Charles Jean-Marie Letourneau (23 de setembro de 1831, Auray (Morbihan) — 21 de fevereiro de 1902, Paris) foi um antropólogo, livre-pensador e membro da comuna de Paris.
Iniciou os estudos de medicina, mas abandonou-os em 1860, ingressando em 1865 na Sociedade de Antropologia de Paris. Antes da guerra, conviveu com os principais representantes do Livre-pensamento francês, materialistas e ateus, como Albert Regnard e Louis Asseline, no âmbito do jornal La Pensée Nouvelle (anteriormente La Libre Pensée).
Em 1871, quando eclodiu a guerra com a Prússia, Letourneau foi recrutado durante o cerco de Paris e tornou-se médico-chefe num regimento. Em 1871, juntou-se à Comuna de Paris, exercendo funções de médico junto dos communards. Após a repressão da Comuna, partiu para o exílio em Florença, com a sua família, onde se formou em antropologia evolucionista. Regressou a França em 1878, mantendo contacto com numerosos socialistas revolucionários, como Piotr Lavrov. Em 1886, inaugurou um curso sobre história das civilizações na Escola de Antropologia de Paris.
Inicialmente presidente da Sociedade de Antropologia de Paris, tornou-se em 1886 o seu secretário-geral, cargo que ocupou até à sua morte. Sucedeu assim a Paul Broca, que tinha ocupado o cargo até 1880. Foi o tradutor para a língua francesa de Ernst Haeckel, bem como de uma obra de Ludwig Büchner.