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Pessoas, Entidades
Aires, Félix
Pessoa singular · 1904-1979

Félix Vicente Aires - poeta, prosador e médico-veterinário - nasceu em Buriti Bravo (Maranhão - Brasil), em 14 de janeiro 1904 e faleceu em São Luís em 16 de novembro de 1979.

Foi médico-Veterinário do Ministério da Agricultura e desempenhou cargos de chefia nos Estados de São Paulo, Paraná e Guanabara, onde foi radicado e colaborador na imprensa. Consolidador do verso monossilábico em língua portuguesa e seu maior expoente. Foi titular eletivo da Academia Maranhense de Letras e delegado da mesma na Federação das Academias de Letras do Brasil. Além disso, foi sócio fundador da Academia Brasileira de Trova e Honorário da Academia Piauiense de Letras. Pertenceu ao PEN Clube do Brasil, ao Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes, à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), à União Brasileira de Escritores, à Sociedade de Homens de Letras do Brasil, ao Centro Cultural “Euclides da Cunha” e à Academia de Letras “José de Alencar”.

Alencar, José de
Pessoa singular · 1829-1877

José de Alencar, advogado, jornalista, político, orador, romancista e dramaturgo, nasceu em Messejana (atual bairro de Fortaleza) Ceará (Brasil), dia 1 maio de 1829, e faleceu no Rio de Janeiro, dia 12 de dezembro de 1877. A sua obra literária contribuiu para a "nacionalização" da literatura no Brasil e para a consolidação do romance brasileiro, tendo mesmo sido chamado “o patriarca da literatura brasileira”.

Era filho do padre, depois senador, José Martiniano de Alencar e de sua prima Ana Josefina de Alencar (o seu pai tinha entretanto abandonado a vida religiosa). A família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde o seu pai prosseguiu a carreira política. José de Alencar frequentou aí o Colégio de Instrução Elementar, prosseguindo depois os estudos em Direito em São Paulo. Voltou ao Rio, onde iniciou a prática de advocacia. A sua atividade jornalística começou com uma colaboração no Correio Mercantil e no Jornal do Comércio, para o qual escreveu os folhetins que, em 1874, reuniu num livro sob o título "Ao correr da pena". Conseguiu alcançar o posto de redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro em 1855.

Pertenceu ao Partido Conservador, tendo sido eleito várias vezes deputado geral pelo Ceará, de 1868 a 1870, foi também ministro da Justiça. Não conseguiu chegar ao lugar de senador, ficando-se apenas com o título do Conselho. Devido a este insucesso na política, passou a dedicar-se em exclusivo à literatura.

Publico em 1856 "Cartas sobre A Confederação dos Tamoios", com o pseudónimo de Ig, no Diário do Rio de Janeiro. Nestas criticava o poema épico de Domingos Gonçalves de Magalhães, que era à época considerado a figura proeminente da literatura brasileira, sendo um dos favoritos do Imperador D. Pedro II. Começou então uma acesa polémica, da qual participou o próprio D. Pedro (sob pseudónimo).

No mesmo ano, publicou o seu primeiro romance: "Cinco minutos". Em 1857, publicou em folhetins "O Guarani", com o qual obteve grande popularidade. Escreveu todo o tipo de obras: romances indianistas, urbanos, regionais, históricos, romances-poema, peças de teatro, poesia, crónicas, ensaios e polémicas literaturas, assim como escritos políticos e estudos filológicos. Dentro do romance histórico enquadravam-se os romances plenamente históricos e os respeitantes a lendas indígenas, com os quais se integrava no movimento do dito Indianismo na literatura brasileira no século XIX.

Faleceu no Rio de Janeiro, de tuberculose, aos 48 anos de idade.

Barros, João de.
Pessoa singular · 1881-1960

João de Barros foi um poeta, pedagogo e político português. Nasceu na Figueira da Foz, dia 4 de Fevereiro de 1881 e faleceu em Lisboa, dia 25 de Outubro de 1960.

Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra.

Em 1910 iniciou-se na Maçonaria, com o nome simbólico de João de Deus.

Durante a 1ª República Portuguesa, foi um alto funcionário do Ministério da Instrução Pública, desempenhando as funções de chefe de repartição, diretor-geral do ensino primário, diretor-geral do ensino secundário e secretário-geral do ministério. Ligou também o seu nome, com o de João de Deus Ramos, à Reforma da Instrução Primária, de 29 de Março de 1911.

Aderiu ao Partido Republicano Português, depois dito Partido Democrático, e nele se manteve até 1924, data em que aderiu ao Partido Republicano da Esquerda Democrática. Foi um dos últimos Ministros dos Negócios Estrangeiros da 1ª República.

Defendeu a existência de relações culturais entre Portugal e o Brasil.

A Ditadura MIlitar e o Estado Novo afastaram-no da vida política ativa, mas continuou a defender ideais republicanos, participando em diversas manifestações da Oposição Democrática e apoiando as candidaturas à presidência da República de Norton de Matos (1949) e Humberto Delgado (1958).

Branco, Camilo Castelo.
Pessoa singular · 1825-1890

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (16 de março de 1825, Lisboa - 1 de junho de 1890, Famalicão) foi um escritor português do Romantismo, que se destacou pela quantidade e qualidade dos seus escritos. Desde a poesia, a traduções, a romances, a obras históricos, e outros, produzindo uma diversificada obra literária.

Caires, Lutegarda Guimarães de
Pessoa singular · 1858-1935

Lutegarda do Livramento Guimarães de Caires (poetisa, escritora e feminista) nasceu em Vila Real de Santo António, 17 de novembro de 1858 e faleceu em Lisboa, 30 de março de 1935. Era filha de João António Guimarães e de Maria Teresa de Barro.

Mudou-se para Lisboa, e casou em 1877 com o tenente de infantaria Serafim Duarte Soares Coelho. O marido vai para Angola onde virá a falecer em 1889. Nesse mesmo ano, conheceu o que viria a ser o segundo marido - João de Caires, advogado madeirense e escritor, além de fundador da Sociedade de Propaganda de Portugal. Desse casamento, nasceu o seu filho Álvaro Guimarães de Caires, que viria a ser médico, professor na Universidade de Sevilha, escritor e investigador

Dedicou-se a causas sociais, visitando crianças doentes no Hospital D. Estefânia. Durante dez anos promoveu o evento "Natal das Crianças dos Hospitais". Em 1911, fez um estudo da situação dos presos, especialmente das mulheres (naquela época, as prisões eram mistas), denunciando as terríveis condições das prisões portuguesas. Em junho de 1913, Lutegarda Guimarães, juntamente com Ana Augusta de Castilho, Beatriz Pinheiro, Maria Veleda e Joana de Almeida Nogueira, representaram a delegação portuguesa na Sétima Conferência da Aliança Internacional de Sufrágio Feminino, em Budapeste. Feminista convicta, insurgiu-se contra a discriminação de que eram vítimas as mulheres por não poderem dispor dos seus próprios bens. Publicou vários artigos em jornais em defesa dos direitos das mulheres.

Câmara, José Paulo da
Pessoa singular · 1887-1939

José Paulo da Câmara (Lisboa, 25 de Janeiro de 1887 - Campinas, Brasil, 1939) foi um poeta, dramaturgo e jornalista português. Filho do dramaturgo e escritor português D. João Maria Evangelista Gonçalves Zarco da Câmara e de D. Eugénia de Melo Breyner. Era irmão de Tomás da Câmara.

Deus, João de.
Pessoa singular · 1830-1896

João de Deus Nogueira Ramos (São Bartolomeu de Messines, Silves, 8 de Março de 1830 — Lapa, Lisboa, 11 de Janeiro de 1896), mais conhecido por João de Deus, foi um poeta lírico e pedagogo, defensor de um método de ensino da leitura, assente numa Cartilha Maternal.

Demorou dez anos a concluir o curso de Direito na Universidade de Coimbra. De 1851 conhece-se o poema Pomba e a elegia Oração, a qual foi a sua primeira obra publicada, tendo saído a público na Revista Académica em 1855. em 1858, uma crítica fortemente elogiosa no artigo A propósito de um Poeta, publicado no Instituto de Coimbra por Antero de Quental.

Foi para Beja, onde, entre 1862 e 1864, dirigiu o jornal O Bejense (onde publicou muitas das suas primeiras poesias). Mantendo colaboração com a imprensa regional alentejana e algarvia e redigindo a Folha do Sul, em São Bartolomeu de Messines e em Silves tentou sem sucesso a advocacia, tendo em 1868 optado por partir para Lisboa, cidade onde passou a residir.

Apresentou-se às eleições em 1868 como candidato independente pelo Círculo de Silves - sendo eleito. Em 1874, casou com Guilhermina das Mercês Battaglia. Um dos seus filhos, João de Deus Ramos, continuaria a obra pedagógica de seu pai.

Publicou em 1876, a sua Cartilha Maternal, método de ensino da leitura revolucionário no panorama pedagógico nacional. Este método foi dois anos depois, e por proposta do deputado Augusto de Lemos Álvares Portugal Ribeiro, aprovado como o método nacional de aprendizagem da escrita da língua portuguesa. Graças a esta decisão, João de Deus teria a nomeação vitalícia de "Comissário Geral da Leitura"

Em 1895, foi-lhe feita uma homenagem à escala nacional, sendo honrado como sócio honorário da Academia Real das Ciências e do Instituto de Coimbra e com a grã-cruz da Ordem de Santiago da Espada.

Ferreira, José Gomes.
Pessoa singular · 1900 - 1985

José Gomes Ferreira (Santo Ildefonso, Porto, 9 de junho de 1900 — São João de Brito, Lisboa, 8 de fevereiro de 1985) foi um escritor e poeta português.

Licenciou-se em Direito em 1924, na Universidade de Lisboa, e foi cônsul na Noruega de 1926 a 1929.

A partir de 1948, inicia a publicação da sua obra poética quando publicou Poesia I.

Escreveu em vários géneros literários: crónicas, historietas, intrigas policiais, ensaios, e colaborou nas revistas, jornais e antologias poéticas Presença, Galo, O Diabo, Revista de Portugal, Portucale, Gazeta Musical e de Todas as Artes, Europa, Cadernos do Meio-Dia. Também legendou filmes sob o pseudónimo Álvaro Gomes e compôs música. É autora de Aventuras de João sem Medo (1965).

Com Poesia III, ganhou, em 1961, o «Grande Prémio da Poesia» atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores. Em 1965, o livro A memória das palavras recebeu o Prémio da Casa da Imprensa. Viria a integrar, em 1978, a direção da Associação Portuguesa de Escritores. Pai do arquiteto Raul Hestnes Ferreira (1931-2018) e do poeta Alexandre Vargas (1952-2018),

Fonseca, António José Branquinho da.
Pessoa singular · 1905 - 1974

António José Branquinho da Fonseca (Mortágua, Mortágua, 4 de Maio de 1905 – Cascais, Cascais, 7 de maio de 1974) foi um escritor português. Escrevia em vários géneros literários: poema lírico, romance, novela, texto dramático, poema em prosa, mas o seu género de eleição era o conto. Como artista, interessou-se também pela fotografia, o desenho, o cinema e o design gráfico. Foi conservador do Registo Civil em Marvão e Nazaré, e do Museu-Biblioteca Conde de Castro Guimarães em Cascais. Por proposta sua, foi criado em 1958, o Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, o qual havia de dirigir até o ano da sua morte.

Gaio, Manuel da Silva
Pessoa singular · 1860-1934

Manuel da Silva Gaio (Sé Nova, Coimbra, 6 de Maio de 1860 — Coimbra, 11 de Fevereiro de 1934) foi um poeta, teorizador e ensaísta português. Introdutor do neo-lusitanismo, um movimento literário com a sua origem na obra de António Nobre que proclamava a criação de uma poesia nacionalista e regionalista em Portugal. Entre as suas obras poéticas sobressaem os poemas épicos Dom João (1925), O Santo (1927) e Sulamile (1928).

Licenciado em Direito, secretariou a Revista de Portugal, fundada em 1889 por Eça de Queirós; fundou e dirigiu, com Eugénio de Castro - cujos volumes de poesia Horas e Poesias Escolhidas prefaciou - a revista Arte.

García Lorca, Federico
Pessoa singular · 1898-1936

Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, Granada, 5 de junho de 1898- Granada, 18 de agosto de 1936) foi um poeta, prosista, dramaturga e diretor de teatro espanhol. Parte da "geração dos 27" em Espanha. Alcançou a fama com Romancero Gitano (1928), um livro de poemas. A suas obras mais conhecidas são Bodas de sangre (1932), Yerma (1934) e La casa de Bernarda Alba (1936). García Lorca era homossexual e teve uma relação com o escultor Emilio Alandrén Perojo. Foi assassinado por um bando sublevado um mês após o início da Guerra Civil Espanhola.

Garrett, Almeida
Pessoa singular · 1799-1854

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett (Porto, 4 de fevereiro de 1799 – Lisboa, 9 de dezembro de 1854), foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português. Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.

Batizado como João Leitão da Silva, o autor só mais tarde acrescentou ao seu nome o patronímico Baptista (em honra do padrinho) e os apelidos Almeida Garrett (o primeiro da avó materna; o segundo da avó paterna, de origem irlandesa).

Frequentou a Universidade de Coimbra. Ainda estudante, participou no movimento conspirativo que conduziria à revolução de 1820. Publicou nessa altura o seu primeiro livro, O Retrato de Vénus, um poema que lhe mereceu um processo em tribunal.
Defensor do liberalismo, Garrett foi obrigado a deixar o País quando o absolutismo venceu (entre 1823-26), situação que se repetiria pouco tempo depois (1828-31), na sequência da abdicação de D. Pedro. Esteve em França e Inglaterra, em Paris publicou os poemas Camões e Dona Branca – os primeiros textos românticos portugueses.
Regressou a Portugal em 1832, integrando a expedição liberal comandada por D. Pedro, constituiu um momento heroico para o «poeta-soldado», incorporado no Batalhão Académico. Participou nas reformas legislativas do novo regime, mas pouco depois afastado do poder, sob pretexto de missões diplomáticas no estrangeiro.

Voltou à política em 1836, no contexto da «revolução de setembro», pela mão de Passos Manuel: fez parte das Cortes Constituintes e ajudou a redigir a Constituição de 1838. Além de deputado, desempenhou um papel relevante no programa de educação cultural setembrista, especificamente na renovação da dramaturgia nacional: a criação da Inspeção Geral dos Teatros, do Conservatório de Arte Dramática e do futuro Teatro Nacional. Fundou O Entreato – Jornal de Teatros.

Durante os anos 40, sob o regime autoritário de Costa Cabral, Garrett destacou-se na oposição. Afastou-se da vida pública em 1847, dedicando-se à escrita. São dessa época O Alfageme de Santarém, Frei Luís de Sousa, Viagens na Minha Terra e O Arco de Sant’Ana.
Em 1851 regressou ao Parlamento, já sob a acalmia política da Regeneração. Foi feito visconde, em 1851 e foi nomeado Par do Reino, no ano seguinte. Foi durante pouco tempo Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Junqueiro, Guerra
Pessoa singular · 1850-1923

Abílio Manuel Guerra Junqueiro (Freixo de Espada à Cinta, 15 de setembro de 1850 – Lisboa, 7 de julho de 1923) foi um escritor português e também alto funcionário administrativo e político.

Frequentou o curso de Teologia da Universidade de Coimbra, mudando depois para o curso de Direito. A sua frequência da Universidade de Coimbra coincidiu com o movimento de agitação ideológica em que eclodiu a Questão Coimbrã.

Começou a sua carreira literária como redator do jornal literário A Folha. Em 1868, publicou o opúsculo O Aristarco Português e a obra Baptismo de Amor. Sendo antimonárquico, manifestou as suas ideias republicanas em 1873, publicando o poemeto À Hespanha Livre, em que celebrou a proclamação da república espanhola. Em 1874, publicou A Morte de D. João, obra que obteve um enorme sucesso.

Em Lisboa Lisboa, foi colaborador de jornais políticos e artísticos, como o jornal A Lanterna Mágica. Entrou para o funcionalismo público e tornou-se secretário-geral do governador civil dos distritos de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo. Em 1878, foi eleito deputado pelo círculo de Macedo de Cavaleiros, sendo posteriormente também eleito pelo círculo de Viana do Castelo (1880) e pelo círculo de Quelimane, África Oriental Portuguesa (1890).

Nos anos oitenta, participou nas reuniões dos Vencidos da Vida, juntamente com Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e António Cândido, entre outros. Reagiu ao Ultimato inglês de 1890, com o livro de poesias Finis Patriae, altura em que se afastou ideologicamente de Oliveira Martins, confiando na República como solução para os males da sociedade portuguesa. Entre 1911 e 1914, assumiu o cargo de Ministro de Portugal na Suíça.

Na fase final da sua vida, retirou-se para a sua propriedade no Douro.

Casou com Filomena Augusta Neves (1880).

Menegale, Heli
Pessoa singular · 1903-[19--]

Heli Menegale nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais no dia 10 de janeiro de 1903. Poeta, contista, ensaísta, diplomado em agronomia, jornalista, professor, técnico de educação, funcionário público, membro da Academia Mineira de Letras.

Monteiro, Domingos
Pessoa singular · 1903-1980

Domingos Monteiro Pereira Júnior (Barqueiros, Mesão Frio, 6 de novembro de 1903 – Lisboa, 17 de agosto de 1980) foi um advogado, poeta e escritor português.

Exerceu a advocacia, defendendo vários opositores do regime do Estado Novo. Fundou o Partido da Renovação Democrática, bem como, mais tarde, o Diário Liberal.

Foi diretor das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1948 fundou a Sociedade de Expansão Cultural que veio a ter uma ação notável na divulgação dos autores portugueses.

Ainda durante o ensino liceal em Trás-os-Montes, publicou alguns poemas em O Dilúculo, um jornal local. Com apenas dezasseis anos estreou-se com a edição do seu primeiro livro de versos, Orações do Crepúsculo. Este livro foi prefaciado por Teixeira de Pascoaes a quem dedicou o seu segundo livro, Nau Errante, de 1921. Voltaria a publicar poesia com Evasão, de 1953, e, em 1978 publicaria o seu último livro de versos, Sonetos.

Publicou uma História da Civilização em três volumes e também escreveu nos géneros do ensaio, da crítica e do teatro. Destacou-se na prosa, nomeadamente na escrita de novelas: O Mal e o Bem, O Primeiro Crime de Simão Bolandas com o qual obteve o Prémio Nacional de Novelística e o Prémio Diário de Notícias, e ainda Letícia e o Lobo Júpiter agraciado com o Prémio Nacional de Novelística.

Também foi tradutor de autores clássicos como Balzac, Dostoievski, Thomas Mann, Maupassant, Poe, Mark Twain,

Racine, Jean Baptiste
Pessoa singular · 1639-1699

Jean Baptiste Racine (La Ferté-Milon, Aisne, 22 de dezembro de 1639 — Paris, 21 de abril de 1699) foi um poeta trágico, dramaturgo, matemático e historiador francês. É considerado, juntamente com Pierre Corneille, como um dos maiores dramaturgos clássicos da França.

Régio, José.
Pessoa singular · 1901-1969

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, (Vila do Conde, 17 de setembro de 1901 — Vila do Conde, 22 de dezembro de 1969) foi um escritor português, um dos mais destacados do século XX. Destacou-se como ficcionista, como dramaturgo, como poeta, como crítico e ensaísta, como diarista e como memorialista. Foi também professor do ensino secundário, além de colecionador de arte popular.

Viveu a infância e adolescência em Vila do Conde. Feita grande parte da sua educação secundária no Liceu da Póvoa de Varzim e a restante no Porto, foi para Coimbra para frequentar a Faculdade de Letras. Aí se licenciou em Filologia Românica, em 1925, defendendo a tese intitulada “As correntes e as individualidades na Moderna Poesia Portuguesa”, fazendo a apologia dos poetas da revista Orpheu.

Na década de 20, colaborou nas revistas portuenses Crisálida e A Nossa Revista e também nas coimbrãs Bizâncio e Tríptico.

No ano seguinte à conclusão da licenciatura, publicou o seu primeiro volume de poesia Poemas de Deus e do Diabo, assinando-o com o pseudónimo literário José Régio.

Em março de 1927, fundou com João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, a revista Presença que durou treze anos e foi considerada o órgão divulgador do “segundo modernismo”. Régio e os seus companheiros (principalmente João Gaspar Simões e, depois, Adolfo Casais Monteiro) irão fazer uma eloquente e crítica apologia da obra de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e António Botto, entre outros.

Concluído o Curso da Escola Normal, iniciou a carreira docente, com uma breve experiência como professor provisório, no Liceu Alexandre Herculano, no Porto, até ser nomeado, em 1930, professor efetivo no liceu de Portalegre, cargo que exerceu até se reformar, em 1962.

Desde então, viveu alternando a sua residência entre Vila do Conde e Portalegre, até que em 1966, se instalou definitivamente em Vila do Conde.

Torga, Miguel.
Pessoa singular · 1907 - 1995

Adolfo Correia da Rocha, conhecido pelo pseudónimo Miguel Torga (São Martinho de Anta, Sabrosa, 12 de agosto de 1907 – Santo António dos Olivais, Coimbra, 17 de janeiro de 1995), foi um dos mais destacados poetas e escritores portugueses do século XX. Torga destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios. Publicou mais de cinquenta livros e foi Prémio Camões de 1989. Proposto por duas vezes para Nobel da Literatura (1960 e 1978).

Em 1920, emigrou para o Brasil para onde os pais o enviam. Irá trabalhar durante cinco anos na fazenda de um tio paterno. Regressou a Portugal em 1925,

Em 1928, entrou para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publicou o seu primeiro livro de poemas, Ansiedade.

Em 1929, deu início à sua colaboração com a revista Presença ( revista fundada dois anos antes por Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões e José Régio), com o poema Altitudes. Publica Rampa, livro de poesia que sai nas edições da Presença, antes de nesse mesmo ano romper com a revista, assinando juntamente com Edmundo Bettencourt e Branquinho da Fonseca uma “Carta a José Régio e João Gaspar Simões, directores da Presença”, a participar o afastamento do grupo. Em colaboração com Branquinho da Fonseca, funda a revista Sinal, de curta duração - apenas sairá um número, no mês de Julho desse ano.

Em 1931, publicou o seu terceiro livro de poesia, Tributo. Estreia-se também na ficção narrativa com o livro de contos Pão Ázimo. Publicou também o livro de poesia Abismo (1932).

Em 1933, concluiu a licenciatura em Medicina, regressou a S. Martinho de Anta para exercer a profissão.

No ano seguinte, publicou a novela A Terceira Voz. É com este livro que adota o nome literário Miguel Torga. Deixa S. Martinho de Anta e muda-se para Vila Nova, freguesia do concelho de Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra, onde passará a exercer as funções de médico clínico geral.

Em 1936, publica O Outro Livro de Job (poesia) e lançou juntamente com Albano Nogueira, o periódico Manifesto.

Em 1937, publica “os Dois primeiros Dias” de A Criação do Mundo, romance autobiográfico. Em Dezembro deste ano viaja para a Europa, regressando em janeiro do ano seguinte. Atravessa a Espanha franquista, em plena guerra civil, e viaja por França, Itália, Suíça e Bélgica.

Publica “O Terceiro Dia” de A Criação do Mundo (1938). Devido a algumas dificuldades com a Censura, sai no mês de julho o quinto e último número da revista Manifesto. Conhece Andrée Crabbé, sua futura mulher, em casa de Vitorino Nemésio, em Coimbra.

Em 1939, estabelece-se como médico otorrinolaringologista em Leiria.

O quarto volume de A Criação do Mundo, romance autobiográfico, valer-lhe-á a prisão por parte do regime do Estado Novo. Ao apresentar o testemunho de uma viagem a Itália e da travessia de Espanha, em plena guerra civil, Torga fazia uma clara denúncia do franquismo e do fascismo de Mussolini.

Em 1939, os serviços secretos da PVDE, emitem uma ordem “confidencial” para que se proceda “à apreensão do livro ‘O Quarto Dia da Criação do Mundo’, da autoria de Miguel Torga, e à detenção deste”. Torga foi detido pela PSP de Leiria, sendo depois encaminhado para a prisão do Aljube. Na prisão, escreve um dos seus mais célebres poemas de resistência, “Ariane”, incluído no volume I do Diário. Foi libertado em fevereiro do ano seguinte.

Casou nesse ano (1940) com Andrée Crabbé e publicou o seu volume de contos Bichos.

Em 1941, publica o volume I de Diário, início de uma monumental e singularíssima obra de feição intimista (na totalidade serão publicados dezasseis volumes). Dá à estampa o volume de teatro Terra Firme. Mar. Publica também neste ano o livro de contos Montanha, que será apreendido pela PVDE. Passa a viver na cidade de Coimbra

Segue-se uma série de publicações: o volume de contos Rua (1942), Lamentação (1943), O Senhor Ventura (novela - 1943), Libertação (poesia - 1944), Novos Contos da Montanha (1944), Vindima (romance - 1945), Odes (poesia - 1946), Sinfonia (poema - 1947), Nihil Sabi (1948), O Paraíso (peça de teatro - 1949), Cântico do Homem (poesia - 1950), Pedras Lavradas (contos - 1951), Alguns Poemas Ibéricos (1952), Penas do Purgatório (poesia - 1954), Traço de União (ensaios - 1955), Orfeu Rebelde (poesia - 1958),

No dia 20 de Fevereiro de 1960, os serviços da PIDE procedem à apreensão do Diário VIII, nas livrarias de várias cidades do país. Um grupo de escritores e intelectuais apresenta um abaixo-assinado de protesto contra a apreensão deste livro.

Seguem-se as obras Câmara Ardente (poesia - 1962), Poemas Ibéricos (1965).

Após a Revolução de Abril, participou em vários comícios do Partido Socialista (1974-76)

Em 1982, publicou “O Sexto Dia” de A Criação do Mundo, o último volume do romance autobiográfico. A publicação dos Diários continuará até 1993.

Vieira, Afonso Lopes.
Pessoa singular · 1878 - 1946

Afonso Lopes Vieira nasceu a 26 de janeiro de 1878, em Leiria, e morreu a 25 de janeiro de 1946, em Lisboa.

Estudou Direito na Universidade de Coimbra e ainda estudante, publicou as suas primeiras obras: "Para Quê?" (1897) e "Náufrago - versos lusitanos" (1899). Praticou advocacia, mas durante curto tempo, indo depois para redator da Câmara dos Deputados. A partir de 1916, dedicou-se exclusivamente à literatura.

Escreveu uma vasta obra de poesia: Para Quê? (1897) faz a sua estreia poética, iniciando um período de significativa atividade literária — Ar Livre (1906), O Pão e as Rosas (1908), Canções do Vento e do Sol (1911), Poesias sobre as Cenas Infantis de Shumann (1915), Ilhas de Bruma (1917), País Lilás, Desterro Azul (1922) — encerrando a sua atividade poética, assim julgava, com a antologia Versos de Afonso Lopes Vieira (1927). A sua derradeira publicação seria a inovadora e epigonal obra Onde a terra se acaba e o mar começa (1940).

Afonso Lopes Vieira foi um grande promotor das obras de Gil Vicente, adaptando algumas peças (Monólogo do Vaqueiro, Auto da Barca do Inferno) e proferindo diversas conferências (A Campanha Vicentina. Conferências & Outros Escritos, 1914). Responsável por trazer de volta à língua portuguesa duas obras que corriam em versão castelhana, o Amadis de Gaula (O Romance de Amadis, 1922) e a Diana de Montemor (A Diana de Jorge de Montemor em Português, 1924). O seu interesse pelo património medieval e renascentista português continuou na realização de uma edição nacional d' Os Lusíadas, com a reprodução do texto da edição princeps de 1572, e por uma edição crítica da Lírica.

Como poeta colaborou com outros neorromânticos na 1ª. série da revista A Águia (1911). Teixeira de Pascoaes dá como exemplo da «nova poesia portuguesa» um livro seu, Canções do Vento e do Sol, publicado em 1911.

Integrado a certa altura no grupo da "Renascença Portuguesa", colaborou em publicações como A Águia, Nação Portuguesa ou Contemporânea. Também esteve integrado no Grupo da Biblioteca.

Ideologicamente, teve várias vezes, passando inclusive pelo anarquismo na sua juventude (traduziu uma obra de Kropotkin), aproximando-se depois do integralismo lusitano, opondo-se à ditadura militar e ao regime do Estado Novo. As ideias de Afonso Lopes Vieira são descritas como "nacionalismo tradicionalista" ou "neorromantismo". " O seu nacionalismo assentava na ideia do «reaportuguesar Portugal, tornando-o europeu»"