Campos, A. da S. (2018). "Para lutar é preciso ser instruído": a ideologia e o movimento operário na Universidade Popular de Setúbal: da 1.ª República ao advento do Estado Novo [Dissertação de mestrado, Iscte - Instituto Universitário de Lisboa]. Repositório do Iscte. http://hdl.handle.net/10071/18567
Este trabalho procura perceber em que medida o movimento anarquista em Portugal influenciou os trabalhadores da nação com vista à sua formação intelectual, tomando como estudo de caso a secção de Setúbal da Universidade Popular Portuguesa. Atravessando o período da chamada “Nova República Velha”, da Ditadura Militar e dos anos de consolidação do Estado Novo, o trabalho divide-se em 3 linhas de análise: em que medida é que a Universidade Popular Portuguesa se ligou ao Movimento Operário português; que interesses e contrapartidas é que tal implicava para ambas as partes; qual foi a participação da vertente libertária e anarcosindicalista nestas dinâmicas. Simultaneamente, a análise parte do geral, considerado a situação nacional, para o particular, a saber, o caso da cidade de Setúbal. O trabalho resulta da análise de fontes documentais, com particular foco para correspondência particular entre figuras do anarquismo português relevantes para a temática da secção de Setúbal da Universidade Popular Portuguesa. Apresentamos a secção de Setúbal como a personificação, em escala local, das relações pretendidas entre a Universidade Popular Portuguesa e os trabalhadores do país. Relevamos, ainda, o papel do sindicalismo na educação popular, com especial ênfase para a Confederação Geral do Trabalho. Por fim, tenta-se perceber de que forma a fundação do Partido Comunista Português afectou o movimento anarquista nacional, ao disputar a influência ideológica dos trabalhadores e do meio sindical.