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            Abranches, Adelina
            Pessoa singular · 1866-1945

            Atriz portuguesa, Adelina Abranches nasceu em Lisboa a 15 de agosto de 1866 e faleceu na mesma cidade a 21 de novembro de 1945.

            Devido às incapacidades financeiras da família, iniciou a sua carreira no teatro ainda na infância, estreando-se como figurante aos cinco anos num espetáculo do Teatro Nacional D. Maria II - "Os meninos grandes", de Enrique Gaspar. Aos doze anos já tinha trabalhado no Teatro D. Maria II, no Teatro do Príncipe Real, no Variedade, no Teatro do Rato, no Teatro D. Fernando e no Teatro da Rua dos Condes. Representava com frequência papéis masculinos infantis e, mesma em adulta, continuou a fazer alguns papéis masculinos devido à sua constituição física.

            Foi no Teatro Luís de Camões que assinou o seu primeiro contrato mensal e teve o primeiro papel de protagonista - em "A princesa flor de seda". Os seus primeiros êxitos foram no ano de 1882, no palco do Teatro do Rato ("Maria da Fonte" e "O tipógrafo/"O gaiato de Lisboa" - no qual representou um dos seus papéis masculinos mais memoráveis). Na temporada seguinte, foi convidada a integrar o elenco do Teatro do Príncipe Real, onde conheceu o futuro marido - o empresário Luís Ruas - e teve alguns dos seus papéis mais populares ("Pérola" (1885) e "Rosa enjeitada" (1901)).

            Em 1902, mudou-se para o Teatro D. Amélia - destacando-se, por exemplo, em "Ressurreição" (1903), em "A cruz da esmola" (1903) e em "O avô" (1905). Também em 1902 dá-se o seu divórcio com Ruas, com o qual tivera dois filhos - Aura Abranches (Ruas) (1892-1962) e Alfredo Ruas (1890-1966), que seguiram ambos a carreira teatral, acompanhando muitas vezes a mãe em digressões.

            Foi convidada a integrar a segunda temporada do Teatro Livre e integrou a sociedade artística do Teatro Nacional D. Maria II, onde se manteve até 1910. Este envolvida no projeto do Teatro da Natureza. Foi também empresária teatral, fundando as companhias Adelina Abranches e Adelina - Aura Abranches, esta última em conjunto com a sua filha.

            Regressou ao D. Amélia em 1911, renomeado Teatro República, onde representou Brísida Vaz no "Auto da barca do Inferno". Representou vários espetáculos de grand-guignol no Teatro Sá da Bandeira no Porto, o que a levou ao Brasil em digressão (1913-1914). No seu regresso a Portugal, passou pelos palcos do Teatro Politeama, do Avenida e do Apolo, antes de regressar ao Teatro Nacional ("A mãe", de Russiñol, foi um dos seus maiores êxitos). Trabalhou com a companhia organizada Alves da Cunha e também com a companhia Rey Colaço-Robles Monteiro.

            Apesar da sua principal carreira ser no teatro, participou em três filmes na década de 30: "Maria do Mar" e "Lisboa, Crónica Anedótica", de Leitão de Barros (1930) e "A Rosa do Adro", de Chianca Garcia (1938).

            Faleceu de arteriosclerose, em Lisboa, aos 79 anos. Foi sepultada em jazigo no Alto de São João. As suas memórias foram publicadas após a sua morte pela filha, em 1947.

            Aires, Félix
            Pessoa singular · 1904-1979

            Félix Vicente Aires - poeta, prosador e médico-veterinário - nasceu em Buriti Bravo (Maranhão - Brasil), em 14 de janeiro 1904 e faleceu em São Luís em 16 de novembro de 1979.

            Foi médico-Veterinário do Ministério da Agricultura e desempenhou cargos de chefia nos Estados de São Paulo, Paraná e Guanabara, onde foi radicado e colaborador na imprensa. Consolidador do verso monossilábico em língua portuguesa e seu maior expoente. Foi titular eletivo da Academia Maranhense de Letras e delegado da mesma na Federação das Academias de Letras do Brasil. Além disso, foi sócio fundador da Academia Brasileira de Trova e Honorário da Academia Piauiense de Letras. Pertenceu ao PEN Clube do Brasil, ao Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes, à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), à União Brasileira de Escritores, à Sociedade de Homens de Letras do Brasil, ao Centro Cultural “Euclides da Cunha” e à Academia de Letras “José de Alencar”.

            Alencar, José de
            Pessoa singular · 1829-1877

            José de Alencar, advogado, jornalista, político, orador, romancista e dramaturgo, nasceu em Messejana (atual bairro de Fortaleza) Ceará (Brasil), dia 1 maio de 1829, e faleceu no Rio de Janeiro, dia 12 de dezembro de 1877. A sua obra literária contribuiu para a "nacionalização" da literatura no Brasil e para a consolidação do romance brasileiro, tendo mesmo sido chamado “o patriarca da literatura brasileira”.

            Era filho do padre, depois senador, José Martiniano de Alencar e de sua prima Ana Josefina de Alencar (o seu pai tinha entretanto abandonado a vida religiosa). A família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde o seu pai prosseguiu a carreira política. José de Alencar frequentou aí o Colégio de Instrução Elementar, prosseguindo depois os estudos em Direito em São Paulo. Voltou ao Rio, onde iniciou a prática de advocacia. A sua atividade jornalística começou com uma colaboração no Correio Mercantil e no Jornal do Comércio, para o qual escreveu os folhetins que, em 1874, reuniu num livro sob o título "Ao correr da pena". Conseguiu alcançar o posto de redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro em 1855.

            Pertenceu ao Partido Conservador, tendo sido eleito várias vezes deputado geral pelo Ceará, de 1868 a 1870, foi também ministro da Justiça. Não conseguiu chegar ao lugar de senador, ficando-se apenas com o título do Conselho. Devido a este insucesso na política, passou a dedicar-se em exclusivo à literatura.

            Publico em 1856 "Cartas sobre A Confederação dos Tamoios", com o pseudónimo de Ig, no Diário do Rio de Janeiro. Nestas criticava o poema épico de Domingos Gonçalves de Magalhães, que era à época considerado a figura proeminente da literatura brasileira, sendo um dos favoritos do Imperador D. Pedro II. Começou então uma acesa polémica, da qual participou o próprio D. Pedro (sob pseudónimo).

            No mesmo ano, publicou o seu primeiro romance: "Cinco minutos". Em 1857, publicou em folhetins "O Guarani", com o qual obteve grande popularidade. Escreveu todo o tipo de obras: romances indianistas, urbanos, regionais, históricos, romances-poema, peças de teatro, poesia, crónicas, ensaios e polémicas literaturas, assim como escritos políticos e estudos filológicos. Dentro do romance histórico enquadravam-se os romances plenamente históricos e os respeitantes a lendas indígenas, com os quais se integrava no movimento do dito Indianismo na literatura brasileira no século XIX.

            Faleceu no Rio de Janeiro, de tuberculose, aos 48 anos de idade.

            Almeida, Fialho de
            Pessoa singular · 1857-1911

            José Valentim Fialho de Almeida nasceu em Vila de Frades, no Alentejo, dia 7 de maio de 1857, e faleceu em Cuba (Alentejo), a 4 de março de 1911.

            Foi estudar para Lisboa em 1866, no Colégio Europeu. Fez a sua estreia literária no jornal Correspondência de Leiria. Por falta de meios económicos, abandonou os estudos e começou a trabalhar como praticante de farmácia numa botica lisboeta. Publica o seu primeiro volume 'Contos' em 1881. Voltou a estudar, desta vez no Liceu Francês e na Escola Politécnica, iniciando a formação em Medicina. Entretanto, colaborou frequentemente com a imprensa, escrevendo contos, crónicas, críticas literárias e teatrais, e redigiu entradas para dicionários e outras publicações. Chegou também a dar aulas. Terminado o curso em 1885, Fialho de Almeida nunca chegou a fazer a prática de médico - optando ao invés por se dedicar exclusivamente à escrita e à prática jornalística.

            Em 1889, um editor portuense (Alcino Aranha) atraído pelo estilo original e satírico de Fialho de Almeida, propôs-lhe a publicação mensal de uma crónica. Surgiu então, nesse ano, o primeiro fascículo d'Os Gatos, que se publicaria até 1894 - marcado por um tom crítico e satírico.

            Fialho de Almeida colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente nos jornais humorísticos Pontos nos ii (1885–1891) e A Comédia Portuguesa (fundado em 1888),e também nas revistas: Renascença (1878–1879?), A Mulher (1879), O Pantheon (1880–1881), Ribaltas e Gambiarras (1881), Branco e Negro (1896–1898), Brasil-Portugal (1899–1914), Serões (1901–1911) e, postumamente, na Revista de turismo iniciada em 1916. Também colaborou n' O Interesse Público, de que foi diretor literário (Lisboa, 1886), n' O Repórter (Porto, 1888), Revista de Portugal (Porto, 1889-1892), de Eça de Queirós, Ovos Moles e Mexilhões (Aveiro, 1893), Serões: revista mensal illustrada (Lisboa, 1901), Novidades (Lisboa, 1885) e Correio da Manhã (Rio de Janeiro, 1901). Usou o pseudónimo de «Valentim Demónio» em diversos artigos publicados na revista literária A Crónica, por ele fundada, e dirigida, em 1880.

            Distinguiu-se também como contista, publicando várias obras.

            Em 1893, na sequência do seu casamento com Emília Augusta Garcia Pego, alentejana e abastada proprietária rural, Fialho de Almeida foi residir para Cuba. Ela faleceu no ano seguinte, o que o levou a abandonar a vida do campo e a regressar à escrita. Viajou por Espanha, França, Suíça, Alemanha, Bélgica e Holanda. Criticou duramente o recém-implantado regime da República, antes de falecer em 4 de março de 1911, em Cuba.

            Archer, Maria.
            PT AHS-ICS MArcher · Pessoa singular · 1899 - 1982

            Maria Archer nasceu em Lisboa a 4 de janeiro de 1899. Foi a primeira de seis irmãos e começou cedo, a viajar com os pais e a acompanhá-los - Ilha de Moçambique (1910-13) e Guiné-Bissau (1916-18). Em 1921, vive em Faro com a família e aí casa com Alberto Passos, indo viver para o Ibo – Moçambique. Cinco anos depois regressam a Faro e de seguida vão para Vila Real, tendo o casamento durado apenas dez anos. Em 1932, parte para Angola, ao encontro de seus pais. Em Luanda, publica o seu primeiro livro - Três Mulheres (1935) – com o apoio de Pinto Quartin. Escreve para os jornais e vê-se confrontada com a incompreensão da própria família, designadamente aquando da publicação do romance Aristocratas (1945), uma vez que os elementos autobiográficos chocam os mais próximos de si. Em 1943, escreve com Branca de Gonta Colaço Memórias da Linha de Cascais. No mesmo ano publica uma apresentação sobre os Parques Infantis, a convite de Fernanda de Castro. Participa em várias conferências, em Lisboa e no Porto, e faz várias entrevistas como jornalista. Em 1955, parte para o Brasil, por considerar a censura como intolerável. Os livros Ida e Volta duma Caixa de Cigarros (1938) e Casa Sem Pão (1947) tinham sido proibidos. Conhecedora da situação africana, desde muito cedo compreende a tendência para a emancipação dos povos coloniais, no que se aproxima de Henrique Galvão, quer nas preocupações culturais, quer nas políticas. Acompanha, por isso, o julgamento do antigo fundador da Emissora Nacional, tornado crítico da política de Salazar em Angola, que decorreu no Tribunal Militar de Santa Clara. Defensora dos direitos das mulheres tem na sua escrita a afirmação clara da exigência do necessário reconhecimento de uma igualdade substancial, deixando na sua obra a marca indelével da afirmação da democracia.

            adaptado de A VIDA DOS LIVROS, Guilherme Oliveira Martins, 2022-01

            Barbosa, Orestes.
            Pessoa singular · 1893 - 1966

            Orestes Dias Barbosa - um dos maiores compositores brasileiros, também poeta, escritor, jornalista e letrista para o teatro - nasceu no Rio de Janeiro em 1893 e morreu na mesma cidade em 1966.

            Foi trabalhar como revisor do jornal O Mundo em 1911, iniciando a sua carreira jornalística. Exerceu várias funções em jornais como Diário de Notícias, A Gazeta, o Globo, A Notícia, A Noite, O Dia, A Imprensa. Por causa do seu trabalho foi preso várias vezes, o livro de crónicas Na Prisão (1922) reflete essas experiências. Foi também redator da Câmara Municipal do Rio, chegando a vice-diretor da mesma.

            Casou-se com Regina Nunes da Costa, em 1916, tendo um filho único.

            Em 1917 publicou os eu primeiro livro de poesia Penumbra Sagrada, seguido de Água-Marinha (1921). Publico também livros de crónicas e prosas como Bam-Bam-Bam (1923), Portugal de Perto! (1923), O Português no Brasil (1925) e O Pato Preto (1927), etc.

            Nos anos 30, iniciou a sua carreira na música popular. A primeira das suas obras foi a canção Bangalô (1930), em parceria com Osvaldo Santiago. Ao longo dessa década colaborou com J. Thomaz, Francisco Alvos, Noel Rosa, etc., na composição de uma série de sambas, marchas, 'fox-canções', entre outras. A sua parceria mais produtiva foi com o canto e compositor Silvio Caldas - Chão de Estrelas (1937) foi a sua canção mais popular. Na década de 40 também compôs várias canções, mas nos anos 50 diminuiu as suas atividades.

            Barros, João de.
            Pessoa singular · 1881-1960

            João de Barros foi um poeta, pedagogo e político português. Nasceu na Figueira da Foz, dia 4 de Fevereiro de 1881 e faleceu em Lisboa, dia 25 de Outubro de 1960.

            Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra.

            Em 1910 iniciou-se na Maçonaria, com o nome simbólico de João de Deus.

            Durante a 1ª República Portuguesa, foi um alto funcionário do Ministério da Instrução Pública, desempenhando as funções de chefe de repartição, diretor-geral do ensino primário, diretor-geral do ensino secundário e secretário-geral do ministério. Ligou também o seu nome, com o de João de Deus Ramos, à Reforma da Instrução Primária, de 29 de Março de 1911.

            Aderiu ao Partido Republicano Português, depois dito Partido Democrático, e nele se manteve até 1924, data em que aderiu ao Partido Republicano da Esquerda Democrática. Foi um dos últimos Ministros dos Negócios Estrangeiros da 1ª República.

            Defendeu a existência de relações culturais entre Portugal e o Brasil.

            A Ditadura MIlitar e o Estado Novo afastaram-no da vida política ativa, mas continuou a defender ideais republicanos, participando em diversas manifestações da Oposição Democrática e apoiando as candidaturas à presidência da República de Norton de Matos (1949) e Humberto Delgado (1958).

            Bastos, Rachel
            Pessoa singular · 1903-1984

            Rachel/Raquel Bastos Osório de Castro e Oliveira foi uma escritora e cantora portuguesa. Nasceu em 1903 e faleceu em 1984, em Lisboa.

            Soprano ligeiro, estudou no Conservatório Nacional e iniciou a sua carreira artística em 1923, no Coliseu dos Recreios, interpretando o papel de Gilda, do Rigoletto. O êxito levou-a a representar várias figuras principais de ópera italiana e nacional, tanto em palcos portugueses como brasileiros. Acabou por abandonar a ópera e dedicar-se apenas ao lied (género musical de origem alemã - canção a uma voz (ou mais) acompanhada por piano).

            Em 1930, casou com o escritor José Osório de Oliveira, filho de Ana de Castro Osório, o que possivelmente a incentivou a enveredar pela escrita.

            Conviveu de perto com Cecília Meireles e o seu marido, Correias Dias.

            Bragança, Pedro de Orléans e
            Pessoa singular · 1909-1981

            Descendente da família imperial brasileira, nasceu em França para onde a sua família se exilou após a abolição da monarquia, tendo regressado ao Brasil em 1945.

            Câmara, José Paulo da
            Pessoa singular · 1887-1939

            José Paulo da Câmara (Lisboa, 25 de Janeiro de 1887 - Campinas, Brasil, 1939) foi um poeta, dramaturgo e jornalista português. Filho do dramaturgo e escritor português D. João Maria Evangelista Gonçalves Zarco da Câmara e de D. Eugénia de Melo Breyner. Era irmão de Tomás da Câmara.

            Castro, José Maria Ferreira de.
            Pessoa singular · 1898-1974

            José Maria Ferreira de Castro (Ossela, Oliveira de Azeméis, 24 de maio de 1898 – Porto, 29 de junho de 1974) foi um escritor e jornalista português.

            Aos 12 anos, embarcou com destino a Belém do Pará, no Brasil. Ali viria a publicar o seu primeiro romance, Criminoso por Ambição, em 1916. Viveu em plena floresta amazónica durante quatro anos.

            Em 1930 publicou A Selva, obra que o tornou um escritor de dimensão internacional, tendo sido traduzida para 15 línguas. Por causa desta obra chegou a ser candidato a Prémio Nobel.

            Após o falecimento da esposa Diana Liz, Ferreira de Castro partiu para a Inglaterra de barco, na companhia do escritor Assis Esperança. Castro ficou doente, com septicemia, mas foi tratado pelo médico e historiador de arte Reynaldo dos Santos. Em consequência do estado de luto, em dezembro de 1931 Ferreira de Castro tentou cometer suicídio, mas sem sucesso. Partiu para a Madeira, onde escreveu o romance Eternidade (1933), cujo tema é a obsessão pela morte.

            Cortesão, Jaime.
            Pessoa singular · 1884-1960

            Jaime Cortesão (Ançã/Cantanhede, 29-4-1884 – Lisboa, 14-8-1960) foi um escritor português (poeta, ficcionista, dramaturga, e também escritor de viagens), além de crítico literário, político e professor.

            Filho do filólogo António Augusto Cortesão e de Norberta Cândida Zuzarte Cortesão, Cortesão iniciou os seus estudos em Coimbra, em Filologia Clássica e Direito. Pensou em seguir Belas-Artes, mas acabou por escolher Medicina, também em Coimbra. Transferiu-se em 1905 para a Escola Médico-cirúrgica do Porto onde se envolveu na militância estudantil.

            Participou na greve académica de 1907, que se opunha ao governo de João Franco. Nesse ano, Cortesão foi um dos co-fundadores da Nova Silva, uma revista de orientação anarquista. O seu percurso político inicia-se com a sua adesão ao Partido Republicano Português em 1908. É um dos principais impulsionadores do movimento “Renascença Portuguesa” (que nasceu a 1 de janeiro de 1912) - de ideal nacionalista, ligado a ideias sebastianistas. Associado a este movimento surgem publicações como A Águia - revista de orientação republicana, e A Vida Portuguesa, que era efetivamente o órgão de imprensa desse movimento, e que Cortesão dirige.

            Jaime Cortesão concluiu a sua licenciatura em Lisboa em 1910 - com a dissertação ‘A arte e a medicina (Antero de Quental e Sousa Martins)’. É também nesse ano que publicou a sua primeira poesia - A Morte da Águia. Casou em Coimbra, em 1912, com a sua prima Carolina Ferreira Cortesão.

            Exerceu como médico durante um curto espaço de tempo. Instalou-se então no Porto lecionando História e Literatura no Liceu Rodrigues de Freitas. Como diretor da Renascença Portuguesa, animou a criação das Universidades Populares. Participou na Junta Revolucionária do Porto, que derrotou a ditadura de Pimenta de Castro, foi então eleito em junho desse ano pelo Partido Democrático, empenhando-se na defesa da participação de Portugal na I Guerra. Ele próprio foi para a frente como médico miliciano voluntário, para a Flandres, sendo ferido. Em Portugal, foi preso três meses pelo governo de Sidónio Pais. Combateu também contra a tentativa de restauração monárquica de 1919 (Monarquia do Norte) - e por isso foi recompensado pelo governo republicano com a direção da Biblioteca Nacional.

            Colaborando com Raul Proença, iniciou-se no projeto da Seara Nova em 1921. A partir da BN promoveu a edição dos Anais das Bibliotecas e Arquivos e da revista Lusitânia.
            Já na Ditadura militar, participou numa tentativa de derrube do regime, e foi então afastado do cargo de diretor da BN. Viveu em exílio até 1940, em Espanha e em França, dedicando-se à produção de estudos historiográficos. Em Espanha, colaborou com republicanos portugueses exilados e a ditadura franquista fá-lo fugir de novo para França, mas perante a ocupação alemã, regressou a Portugal. É de novo preso agora pelo governo de Salazar, que declarou o seu exílio para o Brasil. Aí ficaria até 1957. Durante o longo período de exílio produziu vários estudos historiográficos, além de ser responsável por cursos universitários, exposições, conferências, etc.

            De regresso a Portugal, participou no Diretório Democrático-social, viu o seu nome indicado para candidato à presidência da República, convite que recusou e envolveu-se na campanha de Humberto Delgado.
            Em 1958, com 74 anos, foi preso no Forte de Caxias, juntamente com António Sérgio, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes, tendo sido libertado depois de uma forte campanha de indignação e protesto por parte da imprensa brasileira.

            Dantas, Júlio.
            Pessoa singular · 1876 - 1962

            Júlio Dantas (Lagos, 19 de Maio de 1876 – Lisboa, 25 de maio de 1962) foi um escritor, médico, político e diplomata português.

            Filho de Casimiro Augusto Vanez Dantas e de Maria Augusta Pereira de Eça, estudou no Colégio Militar em Lisboa e depois na Escola Médico-Cirúrgica dessa cidade, concluindo o curso em 1900. Daí passou a exercer Medicina no Exército, o que faria durante doze anos.

            Entretanto, iniciava a sua carreira como dramaturgo: em 1899, era feita a primeira produção de uma das suas peças de teatro "O que morreu de amor", no Teatro Dona Amélia. A Ceia dos Cardeais (1902) guarneceu-lhe grande popularidade, sendo reeditada até hoje. Além disso, com obra na sua peça 'A Severa' foi feito o primeiro filme sonoro em português. A peça 'Os crucificados' abordava a questão da homossexualidade, algo inovador na época.

            Iniciou a sua carreira política em 1905, sendo eleito deputado pelo Partido Progressista no círculo de Coimbra (1905). Em 1908, foi eleito sócio da Academia de Ciências de Lisboa - viria a ser seu presidente a partir de 1922.

            Foi nomeado Diretor da Secção Dramática do Conservatório Nacional (1909), em que também foi professor e organizador do respetivo museu.

            Em 1915, após a saída do segundo número da revista Orfeu, Dantas foi um dos críticos e opositores a este movimento literário. Por esse motivo, Almada Negreiros escreveu o conhecido Manifesto Anti-Dantas.

            Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros em três governos (1914, 1921-1922, 1923), de Instrução Pública (durante apenas 41 dias). Pertenceu ao Partido Reconstituinte (1920) e ao Partido Nacionalista (1923).

            Entre 1925 e 1928 foi o (primeiro) presidente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses (SECTP), que mais tarde daria origem à Sociedade Portuguesa de Autores.

            Em 1935 tornou-se procurador à Câmara Corporativa, cargo que deteria até 1961. Enveredou na carreira diplomática e , em 1941, foi enviado como embaixador especial ao Brasil e ficaria como embaixador permanente no Rio de Janeiro a partir de 1949.

            Como escritor, Júlio Dantas acabou conotado com o regime do Estado Novo: “Júlio Dantas passou, com algum fundamento, pelo ornamento beatificado do Estado Novo, exemplo clássico do escritor conformista ao serviço de um regime que o promoveu e com ele se promoveu" (Dicionário Cronológico de Autores Portugueses). No entanto, algumas das suas obras revelam um caráter mais complexo.

            Casou civilmente em 1942 com Maria Isabel Penedo Cardoso e Silva.

            Delgado, Humberto.
            Pessoa singular · 1906-1965

            Humberto da Silva Delgado (Torres Novas, Brogueira, Boquilobo, 15 de maio de 1906 – Los Almerines, Espanha, 13 de fevereiro de 1965) foi um militar português da Força Aérea que corporizou o principal movimento de tentativa de derrube do regime salazarista através de eleições, tendo contudo sido derrotado nas urnas, num processo eleitoral reconhecidamente fraudulento, onde não houve fiscalização pela parte da oposição, que deu a vitória ao candidato do regime, Américo Tomás. Ficou popularmente conhecido como o General sem Medo.

            Leal, Carlos
            Pessoa singular · 1878-1964

            Carlos Leal (Lisboa, 17/12/1878 – ?/?/1964) foi um ator português que se destacou na representação de revistas. Também colaborou ou escreveu as suas próprias revistas, assinou três volumes de memórias e colaborou com vários jornais.

            No início da sua carreira, Leal passou por vários palcos, como o Teatro da Trindade (1896), Teatro D. Amélia, Teatro da Rua dos Condes - onde permaneceu até 1902. A partir de 1903, iniciou-se na companhia do Teatro do Ginásio, e em 1906 trabalhou na Companhia Dramática de Lisboa, fazendo uma digressão pelo país.

            O seu sucesso viria no género musicado, como no Teatro do Príncipe Real com Ó da guarda (1907). Em 1909, no Teatro Avenida, desempenha um papel na opereta de André Brun A Severa. Passa de novo para o Trindade.
            Em 1910, regressou ao Príncipe Real, explorado por Luís Ruas, atuando na revista Sol e Sombras, ano da sua terceira digressão ao Brasil.

            Volta ao Brasil em 1911 com a companhia do Teatro Apolo, e apresentou-se no Rio de Janeiro com a empresa de Pascoal Segreto com Já te pintei! revista na qual se estrou como co-autor, seguidas de outras da sua co-autoria como A bomba, Braga por um canudo, Aguenta aí!, De três assobios, No país do sol e Pé de dança.

            Em 1913, integrou uma entrevista de grande sucesso, O 31, fazendo papel d’O 17 (um polícia da província). A partir de 1915, apresentou-se num repertório misto de drama e revista, trabalhou no Éden Teatro com a empresa de Luís Galhardo.

            Leal é sócio da ACAD e será impulsionador do sindicato que lhe segue a ACTT, ocupando o cargo de presidente.

            Colaborou toda a década de 20 com António de Macedo num repertório, sobretudo, de revista, mas também de opereta, levado ao palco de vários espaços tutelados pelo referido empresário: Éden Teatro, Coliseu dos Recreios, Chiado Terrasse, Teatro Maria Vitória/Parque Mayer e Palácio Foz, e, inclusivamente, aos palcos do Porto e do Brasil, para onde segue, em 1920, com a Companhia de Revistas Carlos Leal. Nesta fase, acumulou também a “direção artística” de alguns espetáculos. A colaboração com António de Macedo terminou no final da década.

            Na década de 40, integrou a Companhia do Teatro Variedades – Artistas Associados, coletivo que explora, em parceria com António de Macedo, o teatro do mesmo nome, no Parque Mayer, apresentando-se, também, no Teatro Apolo e no Teatro Avenida (com a Companhia do Teatro Avenida), em revistas e operetas dirigidas por Rosa Mateus.

            A récita de despedida de Carlos Leal deu-se no Teatro Politeama, no dia 4 de Junho de 1952, com o espetáculo O Clube dos Salsas, evocativo da revista O 31, voltando o ator a desempenhar, O 17.

            Lima, Sebastião de Magalhães.
            Pessoa singular · 1850-1928

            Sebastião de Magalhães Lima (Santos, 30 Maio 1850 — Lisboa, 7 Dezembro 1928) foi um advogado, jornalista, político e escritor português, fundador do jornal O Século. Defensor de republicanismo com pendor a um socialismo utópico, fez parte da chamada Geração de 70 e foi durante largos anos grão-mestre da Maçonaria portuguesa, presidindo aos destinos da organização aquando do Golpe de 28 de Maio de 1926 e do desencadear das perseguições que levariam à sua posterior ilegalização durante o regime do Estado Novo.

            A defesa de um ideal republicano e a propaganda antidinástica e anticlerical estão patentes na sua produção escrita e jornalística, bem como na sua acção cultural e cívica (Garnel, Maria Rita Lino).

            A primeira mensagem que passou ao conselho do Grande Oriente Lusitano Unido, em 4 de Maio de 1906, logo após ter sido eleito seu dirigente e anteriormente à Implantação de República Portuguesa, foi: "impor a revolução laicista como linha oficial da maçonaria".