida política, expresso depois na sua filiação no Partido Republicano Português e assumido como um dos sócios fundadores do Centro Democrático Republicano.
            É em 1912 que se volta a ausentar da metrópole quando, a 18 de abril de 1912 viu ratificado a sua nomeação como Governador-Geral de Angola, cargo que veio a desempenhar até abril de 1915, após ter despoletado aquela que viria a ser a Primeira Guerra Mundial. Neste clima, parte de Angola para a metrópole para assumir por um curto período de tempo a pasta do Ministério das Colónias, entre junho e julho desse mesmo ano. Assumiu também, de forma interina, a pasta do Ministério dos Negócios Estrangeiros, nomeado para esse efeito a 26 de outubro de 1915 e novamente em junho de 1916, abrangendo dois governos distintos: o de José de Castro e o de António José de Almeida. Entre 19 de junho de 1915 e 22 de julho de 1915 foi Ministro os Negócios Estrangeiros de Portugal; e por fim a de Presidente do Ministério em momentos distintos de outubro e dezembro de 1917.
            Foi, no entanto, que no desempenho de Ministro da Guerra assumiu um maior relevo com decisões históricas e que marcaram o país. Iniciou a sua atividade a 22 de julho de 1915 e continuamente se manteve até ao Golpe de Estado de Dezembro de 1917.
            Nesse âmbito, devido ao período sidonista em que Portugal acabara de entrar, Norton de Matos seguiu exilado para Londres onde permaneceu até 1919. Nesse período de tempo envolvera-se em empresas privadas como agente da Empresa de Construções Navais Lda. (1918-1922) de José Branco e de outros associados, com sede em Lisboa e estaleiros em Viana do Castelo. Também se envolveu num projeto ligado à aviação que consistia na criação de um serviço comercial para Portugal e colónias, em associação com a firma Fernandes, Bragança e Pereira, Lda.
            Finalmente, após dois anos, regressa novamente a Portugal e é prontamente nomeado Delegado Português na Conferência da Paz, a convite de Afonso Costa.
            Em 1920 é nomeado Alto-Comissário da República em Angola, tendo assumido funções a 16 de abril de 1921 onde permaneceu até 1924.
            De regresso de uma forma conturbada, foi em 1 de julho de 1924 nomeado Embaixador de Portugal em Londres, lugar que ocupou até 1926.
            Maçónico desde 1912, data em que foi iniciado na Loja Pátria e Liberdade com o nome de Danton, foi progressivamente subindo nos degraus do Grande Oriente Lusitano, até atingir a 30 de abril de 1930 a posição de Grão-Mestre da Maçonaria, lugar em que se manteve até 1935, na véspera da publicação da chamada "Lei das Associações Secretas".
            Após uma década afastado da vida política, voltou ao ativo com a apresentação da candidatura à Presidência da República em 1948, cujas eleições vieram a decorrer em 13 de fevereiro de 1949. O opositor Norton de Matos acabou por desistir dias antes da candidatura, dando assim o lugar de vitória ao Marechal Óscar Carmona.
            Faleceu a 2 de janeiro de 1955 na sua casa de Ponte de Lima.

            Menezes, Hugo de.
            Pessoa singular · 1928-2000

            Hugo José Azancot de Menezes nasceu em 2 de fevereiro de 1928, na freguesia da Conceição, concelho de São Tomé, em São Tomé e Príncipe, filho de Ayres do Sacramento Menezes e Aida Ramos Azancot de Menezes. Entre 1931 e 1933, a família Menezes mudou-se para Angola, seguindo o percurso profissional do tenente miliciano médico Ayres do Sacramento Menezes, após desinteligências com as autoridades, devido a uma tentativa frustrada de candidatura ao Conselho Colonial, posteriormente Conselho Superior das Colónias, por São Tomé e Príncipe. Instalaram-se inicialmente na Chibia, próximo da cidade do Lubango, à época Sá da Bandeira. Essa vivência angolana marcou de forma decisiva toda a vida de Hugo de Menezes.

            Cursou inicialmente o Liceu Diogo Cão, no Lubango, e, em seguida, mudou-se com sua mãe e seus cinco irmãos – Ayres Henrique, Manuel Pedro, Óscar Jacob, Leah Aida e Maria Antonieta – para Lisboa. Os mais velhos ingressaram na universidade, enquanto Hugo de Menezes foi terminar os estudos escolares no Liceu Camões, em Lisboa. Após o ingresso na Faculdade de Medicina, em Lisboa, participou ativamente da Casa dos Estudantes do Império (CEI), onde estreitou os laços com estudantes de outros cursos e origens, tomou consciência da ampliação da onda independentista que se formou no continente africano e das avultadas dimensões que a luta contra o colonialismo português exigiria.

            Após a formatura em Medicina, em fevereiro de 1959, chegou a Londres e aí começou a construir uma rede de contactos políticos com naturais de países africanos já independentes ou em processo de conquista da independência. Passou por Paris, em julho de 1959, a tempo de se vincular formalmente ao Movimento Anticolonial (MAC), antes de se estabelecer em Conacri, na Guiné, em agosto de 1959.

            Em janeiro de 1960, participou da II Conferência do Povos Africanos, em Tunes, e assinou, enquanto membro da Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional (FRAIN), que substituiu o MAC no correr da própria Conferência, o primeiro documento a explicitar a sigla MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola).

            Na capital guineense casou-se com Maria de La Salette Guerra de Menezes e viu nascer a sua primeira filha, Awa Guerra de Menezes. Em Conacri, trabalhou como médico, participou na organização do Movimento de Libertação dos Territórios Africanos sob Domínio Português (MLTADP) e apoiou de forma assaz decisiva a instalação, naquela cidade, de Amílcar Cabral, Lúcio Lara e Mário Pinto de Andrade, dirigentes da FRAIN. Tal movimento possibilitou a organização da luta pela libertação de Angola e da Guiné-Bissau em outros moldes, ampliando as redes de contactos internacionais, finalmente a partir de uma base de apoio africana. Em Conacri, o MPLA ganhou forma e densidade. Foram criados os estatutos, delineado o programa e a estrutura organizacional. Hugo de Menezes integrou o seu primeiro Comité Diretor.

            Em 1961, mudou-se para Léopoldville (atual Quinxassa) e, juntamente com outros médicos e enfermeiros militantes do MPLA, construiu o Corpo Voluntário Angolano de Assistência aos Refugiados (CVAAR), que ensaiou encobrir durante certo tempo as ações do MPLA no Congo-Léopoldville, porquanto este país era o berço da União das Populações de Angola (UPA), o outro movimento de libertação angolano que se opunha ferozmente a qualquer expansão ou aproximação do MPLA aos angolanos. O CVAAR foi autorizado a atuar no auxílio à crescente massa de refugiados angolanos que chegavam ao Congo, em consequência das retaliações portuguesas pelas ações dos grupos nacionalistas angolanos, que em 4 de fevereiro de 1961, em Luanda, assaltaram as prisões na tentativa de libertar os presos políticos, mas, sobretudo, como resposta ao levante organizado pela UPA na região norte da colónia, em 15 de março do mesmo ano.

            Em Léopoldville, após o estabelecimento da família, nasceu o primeiro filho, Ayres Guerra de Menezes. Não foi apenas a família que cresceu, o MPLA também expandiu, e muito, o seu pequeno grupo dirigente e passou a integrar um número muito elevado de militantes, em virtude desse novo cenário de proximidade com a fronteira norte de Angola.

            Ora esse terreno inédito de atuação forçou o MPLA a responder às provocações da UPA, mais tarde transformada em Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), quanto ao elevado número de mestiços entre os dirigentes do MPLA. Foi assim que ganhou fôlego no interior do próprio Comité Diretor a ideia de substituição de alguns dos seus dirigentes, sob o argumento de proporcionar uma maior proximidade com os angolanos exilados ou instalados no Congo-Léopoldville. Hugo de Menezes foi contrário a essa remodelação e a derrota do seu posicionamento pesou na decisão de abandonar Léopolville.

            Em meados de 1962, Hugo de Menezes mudou-se para Acra, no Gana, na condição de representante do MPLA, sendo seguido posteriormente pela família. Naquela cidade, nasceu a segunda filha, Aida Guerra de Menezes. A tensão entre os líderes do MPLA que permaneceram em Léopoldville aumentou ainda mais após a chegada de Agostinho Neto e a frontalidade da disputa deste com o secretário-geral do Movimento, Viriato da Cruz. A rutura derivou para enfrentamentos armados, prisões e, posteriormente, assassinatos. Como alguns outros dirigentes da primeira hora da organização do movimento, Hugo de Menezes, porventura tentado a afastar-se do MPLA, esteve ligado à refundação do Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe em 1965, em Acra.

            Hugo de Menezes permaneceu em Acra até ao golpe de estado que depôs Kwame Nkrumah, em 1966, quando, uma vez mais, se deslocou com a família, desta feita em direção ao Togo, onde permaneceu até um novo golpe militar, em 1967, quando rumou ao Congo-Brazzaville para trabalhar como médico. No ano seguinte, Agostinho Neto, presidente do MPLA, com ótimas relações com o governo do Congo-Brazzaville, retomou o contacto com Hugo de Menezes, convidando-o a assumir a direção dos Serviços Médicos do Movimento na II Região Político-Militar do MPLA.

            O convite foi aceite e seu retorno ao MPLA, enquanto responsável médico no movimento, durou até 1972, quando, diante das dificuldades encontradas no exercício das funções e de uma nova vaga de turbulências no interior da organização, se afastou uma vez mais.

            Continuou em Brazzaville, mas sem conseguir o desenlace por completo dos camaradas do MPLA. Retomou as conversas com antigas lideranças, que, de forma mais concreta, passaram a questionar o que consideravam os desmandos da direção do movimento, especialmente do seu presidente, Agostinho Neto. Assinou em 1974 o manifesto da Revolta Ativa e, dada a sua importância na história do MPLA, foi um dos indivíduos nominalmente criticados de forma bastante dura pela direção.

            O conturbado quadro político interno do MPLA, atravessado por duas dissidências, Revolta do Leste e Revolta Ativa, não impediu que a organização conseguisse chegar ao processo de negociação do cessar-fogo com as Forças Armadas portuguesas e, consequentemente, participasse no Governo de Transição. Após os confrontos entre as três forças nacionalistas angolanas, FNLA, MPLA e UNITA pelo controlo da cidade de Luanda, o MPLA superou as expetativas e saiu vitorioso desse embate, proclamando a independência de Angola em 11 de novembro de 1975.

            Após um período de grande tensão em relação aos quadros signatários do manifesto da Revolta Ativa, as conexões pessoais entre Hugo de Menezes e Agostinho Neto conduziram a uma reaproximação entre ambos. Hugo de Menezes assumiu então, responsabilidades na área médica no novo estado angolano, concretamente, como diretor do Hospital Central de Luanda, que em 1977 passou a chamar-se Hospital Josina Machel. Também trabalhou no Centro de Saúde da Samba como médico de algumas empresas e teve, ainda, um consultório particular. Foi em Luanda que nasceu o seu último filho, Hugo Antunes de Brito Azancot de Menezes.

            Em 1996, mudou-se pela última vez, desta feita para Portugal. Faleceu no Hospital Fernando da Fonseca, na Amadora, no dia 1 de maio de 2000.

            Referências bibliográficas

            BITTENCOURT, Marcelo, “Estamos Juntos!” O MPLA e a Luta Anticolonial (1961- 1974), 2 vols, Luanda, Kilombelombe, 2008.
            CEITA, João Guadalupe Viegas de, Memórias e Sonhos Perdidos de Um Combatente pela Libertação e Progresso de São Tomé e Príncipe, [s. l.], [s. e.], 2012.
            LARA, Lúcio, Um Amplo Movimento: Itinerário do MPLA através de Documentos e Anotações de Lúcio Lara, Vol. I, Luanda, Edição do Autor, 1998.
            MABEKO-TALI, Jean-Michel, Guerrilhas e Lutas Sociais. O MPLA perante si próprio. (1960-1977), Lisboa, Mercado de Letras, 2018.
            MENEZES, Hugo Azancot de, Percursos da Luta de Libertação Nacional. Viagem ao interior do MPLA. Memórias Pessoais, organização, fixação e revisão do texto, preâmbulo, notas e comentários de Carlos Pacheco, Lisboa, Nova Veja, 2017.
            PACHECO, Carlos, MPLA. Um Nascimento Polémico (As Falsificações da História). Lisboa, Vega Editora, 1997.

            Última atualização: 26 de julho de 2022

            Augusto Nascimento
            Marcelo Bittencourt

            Pouget, Émile.
            Pessoa singular · 1860 - 1903

            Émile Pouget (Pont-de-Salars, 12 de outubro de 1860 - Palaiseau, 21 de julho de 1931) foi um jornalista francês, panfletista anarquista e sindicalista, conhecido pelo seu papel no desenvolvimento do sindicalismo revolucionário em França. O seu jornal Le Père Reinard foi influente no âmbito dos periódicos anarquistas. Pouget introduziu o termo 'sabotagem' como abordagem tática, termo depois adotado pela Confederação Geral do Trabalho em 1897. A combinação de Pouget de teoria política anarquista com táticas sindicalistas revolucionárias levou vários autores a identificá-lo como um proto-anarco-sindicalista.

            Em 1883, Pouget e Louise Michel foram aprisionados depois de um protesto em Les Invalidades. As chamadas Lois scélérates, que procuravam reprimir as atividades políticas anarquistas, obrigaram Pouget a exilar-se em Londres de 1894 a 1895. Aí, esteve exposto a pensadores e militantes internacionais anarquistas como Malatesta, e ao movimento sindicalista britânica. De regresso a França, fundou o jornal La Sociale em 1895 e iniciou uma colaboração com Fernand Pelloutier para promover as ideias do sindicalismo revolucionário no movimento laboral francês. Em 1902, ele tinha-se tornado uma figura proeminente na fação revolucionária da liderança da CGT e foi preso juntamente com outros líderes depois das greves violentas de Draveil e Villeneuve-Saint-Georges em 1908. Depois da sua libertação, Pouget distanciou-se da militância cada vez mais, especialmente após o colapso do seu jornal la Révolution em 1909.

            Queiroz, José Maria Eça de.
            PT/AHS-ICS/EQueiroz · Pessoa singular · 1845-1900

            José Maria de Eça de Queiroz (Póvoa de Varzim, 25 de novembro de 1845 – Neuilly-sur-Seine, 16 de agosto de 1900), mais conhecido apenas por Eça de Queirós, foi um escritor e diplomata português. Em termos literários, insere-se na corrente do realismo.

            Entrou para o curso de Direito em 1861, em Coimbra, onde conviveu com muitos dos futuros representantes da Geração de 70, já então reunidos em torno da figura de Antero de Quental.

            Terminado o curso, fundou o jornal O Distrito de Évora, em 1866, órgão no qual iniciou a sua experiência jornalística como redator. Colaborou ainda na Gazeta de Portugal, onde publicou muitos dos textos postumamente reeditados no volume das Prosas Bárbaras. No final desse ano, formou-se o "Cenáculo", de que viriam a fazer parte, nesta primeira fase e além de Eça, Jaime Batalha Reis, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e Salomão Saragga, entre outros.

            Após uma viagem pelo Oriente, para assistir à inauguração do canal de Suez como correspondente do Diário Nacional, regressou a Lisboa, onde participou, com Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, na criação do poeta satânico Carlos Fradique Mendes e escreveu, em 1870, em parceria com Ramalho Ortigão, o Mistério da Estrada de Sintra.

            No ano seguinte, proferiu a conferência "O Realismo como nova expressão da Arte", integrada nas Conferências do Casino Lisbonense e produto da evolução estética que o encaminhava no sentido do Realismo-Naturalismo de Flaubert e Zola, com influência das doutrinas de Proudhon e Taine. No mesmo ano, iniciou, novamente com Ramalho, a publicação de As Farpas, crónicas satíricas de inquérito à vida portuguesa.

            Em 1872, iniciou também a sua carreira diplomática, ocupando o cargo de cônsul sucessivamente em Havana (1872), Newcastle (1874), Bristol (1878) e Paris (1888).

            Colaborou com crónicas e contos, em jornais como A Atualidade, a Gazeta de Notícias, a Revista Moderna, o Diário de Portugal.

            Fundou a Revista de Portugal (1889).

            Da sua obra destaca-se: O Primo Basílio (1878), O Crime do Padre Amaro (2.ª edição em livro, 1880), A Relíquia (1887) e Os Maias (1888), este último considerado a sua obra-prima.