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Pessoas, Entidades
Caetano, Marcelo.
Pessoa singular · 1906 - 1980

Marcelo Caetano (Santo André, Lisboa, 17 de agosto de 1906 – Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1980) foi o último Presidente do Conselho do regime do Estado Novo.

Inicialmente ligado aos círculos políticos monárquicos católicos do Integralismo Lusitano, participou na fundação da Ordem Nova (1926–1927), um movimento antimoderno, antiliberal e antidemocrático.

Apoiou a Ditadura Militar de 1926 a 1928, afastando-se dos monárquicos, e depois o regime de Salazar, participando na redação do Estatuto do Trabalho Nacional e da Constituição de 1933. Sendo Presidente da Direção do Grémio dos Seguradores, integrou a Câmara Corporativa, na I Legislatura, tendo sido nomeado pelo Conselho Corporativo nas restante 3 legislaturas (III, V, VI) em que pertenceu a este órgão. Em 1934 apresentou o projeto de Código Administrativo.

Foi comissário nacional da Mocidade Portuguesa (1940–1944), ministro das Colónias (1944–1947), presidente da Comissão Executiva da União Nacional (1947-1949), presidente da Câmara Corporativa e ministro da Presidência do Conselho de Ministros (1955–1958).

Foi nomeado reitor da Universidade de Lisboa em 1959, demitindo-se em 1962, no seguimento da Crise Académica. Depois de Salazar ficar incapacitado, Américo Tomás nomeou Marcelo Caetano para o cargo de Presidente do Conselho a 27 de Setembro de 1968.

Cortesão, Jaime.
Pessoa singular · 1884-1960

Jaime Cortesão (Ançã/Cantanhede, 29-4-1884 – Lisboa, 14-8-1960) foi um escritor português (poeta, ficcionista, dramaturga, e também escritor de viagens), além de crítico literário, político e professor.

Filho do filólogo António Augusto Cortesão e de Norberta Cândida Zuzarte Cortesão, Cortesão iniciou os seus estudos em Coimbra, em Filologia Clássica e Direito. Pensou em seguir Belas-Artes, mas acabou por escolher Medicina, também em Coimbra. Transferiu-se em 1905 para a Escola Médico-cirúrgica do Porto onde se envolveu na militância estudantil.

Participou na greve académica de 1907, que se opunha ao governo de João Franco. Nesse ano, Cortesão foi um dos co-fundadores da Nova Silva, uma revista de orientação anarquista. O seu percurso político inicia-se com a sua adesão ao Partido Republicano Português em 1908. É um dos principais impulsionadores do movimento “Renascença Portuguesa” (que nasceu a 1 de janeiro de 1912) - de ideal nacionalista, ligado a ideias sebastianistas. Associado a este movimento surgem publicações como A Águia - revista de orientação republicana, e A Vida Portuguesa, que era efetivamente o órgão de imprensa desse movimento, e que Cortesão dirige.

Jaime Cortesão concluiu a sua licenciatura em Lisboa em 1910 - com a dissertação ‘A arte e a medicina (Antero de Quental e Sousa Martins)’. É também nesse ano que publicou a sua primeira poesia - A Morte da Águia. Casou em Coimbra, em 1912, com a sua prima Carolina Ferreira Cortesão.

Exerceu como médico durante um curto espaço de tempo. Instalou-se então no Porto lecionando História e Literatura no Liceu Rodrigues de Freitas. Como diretor da Renascença Portuguesa, animou a criação das Universidades Populares. Participou na Junta Revolucionária do Porto, que derrotou a ditadura de Pimenta de Castro, foi então eleito em junho desse ano pelo Partido Democrático, empenhando-se na defesa da participação de Portugal na I Guerra. Ele próprio foi para a frente como médico miliciano voluntário, para a Flandres, sendo ferido. Em Portugal, foi preso três meses pelo governo de Sidónio Pais. Combateu também contra a tentativa de restauração monárquica de 1919 (Monarquia do Norte) - e por isso foi recompensado pelo governo republicano com a direção da Biblioteca Nacional.

Colaborando com Raul Proença, iniciou-se no projeto da Seara Nova em 1921. A partir da BN promoveu a edição dos Anais das Bibliotecas e Arquivos e da revista Lusitânia.
Já na Ditadura militar, participou numa tentativa de derrube do regime, e foi então afastado do cargo de diretor da BN. Viveu em exílio até 1940, em Espanha e em França, dedicando-se à produção de estudos historiográficos. Em Espanha, colaborou com republicanos portugueses exilados e a ditadura franquista fá-lo fugir de novo para França, mas perante a ocupação alemã, regressou a Portugal. É de novo preso agora pelo governo de Salazar, que declarou o seu exílio para o Brasil. Aí ficaria até 1957. Durante o longo período de exílio produziu vários estudos historiográficos, além de ser responsável por cursos universitários, exposições, conferências, etc.

De regresso a Portugal, participou no Diretório Democrático-social, viu o seu nome indicado para candidato à presidência da República, convite que recusou e envolveu-se na campanha de Humberto Delgado.
Em 1958, com 74 anos, foi preso no Forte de Caxias, juntamente com António Sérgio, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes, tendo sido libertado depois de uma forte campanha de indignação e protesto por parte da imprensa brasileira.

Gomes, Mário de Azevedo.
Pessoa singular · 1885 - 1965

Mário de Azevedo Gomes (Angra do Heroísmo, 22 de dezembro de 1885 — São Lisboa, 12 de dezembro de 1965) foi um agrónomo, professor universitário e político português.
Filho do oficial da Marinha Manuel de Azevedo Gomes e de Alice Hensler.

Formou-se em Agronomia no Instituto de Agronomia e Veterinária. Iniciou a sua carreira de decente, sendo professor da Escola Nacional de Agricultura de Coimbra e no Instituto Superior de Agronomia. Aí, regeu primeiro o curso de Biologia Geral. Em fevereiro de 1915, foi nomeado professor catedrático de Silvicultura no mesmo instituto, cargo que manteria até à sua jubilação (com algumas interrupções).

Foi fundador e primeiro diretor da Estação Agrária Nacional e dirigiu os programas de extensão rural, então designados por instrução agrícola, entre 1919 e 1925. Foi também chefe de repartição de instrução agrícola no Ministério da Instrução Pública.

Em 1919, foi nomeado diretor-geral da instrução agrícola no Ministério da Agricultura. Foi vogal do Conselho Técnico Florestal. Entre dezembro de 1923 e fevereiro de 1924, foi ministro da Agricultura.

Foi vogal do Conselho Superior de Agricultura, como delegado da Sociedade de Ciências Agronómicas. Fez também parte da Comissão encarregada de elaborar o projeto da arborização da serra de Monsanto e regiões limítrofes.

Participou na oposição à ditadura militar e ao regime do Estado Novo. Foi colaborador da Seara Nova até 1940 e membro da Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática (MUD), da qual seria presidente. Por causa de um manifesto crítico contra a posição de Portugal relativamente à ONU, foi demitido do seu cargo como professor na Universidade Técnica de Lisboa (foi readmitido em 1951).
Em 1948, já depois da extinção do MUD, foi o presidente da comissão central da candidatura de Norton de Matos. Foi o primeiro subscritor do Programa para a Democratização da República (1961). Foi preso político várias vezes: em 1946, 1948 e 1958.

Foi consultor técnico da Companhia das Lezírias do Tejo e Sado e fez estudos para os Serviços Florestais na década de 1950 (monografia do Parque da Pena).

Casou com Cristina Leopoldina Sousa de Menezes Marcellin Chambica (1918).

Machado, Bernardino.
Pessoa singular · 1851 - 1944

Bernardino Luís Machado Guimarães, (Rio de Janeiro, 28 de março de 1851 - 28 de abril de 1944) foi um político português, sendo Presidente da República entre 1915-1917 e 1925-1926.

Filho de António Luís Machado Guimarães e da sua segunda esposa D. Praxedes de Sousa Guimarães. Em 1860, a família regressou a Portugal, fixando residência em Joane, concelho de Famalicão.

Concluídos os estudos secundários no Porto, matriculou-se, em 1866, na Universidade de Coimbra, onde estudou Matemática e Filosofia. Em 1873, concluiu a licenciatura em Filosofia.

Ingressou na Maçonaria, iniciando-se na Loja “Perseverança”, em Coimbra, logo em 1874. Dentro do Grande Oriente Lusitano irá ocupar os cargos seguintes: Presidente do Conselho da Ordem, entre 1892 e 1895, Grão-Mestre, entre 1895 e 1899, Membro das lojas “Razão Triunfante”, “Elias Garcia”, “Fraternidade Colonial”, em Lisboa, e “Fernandes Tomás”, na Figueira da Foz, Apoiante do Supremo Conselho do Grau 33, em 1914, quando da cisão do Movimento Maçónico, regressando, no entanto, ao Grande Oriente Lusitano Unido em 1920, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33, desde 1929 até à data da sua morte.

Em 28 de fevereiro de 1877, foi nomeado professor da Faculdade de Filosofia. Em 2 de julho de 1877, alcançou o doutoramento com a tese Dedução das Leis dos Pequenos Movimentos da Força Elástica. Em 17 de abril de 1879, foi nomeado lente catedrático de Filosofia. A partir de 1883, passou a dirigir em exclusividade a cadeira de Antropologia. Nesse mesmo ano licenciou-se em Agricultura Geral Zootécnica e Economia Rural.

A sua atividade política tem início em 1882, ao ser eleito deputado por Lamego, pelo Partido Regenerador. Em 1886, é novamente eleito para o mesmo cargo, mas agora pelo círculo de Coimbra. Em 1892, integrou o Conselho Superior de Instrução Pública. Dirigiu também o Instituto Comercial e Industrial de Lisboa. Em 1893, fez parte do governo de Hintze Ribeiro, ocupando a pasta de ministro das Obras Públicas. A sua ação vai incidir na elaboração da legislação protetora do trabalho das mulheres e dos menores.

Aderiu ao Partido Republicano em 31 de outubro de 1903, presidindo ao diretório, entre 1906 e 1909. Durante a crise académica de 1907, juntou-se aos estudantes e por esse motivo é obrigado a pedir a demissão do cargo de lente da Universidade de Coimbra.

A partir da implantação da República, em 5 de outubro de 1910, ocupou vários cargos: Ministro dos Negócios Estrangeiros no Governo Provisório, Deputado à Câmara Alta até 1915, Ministro e embaixador no Brasil, desde 20 de janeiro de 1912, Presidente do Ministério, ministro dos Negócios Estrangeiros e do Interior entre 9 de fevereiro de 1914 e 23 de junho do mesmo ano, Presidente do Ministério e ministro do Interior desde aquela última data até 12 de dezembro de 1914. Ministro da Justiça interino até 22 de julho, Presidente da República, eleito no escrutínio de 6 de agosto de 1915.

Foi deposto na sequência do movimento comandado por Sidónio Pais e expulso do país. Após a queda do sidonismo regressou à atividade política, sendo eleito senador em 1919, Presidente do Ministério e ministro do Interior entre 2 de março de 1921 e 23 de maio do mesmo ano; ministro da Agricultura interino, no mesmo Ministério até 4 de maio e Presidente da República, desde 1925, na sequência da resignação de Teixeira Gomes. Não terminou o mandato que foi interrompido na sequência do movimento militar do 28 de maio de 1926.

Depois de entregar os poderes presidenciais ao almirante Mendes Cabeçadas em 31 de maio, manteve-se em Portugal até às derrotas das revoltas de 3 e 7 de fevereiro de 1927, sendo então novamente expulso do País. Exilado primeiro na Galiza e posteriormente em França.

Foi autorizado a regressar em junho de 1940, na altura em que as forças nazis invadem a França. Proibido de residir em Lisboa, fixou residência no Alto Douro.

Martins, Francisco José da Rocha.
Pessoa singular · 1879 - 1952

Rocha nasceu em Belém (Lisboa), filho de José Dias Martins e Mariana da Rocha Martins. Frequentou o Instituto Industrial de Lisboa, mas não concluiu o curso. Posteriormente frequentou, também sem concluir, o Curso Superior de Letras.
Atraído pela atividade literária, iniciou-se muito jovem com a publicação de contos e folhetins na imprensa periódica, tornando-se gradualmente conhecido e afirmando-se no panorama jornalístico e literário como um autodidata que desde muito novo trabalhara em inúmeras publicações e vivera exclusivamente da escrita.
Rocha Martins iniciou-se no jornalismo num jornal monárquico, o Diário Popular, dirigido por Mariano de Carvalho. Pouco depois, a convite de Magalhães Lima, grão-mestre da Maçonaria Portuguesa, entrou como folhetinista para a redação do jornal A Vanguarda, destacando-se pelas temáticas de natureza histórica. Transferiu-se depois para o Jornal da Noite, periódico próximo de João Franco e do Partido Regenerador Liberal. Foi depois colaborador próximo de Carlos Malheiro Dias na Illustração Portuguesa, periódico de que foi diretor entre 1903 e 1910.

Após a proclamação da República, foi um dos opositores ao novo regime nas páginas de O Liberal. Em 1914 editou os panfletos intitulados Fantoches", notas semanais escaldantes sobre acontecimentos políticos. Nesses panfletos atacou violentamente Afonso Costa e o Partido Republicano Democrático. Uma segunda série, publicada em 1923 e 1924, intitulada Fantoches – Bastidores da Política e dos Negócios, contribuiu para o descrédito da Primeira República Portuguesa.

Em termos políticos, aderiu ao movimento conservador liderado por João Franco e à Causa Monárquica. Em 1918, durante a ditadura de Sidónio Pais, foi eleito deputado pelo círculo de Oliveira de Azeméis nas listas monárquicas.
Fundou e dirigiu o semanário ABC, que se publicou de 1920 a 1930. Nas páginas desse periódico apoiou a Revolução de 28 de Maio de 1926 e a governação do general Gomes da Costa. O ABC era apoiado pela publicidade do Bristol Club, um conhecido cabaré e uma das mais concorridas salas de jogo de Lisboa, com anúncios concebidas por Jorge Barradas, Stuart Carvalhais, António Soares e outros modernistas. Da redação do ABC faziam parte Ferreira de Castro, Mário Domingues e Reinaldo Ferreira, o famoso Repórter X.

A 20 de maio de 1929, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Entre 1932 e 1943 dirigiu o periódico Arquivo Nacional onde, seguindo a tradição dos folhetins de Pinheiro Chagas, António de Campos Júnior e Eduardo de Noronha, escreveu romances de temática patriótica, emocional e satírica.
A partir de 1945 publicou múltiplos artigos no jornal A República favoráveis à oposição democrática, tendo a popularidade de Rocha Martins sido grande no tempo do MUD, particularmente aquando das candidaturas presidenciais de José Norton de Matos e de Manuel Quintão Meireles, devido às cartas abertas por ele subscritas e estampadas a toda a largura da primeira página do jornal A República. Eram libelos, em forma de carta, que tinham como principais destinatários António de Oliveira Salazar e Óscar Carmona, respetivamente Presidente do Conselho e Presidente da República, e o cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, entre outras personalidades ligadas ao regime do Estado Novo. A popularidade terá sido tal que originaria um dito dos ardinas, metade apregoado e metade sussurrado Fala o Rocha!… O Salazar está à brocha
-Wikipedia

Proença, Raúl.
Pessoa singular · 1884 - 1941

Raul Sangreman Proença (Nossa Senhora do Pópulo, Caldas da Rainha, 10 de maio de 1884 — Porto, 20 de maio de 1941), mais conhecido por Raul Proença, foi um escritor, jornalista, bibliotecário e filósofo português, membro do grupo que fundou a revista Seara Nova.

Formado em Ciências Económicas e Financeiras pelo Instituto Industrial e Comercial de Lisboa.

Nos anos finais do regime monárquico, iniciou a sua carreira de jornalista, em que se distinguiu, nos jornais republicanos de Lisboa, situando-se próximo do grande tribuno António José de Almeida. Defendeu a república contra as tentativas restauracionistas (chegou a pegar em armas) e contra as correntes filo-fascistas que iam ganhando força, mas ao mesmo tempo analisou criticamente os defeitos e erros do sistema.

Integrou, para além da Renascença Portuguesa, o grupo fundador da Seara Nova (1921) e o chamado Grupo da Biblioteca (1919-1926). Trabalhou como bibliotecário, ascendendo a chefe dos serviços técnicos da Biblioteca Nacional de Lisboa, da qual era funcionário desde 1911, tendo ali colaborado diretamente com Jaime Cortesão quando este dirigiu a instituição.

Combateu o Sidonismo (1918) e a Ditadura Militar (1926) que, em 1927, o condenou ao exílio em Paris.

Regressou a Portugal em 1932, já acometido da grave doença mental que o levaria ao internamento no Hospital Conde de Ferreira, no Porto, onde faleceu vítima de febre tifoide a 20 de maio de 1941.

Quintanilha, Aurélio.
Pessoa singular · 1892-1987

Aurélio Pereira da Silva Quintanilha (Santa Luzia, Angra do Heroísmo, 24 de abril de 1892 — Santa Isabel, Lisboa, 27 de junho de 1987) foi um professor universitário e cientista português. Ideologicamente, estava afiliado com o anarquismo, estando ativo politicamente especialmente no período anterior ao Estado Novo.

Aurélio Quintanilha concluiu o liceu em Ponta Delgado. Com 16 anos partiu para o continente, primeiro para Lisboa e depois para Coimbra para frequentar a Escola do Exército, a qual terminaria com sucesso.

Como não queria seguir a carreira militar, passou para Medicina na Universidade de Coimbra. Em 1912, regressou a Lisboa, para a Faculdade de Medicina.

Os primeiros registos da sua atividade política datam também desta época. Em 1912, Quintanilha, com Adriano Botelho (dirigente anarcossindicalista da CGT, e outros) participou nas comemorações do 1º de Maio, integrado na corrente anarquista.

Colaborou com o semanário anarquista Terra Livre, dirigido por Pinto Quartin, a partir de 1913. Nesse ano, participou no Congresso de Lisboa do Livre Pensamento Universal. Em 1914, fez parte do grupo anarquista “A Brochura Social” (Lisboa), juntamente com Neno Vasco e Sobral de Campos, grupo que pretendia editar mensalmente folhetos de propaganda libertária.

Participou como orador num comício organizado pelo grupo libertário Aurora (Porto), acompanhando Neno Vasco e Sobral de Campos. Participou também na Conferência Anarquista da Região Sul (Junho de 1914, Lisboa)

Em 1915, representou a Federação das Juventudes Sindicalistas de Portugal e França, no Congresso Mundial contra a Guerra (Ferrol, Espanha) e que se realizou clandestinamente. Tendo sido descobertos pela polícia são expulsos de território espanhol os delegados portugueses.

Também nesse ano, iniciou-se na licenciatura em Ciências Histórico-Naturais na Faculdade de Ciências de Lisboa. Foi convidado em 1917 para segundo assistente em Citologia.

Apoiou o golpe militar sidonista de Dezembro de 1917 juntamente com outros militantes libertários e republicanos. Na tentativa insurrecional monárquica de Paiva Couceiro (Janeiro e Fevereiro de 1919), Aurélio Quintanilha juntou-se à resistência militar.

Nesse mesmo ano, terminou a licenciatura, obtendo a classificação de 20 valores. Foi convidado para primeiro assistente na Faculdade de Ciências de Coimbra, lecionando Morfologia e Fisiologia dos Vegetais. Desenvolveu também um centro de investigação de Biologia Experimental. Nessa época, iniciou a sua colaboração com a Sociedade Broteriana e com o seu Boletim.

Para desenvolver o seu conhecimento sobre pedagogia, matriculou-se como aluno da Escola Normal Superior de Coimbra. Em 1921, fez o Exame de Estado com uma dissertação sobre com o título Educação de hoje — Educação de amanhã, assumindo uma visão libertária da educação, sugerindo a inclusão da educação sexual no ensino.

Em 1925, Quintanilha foi um dos criadores da Universidade Livre de Coimbra que terá uma relativamente curta vida, terminando o projeto em 1933.

Em 1926, doutorou-se com a tese Contribuição ao estudo dos Synchytrium e apresentou a dissertação O Problema das Plantas Carnívoras – estudo citofisiológico da digestão no Drosophyllum lusitanicum link. Foi então nomeado Professor Catedrático da Universidade de Coimbra.

No ano de 1928, frequentou a “República das Águias” onde se conspirava contra a Ditadura Militar. No ano anterior, tinha sido detido pela PVDE.

De 1928 a 1931, Quintanilha estagiou em Berlim. Foi expulso da Universidade de Coimbra no contexto do Estado Novo em 1935, apesar da sua atividade política ser muito reduzida na época. Emigrou e estabeleceu-se em França.

Em 1937, pela sua comunicação no Congresso de Amesterdão: Cytologie et génétique de la séxualité chez les champigons, recebeu o Prémio Emil Christian Hansen, tendo-lhe sido atribuído a medalha de ouro da Academia Real das Ciências da Dinamarca.

Serviu no exército francês, como voluntário. Após a derrota e ocupação da França, foi desmobilizado e regressou a Portugal.

Em 1943, a Academia de Ciências de Lisboa concedeu-lhe o Prémio Artur Malheiros pelo seu trabalho Doze Anos de Citologia e Genética dos Fungos. Nesse ano, conseguiu que Salazar o enviasse para Moçambique, dirigindo aí o Centro de Investigação Científica Algodoeira de Lourenço Marques, cidade onde ficou até 1975.

Em 1958, foi eleito sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.

Em 1975, o Presidente de Moçambique, Samora Machel, concedeu-lhe a nacionalidade moçambicana.

Santos, Raul Esteves dos.
Pessoa singular · 1889 -1954

Raúl Esteves dos Santos (Lisboa, 7 de Março de 1889 - Lisboa, 24 de Julho de 1954) foi um jornalista, escritor e ativista político português.

Durante a sua carreira, também trabalhou como funcionário para a Câmara Municipal de Lisboa, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e a Direcção-Geral de Caminhos de Ferro.

Defensor dos ideais republicanos, foi um dos participantes na Revolução de 5 de Outubro de 1910. Durante a Primeira República, foi mobilizado para a Primeira Guerra Mundial. Foi preso pela primeira vez por motivos políticos em 1918, durante a ditadura de Sidónio Pais.

Trabalhou como secretário para o presidente do ministério, António Granjo, em 1921,

Na imprensa, foi diretor do jornal O Grito do Povo. Foi também diretor do jornal A Voz do Operário em duas ocasiões, de 1931 a 1933 e de 1945 a 1947. Nestes períodos, também exerceu como presidente da Sociedade de Instrução e Beneficiência A Voz do Operário.

Também trabalhou como diretor da Revista Portuguesa de Comunicações, e escreveu para a Revista Municipal de Lisboa e na Gazeta dos Caminhos de Ferro.

Aquando da sua instauração, tornou-se um opositor à ditadura militar. Em 1930 foi preso durante cerca de duas semanas.

Já durante o Estado Novo, foi um dos fundadores do Movimento de Unidade Democrática, em conjunto com outros diretores de periódicos nacionais, incluindo Luís Câmara Reis, da revista Seara Nova, Jaime Carvalhão Duarte, do jornal República, e Vítor Santos, do Democracia do Sul.

Em 16 de Maio de 1947, foi de novo preso pela polícia política e ficou preso durante vinte dias na Penitenciária de Lisboa

Destacou-se igualmente como escritor, tendo deixado um grande número de obras, incluindo A Arte Negra e A Grande Catedral do Bem, sobre o periódico A Voz do Operário.

Ocupou o posto de presidente da Federação das Sociedades de Educação e Recreio e da Sociedade de Instrução de Campo de Ourique, e também foi dirigente dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique.

Sérgio, António.
Pessoa singular · 1883-1969

António Sérgio de Sousa Júnior (Damão (Índia), 3 de setembro de 1883 – São Domingos de Benfica, Lisboa, 24 de janeiro de 1969) foi um pedagogo, jornalista, sociólogo, historiador e político português.

Aos 3 anos mudou-se com a família para o Protetorado de Cabinda, quando o pai foi nomeado Governador dessa região administrativa. Viveu aí até aos 10 anos, altura em que regressou com a família a Lisboa. Seguindo uma linhagem de familiares militares, estudou no Colégio Militar e depois na Escola Politécnica e na Escola Naval.

Como guarda-marinha em 1904, seguiu para Macau onde chegou em janeiro de 1905 e permaneceu até novembro de 1905, em 1906 viajou até New Castle e de seguida para Cabo Verde onde ficou até maio de 1907. Em março desse ano, havia sido promovido a segundo-tenente e, em julho, foi colocado no Corpo de Marinheiros da Armada, em Lisboa. Em 1908, publicou o seu primeiro livro: Rimas.

Em 1910, logo após a implantação da República, foi preso pela primeira vez, tendo a prisão durado 3 dias. Na mesma altura, pediu licença ilimitada da Marinha.

Ainda nesse ano, fundou, com Jaime Cortesão, Raul Proença e outros, a Renascença Gráfica, de onde surgiu a Renascença Portuguesa, participa na fundação da Sociedade de Estudos Pedagógicos.Data desse ano o seu casamento com Luísa Estefânia Gerschey da Silva.

Começou nessa época a colaborar numa editora, à qual se refere como a “Companhia Americana”, assim como um seu representante (ou proprietário), Warren F. Kellog

Em janeiro de 1911, tornou-se diretor literário da revista Serões. Iniciou a sua colaboração na revista A Águia, a qual se manterá até 1932, tendo publicado 47 artigos. Tentou criar, sem sucesso, uma Universidade Popular em Lisboa, ligada à Renascença Portuguesa, como as do Porto e Coimbra. Em 1912, candidatou-se, sem sucesso, com o trabalho Notas sobre os sonetos e as tendências geraes da philosophia de Anthero de Quental, ao lugar de 1.º assistente de Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa.

Na sequência de um convite de Warren F. Kellog, partiu para o Brasil, em 27 de janeiro de 1913, na companhia da esposa, de onde regressará pouco mais de um ano depois, em fevereiro de 1914, regressando à Europa. Em abril, foi para Genebra e inscreveu-se, conjuntamente com a sua mulher, como aluno no Instituto Jean-Jacques Rousseau.

Em março de 1918 fundou e dirigiu a revista Pela Grei. Nesse ano elaborou, em conjunto com Celestino da Costa, o projeto de uma «Junta» cuja função seria «criar focos para a reforma da cultura em Portugal». A revista tem inicialmente uma identificação com as linhas políticas oferecidas por Sidónio Pais, que alimentavam o sonho de um ”ressurgimento nacional”. Quando o novo regime sidonista se revelou como opressor e antiliberal, essa aproximação cessou.

Regressou ao Brasil em 1919, onde, no ano seguinte, adquire, em conjunto com Álvaro Pinto, uma tipografia e fundaram a editora Anuário do Brasil e a revista Terra de Sol. Por questões de saúde, regressou à Europa.

Em abril de 1923 passou a fazer parte da revista Seara Nova, colaboração que irá perdurar até 1956.

Tornou-se Ministro da Instrução Pública a 18 de dezembro de 1923, função que exercerá até 28 de fevereiro de 1924. Neste curto período, criou o Instituto Português para o estudo do Cancro e a Junta de Orientação dos Estudos (este último acabaria por não se concretizar na prática), tendo também tentado criar um «Cinema educativo» e o «Ensino especial»

Com a instauração da Ditadura Militar iniciou-se um período de oposição ao regime. Em janeiro de 1927, para não ser preso, vê-se forçado a abandonar o país - indo para o exílio em Paris. Logo em março, participou na formação da Liga de Defesa da República (mais conhecida como Liga de Paris), tornando-se um dos seus dirigentes, ao lado de Afonso Costa, Álvaro de Castro, José Domingues dos Santos e Jaime Cortesão, todos exilados. Em 1933 foi para Universidade de Santiago de Compostela a reger os cursos livres de História de Portugal e de Literatura Portuguesa, onde ficou por um ano, até ser amnistiado e poder regressar a Portugal

No dia 27 de agosto de 1935 foi preso pela PVDE, passou pela cadeia do Limoeiro e pelo Aljube. No dia 21 de dezembro foi “posto na fronteira, por ter sido banido do Território Nacional por tempo indeterminado”. Ficou exilado em Madrid até, em 1936, regressar a Lisboa com nova amnistia. Em 1941 a sua História de Portugal é apreendida pela censura.

Em Maio de 1946 formou a Frente Socialista com Ramada Curto, Carlos Sardinha e Castanheira Lobo. Integrou o Comité Português Pró Palestina, datando deste ano a primeira documentação referente a este assunto.

Em Fevereiro de 1947, em conjunto com Norton de Matos, Mário de Azevedo Gomes e Bento de Jesus Caraça, envia cartas exigindo um inquérito ao Tarrafal (boletim do Movimento de Unidade Democrática). Em 15-03-1948 foi um dos signatários da "Representação ao Governo do Movimento de Unidade Democrática". Comunicado da Comissão Central do MUD - reclamação sobre a ilegalização do MUD. Em 1949, no seguimento da desistência do general Norton de Matos das eleições presidenciais cria, com Mário de Azevedo Gomes e Jaime Cortesão, o DDS – Directório Democrato-Social – Organização política da oposição republicana liberal.

Em 1951 desenha e dirige o Boletim Cooperativista (durará até maio de 1975, embora Sérgio se afaste no ano de 1958).

No seguimento da candidatura presidencial do almirante Quintão Meireles cria, juntamente com Jaime Cortesão, Raul Rêgo, Acácio Gouveia, entre outros, a Acção Democrato-Social (ADS).

Em maio de 1953 cria a Comissão Promotora de Voto, com o objetivo de conseguir garantias quanto ao recenseamento dos eleitores e quanto às próprias operações do acto eleitoral.

Em dezembro de 1955 é criada a Unicoope, tendo António Sérgio como o seu principal dinamizador.

Em 1958 aparece no lançamento, organização e direção da campanha presidencial de Humberto Delgado. A 26 de novembro de 1958 é anunciado, através dos jornais, numa nota oficiosa do Governo que António Sérgio, Jaime Cortesão, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes foram detidos para averiguações, (foram libertados dois dias depois).

Em 1959 a Editorial Labor publica uma 2ª edição da História de Portugal de António Sérgio, sem autorização deste. A Editorial mandou rever o texto sem consultar o autor e acrescentou páginas como sendo da autoria de Sérgio, nas quais os regimes vigentes em Portugal e Espanha eram largamente elogiados. Este acontecimento, somado ao fracasso da candidatura de Humberto Delgado revelaram-se golpes demasiado duros para Sérgio, levando-o a sofrer um esgotamento. O falecimento da sua esposa, companheira de vida a 29 de fevereiro de 1960 muito o afetou e contribuiu para o seu declínio.

Faleceu a 24 de janeiro de 1969, na Casa de Saúde da Cruz Vermelha, em Lisboa.

Vieira, Afonso Lopes.
Pessoa singular · 1878 - 1946

Afonso Lopes Vieira nasceu a 26 de janeiro de 1878, em Leiria, e morreu a 25 de janeiro de 1946, em Lisboa.

Estudou Direito na Universidade de Coimbra e ainda estudante, publicou as suas primeiras obras: "Para Quê?" (1897) e "Náufrago - versos lusitanos" (1899). Praticou advocacia, mas durante curto tempo, indo depois para redator da Câmara dos Deputados. A partir de 1916, dedicou-se exclusivamente à literatura.

Escreveu uma vasta obra de poesia: Para Quê? (1897) faz a sua estreia poética, iniciando um período de significativa atividade literária — Ar Livre (1906), O Pão e as Rosas (1908), Canções do Vento e do Sol (1911), Poesias sobre as Cenas Infantis de Shumann (1915), Ilhas de Bruma (1917), País Lilás, Desterro Azul (1922) — encerrando a sua atividade poética, assim julgava, com a antologia Versos de Afonso Lopes Vieira (1927). A sua derradeira publicação seria a inovadora e epigonal obra Onde a terra se acaba e o mar começa (1940).

Afonso Lopes Vieira foi um grande promotor das obras de Gil Vicente, adaptando algumas peças (Monólogo do Vaqueiro, Auto da Barca do Inferno) e proferindo diversas conferências (A Campanha Vicentina. Conferências & Outros Escritos, 1914). Responsável por trazer de volta à língua portuguesa duas obras que corriam em versão castelhana, o Amadis de Gaula (O Romance de Amadis, 1922) e a Diana de Montemor (A Diana de Jorge de Montemor em Português, 1924). O seu interesse pelo património medieval e renascentista português continuou na realização de uma edição nacional d' Os Lusíadas, com a reprodução do texto da edição princeps de 1572, e por uma edição crítica da Lírica.

Como poeta colaborou com outros neorromânticos na 1ª. série da revista A Águia (1911). Teixeira de Pascoaes dá como exemplo da «nova poesia portuguesa» um livro seu, Canções do Vento e do Sol, publicado em 1911.

Integrado a certa altura no grupo da "Renascença Portuguesa", colaborou em publicações como A Águia, Nação Portuguesa ou Contemporânea. Também esteve integrado no Grupo da Biblioteca.

Ideologicamente, teve várias vezes, passando inclusive pelo anarquismo na sua juventude (traduziu uma obra de Kropotkin), aproximando-se depois do integralismo lusitano, opondo-se à ditadura militar e ao regime do Estado Novo. As ideias de Afonso Lopes Vieira são descritas como "nacionalismo tradicionalista" ou "neorromantismo". " O seu nacionalismo assentava na ideia do «reaportuguesar Portugal, tornando-o europeu»"