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              Buen y del Cos, Odón de
              Pessoa singular · 1863-1945

              Odón de Buen y del Cos - naturalista espanhol, considerado o fundador da oceanografia espanhola - nasceu em Zuera, Espanha, dia 18 de novembro de 1863 e faleceu na Cidade do México, 3 de maio de 1945.

              Filho de Mariano de Buen y Ropín e de Petra del Cos y Corroza, iniciou os estudos na Universidade de Zaragoza, indo depois estudar Ciências, Secção de Naturais, em Madrid. Em 1889 obteve a cátedra de História Natural da Universidade de Barcelona, onde foi introduzindo práticas de laboratório e saídas de campo.

              Publicou em 1890 o "Tratado elemental de Geología" e o "Tratado elemental de Zoología", que foram incluídos no Índice de livros proibidos da Igreja Católica . O setor conservador de Barcelona conseguiu a sua suspensão temporário no ano letivo de 1895-1896, usando uma antiga lei que proibia ensinamentos contrários aos dogmas da religião católica.

              Odón de Buen participou no Congresso Internacional de Livre-pensadores em Paris, em 1889. (Puig-Samper et al.) Foi também o secretário do comité organizador do congresso de Livre-pensadores de Madrid, em 1892 - mas este foi suspenso por ordem do governo após uma denúncia por 'ataques aos dogmas e doutrinas da igreja'. (Avilés) Organizou a assistência ibérica ao Congresso de Livre-pensadores de Roma (1904), fretando um barco que fez a travessia de Barcelona a Civitta Vechia.

              Odón manteve uma relação estreita com a Escola Moderna de Ferrer Guardia, de caráter pedagógico - escrevendo alguns textos com esse fim como "Las Ciencias Naturales en la Escuela Moderna" e "Nociones de Geografía Física", ambas en 1905.

              Em 1906, fundou o laboratório de Biologia Marinha de Porto Pi, do qual seria nomeado diretor em 1912. Em 1910, presidiu à delegação espanhola para a inauguração do Museu Oceanográfico do Mónaco. Longe iam os seus conflitos com as autoridades governamentais. Em 1911, mudou-se para Madrid, passando a ter a cátedra de Mineralogia e Botânica da Faculdade de Ciências, continuando a redação de manuais universitários.

              Os seus esforços culminaram na fundação do Instituto Espanhol de Oceanografia (1914) Foi presidente do Primeiro Congresso Internacional de Oceanografia (Sevilha, 1929). Obteve também a Presidência da Secção de Oceanografia da União Geodésica e Geofísica Internacional (1927-33) e a do Conselho Oceanográfico Iberoamericano (1919-33).

              Quando começou a Guerra Civil Espanhola, Odón de Buen foi preso, tendo-se depois exilado no México juntamente com os seus filhos.

              Engerrand, Georges Charles Marius
              Pessoa singular · 1877-1961

              Georges Charles Marius Engerrand (11 de agosto de 1877, Libourne, França – 2 de setembro de 1961, Cidade do México) foi um geólogo e arquéologo Franco-Mexicano-Americano. Estudou na Universidade de Bordeaux, na área de geologia e botânica. Defendeu Dreyfus e, por causa disso e para evitar o serviço militar, emigrou para a Bélgica sob os auspícios do geógrafo e anarquista Élisée Reclus. Em 1907, emigrou para o México, continuando o seu trabalho. Devido ao clima político da Revolução Mexicana, emigrou de novo em 1917 para os Estados Unidos.

              Mogrovejo Fernández, Restituto
              Pessoa singular · 1891-1949

              Restituto Mogrovejo Fernández (Palma, Mallorca, 1891 - México, 22 de outubro 1949) foi um anarco-sindicalista espanhol, jornalista e propagandista.

              Em 1907, ingressou como voluntário no exército e entre 1913 e 1917 lutou na campanha de Marrocos.

              Em 1917, altura em que já detinha o posto de capitão, aderiu aos Comités de Defesa dos Sargentos e presidiu ao Comité de Ação Secreta. Em janeiro de 1918, juntamente com Tomás de la Llave, Juan Antonio Montero e outros, liderou a revolta das patentes inferiores do Exército sendo expulso das forças armadas e preso.

              Filiou-se na Confederação Nacional do Trabalho (CNT) em Madrid, Espanha. Foi um dos fundadores, juntamente com Mauro Bajatierra Morán, Valdés e Pastor, do Ateneu Sindicalista, do qual foi nomeado primeiro secretário em 1919. Participou ativamente na organização do Segundo Congresso Nacional dos Trabalhadores da CNT («Congresso da Comédia»). Durante este período, colaborou com o jornal España Nueva. Em 1920, fundou e dirigiu a Solidaridad Obrera em Madrid.

              Sofreu várias detenções e prisões pelos crimes de «lesa-majestade» e «violação da Lei da Imprensa». Estabelecido em Barcelona, foi perseguido, detido e deportado para Girona. Exilou-se então em França, fixando-se em Béziers, onde publicou panfletos, bem como em Paris e Marselha. Finalmente, fixou-se em Lisboa (Portugal), organizando ali os primeiros grupos antimonárquicos espanhóis e colaborando com publicações de esquerda portuguesas. Em 1924, em Lisboa, conheceu Pedro Vallina Martínez.

              Em 1926, regressou clandestinamente a Espanha para participar na «Sanjuanada» contra a ditadura de Primo de Rivera, cujo fracasso o levou de volta a Portugal mais uma vez. Em Lisboa, trabalhou como cozinheiro, escreveu panfletos e, com Manuel Pérez Fernández e Sánchez, fundou um Comité Internacional para a Liberdade do Povo Espanhol. Em 1927, sob ameaça de extradição e graças ao apoio de um diplomata latino-americano, partiu para Cuba, México e Nova Iorque. Em abril de 1927, fixou-se em Veracruz (Veracruz, México), onde solicitou asilo político.

              Em Mérida (México), integrou a equipa editorial da Tierra, órgão oficial do Partido Socialista, e dirigiu o Yucatán Moderno. Em 1929, mudou-se para a Cidade do México, onde fundou e dirigiu a revista Horizontes Nuevos e, a partir de 1930, o jornal republicano España Nueva. Em 1932, regressou a Madrid (Espanha) e reincorporou-se no Exército, mas foi rapidamente expulso. Estabelecido em Barcelona, em junho de 1935 foi nomeado secretário do Comité Regional do Partido Nacional da Esquerda na Catalunha (PENC, também conhecido como Izquierda Republicana Independiente) e, em fevereiro de 1936, presidente do seu Comité Regional.

              Em julho de 1936, combateu nas ruas de Barcelona para reprimir a revolta fascista, demitiu-se do seu cargo no PENC e juntou-se às colunas da CNT que marchavam para Aragão. Foi nomeado membro do Comité de Guerra da «Coluna do Sul do Ebro» e chefe dos seus Serviços e Abastecimento, comandante militar de Casp e La Puebla de Hijar, e coronel intendente-geral da Frente de Aragão.

              Durante a Retirada, foi ferido em Lleida e Barcelona e, em fevereiro de 1939, atravessou os Pirenéus. Em abril de 1939, conseguiu passagem para o México. Viveu em Mérida (México), onde fundou a revista científico-literária Humanidad, e em 1942 fixou-se na Cidade do México, onde trabalhou no jornalismo, aderiu à Associação Profissional de Escritores e Jornalistas Espanhóis no Exílio, escreveu vários livros e panfletos e foi membro da CNT mexicana.

              Para além das contribuições para publicações locais mexicanas, os seus artigos aparecem na CNT, Fragua Social, Mi Revista, Solidaridad Obrera, etc.

              Trótski, Leon
              Pessoa singular · 1879-1940

              Lev (ou Leon) Davidovich Trótski (né Bronstein, Ianovka, Império Russo (Atual Ucrânia) - Coyoacán, Cidade do México, 7 de novembro [26 de outubro C.Juliano] 1879 – 21 agosto de 1940), foi um revolucionário russo, político e intelectual. Foi uma figura central na Revolução Russa de 1905, na Revolução de Outubro de 1917, na Guerra Civil Russa e no estabelecimento da União Soviética, da qual foi exilado em 1929 - sendo depois assassinado em 1940. Ideologicamente um marxista e leninista, as ideias de Trotsky deram origem a uma vertente do marxismo chamada trotskismo.

              Trotsky juntou-se ao Partido Operário Social-Democrata Russo em 1898, sendo preso e exilado para a Sibéria por causa das suas atividades políticas. Em 1902, fugiu para Londres, onde conheceu Lenin. Inicialmente, tomou o partido Menchevique (contra os Bolcheviques de Lenin) no cisma de 1903, mas declarou-se 'sem fação' em 1904. Durante a revolução de 1905, foi eleito presidente do Soviete de São Petersburgo. Foi de novo exilado para a Sibéria, mas escapou em 1907, indo para o estrangeiro.

              Depois da Revolução de Fevereiro de 1917, juntou-se aos Bolcheviques e foi presidente do Soviete de Petrogrado. Ajudou a liderar a Revolução de Outubro e como Comissário para os Assuntos Externos negociou o Tratado de Brest-Litovsk, pelo qual a Rússia se retirou da I Guerra Mundial. Foi Comissário dos Assuntos Militares de 1918 a 1925, sendo responsável pela construção do Exército Vermelho e pela sua vitória na guerra civil. Em 1922, Lenin formou um bloco com Trotsky contra a crescente burocratização do regime soviético. Em 1923, Trotsky liderava a fação da Oposição de Esquerda.

              Depois da morte de Lenin em 1924, Trotsky emerge como um dos principais críticos de Stalin. Contudo, Stalin consegue triunfar politicamente, e Trotsky é expulso do Politburo em 1926, do partido em 1927, exilado para Alma Ata em 1928 e deportado em 1929. Nesses anos, viveu na Turquia, França e Noruega antes de se estabelecer no México em 1937. No exílio escreveu contra o Estalinismo, defendeu a sua teoria de revolução permanente, e em 1928 fundou a Quarta Internacional. Depois de ser sentenciado à morte, in absentia, nos julgamentos de Moscovo de 1936, foi assassinado por um agente estalinista em 1940.