I República

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        PT-AHS-ICS-SPACE · Corporate body · 1876 -

        Instituição fundada em 20 de junho de 1876, com a designação de Sociedade Promotora de Creches, tinha por objetivo receber crianças carenciadas com idades compreendidas entre um mês e quatro anos. A sua primeira creche será inaugurada, em 5 de novembro de 1876, no Largo do Outeirinho da Amendoeira, que contou com a presença do Rei D. Luís. Tinha origem na Maçonaria.

        Em 10 de novembro de 1878, transfere os seus serviços e a creche para o Largo da Graça.

        Em 26 de abril de 1904, são aprovados os novos estatutos e a instituição passa a denominar-se Sociedade Promotora de Asilos, Creches e Escolas.

        Em 1 de janeiro de 1905, é inaugurada a primeira escola-oficina, a Escola-Oficina N.º 1, contendo no seu plano curricular aulas de desenho, modelagem e escultura em madeira.

        Em 20 de Junho de 1912, é promulgada por Carta de Lei, uma reforma dos estatutos, e passa a designar-se Sociedade Promotora de Escolas, tendo como um dos seus fins a “manutenção de Escolas e a propaganda por todas as fórmulas de bons métodos educativos“.
        A Sociedade Promotora de Escolas passa a ser considerada de utilidade pública, por carta de lei datada de 20 de julho de 1912, publicada em 22 de agosto do mesmo ano.

        A partir do Estado Novo, e face aos Decretos-Lei n.º 20181, 7 de Agosto de 1931, e n.º 28081, de 9 de Outubro de 1937, em que determinam o regime de separação dos sexos em todas as escolas do país, a Sociedade Promotora de Escolas opta pelo ensino feminino e determina o encerramento das oficinas. A Escola Oficina N.º 1 passa a ter, então, exclusivamente, ensino primário e inteiramente gratuito.

        Após o 25 de Abril, com a reformulação do sistema de ensino básico do país, a Escola Oficina n.º 1 vê os seus alunos serem integrados no ensino oficial.

        Sérgio, António.
        Person · 1883-1969

        António Sérgio de Sousa Júnior (Damão (Índia), 3 de setembro de 1883 – São Domingos de Benfica, Lisboa, 24 de janeiro de 1969) foi um pedagogo, jornalista, sociólogo, historiador e político português.

        Aos 3 anos mudou-se com a família para o Protetorado de Cabinda, quando o pai foi nomeado Governador dessa região administrativa. Viveu aí até aos 10 anos, altura em que regressou com a família a Lisboa. Seguindo uma linhagem de familiares militares, estudou no Colégio Militar e depois na Escola Politécnica e na Escola Naval.

        Como guarda-marinha em 1904, seguiu para Macau onde chegou em janeiro de 1905 e permaneceu até novembro de 1905, em 1906 viajou até New Castle e de seguida para Cabo Verde onde ficou até maio de 1907. Em março desse ano, havia sido promovido a segundo-tenente e, em julho, foi colocado no Corpo de Marinheiros da Armada, em Lisboa. Em 1908, publicou o seu primeiro livro: Rimas.

        Em 1910, logo após a implantação da República, foi preso pela primeira vez, tendo a prisão durado 3 dias. Na mesma altura, pediu licença ilimitada da Marinha.

        Ainda nesse ano, fundou, com Jaime Cortesão, Raul Proença e outros, a Renascença Gráfica, de onde surgiu a Renascença Portuguesa, participa na fundação da Sociedade de Estudos Pedagógicos.Data desse ano o seu casamento com Luísa Estefânia Gerschey da Silva.

        Começou nessa época a colaborar numa editora, à qual se refere como a “Companhia Americana”, assim como um seu representante (ou proprietário), Warren F. Kellog

        Em janeiro de 1911, tornou-se diretor literário da revista Serões. Iniciou a sua colaboração na revista A Águia, a qual se manterá até 1932, tendo publicado 47 artigos. Tentou criar, sem sucesso, uma Universidade Popular em Lisboa, ligada à Renascença Portuguesa, como as do Porto e Coimbra. Em 1912, candidatou-se, sem sucesso, com o trabalho Notas sobre os sonetos e as tendências geraes da philosophia de Anthero de Quental, ao lugar de 1.º assistente de Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa.

        Na sequência de um convite de Warren F. Kellog, partiu para o Brasil, em 27 de janeiro de 1913, na companhia da esposa, de onde regressará pouco mais de um ano depois, em fevereiro de 1914, regressando à Europa. Em abril, foi para Genebra e inscreveu-se, conjuntamente com a sua mulher, como aluno no Instituto Jean-Jacques Rousseau.

        Em março de 1918 fundou e dirigiu a revista Pela Grei. Nesse ano elaborou, em conjunto com Celestino da Costa, o projeto de uma «Junta» cuja função seria «criar focos para a reforma da cultura em Portugal». A revista tem inicialmente uma identificação com as linhas políticas oferecidas por Sidónio Pais, que alimentavam o sonho de um ”ressurgimento nacional”. Quando o novo regime sidonista se revelou como opressor e antiliberal, essa aproximação cessou.

        Regressou ao Brasil em 1919, onde, no ano seguinte, adquire, em conjunto com Álvaro Pinto, uma tipografia e fundaram a editora Anuário do Brasil e a revista Terra de Sol. Por questões de saúde, regressou à Europa.

        Em abril de 1923 passou a fazer parte da revista Seara Nova, colaboração que irá perdurar até 1956.

        Tornou-se Ministro da Instrução Pública a 18 de dezembro de 1923, função que exercerá até 28 de fevereiro de 1924. Neste curto período, criou o Instituto Português para o estudo do Cancro e a Junta de Orientação dos Estudos (este último acabaria por não se concretizar na prática), tendo também tentado criar um «Cinema educativo» e o «Ensino especial»

        Com a instauração da Ditadura Militar iniciou-se um período de oposição ao regime. Em janeiro de 1927, para não ser preso, vê-se forçado a abandonar o país - indo para o exílio em Paris. Logo em março, participou na formação da Liga de Defesa da República (mais conhecida como Liga de Paris), tornando-se um dos seus dirigentes, ao lado de Afonso Costa, Álvaro de Castro, José Domingues dos Santos e Jaime Cortesão, todos exilados. Em 1933 foi para Universidade de Santiago de Compostela a reger os cursos livres de História de Portugal e de Literatura Portuguesa, onde ficou por um ano, até ser amnistiado e poder regressar a Portugal

        No dia 27 de agosto de 1935 foi preso pela PVDE, passou pela cadeia do Limoeiro e pelo Aljube. No dia 21 de dezembro foi “posto na fronteira, por ter sido banido do Território Nacional por tempo indeterminado”. Ficou exilado em Madrid até, em 1936, regressar a Lisboa com nova amnistia. Em 1941 a sua História de Portugal é apreendida pela censura.

        Em Maio de 1946 formou a Frente Socialista com Ramada Curto, Carlos Sardinha e Castanheira Lobo. Integrou o Comité Português Pró Palestina, datando deste ano a primeira documentação referente a este assunto.

        Em Fevereiro de 1947, em conjunto com Norton de Matos, Mário de Azevedo Gomes e Bento de Jesus Caraça, envia cartas exigindo um inquérito ao Tarrafal (boletim do Movimento de Unidade Democrática). Em 15-03-1948 foi um dos signatários da "Representação ao Governo do Movimento de Unidade Democrática". Comunicado da Comissão Central do MUD - reclamação sobre a ilegalização do MUD. Em 1949, no seguimento da desistência do general Norton de Matos das eleições presidenciais cria, com Mário de Azevedo Gomes e Jaime Cortesão, o DDS – Directório Democrato-Social – Organização política da oposição republicana liberal.

        Em 1951 desenha e dirige o Boletim Cooperativista (durará até maio de 1975, embora Sérgio se afaste no ano de 1958).

        No seguimento da candidatura presidencial do almirante Quintão Meireles cria, juntamente com Jaime Cortesão, Raul Rêgo, Acácio Gouveia, entre outros, a Acção Democrato-Social (ADS).

        Em maio de 1953 cria a Comissão Promotora de Voto, com o objetivo de conseguir garantias quanto ao recenseamento dos eleitores e quanto às próprias operações do acto eleitoral.

        Em dezembro de 1955 é criada a Unicoope, tendo António Sérgio como o seu principal dinamizador.

        Em 1958 aparece no lançamento, organização e direção da campanha presidencial de Humberto Delgado. A 26 de novembro de 1958 é anunciado, através dos jornais, numa nota oficiosa do Governo que António Sérgio, Jaime Cortesão, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes foram detidos para averiguações, (foram libertados dois dias depois).

        Em 1959 a Editorial Labor publica uma 2ª edição da História de Portugal de António Sérgio, sem autorização deste. A Editorial mandou rever o texto sem consultar o autor e acrescentou páginas como sendo da autoria de Sérgio, nas quais os regimes vigentes em Portugal e Espanha eram largamente elogiados. Este acontecimento, somado ao fracasso da candidatura de Humberto Delgado revelaram-se golpes demasiado duros para Sérgio, levando-o a sofrer um esgotamento. O falecimento da sua esposa, companheira de vida a 29 de fevereiro de 1960 muito o afetou e contribuiu para o seu declínio.

        Faleceu a 24 de janeiro de 1969, na Casa de Saúde da Cruz Vermelha, em Lisboa.

        Gomes, Mário de Azevedo.
        Person · 1885 - 1965

        Mário de Azevedo Gomes (Angra do Heroísmo, 22 de dezembro de 1885 — São Lisboa, 12 de dezembro de 1965) foi um agrónomo, professor universitário e político português.
        Filho do oficial da Marinha Manuel de Azevedo Gomes e de Alice Hensler.

        Formou-se em Agronomia no Instituto de Agronomia e Veterinária. Iniciou a sua carreira de decente, sendo professor da Escola Nacional de Agricultura de Coimbra e no Instituto Superior de Agronomia. Aí, regeu primeiro o curso de Biologia Geral. Em fevereiro de 1915, foi nomeado professor catedrático de Silvicultura no mesmo instituto, cargo que manteria até à sua jubilação (com algumas interrupções).

        Foi fundador e primeiro diretor da Estação Agrária Nacional e dirigiu os programas de extensão rural, então designados por instrução agrícola, entre 1919 e 1925. Foi também chefe de repartição de instrução agrícola no Ministério da Instrução Pública.

        Em 1919, foi nomeado diretor-geral da instrução agrícola no Ministério da Agricultura. Foi vogal do Conselho Técnico Florestal. Entre dezembro de 1923 e fevereiro de 1924, foi ministro da Agricultura.

        Foi vogal do Conselho Superior de Agricultura, como delegado da Sociedade de Ciências Agronómicas. Fez também parte da Comissão encarregada de elaborar o projeto da arborização da serra de Monsanto e regiões limítrofes.

        Participou na oposição à ditadura militar e ao regime do Estado Novo. Foi colaborador da Seara Nova até 1940 e membro da Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática (MUD), da qual seria presidente. Por causa de um manifesto crítico contra a posição de Portugal relativamente à ONU, foi demitido do seu cargo como professor na Universidade Técnica de Lisboa (foi readmitido em 1951).
        Em 1948, já depois da extinção do MUD, foi o presidente da comissão central da candidatura de Norton de Matos. Foi o primeiro subscritor do Programa para a Democratização da República (1961). Foi preso político várias vezes: em 1946, 1948 e 1958.

        Foi consultor técnico da Companhia das Lezírias do Tejo e Sado e fez estudos para os Serviços Florestais na década de 1950 (monografia do Parque da Pena).

        Casou com Cristina Leopoldina Sousa de Menezes Marcellin Chambica (1918).

        Redol, António Alves.
        Person · 1911 - 1969

        António Alves Redol (Vila Franca de Xira, Vila Franca de Xira, 29 de dezembro de 1911 – Campo Grande, Lisboa, 29 de novembro de 1969) foi um escritor considerado como um dos expoentes máximos do neorrealismo português.

        Filho de um pequeno comerciante, obteve um curso comercial, partindo em 1928 para Luanda. Regressou a Portugal em 1931. Colaborou em vários jornais e revistas da imprensa local como Vida Ribatejana, Goal ou Mensageiro do Ribatejo, mas também em O Diabo, Sol Nascente e Vértice.

        Tornou-se militante do Partido Comunista Português nos anos 40. Foi perseguido pelo regime, sendo preso duas vezes pela polícia política do Estado Novo.

        Foi o principal dinamizador do grupo neorrealista de Vila Franca de Xira, que integrava Soeiro Pereira Gomes, Dias Lourenço, Garcez da Silva, Bona da Silva e Arquimedes da Silva Santos.

        Foi o impulsionador dos chamados ‘Passeios no Tejo’, passeios culturais e políticos organizados nos finais da década de 30 e início de 40 em Vila Franca de Xira, que juntavam intelectuais que preparavam a luta contra a ditadura, e onde participaram Álvaro Cunhal, António Dias Lourenço, Soeiro Pereira Gomes, Fernando Lopes Graça, Manuel da Fonseca, Bento de Jesus Caraça, entre outros.

        Em 1953 foi também o principal dinamizador da experiência coletiva que ficou designada por ‘Ciclo do Arroz’, onde participaram Júlio Pomar, Cipriano Dourado, António Alfredo, Rogério Ribeiro e Alice Jorge.

        É considerado pioneiro do movimento neorrealista com o seu romance de estreia Gaibéus (1939).

        Person · 1868-1944

        Nascimento: 10 Nov 1878, Porto, Portugal. Casamento (1): Stella Fernançolse de Leça MONTEIRO a 29 Set 1906 em Quelimane, Zambézia, Mozambique
        Óbito: 16 Mai 1944, Lisboa, Portugal com 65 anos de idade.

        Artur "...frequenta o Colégio Militar, nos anos 1890. Após concluir o curso, abandona a perspectiva da carreira militar e pretende estudar direito. A família opõe-se a esse projeto e ele decide ir para a África. Por volta de 1897-98, embarca para Moçambique, onde conhece o conde de Streecky, um influente empresário estrangeiro com interesses na região da Zambézia, em cujas empresas trabalha como executivo. Nessa região, na cidade de Quelimane, Artur e Stella casam-se em 1906.

        Com a institucionalização do Estado Novo português, em 1933, começa o expurgo dos funcionários republicanos. Artur Soromenho é enviado de licença a Portugal. Posteriormente, é reformado num posto inferior ao de sua posição na hierarquia da administração colonial.
        O Despacho Confidencial n. 7.853 da Presidência do Conselho[3], assinado por Oliveira Salazar, permite identificar os motivos do expurgo. Após elogios à carreira de A. Soromenho, consta: "Assim deve ser ouvido acerca do espírito que o anima quanto à orientação da nova ordem de cousas, e portanto: 1º. se fez compromisso de fé pró estado novo; 2º. se está filiado na União Nacional organismo de defesa nacional. Não é bastante ser-se funcionário com aquelas características; é necessário saber com absoluta segurança, se elas se podem adaptar ao novo sistema de governação para a solução final". Artur Soromenho, em carta ao Chefe do Gabinete da Presidência do Conselho, de setembro de 1936, respondeu lembrando que, segundo o que o próprio presidente do conselho havia escrito no Estatuto dos Funcionários Públicos, "os funcionários do Estado, seja qual fôr o seu credo político, não estão ao serviço dos partidos, mas da Nação"

        Após a morte de Artur Ernesto de Castro Soromenho, em 1944, o elogio à sua carreira administrativa foi feito por Norton de Matos em "Um grande administrador de circunscrição de Angola" (O Primeiro de Janeiro)."

        • Descendência. Foram sete os filhos de Artur Ernesto de Castro Soromenho e de Stella Fernançole de Leça Monteiro.

        Ramos, João de Deus.
        Person · 1878 - 1953

        João de Deus Ramos (Coração de Jesus, Lisboa, 26 de abril de 1878 — São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 15 de novembro de 1953) foi um pedagogo português, filho do também pedagogo e poeta João de Deus.

        Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, onde conviveu com João de Barros e se destacou como guitarrista. Foi professor de francês no Liceu Camões, em Lisboa, durante dois anos.

        Em 1908, assumiu a direção da Associação de Escolas Móveis pelo Método João de Deus que tinha sido fundada pelo seu pai, mudando-lhe o nome para Associação de Escolas Móveis pelo Método João de Deus e Bibliotecas Ambulantes (hoje Associação de Jardins-Escolas João de Deus). Viajou pela Europa (França e Suíça) para observar o funcionamento de Jardins de Infância orientados por diferentes métodos de ensino, como os de Friedrich Wilhelm August Froëbel , Ovide Decrolly, Maria Montessori e Johann Heinrich Pestalozzi. Com base nesses métodos, criou os Jardins-Escola, projetados pelo arquiteto Raul Lino. Em 1911 é inaugurado o 1º. Jardim-Escola, em Coimbra, a que se seguiram outros por várias localidades do País. Em 1917 inaugurou o Museu João de Deus onde se realizariam conferências e debates sobre temas da cultura nacional.

        Foi iniciado na Maçonaria em 1909, na loja Solidariedade do Grande Oriente Lusitano Unido, em Lisboa, com o nome simbólico de Antero.

        Na sua carreira política, foi primeiro eleito deputado em 1911, pelo círculo de Alcobaça, foi depois Governador-Civil da Guarda em 1912, e foi eleito deputado por Lamego em 1913. Nesse ano foi também nomeado Governador Civil de Coimbra. Em Março de 1911, com João de Barros, elaborou a 1ª. Reforma do Ensino da 1ª. República, chamada Reforma de 1911. Foi Ministro da Instrução Pública de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920 e Ministro do Trabalho de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925.

        Entre 1905 e 1910 dirigiu a revista A Instrução do Povo. Em 1907 tornou-se o diretor do Boletim das Escolas Móveis pelo Método João de Deus.

        Torga, Miguel.
        Person · 1907 - 1995

        Adolfo Correia da Rocha, conhecido pelo pseudónimo Miguel Torga (São Martinho de Anta, Sabrosa, 12 de agosto de 1907 – Santo António dos Olivais, Coimbra, 17 de janeiro de 1995), foi um dos mais destacados poetas e escritores portugueses do século XX. Torga destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios. Publicou mais de cinquenta livros e foi Prémio Camões de 1989. Proposto por duas vezes para Nobel da Literatura (1960 e 1978).

        Em 1920, emigrou para o Brasil para onde os pais o enviam. Irá trabalhar durante cinco anos na fazenda de um tio paterno. Regressou a Portugal em 1925,

        Em 1928, entrou para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publicou o seu primeiro livro de poemas, Ansiedade.

        Em 1929, deu início à sua colaboração com a revista Presença ( revista fundada dois anos antes por Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões e José Régio), com o poema Altitudes. Publica Rampa, livro de poesia que sai nas edições da Presença, antes de nesse mesmo ano romper com a revista, assinando juntamente com Edmundo Bettencourt e Branquinho da Fonseca uma “Carta a José Régio e João Gaspar Simões, directores da Presença”, a participar o afastamento do grupo. Em colaboração com Branquinho da Fonseca, funda a revista Sinal, de curta duração - apenas sairá um número, no mês de Julho desse ano.

        Em 1931, publicou o seu terceiro livro de poesia, Tributo. Estreia-se também na ficção narrativa com o livro de contos Pão Ázimo. Publicou também o livro de poesia Abismo (1932).

        Em 1933, concluiu a licenciatura em Medicina, regressou a S. Martinho de Anta para exercer a profissão.

        No ano seguinte, publicou a novela A Terceira Voz. É com este livro que adota o nome literário Miguel Torga. Deixa S. Martinho de Anta e muda-se para Vila Nova, freguesia do concelho de Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra, onde passará a exercer as funções de médico clínico geral.

        Em 1936, publica O Outro Livro de Job (poesia) e lançou juntamente com Albano Nogueira, o periódico Manifesto.

        Em 1937, publica “os Dois primeiros Dias” de A Criação do Mundo, romance autobiográfico. Em Dezembro deste ano viaja para a Europa, regressando em janeiro do ano seguinte. Atravessa a Espanha franquista, em plena guerra civil, e viaja por França, Itália, Suíça e Bélgica.

        Publica “O Terceiro Dia” de A Criação do Mundo (1938). Devido a algumas dificuldades com a Censura, sai no mês de julho o quinto e último número da revista Manifesto. Conhece Andrée Crabbé, sua futura mulher, em casa de Vitorino Nemésio, em Coimbra.

        Em 1939, estabelece-se como médico otorrinolaringologista em Leiria.

        O quarto volume de A Criação do Mundo, romance autobiográfico, valer-lhe-á a prisão por parte do regime do Estado Novo. Ao apresentar o testemunho de uma viagem a Itália e da travessia de Espanha, em plena guerra civil, Torga fazia uma clara denúncia do franquismo e do fascismo de Mussolini.

        Em 1939, os serviços secretos da PVDE, emitem uma ordem “confidencial” para que se proceda “à apreensão do livro ‘O Quarto Dia da Criação do Mundo’, da autoria de Miguel Torga, e à detenção deste”. Torga foi detido pela PSP de Leiria, sendo depois encaminhado para a prisão do Aljube. Na prisão, escreve um dos seus mais célebres poemas de resistência, “Ariane”, incluído no volume I do Diário. Foi libertado em fevereiro do ano seguinte.

        Casou nesse ano (1940) com Andrée Crabbé e publicou o seu volume de contos Bichos.

        Em 1941, publica o volume I de Diário, início de uma monumental e singularíssima obra de feição intimista (na totalidade serão publicados dezasseis volumes). Dá à estampa o volume de teatro Terra Firme. Mar. Publica também neste ano o livro de contos Montanha, que será apreendido pela PVDE. Passa a viver na cidade de Coimbra

        Segue-se uma série de publicações: o volume de contos Rua (1942), Lamentação (1943), O Senhor Ventura (novela - 1943), Libertação (poesia - 1944), Novos Contos da Montanha (1944), Vindima (romance - 1945), Odes (poesia - 1946), Sinfonia (poema - 1947), Nihil Sabi (1948), O Paraíso (peça de teatro - 1949), Cântico do Homem (poesia - 1950), Pedras Lavradas (contos - 1951), Alguns Poemas Ibéricos (1952), Penas do Purgatório (poesia - 1954), Traço de União (ensaios - 1955), Orfeu Rebelde (poesia - 1958),

        No dia 20 de Fevereiro de 1960, os serviços da PIDE procedem à apreensão do Diário VIII, nas livrarias de várias cidades do país. Um grupo de escritores e intelectuais apresenta um abaixo-assinado de protesto contra a apreensão deste livro.

        Seguem-se as obras Câmara Ardente (poesia - 1962), Poemas Ibéricos (1965).

        Após a Revolução de Abril, participou em vários comícios do Partido Socialista (1974-76)

        Em 1982, publicou “O Sexto Dia” de A Criação do Mundo, o último volume do romance autobiográfico. A publicação dos Diários continuará até 1993.

        Lisboa, Irene.
        Person · 1892 - 1958

        Irene do Céu Vieira Lisboa (Arranhó, Arruda dos Vinhos, 25 de dezembro de 1892 – Santa Isabel, Lisboa, 25 de novembro de 1958) foi uma escritora, professora e pedagoga portuguesa.

        Lecionou na Escola Normal Primária de Lisboa entre 1910 e 1914, onde criou e dirigiu o jornal estudantil Educação Feminina, publicado pela primeira vez em 1913, e rapidamente extinto pelo Conselho Escolar devido a críticas. Ao concluir o curso, Irene Lisboa trabalhou na escola do Beato, e depois na escola da Tapada da Ajuda.

        A sua primeira obra literária foi publicada em 1926 - Treze Contarelos Que Irene Escreveu e Ilda Ilustrou - um livro de contos para crianças.

        Entre 1929 e 1934 foi bolseira do Instituto Nacional de Educação, e continuou os estudos em Genebra, e depois em Bruxelas e Paris. Em Portugal especializou-se em Ciências de Educação, escrevendo várias obras sobre pedagogia e assuntos pedagógicos. Durante a estadia em Genebra, mercê de uma bolsa do Instituto de Alta Cultura, teve a oportunidade de conhecer Jean Piaget e Édouard Claparède,

        Em 1932 recebeu o cargo de Inspectora Orientadora do ensino primário e infantil. Mais tarde foi afastada do cargo, primeiro através de uma nomeação para a Junta Nacional de Educação.

        Em 1936, sob o pseudónimo de João Falco, publica o segundo livro, desta vez de poesia, intitulado Um dia e outro dia… – Diário de uma Mulher. No ano seguinte, sob o mesmo pseudónimo, surge Outono havias de vir, outra obra de poesia.

        Irene Lisboa dedicou-se por completo à produção literária e às publicações pedagógicas, depois de se reformar aos 48 anos.

        Ainda sob o nome de João Falco aparece em 1939 o livro titulado Solidão – Notas do punho de uma mulher, seguido de Apontamentos e Solidão – II. As novelas Começa uma vida (1940) e Voltar atrás para quê? (1956) também se situam na vertente autobiográfica. Outra vertente da prosa de ficção de Irene Lisboa centra-se nas curtas formas de narrativa, que a própria escritora denomina como "crónica" ou "reportagem". Esta Cidade!, O pouco e o muito – Crónica urbana, Título qualquer serve para novelas e noveletas, Crónicas da Serra,

        Person · 1881-[19--]

        Pertencente à família Serrão de Faria Pereira, "a família mais antiga da localidade de Azinhaga do Ribatejo, cuja presença se encontra registada desde inícios do séc. XV, como proprietária agrícola confirmada pela instituição, no séc. XVII do Morgado dos Serrões e da Capela e Ermida de São José, em 1664".

        França, João Baptista
        Person · 1908-1996

        João Baptista França (23 de junho de 1908, Funchal - fevereiro de 1996, Lisboa) foi um importante escritor português natural da ilha da Madeira. Destacou-se como jornalista, romancista, teatrólogo e dramaturgo.

        Iniciou a sua carreira jornalística no Funchal e colaborou nos jornais madeirenses com crónicas, contos, prosas e poesias. Inicialmente, escreveu para o diário “O Povo”, bem como para o “Independente”, “A Batalha”, “Diário da Madeira” e para os semanários “Comércio do Funchal” e “Ilha”. A revista “Esperança”, o diário humorístico “Re-nhau-nhau” e o “Eco do Funchal”

        Ainda no Funchal, deu os primeiros passos no teatro, sendo amador dramático, escrevendo peças, encenando-as e representando-as ao mesmo tempo que colaborava com o semanário lisboeta “O Diabo”

        Em 1940, começa a sua carreira como jornalista internacional no jornal “O Século”. Ainda na década de 40, escrevia teatro para a rádio, nomeadamente para a “Voz de Lisboa”, “Rádio Peninsular” e “Emissora Nacional”. Paralelamente à sua carreira jornalística conservava a atividade literária, colaborando em semanários e revistas, nomeadamente “Diário Popular”, “Correio das Ilhas”, revista “Panorama” e na secção literária da rádio SPN - Secretariado da Propaganda Nacional, entre outros .

        Em 1944, dá-se a sua “première” no teatro como argumentista / dramaturgo com “O Zé do Telhado”, opereta . O seu primeiro romance – “Romance de uma Corista”, em 1956. Trata-se de uma obra literária que retrata o ambiente dos bastidores teatrais de Lisboa.

        Com a peça “Um Mundo À Parte”, foi distinguido com o prémio Maria Matos. Esta obra, publicada em 1970, viria a passar pela censura oficial do regime. Neste mesmo contexto, a peça de teatro “Há Sol nas Minhas Mãos” foi, também, censurada.

        Leal, Carlos
        Person · 1878-1964

        Carlos Leal (Lisboa, 17/12/1878 – ?/?/1964) foi um ator português que se destacou na representação de revistas. Também colaborou ou escreveu as suas próprias revistas, assinou três volumes de memórias e colaborou com vários jornais.

        No início da sua carreira, Leal passou por vários palcos, como o Teatro da Trindade (1896), Teatro D. Amélia, Teatro da Rua dos Condes - onde permaneceu até 1902. A partir de 1903, iniciou-se na companhia do Teatro do Ginásio, e em 1906 trabalhou na Companhia Dramática de Lisboa, fazendo uma digressão pelo país.

        O seu sucesso viria no género musicado, como no Teatro do Príncipe Real com Ó da guarda (1907). Em 1909, no Teatro Avenida, desempenha um papel na opereta de André Brun A Severa. Passa de novo para o Trindade.
        Em 1910, regressou ao Príncipe Real, explorado por Luís Ruas, atuando na revista Sol e Sombras, ano da sua terceira digressão ao Brasil.

        Volta ao Brasil em 1911 com a companhia do Teatro Apolo, e apresentou-se no Rio de Janeiro com a empresa de Pascoal Segreto com Já te pintei! revista na qual se estrou como co-autor, seguidas de outras da sua co-autoria como A bomba, Braga por um canudo, Aguenta aí!, De três assobios, No país do sol e Pé de dança.

        Em 1913, integrou uma entrevista de grande sucesso, O 31, fazendo papel d’O 17 (um polícia da província). A partir de 1915, apresentou-se num repertório misto de drama e revista, trabalhou no Éden Teatro com a empresa de Luís Galhardo.

        Leal é sócio da ACAD e será impulsionador do sindicato que lhe segue a ACTT, ocupando o cargo de presidente.

        Colaborou toda a década de 20 com António de Macedo num repertório, sobretudo, de revista, mas também de opereta, levado ao palco de vários espaços tutelados pelo referido empresário: Éden Teatro, Coliseu dos Recreios, Chiado Terrasse, Teatro Maria Vitória/Parque Mayer e Palácio Foz, e, inclusivamente, aos palcos do Porto e do Brasil, para onde segue, em 1920, com a Companhia de Revistas Carlos Leal. Nesta fase, acumulou também a “direção artística” de alguns espetáculos. A colaboração com António de Macedo terminou no final da década.

        Na década de 40, integrou a Companhia do Teatro Variedades – Artistas Associados, coletivo que explora, em parceria com António de Macedo, o teatro do mesmo nome, no Parque Mayer, apresentando-se, também, no Teatro Apolo e no Teatro Avenida (com a Companhia do Teatro Avenida), em revistas e operetas dirigidas por Rosa Mateus.

        A récita de despedida de Carlos Leal deu-se no Teatro Politeama, no dia 4 de Junho de 1952, com o espetáculo O Clube dos Salsas, evocativo da revista O 31, voltando o ator a desempenhar, O 17.

        Mântua, Bento
        Person · 1878-1932

        Bento Joaquim Cortez Mântua (Luanda, 26 de Setembro de 1878 — Anjos, Lisboa, 20 de Dezembro de 1932) foi um dramaturgo e escritor português e o 10.º presidente do Sport Lisboa e Benfica (1917-1926).

        Era filho do proprietário e jornalista Alfredo Mântua, natural da freguesia de São Julião do Tojal e fundador da Sociedade de Geografia de Luanda, e de Balbina de Jesus Lima, natural de Luanda. Em 1902, casou com Fernanda Viana Ruas.

        Destacou-se como dramaturgo e escritor dramático e colaborou na publicação periódica "Atlântida" (1915-1920) e, também, no semanário "Azulejos" (1907-1909).

        No Sport Lisboa e Benfica, contou com mais de nove anos de exercício de funções, sendo o segundo presidente com maior consulado na história do clube.

        Corporate body · 1882-

        Fundada por Casimiro Freire, em 1882, sob o nome Associação de Escolas Móveis pelo Método João de Deus, inspirado no método e na pedagogia de João de Deus. Acompanharam-no nesse projeto várias personalidades da época, como João de Barros, Bernardino Machado, Jaime Magalhães Lima, Francisco Teixeira de Queiroz, Ana de Castro Osório, Homem Cristo, entre outros.

        Em 1908, por proposta de João de Deus Ramos, filho de João de Deus, passou a designar-se "Associação de Escolas Móveis pelo Método João de Deus, Bibliotecas Ambulantes e Jardins-Escolas". João de Deus Ramos fundou em Coimbra, em 1911, o primeiro Jardim-Escola João de Deus. Até 1953, data da sua morte, João de Deus Ramos criou 11 Jardins-Escolas.

        Brasil, Jaime.
        PT AHS-ICS JBrasil · Person · 1896-1966

        Artur Jaime Brasil Luquet Neto (N. Angra do Heroísmo, 1896 – m. Lisboa, 1966) foi escritor e jornalista. Cursou o liceu e, durante a Grande Guerra, a escola de oficiais milicianos, entrando para o Exército como alferes.

        Jornalista brilhante, crítico literário e de arte, foi redactor do Primeiro de Janeiro, do Século, do Século da Noite, da República, do Diabo, dirigiu o jornal O Globo, de efémera duração, e muitos foram os jornais e revistas em que colaborou, sendo à data da sua morte chefe da delegação em Lisboa de O Primeiro de Janeiro, cuja excelente página «Das Artes, das Letras» organizou, desde início, durante muitos anos, e na qual colaboraram José Régio, Casais Monteiro, Gaspar Simões, Jorge de Sena, bem como inúmeros dos melhores autores das décadas de 40 e 50; as recensões críticas eram, nessa página que passou a ser dirigida pelo poeta Alberto de Serpa , assinadas com a letra A. (correspondente a Artur, de seu primeiro nome).

        Grande amigo do seu patrício Vitorino Nemésio, ajudou-o quando este, em 1921, vindo dos Açores, se estreou no jornalismo profissional.

        Jaime Brasil, para além de jornalista culto e probo, distinguiu-se como polemista, não poupando o adversário nas pugnas que travou (com o diário católico Novidades, a propósito do livro A Questão Sexual; com Agustina Bessa-Luís, acerca de Os Super-Homens, em 1950; e com um camilianista a quem chama «camelianista», em 1958).

        Em 1925 fundou o Sindicato dos Profissionais de Imprensa de Lisboa, do qual foi o primeiro secretário-geral. Em Paris, onde residia desde 1937 e para onde voltou, algum tempo, no final dos anos 40, fundou em 1939 a Union des Journalistes Amis de la République Française.

        Person · 1856 -1936

        Ladislau Estevão da Silva Batalha - escritor, jornalista, político e intelectual português de orientação socialista - nasceu a 2 de agosto de 1856, em Lisboa, e faleceu a 26 de fevereiro de 1939, em Arruda dos Vinhos. Era filho de João Cesário da Silva Batalha e de Emília Adelaide Batalha.

        A sua vida política iniciou-se muito jovem: com quinze anos, já frequentava o Centro Republicano Democrático. Frequentava também a Nova Livraria Internacional, onde passavam franceses e espanhóis foragidos ou exilados e figuras do republicanismo português.

        Em 1876, ocorreu a sua polémica expulsão do Centro Republicano Democrático, juntamente com Carrilho Videiro, por ser acusado de ser 'espião do governo'. Em resposta a estes eventos, escreveu o panfleto 'A nova inquisição ou o directorio republicano e os seus actos perante a opinião pública', criticando duramente o Centro Democrático. Decidiu então abandonar o país, viajando para São Tomé e Príncipe.

        Em S. Tomé, foi contratado pelo Governador-geral para ser intérprete, devido ao seu domínio do inglês, francês e alemão. Depois, tornou-se funcionário da Curadoria-Geral, com o objetivo de fiscalizar as roças. Perseguido pelos roceiros, partiu para Angola em 1877, onde trabalhou no Jornal de Luanda. Deslocou-se então para o interior de Angola, dedicando-se ao comércio. Recebeu uma proposta de casamento com uma princesa de Soba Quinebuto e chegou a casar-se - mas optou por fugir, seguindo com dois companheiros que conhecera na tribo para o norte de Angola.

        Daí chegou ao Congo Belga e ao Estado Livre do Congo, embarcando num navio baleeiro norte-americano rumo a New Bedford, Massachusetts. Nessa cidade, trabalhou numa fábrica de vidro como gravador. Integrou então a tripulação de um navio bacalhoeiro - viajando pelo Ártico. Embarcou de novo como marinheiro, desta vez rumando ao Japão e China. Com intenções de voltar à pátria, em Cabo Verde recebeu uma proposta de trabalho, prestando serviços para os consulados argentino e francês. Conheceu a sua primeira mulher, que lhe daria uma filha - mas ambas viriam a morrer de tuberculose.

        Regressou a Portugal c.1887-1890, dedicando-se à escrita de algumas obras políticas. Partiu de novo, desta vez para o Reino Unido, em 1903 - esta viagem foi alvo de relatos publicados inicialmente no Diário de Notícias, e depois reunidos num livro. Em 1909, juntamente com a sua mulher Ernestina Costa, estabeleceu-se no Barreiro. Aí se envolveu no movimento operário local e fundou o periódico Àvante! Defensor das classes trabalhadoras e dos interesses locaes (1909-1910).

        A 11 de maio de 1919, foi eleito deputado nas eleições para a Câmara dos Deputados nas listas do Partido Socialista Português pelo círculo eleitoral do Porto. Foi também eleito para a Comissão das Colónias. A sua última intervenção no parlamento foi em 1921.

        Em 1922, foi fundado o semanário O Protesto, do qual Ladislau Batalha foi o primeiro diretor. Entre 1926 e 1927, colaborou várias vezes no semanário A Batalha.

        Person · 1898-1974

        José Maria Ferreira de Castro (Ossela, Oliveira de Azeméis, 24 de maio de 1898 – Porto, 29 de junho de 1974) foi um escritor e jornalista português.

        Aos 12 anos, embarcou com destino a Belém do Pará, no Brasil. Ali viria a publicar o seu primeiro romance, Criminoso por Ambição, em 1916. Viveu em plena floresta amazónica durante quatro anos.

        Em 1930 publicou A Selva, obra que o tornou um escritor de dimensão internacional, tendo sido traduzida para 15 línguas. Por causa desta obra chegou a ser candidato a Prémio Nobel.

        Após o falecimento da esposa Diana Liz, Ferreira de Castro partiu para a Inglaterra de barco, na companhia do escritor Assis Esperança. Castro ficou doente, com septicemia, mas foi tratado pelo médico e historiador de arte Reynaldo dos Santos. Em consequência do estado de luto, em dezembro de 1931 Ferreira de Castro tentou cometer suicídio, mas sem sucesso. Partiu para a Madeira, onde escreveu o romance Eternidade (1933), cujo tema é a obsessão pela morte.

        PT-AHS-ICS-PQ · Person · 1887-1970

        Filho de pai português e mãe brasileira, nasce no Rio de Janeiro, Brasil. Em 1905 inscreve-se na Universidade de Coimbra para estudar Direito, de onde é expulso em 1907 por participar na greve académica. Em 1913, por ter mantido a nacionalidade brasileira, é expulso para o Brasil, acusado de estar envolvido no rebentamento da bomba lançada na Rua do Carmo em Junho de 1913, e regressa novamente a Portugal em 1915. Trabalhou principalmente como jornalista, tendo dirigido diversas publicações anarquistas, como o jornal Amanhã (1909), Terra Livre (1913) e a redacção d’A Batalha; e colaborado em muitas outras. Casou-se com Deolinda Lopes Vieira, professora primária, e membro do Conselho Nacional de Mulheres Portuguesas, com quem teve 3 filhos.

        Vieira, Alexandre.
        Person · 1880 - 1973

        Alexandre Vieira (Porto, 11 de Setembro de 1880 — Lisboa, 26 de Dezembro de 1973) foi um operário gráfico, jornalista e publicista ligado ao movimento operário e ao anarco-sindicalismo, figura marcante na agitação operária e nos acontecimentos revolucionários que caracterizaram a Primeira República Portuguesa e os anos posteriores.

        Foi um destacado militante sindicalista, fortemente empenhado na acção do movimento sindical revolucionário e na luta pela melhoria da condição operária. Foi redactor de vários jornais ligados ao movimento operário, e o primeiro director do periódico operário A Batalha e teve grande actividade na Universidade Popular Portuguesa. Também colaborou na revista Renovação (1925-1926). Defendeu o regime de trabalho das oito horas, e criticou o regime de empreitada que então estava em vigor. Foi o autor de alguns livros, dedicados principalmente à sua profissão, tendo deixado a sua vasta bibliotea ao Sindicato dos Trabalhadores Gráficos do Sul e Ilhas Adjacentes.

        Faleceu em 1973, assassinado pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado, devido aos seus esforços contra o regime ditatorial e a favor dos direitos dos trabalhadores.

        Em 1978 foi um dos três tipógrafos mortos pela PIDE que foram homenageados pelo Sindicato dos Trabalhadores Gráficos, em conjunto com Agostinho Fineza e José Moreira. Em 1979 a Câmara Municipal de Lisboa homenageou o sindicalista e historiador dando o seu nome a uma rua no Bairro 2 de Maio.

        Esteve em exilio entre 1928 e 1932, em França.

        Vidal, Angelina.
        Person · 1853-1917

        Angelina Casimira da Silva Vidal (São José, Lisboa, 11 de março de 1847 – Anjos, Lisboa, 1 de agosto de 1917) foi uma jornalista, tradutora, professora, e escritora. Destacou-se na luta pelos direitos dos mais pobres e pelos direitos das mulheres. Ideologicamente, começou por estar alinhada com o republicanismo, transitando depois para o socialismo.

        Filha ilegítima do Maestro Joaquim Casimiro Júnior e de Rita Adelaide de Jesus, pertencia a uma família médio-burguesa. Tinha nove anos quando o pai e a mãe faleceram passando então a estar à guarda de um colégio de freiras. Com apenas dezanove anos, em 1872, casou-se com Luís de Campos Vidal, com quem teve cinco filhos. O casal acabaria por separar-se doze anos depois, situação que a levou inclusivamente a perder a tutela das crianças.

        Foi conferencista e jornalista, em particular na imprensa operária e muitas vezes sem remuneração. Iniciou nos anos de 1880 a colaboração com A Voz do Operário, do qual viria a ser editora entre 1897 e 1901. Colaborou também com o jornal Pró-Infância. Escreveu teatro, prosa e poesia, arrecadando dois prémios internacionais de poesia: um em 1885, com A Morte do Espírito, outro em 1902, com Ícaro. Fez uma breve incursão na olisipografia, publicando em 1900 o livro Lisboa Antiga e Lisboa Moderna.

        Preocupou-se, sobretudo, com as condições das mulheres operárias: no seu texto Às operárias portuguesas (1886), incentivou-as a lutar pelas 12 horas de trabalho, à semelhança das operárias austríacas. Naquela época, o dia de trabalho tinha 15 horas.

        Dirigiu ainda as publicações: Sindicato, Justiça do Povo, e A Emancipação (Tomar).

        Como o estado de divorciada não era legal na altura quando Luís de Campos Vidal faleceu (1894) nunca lhe foi atribuída a pensão de viuvez e passou por muitas dificuldades - a recusa da pensão também se deveu às suas atividades políticas. Nesse ano, Angelina terá tentado o suicídio. As operárias das fábricas do tabaco abriram uma subscrição para ajudá-la financeiramente. Também A Voz do Operário conseguiu uma proposta de cotização que lhe assegurava um vencimento mensal pelo seu trabalho como professora de francês. Dois anos depois, já sem esse vencimento, foi novamente auxiliada pelas operárias.