Espanha
8 Pessoas, Entidades resultados para Espanha
Francisco Giner de Los Ríos (10 de outubro 1839, Ronda ou Málaga — 17 de fevereiro 1915, Madrid) foi um filósofo, crítico literário e educador espanhol, e um dos representantes do krausismo em Espanha durante o século XIX. O krausismo era um movimento educativo e filosófico baseado nos ensinamentos do filósofo alemão Karl Krause. Fundou em 1876, a Institución Libre de Enseñanza, uma instituição independente da influência da Igreja e do Estado.
Joan Montseny i Carret (Reus, 19 de agosto de 1864 - Salon-de-Provence, 12 de março de 1942), também conhecido pelo pseudónimo Federico Urales, foi um anarquista catalão.
Originalmente um tanoeiro, liderou um sindicato da sua profissão na década de 1880. Estudou para se tornar professor e chefiou uma escola na sua terra natal em 1891. A sua atividade política no movimento anarquista levou a que fosse preso várias vezes, e ao seu envolvimento no julgamento de Montjuïc - que levou ao seu exílio para Londres em 1897. Mais tarde nesse ano regressou ilegalmente a Madrid, para tentar que o julgamento fosse revisto.
Tornou-se jornalista, trabalhando no El Progreso, de Alejando Lerroux. Fundou os periódicos La Revista Blanca (1898) e Tierra y Libertad (1902) (esta última começou por ser um suplemento da Revista Blanca). A revista cessou a sua publicação em 1905.
Dividia o seu tempo entre Madrid e Barcelona, escrevendo para o jornal de Miguel Moya El Liberal. Defendeu Francisco Ferrer no caso Morral, e escreveu livros para a Escola Moderna de Ferrer, incluindo o romance em castelhano Sembrando Flores (1906). Na administração de Primo de Rivera, reiniciou La Revista Blanca, que dirigiu entre 1923 e 1936. Começou a revista semanal El Luchador (1931-1933).
Ele seguia um anarquismo individualista, exemplar do "anarquismo sem adjetivos". Ele apoiou, mas não se juntou à Federación Anarquista Ibérica durante a Segunda República. Ele influenciou a CNT (Confederación Nacional del Trabajo) como membro da Frente Popular em 1936, e através da sua filha Federica Montseny, que trabalhou no gabinete de Francisco Largo Caballero. Montseny foi para o exílio em França em 1939.
A sua esposa era Teresa Mañé, conhecida pelo pseudónimo Soledad Gustavo.
Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Santa Cruz, Praia da Vitória, 19 de dezembro de 1901 – Prazeres, Lisboa, 20 de fevereiro de 1978) foi um poeta, romancista, cronista, académico e intelectual português.
Na infância, teve fraco desempenho na escolaridade, tendo sido expulso do Liceu de Angra, e reprovado no quinto ano. Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria. Concluiu o liceu em Coimbra, em 1921, e inscreveu-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica da mesma Faculdade.
Na primeira viagem que fez a Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conhece Miguel Unamuno, escritor e filósofo espanhol (1864–1936). Nesse mesmo ano foi iniciado na Maçonaria.
Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, no ano seguinte, concluiu o curso de Filologia Românica, com elevadas classificações, começando desde logo a lecionar literatura italiana.
Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio. Entre 1937 e 1939 lecionou na Vrije Universiteit Brussel, tendo regressado depois ao ensino na Faculdade de Letras de Lisboa.
Em 1958 lecionou no Brasil. A 12 de setembro de 1971, atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde ensinara durante quase quatro décadas, passando a ser Catedrático Jubilado.
Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de dezembro de 1975 a 25 de outubro de 1976.
Fabían Palasí (La Hoz de La Vieja (Teruel), 29 de janeiro de 1848 — Barcelona, 9 de novembro de 1927) foi uma figura chave do livre-pensamento espanhol do século XX.
Era maçon, tendo feito parte da loja de Zaragoza Luz e Trabalho. Também esteve envolvido no espiritismo.
Em 1868 ingressou no serviço militar e no ano seguinte pediu entrada na Guardia Civil. No instituto armado conseguiu o título de mestre de educação primária. Conseguiu um lugar como professor nas Baleares, mas ao saber da criação de escolas nas prisões passou depois para o Presidio Peninsular de Sevilha. Em 1880, foi para a escola da prisão de Zaragoza.
Aí se iniciou no espiritismo — que era um movimento ativo naquela cidade. As suas associações ao espiritismo valer-lhe-iam alguns problemas, já que depois de duas revoltas em anos consecutivos de um grupo de presos contra o cumprimento da Páscoa, Palasí foi denunciado ao arcebispo, foi então acusado pelo Governo Civil de ser espiritista e livre-pensador. Ele era então Secretário da Sociedade de Estudos Psicológicos (um grupo espiritista). Perdeu o posto porque se recusou a declarar-se católico (1885).
Em julho desse ano já era diretor de uma escola laica de meninas, e no ano seguinte numa de meninos. Em 1895, mudou-se para Sabadell, para a escola Institución Libre de Enseñanza, onde permaneceu doze anos.
Ao contrário de Ferrer, não defendia o anarquismo, mas somente o ensino laico e racionalista.
António Sérgio de Sousa Júnior (Damão (Índia), 3 de setembro de 1883 – São Domingos de Benfica, Lisboa, 24 de janeiro de 1969) foi um pedagogo, jornalista, sociólogo, historiador e político português.
Aos 3 anos mudou-se com a família para o Protetorado de Cabinda, quando o pai foi nomeado Governador dessa região administrativa. Viveu aí até aos 10 anos, altura em que regressou com a família a Lisboa. Seguindo uma linhagem de familiares militares, estudou no Colégio Militar e depois na Escola Politécnica e na Escola Naval.
Como guarda-marinha em 1904, seguiu para Macau onde chegou em janeiro de 1905 e permaneceu até novembro de 1905, em 1906 viajou até New Castle e de seguida para Cabo Verde onde ficou até maio de 1907. Em março desse ano, havia sido promovido a segundo-tenente e, em julho, foi colocado no Corpo de Marinheiros da Armada, em Lisboa. Em 1908, publicou o seu primeiro livro: Rimas.
Em 1910, logo após a implantação da República, foi preso pela primeira vez, tendo a prisão durado 3 dias. Na mesma altura, pediu licença ilimitada da Marinha.
Ainda nesse ano, fundou, com Jaime Cortesão, Raul Proença e outros, a Renascença Gráfica, de onde surgiu a Renascença Portuguesa, participa na fundação da Sociedade de Estudos Pedagógicos.Data desse ano o seu casamento com Luísa Estefânia Gerschey da Silva.
Começou nessa época a colaborar numa editora, à qual se refere como a “Companhia Americana”, assim como um seu representante (ou proprietário), Warren F. Kellog
Em janeiro de 1911, tornou-se diretor literário da revista Serões. Iniciou a sua colaboração na revista A Águia, a qual se manterá até 1932, tendo publicado 47 artigos. Tentou criar, sem sucesso, uma Universidade Popular em Lisboa, ligada à Renascença Portuguesa, como as do Porto e Coimbra. Em 1912, candidatou-se, sem sucesso, com o trabalho Notas sobre os sonetos e as tendências geraes da philosophia de Anthero de Quental, ao lugar de 1.º assistente de Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa.
Na sequência de um convite de Warren F. Kellog, partiu para o Brasil, em 27 de janeiro de 1913, na companhia da esposa, de onde regressará pouco mais de um ano depois, em fevereiro de 1914, regressando à Europa. Em abril, foi para Genebra e inscreveu-se, conjuntamente com a sua mulher, como aluno no Instituto Jean-Jacques Rousseau.
Em março de 1918 fundou e dirigiu a revista Pela Grei. Nesse ano elaborou, em conjunto com Celestino da Costa, o projeto de uma «Junta» cuja função seria «criar focos para a reforma da cultura em Portugal». A revista tem inicialmente uma identificação com as linhas políticas oferecidas por Sidónio Pais, que alimentavam o sonho de um ”ressurgimento nacional”. Quando o novo regime sidonista se revelou como opressor e antiliberal, essa aproximação cessou.
Regressou ao Brasil em 1919, onde, no ano seguinte, adquire, em conjunto com Álvaro Pinto, uma tipografia e fundaram a editora Anuário do Brasil e a revista Terra de Sol. Por questões de saúde, regressou à Europa.
Em abril de 1923 passou a fazer parte da revista Seara Nova, colaboração que irá perdurar até 1956.
Tornou-se Ministro da Instrução Pública a 18 de dezembro de 1923, função que exercerá até 28 de fevereiro de 1924. Neste curto período, criou o Instituto Português para o estudo do Cancro e a Junta de Orientação dos Estudos (este último acabaria por não se concretizar na prática), tendo também tentado criar um «Cinema educativo» e o «Ensino especial»
Com a instauração da Ditadura Militar iniciou-se um período de oposição ao regime. Em janeiro de 1927, para não ser preso, vê-se forçado a abandonar o país - indo para o exílio em Paris. Logo em março, participou na formação da Liga de Defesa da República (mais conhecida como Liga de Paris), tornando-se um dos seus dirigentes, ao lado de Afonso Costa, Álvaro de Castro, José Domingues dos Santos e Jaime Cortesão, todos exilados. Em 1933 foi para Universidade de Santiago de Compostela a reger os cursos livres de História de Portugal e de Literatura Portuguesa, onde ficou por um ano, até ser amnistiado e poder regressar a Portugal
No dia 27 de agosto de 1935 foi preso pela PVDE, passou pela cadeia do Limoeiro e pelo Aljube. No dia 21 de dezembro foi “posto na fronteira, por ter sido banido do Território Nacional por tempo indeterminado”. Ficou exilado em Madrid até, em 1936, regressar a Lisboa com nova amnistia. Em 1941 a sua História de Portugal é apreendida pela censura.
Em Maio de 1946 formou a Frente Socialista com Ramada Curto, Carlos Sardinha e Castanheira Lobo. Integrou o Comité Português Pró Palestina, datando deste ano a primeira documentação referente a este assunto.
Em Fevereiro de 1947, em conjunto com Norton de Matos, Mário de Azevedo Gomes e Bento de Jesus Caraça, envia cartas exigindo um inquérito ao Tarrafal (boletim do Movimento de Unidade Democrática). Em 15-03-1948 foi um dos signatários da "Representação ao Governo do Movimento de Unidade Democrática". Comunicado da Comissão Central do MUD - reclamação sobre a ilegalização do MUD. Em 1949, no seguimento da desistência do general Norton de Matos das eleições presidenciais cria, com Mário de Azevedo Gomes e Jaime Cortesão, o DDS – Directório Democrato-Social – Organização política da oposição republicana liberal.
Em 1951 desenha e dirige o Boletim Cooperativista (durará até maio de 1975, embora Sérgio se afaste no ano de 1958).
No seguimento da candidatura presidencial do almirante Quintão Meireles cria, juntamente com Jaime Cortesão, Raul Rêgo, Acácio Gouveia, entre outros, a Acção Democrato-Social (ADS).
Em maio de 1953 cria a Comissão Promotora de Voto, com o objetivo de conseguir garantias quanto ao recenseamento dos eleitores e quanto às próprias operações do acto eleitoral.
Em dezembro de 1955 é criada a Unicoope, tendo António Sérgio como o seu principal dinamizador.
Em 1958 aparece no lançamento, organização e direção da campanha presidencial de Humberto Delgado. A 26 de novembro de 1958 é anunciado, através dos jornais, numa nota oficiosa do Governo que António Sérgio, Jaime Cortesão, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes foram detidos para averiguações, (foram libertados dois dias depois).
Em 1959 a Editorial Labor publica uma 2ª edição da História de Portugal de António Sérgio, sem autorização deste. A Editorial mandou rever o texto sem consultar o autor e acrescentou páginas como sendo da autoria de Sérgio, nas quais os regimes vigentes em Portugal e Espanha eram largamente elogiados. Este acontecimento, somado ao fracasso da candidatura de Humberto Delgado revelaram-se golpes demasiado duros para Sérgio, levando-o a sofrer um esgotamento. O falecimento da sua esposa, companheira de vida a 29 de fevereiro de 1960 muito o afetou e contribuiu para o seu declínio.
Faleceu a 24 de janeiro de 1969, na Casa de Saúde da Cruz Vermelha, em Lisboa.
António de Castro e Silva nasceu em 1890 em S. João da Foz do Douro, concelho do Porto.
Participou na I Guerra Mundial, tendo combatido nas Campanhas do Sul de Angola (1915) e no Corpo Expedicionário Português em França (1917) enquanto Alferes-Instrutor.
Em 1919, participou no movimento contrarrevolucionário conhecido como "Monarquia do Norte" , tendo sido afastado do efetivo do Exército.
Nos anos seguintes, dedicou-se à eletrotecnia, tendo dirigido a eletrificação de Ponta Delgada (1924) e Covilhã (1928).
Só em 1931 voltaria a exercer funções oficiais, entrando em dezembro para a Polícia Internacional Portuguesa (PIP) no Porto. Transferido para Lisboa em 1934, desempenhou diversas funções na Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) enquanto inspetor-adjunto, sendo o oficial encarregue durante alguns anos, pela segurança pessoal de António de Oliveira Salazar.
Em abril de 1938 parte para Espanha para combater na Guerra Civil ao lado das tropas de Franco, tendo sido incorporado na Legião Espanhola e comandado a 63ª Companhia da Legião, que fazia parte da 16ª Bandera.
Regressaria a Portugal em Agosto do mesmo ano, reintegrando a PVDE e ficando, a título provisório, a cargo da direção da Delegação da PVDE no Porto. De volta a Lisboa, desempenhou funções no Serviço de Estrangeiro e, mais tarde, nos serviços-gerais e radiotransmissões da PVDE.
Em maio de 1948 é nomeado subdiretor da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) para a Subdiretoria de Lisboa. Viria a aposentar-se em 1950.