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            Banco de Angola
            PT-AHS-ICS-BA · Pessoa coletiva · 1926-1975

            O Banco de Angola foi criado pelo Decreto nº 12131, de 14 de agosto de 1926. Tinha por capital social inicial 50.000 contos, repartidos em partes iguais entre o Estado Português e o Banco Nacional Ultramarino. Com a sede social estabelecida em Lisboa, e filial em Luanda, a instituição possuía o privilégio da emissão de notas em Angola, por um período de 25 anos. Por sua vez, o banco deveria pagar uma renda anual de 1.000 contos e conceder um empréstimo de 5.000 contos à colónia. A sua organização interna contemplava um governador, nomeado pelo Estado, dois vice-governadores e um conselho fiscal, eleitos por assembleia geral. Os lucros advindos da atividade deveriam ser repartidos por um fundo de reserva legal (5%), por um fundo de reserva complementar (10%), por dividendos, pelo pessoal (10%) e pelos corpos gerentes (10%), sendo o remanescente repartido entre o Estado e o Banco Nacional Ultramarino. O novo banco iniciou a atividade com o quadro de pessoal do Banco Nacional Ultramarino, com uma sucursal aberta em Léopoldville (Congo Belga) e o ativo dos empréstimos concedidos pelo Banco Nacional Ultramarino, na colónia.
            A primeira alteração ao pacto social surge em 1929, pelo Decreto com força de Lei nº 17155, de 26 de julho. Esta alteração aumentava o capital social para 60.000 contos. Todo esse capital ficou praticamente na posse do Estado Português devido às dificuldades que o Banco Nacional Ultramarino passou nesse ano.
            Face aos problemas criados pela crise provocada pela Grande Depressão, o Banco de Angola atravessou durante a década de 30, um período de estagnação e de dificuldades. Angola enfrentava então, graves problemas nos seus pagamentos com o exterior. No entanto, a rede de balcões expandiu-se, procurando abranger todo o território angolano e captar capitais. Com efeito, ainda em 1929 abre a dependência de Nova Lisboa, para em 1930 expandir-se a Santo António do Zaire e, em 1932, a Boma, no Congo Belga. Todavia, o clima difícil que se viveu obrigou ao encerramento da agência de Léopoldville, em 1934, e a recém-fundada agência de Santo António do Zaire, em 1935.
            O Decreto-Lei nº 35670, de 28 de maio de 1946, permite a realização de alterações ao pacto social, autorizando o Banco de Angola a realizar operações de crédito agrícola, pecuário e industrial, empréstimos hipotecários comuns e empréstimos para colonização. O capital social foi também aumentado para 100.000 contos, ao mesmo tempo que o exclusivo da emissão de notas na colónia foi prorrogado até 1976. Em contrapartida, a renda anual a pagar à colónia era atualizada para os 2.000 contos, a partir de 1947.
            Na década de 60, dá-se a expansão de algumas instituições da metrópole, para o ultramar. Os bancos então surgidos alargaram a rede de balcões ao longo de todo o território angolano, conseguindo captar importantes quotas de mercado, e reduzindo os resultados do Banco de Angola. O Banco de Angola alterou então a sua estratégia de desenvolvimento e canalizou-a para a metrópole. Assim, abriu três espaços na cidade de Lisboa, e alargou a rede de balcões às zonas limítrofes ou dormitórios da cidade (Algés, Alverca, Barreiro, Damaia, Moscavide e Queluz). Abriu balcões em Aveiro, Braga, Coimbra, Guimarães, Paços de Ferreira, Portimão, São João da Madeira e Setúbal.
            Em 1965, conjuntamente com o Banco Nacional Ultramarino, expande-se para a África do Sul, onde funda o Bank of Lisbon & South Africa, em Joanesburgo.
            Em 1967, absorve a casa de câmbios António Coimbra & Irmão, Limitada, do Porto, onde instala uma agência.
            O clima expansionista e a situação favorável que o setor financeiro conheceu nas décadas anteriores alteraram-se em 1974, com a mudança do regime político e a consequente independência das colónias.
            O Banco de Angola foi nacionalizado em 15 de setembro de 1974, nos termos do Decreto-Lei nº 450/74, de 13 de setembro. Os acionistas foram indemnizados com títulos da dívida pública, emitidos nos termos do Decreto-Lei nº 729-K/75, de 22 de dezembro. Com o processo de nacionalização e a independência da província ultramarina, a atividade do banco em Angola, cessou em 1975. Foi substituído como banco emissor, pelo Banco Nacional de Angola. Em Portugal, o Banco de Angola foi extinto em 1978, por fusão com o Banco da Agricultura e o Banco Pinto de Magalhães, tendo a nova instituição dado origem à União de Bancos Portugueses, nos termos do Decreto-Lei nº 3-A/78, de 09 de janeiro.

            Banco Lisboa & Açores
            PT-AHS-ICS-BLA · Pessoa coletiva · 1875-1969

            O Banco Lisboa & Açores foi uma das instituições criadas sob o clima favorável vivido em 1875, de onde nasceram várias instituições financeiras. Fundado em 22 de março de 1875, a escritura de constituição de sociedade somente foi lavrada em 09 de abril desse ano, no cartório de Jorge Camelier. Segundo o seu pacto social, a sede era estabelecida em Lisboa e a instituição era constituída como sociedade anónima de responsabilidade limitada. Com o capital social autorizado de 5.000 contos de réis, este estava distribuído em ações de 100.000 réis, cada. Para a total realização do mesmo iriam ser feitas três subscrições de ações, a primeira das quais, de 2.000 contos de réis. Os fundadores do banco foram António Gomes Brandão (Visconde de Carregoso), Estêvão José Brochado, António Joaquim de Oliveira, Lima Mayer & Filhos, Moura Borges & Companhia, Bensaúde & Companhia, Ernesto George, Manuel José Dias Monteiro & Filhos, A. J. Gomes Neto, Joaquim Pinto Leite, o visconde dos Olivais e Joaquim Bessa de Carvalho.
            No último quartel do século XIX, e logo após a sua fundação, o banco sofreu os embates da crise de 1876, que afetaram gravemente a economia e as instituições financeiras da época. Afastados os períodos críticos, em 24 de maio de 1878 o capital social é fortalecido com nova emissão de ações.
            Após um pequeno período de recuperação e consolidação das contas, a crise de 1890-1892 abalou novamente a frágil economia do País e contribuiu para a falência de inúmeras instituições congéneres. O banco foi sobrevivendo aos momentos conturbados através de uma gestão cuidada e conservadora, tendo sido um precioso apoio aos sectores comercial e industrial. Fruto da influente estrutura acionista, o banco também chegou a conceder créditos ao Estado e a contribuir no auxílio ao fomento e desenvolvimento do País, conjuntamente com as casas bancárias Fonsecas, Santos & Viana e Henry Burnay & Companhia.
            Apesar do clima pouco favorável, em 1904, foi criada uma filial no Porto, na Rua de D. Pedro, como forma de captação de novos capitais e desenvolvimento do negócio. Em 1905 inicia-se a construção das novas instalações-sede do banco, na Rua do Ouro, sob o traço do arquiteto Miguel Ventura Terra, dotando o banco das estruturas e equipamentos necessários ao cabal desempenho das suas funções. Em 21 de fevereiro de 1907, o capital social é firmado nos 5.000 contos de réis e o pacto social alterado, ficando o capital inicial integralmente realizado.
            Em 26 de novembro de 1921, o capital social foi aumentado para 7.200 contos e, em 31 de dezembro de 1925, elevado a 10.000 contos.
            Os inícios dos anos 30, com as consequências da Grande Depressão de 1929, foram anos difíceis. Generalizou-se o descrédito nas instituições bancárias, com o consequente levantamento dos depósitos. Muitas delas não resistiram e fecharam. O Banco Lisboa & Açores sofreu também do impacto da crise. No entanto, o facto do capital dos depósitos não estar investido em imobilizações não gerou consequências no normal funcionamento da instituição e, em 1934, a situação do banco encontrava-se já desafogada.
            Surgia agora a necessidade de expansão da instituição e a captação de novos capitais. Por Portaria de 25 de maio de 1940, o Banco Lisboa & Açores integrou a casa bancária M. A. Martins Pereira, das Caldas da Rainha, onde abriu uma agência. Com esta assimilação, abre mais duas agências na região: uma no Bombarral, outra em Reguengo Grande. Fazendo face ao desenvolvimento da instituição e à necessidade de reforçar o capital, em 26 de dezembro de 1945 o capital social é elevado a 30.000 contos e, em 15 de junho de 1950, os estatutos são novamente alterados. Em 29 de janeiro de 1952, o capital social foi elevado para 80.000 contos, reflexo dos bons resultados que o banco obtinha.
            Na década de 60, o progresso da economia portuguesa refletiu-se no crescimento generalizado do setor financeiro. Com o aumento do número de agências, logo no ano de 1964, o capital social foi elevado para 200.000 contos. Desejando expandir-se às zonas insulares, onde desde sempre deteve interesses, em 26 de janeiro de 1966, o Banco Lisboa & Açores incorporou o ativo e passivo do Banco da Madeira, instalando no Funchal uma importante filial. O ano de 1966 foi também um marco importante no banco: foi o ano da modernização tecnológica, com a introdução da informática nas operações correntes do banco, melhorando, consequentemente, a rentabilidade e os recursos disponíveis da instituição.
            No exercício de 1968-1969, além da sede, em Lisboa, e de filiais no Funchal, Ponta Delgada e no Porto, o banco possuía 14 dependências e 29 agências espalhadas pelo País.
            Entretanto, na sequência da tendência crescente de concentração de capitais e de fusão de instituições, constituindo organismos mais sólidos e credíveis, também o Banco Lisboa & Açores negociou a sua integração com o recém-criado Banco Totta-Aliança. A Portaria de 14 de novembro de 1969 autorizou a fusão dos dois bancos, ficando a nova instituição com a denominação de Banco Totta & Açores, entidade que iniciou funções a 01 de janeiro de 1970.

            Banco Nacional Ultramarino
            PT-AHS-ICS-BNU · Pessoa coletiva · 1864 -2001

            Banco português fundado em 1864 para dar resposta à necessidade de uma instituição de crédito que estabelecesse a ligação entre a metrópole e as colónias portuguesas. Após a independência das colónias, o BNU foi nacionalizado e os ativos e passivos foram distribuídos pela antiga metrópole e colónias. Em 2001, o BNU foi incorporado na Caixa Geral de Depósitos.

            CGD - Caixa Geral de Depósitos
            PT/AHS-ICS/CGD · Pessoa coletiva · 1876-

            Criada pela Carta de Lei de 10 de abril de 1876, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) nasceu com a finalidade de recolher depósitos obrigatórios constituídos por imposição da lei ou dos tribunais. Nos anos seguintes, a instituição cresceu rapidamente e, em 1890, passou a constituir a maior instituição financeira do país em termos de depósitos.
            Como refere o economista Pedro Lains, a longevidade da instituição tornou-a um bom espelho da história política nacional, possibilitando uma análise das diversas mudanças políticas ocorridas no século XX português (2011:17). Atualmente, a Caixa Geral de Depósitos ocupa o lugar de maior banco em Portugal.

            Ulrich, João.
            Pessoa singular · 1880-1956

            Governador do Banco Nacional Ultramarino. João Ulrich foi o sétimo Governador do Banco Nacional Ultramarino. Nasceu em Lisboa em 1880. O seu pai, João Henrique Ulrich, foi Vice-Governador da Companhia Geral de Crédito Predial Português. O seu avô paterno, João Henrique Ulrich foi um dos fundadores do Banco Nacional Ultramarino e foi membro do seu primeiro quadro de diretores. O seu avô materno, Guilherme José Ennes, foi diretor do Banco de Portugal. O seu pai morreu quando tinha catorze anos. João Ulrich, formou-se em 1902 em Direito na Universidade de Coimbra, tendo obtido a máxima pontuação atribuída nesse ano. Nos sete anos consequentes praticou a advocacia, sendo eleito algumas vezes membro do Parlamento, no qual esteve envolvido em importantes projetos de Direito, sendo também membro do Comité de Finanças, onde obteve sempre grande consideração.
            Durante a sua vida, João Ulrich, para além de ter sido Governador do Banco Nacional Ultramarino, foi “Chairman” e membro de importantes companhias, tais como: membro do Conselho Superior do Comércio Externo; Diretor da Companhia Nacional de Navegação; Diretor da Companhia das Águas de Lisboa; Membro do Comité de Auditores da Companhia de Tabacos de Portugal; Diretor da Sociedade Espanhola do Caminho de Ferro Madrid-Cáceres-Portugal; Membro do Comité de Auditores da Companhia de Seguros Previdência; Presidente do Conselho de Administração da Companhia de Pesquizas Mineiras de Angola (Pema); Companhia de Petróleos de Angola (Angoil) e Companhia de Diamantes de Angola ( Diamang).
            Fruindo da maior consideração pública, era conhecido no estrangeiro pela importância dos seus estudos sobre a banca e seguros.
            Ficou também conhecido como autor de livros importantes à época, tais como: “Estudos sobre a Advocacia Portuguesa” e “Guia Prático das Caixas de Crédito Agrícola”.