Identity area
Type of entity
Authorized form of name
Parallel form(s) of name
Standardized form(s) of name according to other rules
Other form(s) of name
Identifiers for corporate bodies
Description area
Dates of existence
History
João Evangelista de Campos Lima, ou Campos Lima como assinava, nasceu em 1877, na cidade do Porto. Ainda criança, foi levado para Barcelos e depois para Braga, onde concluiu o curso liceal. Bem jovem, fora tocado pelas injustiças sociais e percebeu a desigualdade e aos 17 anos, já em Coimbra, entra num comício de trabalhadores no bairro dos Olivais, discursando ao lado dos precursores do movimento operário em Portugal, Ernesto da Silva e Azedo Gneco. Aos 20 anos matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, de onde foi expulso em 1907, no mesmo ano em que se formara advo-gado, o que o impediu de doutorar-se. A sua expulsão decorreu da sua parti-cipação na greve académica naquele ano, contra o ditador João Franco. Um ano antes, 1906, visitando Paris, ali travou conhecimento com anarquistas como Carlos Malato, o escritor romeno Janvion, Paul Pigassou, Jean Grave. Mas o que mais o entusiasmou foi a Comuna escolar La Ruche, de Sebastião Faure. De regresso a Portugal, tentou em colaboração com Tomás da Fonseca, Lopes de Oliveira e outros. fundar uma Escola Livre de Ensino Integral. Em 1908 principiou a advogar, mas nunca aceitou uma causa onde tivesse de acusar. Só uma vez acusou um agente de polícia que assassinara um operário. Como escritor anarquista foi dos mais produtivos e dos mais modestos, e como advogado defendeu heroicamente os trabalhadores e os anarquistas presos por delitos de opinião. Para melhor semear as suas ideias, divulgar os seus pensamentos o anarquista e advogado dos trabalhadores perseguidos fundou e dirigiu a Editora Spartacus, que publicou obras de real valor, como A História do Movimento Maknovista de Pedro Archinoff em 1925. Professor em escolas industriais e, interino, num Liceu, continuou a sua vida de propagandista, sempre interessado nos problemas sociais, e combateu alguns governos republicanos, com a mesma independência com que combatera os monárquicos, embora se entendesse com os democratas, na oposição e, sobretudo, quando via a República ameaçada. Foi amigo dos presidentes Manuel de Arriaga, António José de Almeida, Bernardino Machado e Teixeira Gomes; mas nunca solicitou empregos, benesses, mercês honoríficas, recusando ser deputado, governador civil e até ministro da Justiça, depois do movimento de 19 de Outubro. Apenas consentiu em fazer parte de várias comissões de estudos, como a encarregada da reforma da lei do inquilinato e dos organizadores do Congresso Internacional do Livre Pensamento, em cujos trabalhos tomou parte. A sua actividade jornalística foi grande, colaborando em muitos jornais e revistas do país e do estrangeiro. Fundou e dirigiu a revista Cultura e foi director dos diários Boa Nova e Imprensa de Lisboa, o único jornal diário que se publicava no período da greve dos jornalistas. Trabalhou, como redactor nos jornais O Século, O Mundo, A Batalha, Pátria e Diário de Notícias e foi articulista primoroso, versando os mais diversos problemas nacionais e internacionais.
Campos Lima faleceu a 15 de Março de 1956 com 78 anos de idade na rua Actor Taborda, 27, em Lisboa, sem ver o fim da ditadura fascista de Salazar. Ao seu enterro compareceram figuras da mais alta expressão intelectual como Julião Quintinha, Artur Inez, Manuel Alpedrinha, João Pedro dos Santos [...]
Fontes: E. Rodrigues (1982), A Oposição Libertária em Portugal 1939-1974, Lisboa, Sementeira.
Places
Legal status
Functions, occupations and activities
Mandates/sources of authority
Retalhos do Coração, A Monja, Os Reis Magos, O Rei, O Regicida, Notas de um Alucinado, O Amor e a Vida, Gente Devota, A Quebra, Mulher Perdida, O Romance do Amor, Os meus dez dias em Paris, A Questão da Universidade (depoimentos de um estudante expulso); O Reino da Traulitdnia (25 dias de reacção monárquica), A Ceia dos Pobres, Ar Livre, O Nosso Amor, Um Herói, A Monja e os Católicos, Alma Rubra, A Gafanha, Nova Crença, Da Responsabilidade, A Questão Social, O Movimento Operário em Portugal, Carácter Jurídico dos Funcionários Públicos, O Estado e a Evolução do Direito, A Revolução em Portugal, A Teoria Libertária ou Anarquismo e Gramática Internacional. Deixou inéditos, os livros Musa Antiga, O Crime, Serros da Gleba e Camaradas
Internal structures/genealogy
General context
Relationships area
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Related entity
Identifier of related entity
Category of relationship
Dates of relationship
Description of relationship
Access points area
Place access points
- Europa » Portugal » Porto, Portugal
- Europa » Portugal » Braga, Portugal
- Europa » Portugal » Coimbra
- Europa » França » Paris, França
Occupations
Control area
Authority record identifier
Institution identifier
Rules and/or conventions used
Status
Level of detail
Dates of creation, revision and deletion
Adição do histórico, 2024-07-11, Oskar.R
Language(s)
Script(s)
Sources
E. Rodrigues (1982), A Oposição Libertária em Portugal 1939-1974, Lisboa, Sementeira. Citado pelo Projecto MOSCA http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/arquivo/?p=creators/creator&id=976