Eleições (1949)

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          5 Pessoas, Entidades resultados para Eleições (1949)

          Caraça, Bento de Jesus.
          Pessoa singular · 1901-1948

          Bento de Jesus Caraça nasceu em Vila Viçosa a 18 de Abril de 1901. Era filho dos trabalhadores rurais João António Caraça e Domingas da Conceição Espadinha. Revelou desde muito cedo uma grande capacidade e rapidez de aprendizagem que fizeram com que os seus estudos fossem apoiados pela família Albuquerque, de quem o pai de Caraça era feitor, em Vila Viçosa. Completou a sua instrução primária em 1911, tendo ido então para o Liceu de Sá da Bandeira, em Santarém, Aos 13 anos mudou-se para Lisboa, onde concluiu os seus estudos do ensino secundário em 1918, no Liceu Pedro Nunes.

          Matriculou-se em 1918 no Instituto Superior de Comércio, posteriormente designado Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (I.S.C.E.F.), actual Instituto Superior de Economia e Gestão (I.S.E.G.). Concluiu a licenciatura em 1923. Entretanto, a partir de 1919, era 2º assistente do 1º grupo de cadeiras do ISCEF. Terminada a licenciatura em 1923, foi nomeado 1º assistente em 13 de Dezembro de 1924, tendo no ano lectivo de 1924-1925 regido a cadeira de «Matemáticas Superiores - Análise Infinitesimal, Cálculo das Probabilidades e suas Aplicações». Em 1927 foi nomeado professor extraordinário e, em 28 de Dezembro de 1930, foi nomeado professor catedrático da cadeira de «Matemáticas Superiores - Álgebra Superior. Princípios de Análise Infinitesimal. Geometria Analítica». Manteve a regência desta cadeira até à sua demissão compulsiva em 7 de Outubro de 1946.

          A par da sua carreira académica, Bento Caraça desenvolveu uma intensa actividade política em acções contra o regime ditatorial de Oliveira Salazar (1889-1970), quer a nível clandestino, quer em movimentos legais e semi-legais. Foi membro da Liga Portuguesa contra a Guerra e o Fascismo, criada em 1934, do Movimento de Unidade Anti-Fascista (MUNAF), de que foi fundador em 1943, e do Movimento de Unidade Democrática (MUD), fazendo parte da sua comissão central em 1945. Em Setembro de 1946 foi-lhe instaurado um processo disciplinar pelo Ministro da Educação, na sequência da assinatura de um manifesto contra a admissão de Portugal na ONU. Em seguida foi expulso da cátedra universitária, sendo-lhe proibida a docência, no ensino público ou privado. Em Outubro desse ano foi preso pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), o que aconteceu de novo em Dezembro. Em 1948 foi preso pela terceira vez, juntamente com outros membros do MUD, que entretanto foi proibido. Interveio activamente na preparação da candidatura de Norton de Matos (1867-1955) à Presidência da República e em 25 de Junho morreu em sua casa.

          Lamas, Maria.
          Pessoa singular · 1883-1993

          Nasceu no fim do século XIX (1893), numa pacata vila da província portuguesa do Ribatejo, em Torres Novas, e viveu quase todo o século XX. Morreu em Lisboa, em 1983, com noventa anos por fazer. Filha de pai republicano e maçon, que a orientou nas leituras, e de mãe católica e muito piedosa, teve duas irmãs e um irmão mais velho, Vassalo e Silva, que viria a ser o último Governador da Índia Portuguesa.

          Militou civicamente e convictamente por uma plena igualdade das mulheres, igualdade que defendia baseada na educação e na independência económica, através do exercício de uma profissão ou de um ofício. Quando o século XX chegou, encontrou-a num colégio de freiras espanholas, as Teresianas, que lhe deixaram marcas perenes do cristianismo universal e misticismo erudito. Muito nova, casa por amor, (1911) com um jovem oficial do exército republicano (Teófilo Ribeiro da Fonseca). Grávida, não hesita em acompanhar o marido, em missão num presídio militar, no inóspito interior de Angola. Regressa a Portugal (1914) porém, sozinha, com uma filha pela mão e já de novo grávida, disposta ao divórcio e a lutar pela vida, o que fez desalmadamente.

          Foi uma das primeiras mulheres jornalistas profissionais, iniciando-se na Agência Americana de Notícias pela mão da jornalista Virgínia Quaresma, com salário, horário e hierarquia. Volta a casar (1921) com um colega de profissão, monárquico (Alfredo da Cunha Lamas), num casamento algo turbulento que dura pouco, embora fique para sempre com o apelido Lamas, e com uma dedicadíssima filha (1922-2007), Maria Cândida Caeiro.

          O bem e a verdade. A igualdade e a felicidade. A liberdade e a justiça. A fraternidade. São valores pelos quais luta, abnegadamente. Inclui a seriedade e a sinceridade. Fala insistentemente no direito à felicidade. Quer uma sociedade mais justa, uma democracia plena, “uma política humana”. Tem fé no progresso e na humanidade. Foi uma humanista convicta. A luta pela dignificação e a emancipação da mulher, causa que sempre perseguiu, em várias frentes, inscreve-a na luta geral pelos direitos humanos. Fez da exigência intelectual uma característica específica do feminismo português, consagrada explicitamente no Programa do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), divulgado em 1946; era, então, Presidente eleita dessa Associação Feminista, criada em 1914, pela médica obstetra Adelaide Cabete. Integrou esta Associação com cargos de coordenação, desde 1936.

          A sua atividade libertadora de consciências e de identidade e de intervenção cívica era muita. Comunga ideais e atividades com corajosos portugueses oposicionistas. Nos anos 40, adere ao Movimento Democrático Nacional (MDN) e ao Movimento de Unidade Democrática (MUD). Participa ativamente na Campanha do General Norton de Matos à Presidência intervindo sempre também em outras campanhas eleitorais. As suas atividades eram consideradas subversivas e o seu trabalho junto das mulheres foi considerado dispensável. Perseguida pela ditadura, presa, por três vezes, parte para o exílio, por duas vezes, em Paris,”uma cidade onde andar na rua é como andar numa universidade”. No exílio, o mais longo durou de junho de 1962 a dezembro de 1969, muito depois dos 60 anos de idade, conhece um período intenso e solidário de cidadania democrática internacional, em tempos de Guerra Fria. Acolhia, participava e intervinha na generalidade das atividades da Oposição Portuguesa à Ditadura, tendo conhecido os maiores vultos políticos nacionais e internacionais do século XX.

          Nos anos 50 e 60, correu o mundo em Congressos, Seminários e Conferências pelos Direitos das Mulheres e pela Paz cuja Comissão Nacional dirigiu, numa militância incansável, normalmente com estatuto de delegada e dirigente. Conheceu, então, só então, muitos países, muitos povos muitas culturas. Em Paris, viveu sempre, em contacto com o mundo, num pequeno e modestíssimo quarto de um simpático Hotel, em pleno Quartier Latin, o bairro dos estudantes, como se fosse um deles. Da sua janela, assistiu, empolgada, a muitas manifestações do maio de 68.

          De regresso a Portugal, em 1969, será alvo de uma homenagem, promovida pelo jornal República, na Casa da Imprensa. A primeira homenagem promovida pelos seus pares foi em 1947, na Casa do Alentejo, quando sai do Modas e Bordados e fica sem emprego à vie, e sem casa própria. Adere, pela mão de sua filha Cândida, aos 80 anos, após o 25 abril de 74, ao Partido Comunista Português. Foi eleita Presidente Honorária do Movimento Democrático das Mulheres. Foi Diretora Honorária da Revista Modas e Bordados, e, mais tarde, da Revista Mulheres. Em 1980 é agraciada com o Grau de Oficial da Ordem da Liberdade. Em 1982 é homenageada pela Assembleia da República. Em 1983 recebe a Medalha Eugénie Cotton, da Fédération Démocratique Internacionale dês Femmes (FDIM).

          Como herança intelectual deixou muita obra feita e um nome respeitado e prestigiado na História do Portugal Contemporâneo e na História das Mulheres que começou a fazer e a escrever, sendo na área, também, uma investigadora pioneira. Na História da Imprensa Feminina tem lugar cativo e de relevo, também como repórter fotográfica, embora pontualmente. Nunca se declarou feminista, embora o fosse.

          Maria Lamas, um nome de mulher, no mundo dos homens, uma investigadora autodidata, na história das Mulheres do Portugal contemporâneo. Uma mulher que fez história, foi uma combatente e uma lutadora resistente, que entrou na História como cidadã e que escreveu História como autora. Uma portuguesa, notável, uma cidadã europeia do século XX.
          Maria Antónia Fiadeiro

          Matos, José Norton de.
          Pessoa singular · 1867-1955

          José Mendes Ribeiro Norton de Matos nasceu a 23 de março de 1867 em Santa Maria dos Anjos, Ponte de Lima, local onde foi batizado a 23 de abril do mesmo ano. Descendente de Norton por parte do pai e de Matos Prego pelo lado materno, José Norton de Matos era filho de Tomás Mendes Norton, Comendador da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, natural de Viana do Castelo, e de Emília da Conceição de Matos Prego e Sousa, natural da freguesia da Queijada em Ponte de Lima, ambos proprietários, recebidos na Igreja de Santa Maria de Refóios do Lima e moradores na Rua D. Pedro (atual Rua General Norton de Matos em Ponte de Lima).
          Ingressou em 1884 na Universidade de Coimbra onde completou o 3.º ano do curso de Matemática e, posteriormente, assentou praça no Regimento de Infantaria 23. Entrou no ano de 1888 na Escola de Guerra em Lisboa na qual concluiu o curso de Estado-Maior.
          A 22 de novembro de 1896 nasce a sua filha de nome Rita Norton de Matos, fruto da sua relação com Ester Newton Pereira, com quem casou por procuração a 12 de fevereiro de 1905.
          Relativamente à sua vida profissional, o General Norton de Matos exerceu ao longo da sua vida cargos de natureza diversa mas sempre com elevada responsabilidade, que vão desde Professor a Governador-Geral e Escritor. Iniciou a sua atividade na Índia para onde partiu em 1898 para montar, organizar e dirigir os Serviços de Agrimensura, de Cadastro e da Carta Agrícola. Deste modo, foi diretor da Repartição de Agrimensura do Estado da Índia, trabalhou nos Serviços de Geodésia e Cadastro (parte da Repartição de Agrimensura), na execução da triangulação secundária do território e do cadastro predial, rural e urbano; exerceu funções como administrador das Matas, diretor das Obras Públicas, membro do Conselho do Governo, na delimitação de territórios; foi ainda encarregado de várias missões à Índia Inglesa com vários objetivos (ex. estudo da organização do cadastro, de instrução técnica e de outros serviços da administração inglesa). Em dezembro de 1907 foi nomeado Provedor da Santa Casa da Misericórdia em Goa. Regressa em outubro de 1908 a Portugal, após dez anos ausente da então metrópole.
          Poucos meses após ter regressado, foi nomeado por decreto a 25 de fevereiro de 1909, secretário da Missão Diplomática em Macau presidida por Joaquim Machado, integrado na Comissão para a Delimitação de Macau e suas dependências. Embarcou para o desempenho das suas funções a 20 de maio de 1909 com destino a Hong Kong tendo regressado apenas em 17 de março de 1910 novamente para Portugal onde exerceu serviço no Corpo de Estado-Maior. A 30 de maio de 1910 foi eleito sócio efetivo da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses e em novembro de 1911 ocupou o lugar anteriormente deixado por Ernesto Jardim Vilhena no cargo de Vice-Presidente da União Colonial Portuguesa. Nesse mesmo ano foi promovido a major e nomeado, após concurso, para professor do Instituto Superior Técnico onde lecionou as cadeiras de Geometria Analítica e Geodesia/Topografia. Durante esse período de tempo manifestou interesse em se integrar na vida política, expresso depois na sua filiação no Partido Republicano Português e assumido como um dos sócios fundadores do Centro Democrático Republicano.
          É em 1912 que se volta a ausentar da metrópole quando, a 18 de abril de 1912 viu ratificado a sua nomeação como Governador-Geral de Angola, cargo que veio a desempenhar até abril de 1915, após ter despoletado aquela que viria a ser a Primeira Guerra Mundial. Neste clima, parte de Angola para a metrópole para assumir por um curto período de tempo a pasta do Ministério das Colónias, entre junho e julho desse mesmo ano. Assumiu também, de forma interina, a pasta do Ministério dos Negócios Estrangeiros, nomeado para esse efeito a 26 de outubro de 1915 e novamente em junho de 1916, abrangendo dois governos distintos: o de José de Castro e o de António José de Almeida. Entre 19 de junho de 1915 e 22 de julho de 1915 foi Ministro os Negócios Estrangeiros de Portugal; e por fim a de Presidente do Ministério em momentos distintos de outubro e dezembro de 1917.
          Foi, no entanto, que no desempenho de Ministro da Guerra assumiu um maior relevo com decisões históricas e que marcaram o país. Iniciou a sua atividade a 22 de julho de 1915 e continuamente se manteve até ao Golpe de Estado de Dezembro de 1917.
          Nesse âmbito, devido ao período sidonista em que Portugal acabara de entrar, Norton de Matos seguiu exilado para Londres onde permaneceu até 1919. Nesse período de tempo envolvera-se em empresas privadas como agente da Empresa de Construções Navais Lda. (1918-1922) de José Branco e de outros associados, com sede em Lisboa e estaleiros em Viana do Castelo. Também se envolveu num projeto ligado à aviação que consistia na criação de um serviço comercial para Portugal e colónias, em associação com a firma Fernandes, Bragança e Pereira, Lda.
          Finalmente, após dois anos, regressa novamente a Portugal e é prontamente nomeado Delegado Português na Conferência da Paz, a convite de Afonso Costa.
          Em 1920 é nomeado Alto-Comissário da República em Angola, tendo assumido funções a 16 de abril de 1921 onde permaneceu até 1924.
          De regresso de uma forma conturbada, foi em 1 de julho de 1924 nomeado Embaixador de Portugal em Londres, lugar que ocupou até 1926.
          Maçónico desde 1912, data em que foi iniciado na Loja Pátria e Liberdade com o nome de Danton, foi progressivamente subindo nos degraus do Grande Oriente Lusitano, até atingir a 30 de abril de 1930 a posição de Grão-Mestre da Maçonaria, lugar em que se manteve até 1935, na véspera da publicação da chamada "Lei das Associações Secretas".
          Após uma década afastado da vida política, voltou ao ativo com a apresentação da candidatura à Presidência da República em 1948, cujas eleições vieram a decorrer em 13 de fevereiro de 1949. O opositor Norton de Matos acabou por desistir dias antes da candidatura, dando assim o lugar de vitória ao Marechal Óscar Carmona.
          Faleceu a 2 de janeiro de 1955 na sua casa de Ponte de Lima.

          Morais, Manuel Alfredo Tito de.
          Pessoa singular · 1910 - 1999

          Engenheiro eletrotécnico e político português. Opositor ao

          Pereira, Carlos Veiga.
          Pessoa singular · 1927-2018

          Nasceu a 6 de março de 1927, em Sumbe (antigo Novo Redondo), Angola. Jornalista, militante da luta pela Liberdade e Democracia e da causa da independência das colónias. Falecido a 29 de dezembro de 2018.