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            Buen y del Cos, Odón de
            Pessoa singular · 1863-1945

            Odón de Buen y del Cos - naturalista espanhol, considerado o fundador da oceanografia espanhola - nasceu em Zuera, Espanha, dia 18 de novembro de 1863 e faleceu na Cidade do México, 3 de maio de 1945.

            Filho de Mariano de Buen y Ropín e de Petra del Cos y Corroza, iniciou os estudos na Universidade de Zaragoza, indo depois estudar Ciências, Secção de Naturais, em Madrid. Em 1889 obteve a cátedra de História Natural da Universidade de Barcelona, onde foi introduzindo práticas de laboratório e saídas de campo.

            Publicou em 1890 o "Tratado elemental de Geología" e o "Tratado elemental de Zoología", que foram incluídos no Índice de livros proibidos da Igreja Católica . O setor conservador de Barcelona conseguiu a sua suspensão temporário no ano letivo de 1895-1896, usando uma antiga lei que proibia ensinamentos contrários aos dogmas da religião católica.

            Odón de Buen participou no Congresso Internacional de Livre-pensadores em Paris, em 1889. (Puig-Samper et al.) Foi também o secretário do comité organizador do congresso de Livre-pensadores de Madrid, em 1892 - mas este foi suspenso por ordem do governo após uma denúncia por 'ataques aos dogmas e doutrinas da igreja'. (Avilés) Organizou a assistência ibérica ao Congresso de Livre-pensadores de Roma (1904), fretando um barco que fez a travessia de Barcelona a Civitta Vechia.

            Odón manteve uma relação estreita com a Escola Moderna de Ferrer Guardia, de caráter pedagógico - escrevendo alguns textos com esse fim como "Las Ciencias Naturales en la Escuela Moderna" e "Nociones de Geografía Física", ambas en 1905.

            Em 1906, fundou o laboratório de Biologia Marinha de Porto Pi, do qual seria nomeado diretor em 1912. Em 1910, presidiu à delegação espanhola para a inauguração do Museu Oceanográfico do Mónaco. Longe iam os seus conflitos com as autoridades governamentais. Em 1911, mudou-se para Madrid, passando a ter a cátedra de Mineralogia e Botânica da Faculdade de Ciências, continuando a redação de manuais universitários.

            Os seus esforços culminaram na fundação do Instituto Espanhol de Oceanografia (1914) Foi presidente do Primeiro Congresso Internacional de Oceanografia (Sevilha, 1929). Obteve também a Presidência da Secção de Oceanografia da União Geodésica e Geofísica Internacional (1927-33) e a do Conselho Oceanográfico Iberoamericano (1919-33).

            Quando começou a Guerra Civil Espanhola, Odón de Buen foi preso, tendo-se depois exilado no México juntamente com os seus filhos.

            Ferreira, Reinaldo.
            Pessoa singular · 1897 - 1935

            Reinaldo Ferreira, conhecido como Repórter X (10 de agosto de 1897, Lisboa - 4 de outubro de 1935, Lisboa) foi um jornalista, cineasta, dramaturgo e ficcionista português.

            Iniciou a sua carreira jornalística em 1914, no jornal A Capital. Em Junho de 1917, já jornalista de O Século, assinou o seu primeiro folhetim, disfarçado sob a forma de ‘cartas à redação’ de um leitor - “Mistérios da Rua Saraiva de Carvalho”, que descreviam um crime sangrento, apresentado como sendo real. Também desse ano, data a sua célebre entrevista com Mata Hari, totalmente fictícia (jornal O Mundo).

            Foi para Paris em 1920, mas em 1921 mudou-se para Barcelona, regressando depois a Portugal. Escreveu uma crónica atacando o ditador Primo de Rivera, assinando «Repórter». O tipógrafo leu um X no final da palavra, nascendo assim o seu pseudónimo. Já com a revista ABC, foi enviado à Rússia, em 1925, para acompanhar os eventos após a morte de Lenine. Em Paris, escreveu uma entrevista forjada a Conan Doyle e crónicas vindas de Moscovo - também elas forjadas, já que nunca saiu da capital francesa.

            Em 1926 fixou-se no Porto, escrevendo simultaneamente para a revista ABC e para O Primeiro de Janeiro. Em março desse ano, deu-se o assassinato da atriz Maria Alves, estrangulada num táxi e lançada morta para a sarjeta. Reinaldo Ferreira, inspirando-se em anteriores crimes e num romance espanhol conseguiu adivinhar o culpado pelo crime. Em 1930 fundou em Lisboa o jornal Repórter X.

            Fundou uma empresa de cinema - Repórter X Film - produzindo filmes e documentários como Táxi Nº 9297, inspirado na morte de Maria Alves, e Rita ou Rito?. Escreveu dezenas de livros e folhetos semanais de novelas policiais.

            Ferrer, Francisco.
            Pessoa singular · 1859-1909

            Nascido em Alella (Barcelona), em 14 de janeiro de 1859, Ferrer educou-se como autodidata e iniciou a sua atividade política com o republicanismo. Afiliou-se à maçonaria em 1883 e participou na tentativa de sublevação republicana de 1886. Após este evento, exilou-se em Paris, onde entrou em contacto com representantes da pedagogia renovadora, laica e livre-pensadora e o seu pensamento político começou a evoluir para o anarquismo. Ferrer funda a Escola Moderna em Barcelona em 1901 - com um ensino inspirado no livre-pensamento, educando conjuntamente ambos os géneros e diferentes classes sociais.
            A 31 de maio de 1906 houve um tentado em Madrid contra o rei Afonso XIII cujo perpetrador era um antigo bibliotecário da Escola Moderna. Ferrer foi detido e condenado por conspiração, levando ao encerramento da Escola. Foi mais tarde absolvido por falta de provas, mas a Escola permaneceu encerrada. Após os eventos da Semana Trágica (decorridos em julho e agosto de 1909 e constituídos por uma série de confrontos violentos entre o exército espanhol e anarquistas, maçons, socialistas e republicanos na Catalunha) Ferrer foi de novo preso, sendo fuzilado no dia 13 de outubro de 1909, acusado de ser um dos principais instigadoras da Semana Trágica.

            Frente Popular
            ESP - FP · Pessoa coletiva · 1935 -
            García Lorca, Federico
            Pessoa singular · 1898-1936

            Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, Granada, 5 de junho de 1898- Granada, 18 de agosto de 1936) foi um poeta, prosista, dramaturga e diretor de teatro espanhol. Parte da "geração dos 27" em Espanha. Alcançou a fama com Romancero Gitano (1928), um livro de poemas. A suas obras mais conhecidas são Bodas de sangre (1932), Yerma (1934) e La casa de Bernarda Alba (1936). García Lorca era homossexual e teve uma relação com o escultor Emilio Alandrén Perojo. Foi assassinado por um bando sublevado um mês após o início da Guerra Civil Espanhola.

            Giner de los Ríos, Francisco
            Pessoa singular · 1839-1915

            Francisco Giner de Los Ríos (10 de outubro 1839, Ronda ou Málaga — 17 de fevereiro 1915, Madrid) foi um filósofo, crítico literário e educador espanhol, e um dos representantes do krausismo em Espanha durante o século XIX. O krausismo era um movimento educativo e filosófico baseado nos ensinamentos do filósofo alemão Karl Krause. Fundou em 1876, a Institución Libre de Enseñanza, uma instituição independente da influência da Igreja e do Estado.

            Jacquinet, Clémence
            Pessoa singular · 1865-[19--]

            Clémence Jacquinet (França, 1865 - 19--) foi uma pedagoga racionalista francesa, diretora da Escola Moderna de Barcelona e companheira de Francisco Ferrer entre os anos de 1901 e 1904.

            Clemencia Jacquinet conheceu Ferrer em Paris, onde ele dava aulas de espanhol entre 1895 e 1898. Antes disso, ela tinha estado no Cairo, como governanta dos filhos de um soldado. Ferrer falou-lhe do seu projeto da criação de uma Escola Moderna em Barcelona e propôs-lhe que fosse a diretora pedagógica. Em Barcelona publicou algumas obras, como o Compendio de Historia Universal em três volumes (1902), editado pela Escola Moderna, o livro Ibsen y su obra (1907), traduzido e com prólogo de J. Prat. Colaborou também com a imprensa obreira e anarquista da cidade.

            Mais tarde, Jacquinet entrou em conflito com as ideias de Ferrer, já que ela defendia uma abordagem mais academicista do ensino. Abandonou então o projeto da Escola Moderna.

            Lafargue, Paulo.
            Pessoa singular · 1842-1911

            Paul Lafargue (Santiago de Cuba, 15 de janeiro de 1842, local — Draveil, 25 de novembro de 1911, local) foi um escritor, economista, jornalista e ativista francês. A sua obra mais conhecida é O Direito à Preguiça (em francês: Le Droit à la Paresse). Nasceu em Cuba, tendo ascendência francesa e crioula, mas passou a maior parte da sua vida em França.

            Estudou Medicina em Paris, inicialmente defendendo a filosofia positivista. A sua filosofia aproximou-se da visão anarquista de Proudhon, e como anarquista juntou-se à secção francesa da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), também conhecida como Primeira Internacional. No entanto, ao aproximar-se de Marx e Auguste Blanqui, começou a afastar-se do anarquismo.

            Em 1865, após ter participado no Congresso Internacional de Estudantes em Liège, Lafargue foi banido de todas as universidades francesas e foi para Londres. Foi aí que, ao frequentar a casa de Karl Marx, conheceu a sua filha Laura, com a qual se casou em 1868.

            Depois da Comuna de Paris de 1871, a repressão política fez Lafargue fugir para Espanha, onde se instalou em Madrid, contactando com a secção espanhola da Internacional (Federación Regional Española de la Asociación Internacional de Trabajadores - FRE-AIT), dominada pela fação anarquista. Lafargue envolveu-se com a propaganda e a difusão do marxismo.

            A partir de 1880, foi editor do jornal socialista francés L’Égalité e começou a publicar o primeiro manuscrito do Direito à preguiça. Mudou-se para Paris em 1882, e juntamente com Jules Guesde e Gabriel Deville começou a dirigir as atividades do Partido dos Trabalhadores Franceses (Parti Ouvrier Français - POF). Em 1891, foi eleito para o parlamento francês, embora estivesse sob custódia policial.

            Morreu juntamente com a sua esposa, Laura Marx, num pacto de suicídio mútuo.

            Lluria, Enrique
            Pessoa singular · 1863-1925

            Enrique Lluria y Despau (Matanzas (Cuba) c. 1863 - Cienfuegos (Cuba), 1925) foi um médico e publicista cubano.

            Iniciou os seus estudos de Medicina na Universidade de Havana, concluindo o curso em Barcelona em 1889. Daí, passou a Paris, onde se especializou em urologia. Em 1890 regressou a Cuba, mas pouco tempo depois foi para Paris para trabalhar no Hospital Necker. Abriu mais tarde uma clínica urológica em Madrid.

            Na política, afiliou-se ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) em 1905 e participou na Agrupación Socialista Madrileña. Colaborou com a Revista Socialista, publicando sobre socialismo científico, evolução social, educação popular ou higiene pública. Também manteve contacto com outros intelectuais socialistas e anarquistas, como Carlos Malato, Francisco Ferrer ou Pablo Iglesias. Era amigo do pinto Joaquín Sorolla.

            Em 1917, mudou-se para a Galiza, fundando no ano seguinte um sanatório. Dois anos mais tarde voltou a Cuba para fundar com outros intelectuais a filial cubana de Clarté, Agrupamento Internacional de Intelectuais Progressistas, organizada pelo escritor francês Henri Barbusse para denunciar as consequências da I Guerra e promover a solidariedade com a Revolução Russa.

            Lorenzo, Anselmo
            Pessoa singular · 1841-1914

            Anselmo Lorenzo Asperilla (Toledo, 21.04.1841 — Barcelona, 30.11.1914) Líder sindical anarquista. Chamado o “avô do anarquismo espanhol”.

            Começou a trabalhar como tipógrafo em Madrid aos quinze anos. Em 1870, participou na fundação de La Solidaridad, órgão da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) - Primeira Internacional, da secção de Madrid. Em junho desse ano, no primeiro congresso de trabalhadores espanhol em Barcelona, representou a secção de Madrid. A perseguição da Internacional em Espanha, devido aos eventos da Comuna de Paris, significou o seu exílio em Lisboa no verão de 1971 com outros membros do Conselho Federal.

            Foi eleito na conferência secreta de Valência para representar a secção espanhola na conferência da Internacional em Londres, conhecendo aí pessoalmente Karl Marx. Por haver conhecido Marx e ser amigo do seu genro, Paul Lafargue, e pela sua pertença à redação de La Emancipación, que tinha uma inclinação marxista, Lorenzo tinha despertado a desconfiança dos outros membros do Conselho Federal - que favorecia o anarquismo. Isso levou-o a demitir-se do Conselho Federal em junho de 1872.

            Foi para França, onde em Marselha entrou na redação do Le Sémaphore de Marseille. Em março de 1874, foi para Barcelona onde fixou a sua residência. Ingressou no grupo da Aliança da Democracia Socialista. Em 1878, foi eleito para representar a Federação Regional Espanhola no Congresso Internacional de Paris. Em 1881, foi expulso dessa federação, acusado de exercer coação nas eleições.
            Iniciou-se na loja maçónica de Barcelona “Hijos del trabajo” em 1883, onde se manteve ativo até 1895. No ano seguinte foi nomeado representante na Junta de Escolas Laicas. Foi um dos principais impulsionadores da sua loja maçónica, como orador. Defendia a compatibilidade entre o socialismo e a maçonaria.

            Voltou ao movimento anarquista em 1885, integrando-se na Sociedad de Obreros Tipógrafos. Em 1886 publicou os folhetos ¿Acracia o República? e Fuera política. Em 1886, juntou-se à redação da revista Acracia.
            O atentado contra a procissão do Corpus Christi (7 de junho de 1896) deu azo a uma perseguição do movimento anarquista em Espanha. Centenas foram presos, entre os quais Anselmo Lorenzo, na fortaleza de Montjuic. Foi deportado para Paris.

            Trabalhou como revisor para a editora Garnier em Levallois-Perret. Conheceu Charles Albert e Jean Grave. Graças à amnistia de 1899, pôde regressar a Barcelona. Foi em 1901 que iniciou a sua colaboração com Francisco Ferrer, que tinha conhecido em Paris. Colaborou no Boletim da Escola Moderna e na tradução de autores franceses relacionados com o anarquismo, como Jean Grave, Élisée Reclus, Émile Pataud e Émile Pouget, Paul Gille. Também fez parte da redação de La Huelga General, uma publicação periódica fundada por Ferrer e dirigida por José Clariá e colaborou com La Revista Blanca de Federico Urales.

            Por causa de ter participado na campanha da imprensa a favor da greve geral foi preso de novo em Montjuic em 1902. Posteriormente à Semana Trágica foi deportado para Alcañiz. Havia de regressar a Barcelona em 1910.

            Mogrovejo Fernández, Restituto
            Pessoa singular · 1891-1949

            Restituto Mogrovejo Fernández (Palma, Mallorca, 1891 - México, 22 de outubro 1949) foi um anarco-sindicalista espanhol, jornalista e propagandista.

            Em 1907, ingressou como voluntário no exército e entre 1913 e 1917 lutou na campanha de Marrocos.

            Em 1917, altura em que já detinha o posto de capitão, aderiu aos Comités de Defesa dos Sargentos e presidiu ao Comité de Ação Secreta. Em janeiro de 1918, juntamente com Tomás de la Llave, Juan Antonio Montero e outros, liderou a revolta das patentes inferiores do Exército sendo expulso das forças armadas e preso.

            Filiou-se na Confederação Nacional do Trabalho (CNT) em Madrid, Espanha. Foi um dos fundadores, juntamente com Mauro Bajatierra Morán, Valdés e Pastor, do Ateneu Sindicalista, do qual foi nomeado primeiro secretário em 1919. Participou ativamente na organização do Segundo Congresso Nacional dos Trabalhadores da CNT («Congresso da Comédia»). Durante este período, colaborou com o jornal España Nueva. Em 1920, fundou e dirigiu a Solidaridad Obrera em Madrid.

            Sofreu várias detenções e prisões pelos crimes de «lesa-majestade» e «violação da Lei da Imprensa». Estabelecido em Barcelona, foi perseguido, detido e deportado para Girona. Exilou-se então em França, fixando-se em Béziers, onde publicou panfletos, bem como em Paris e Marselha. Finalmente, fixou-se em Lisboa (Portugal), organizando ali os primeiros grupos antimonárquicos espanhóis e colaborando com publicações de esquerda portuguesas. Em 1924, em Lisboa, conheceu Pedro Vallina Martínez.

            Em 1926, regressou clandestinamente a Espanha para participar na «Sanjuanada» contra a ditadura de Primo de Rivera, cujo fracasso o levou de volta a Portugal mais uma vez. Em Lisboa, trabalhou como cozinheiro, escreveu panfletos e, com Manuel Pérez Fernández e Sánchez, fundou um Comité Internacional para a Liberdade do Povo Espanhol. Em 1927, sob ameaça de extradição e graças ao apoio de um diplomata latino-americano, partiu para Cuba, México e Nova Iorque. Em abril de 1927, fixou-se em Veracruz (Veracruz, México), onde solicitou asilo político.

            Em Mérida (México), integrou a equipa editorial da Tierra, órgão oficial do Partido Socialista, e dirigiu o Yucatán Moderno. Em 1929, mudou-se para a Cidade do México, onde fundou e dirigiu a revista Horizontes Nuevos e, a partir de 1930, o jornal republicano España Nueva. Em 1932, regressou a Madrid (Espanha) e reincorporou-se no Exército, mas foi rapidamente expulso. Estabelecido em Barcelona, em junho de 1935 foi nomeado secretário do Comité Regional do Partido Nacional da Esquerda na Catalunha (PENC, também conhecido como Izquierda Republicana Independiente) e, em fevereiro de 1936, presidente do seu Comité Regional.

            Em julho de 1936, combateu nas ruas de Barcelona para reprimir a revolta fascista, demitiu-se do seu cargo no PENC e juntou-se às colunas da CNT que marchavam para Aragão. Foi nomeado membro do Comité de Guerra da «Coluna do Sul do Ebro» e chefe dos seus Serviços e Abastecimento, comandante militar de Casp e La Puebla de Hijar, e coronel intendente-geral da Frente de Aragão.

            Durante a Retirada, foi ferido em Lleida e Barcelona e, em fevereiro de 1939, atravessou os Pirenéus. Em abril de 1939, conseguiu passagem para o México. Viveu em Mérida (México), onde fundou a revista científico-literária Humanidad, e em 1942 fixou-se na Cidade do México, onde trabalhou no jornalismo, aderiu à Associação Profissional de Escritores e Jornalistas Espanhóis no Exílio, escreveu vários livros e panfletos e foi membro da CNT mexicana.

            Para além das contribuições para publicações locais mexicanas, os seus artigos aparecem na CNT, Fragua Social, Mi Revista, Solidaridad Obrera, etc.

            Montseny, Joan
            Pessoa singular · 1864-1942

            Joan Montseny i Carret (Reus, 19 de agosto de 1864 - Salon-de-Provence, 12 de março de 1942), também conhecido pelo pseudónimo Federico Urales, foi um anarquista catalão.

            Originalmente um tanoeiro, liderou um sindicato da sua profissão na década de 1880. Estudou para se tornar professor e chefiou uma escola na sua terra natal em 1891. A sua atividade política no movimento anarquista levou a que fosse preso várias vezes, e ao seu envolvimento no julgamento de Montjuïc - que levou ao seu exílio para Londres em 1897. Mais tarde nesse ano regressou ilegalmente a Madrid, para tentar que o julgamento fosse revisto.

            Tornou-se jornalista, trabalhando no El Progreso, de Alejando Lerroux. Fundou os periódicos La Revista Blanca (1898) e Tierra y Libertad (1902) (esta última começou por ser um suplemento da Revista Blanca). A revista cessou a sua publicação em 1905.

            Dividia o seu tempo entre Madrid e Barcelona, escrevendo para o jornal de Miguel Moya El Liberal. Defendeu Francisco Ferrer no caso Morral, e escreveu livros para a Escola Moderna de Ferrer, incluindo o romance em castelhano Sembrando Flores (1906). Na administração de Primo de Rivera, reiniciou La Revista Blanca, que dirigiu entre 1923 e 1936. Começou a revista semanal El Luchador (1931-1933).

            Ele seguia um anarquismo individualista, exemplar do "anarquismo sem adjetivos". Ele apoiou, mas não se juntou à Federación Anarquista Ibérica durante a Segunda República. Ele influenciou a CNT (Confederación Nacional del Trabajo) como membro da Frente Popular em 1936, e através da sua filha Federica Montseny, que trabalhou no gabinete de Francisco Largo Caballero. Montseny foi para o exílio em França em 1939.

            A sua esposa era Teresa Mañé, conhecida pelo pseudónimo Soledad Gustavo.

            Nemésio, Vitorino.
            Pessoa singular · 1901-1978

            Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Santa Cruz, Praia da Vitória, 19 de dezembro de 1901 – Prazeres, Lisboa, 20 de fevereiro de 1978) foi um poeta, romancista, cronista, académico e intelectual português.

            Na infância, teve fraco desempenho na escolaridade, tendo sido expulso do Liceu de Angra, e reprovado no quinto ano. Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria. Concluiu o liceu em Coimbra, em 1921, e inscreveu-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica da mesma Faculdade.

            Na primeira viagem que fez a Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conhece Miguel Unamuno, escritor e filósofo espanhol (1864–1936). Nesse mesmo ano foi iniciado na Maçonaria.

            Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, no ano seguinte, concluiu o curso de Filologia Românica, com elevadas classificações, começando desde logo a lecionar literatura italiana.

            Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio. Entre 1937 e 1939 lecionou na Vrije Universiteit Brussel, tendo regressado depois ao ensino na Faculdade de Letras de Lisboa.

            Em 1958 lecionou no Brasil. A 12 de setembro de 1971, atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde ensinara durante quase quatro décadas, passando a ser Catedrático Jubilado.

            Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de dezembro de 1975 a 25 de outubro de 1976.

            Palasí, Fabián
            Pessoa singular · 1848-1927

            Fabían Palasí (La Hoz de La Vieja (Teruel), 29 de janeiro de 1848 — Barcelona, 9 de novembro de 1927) foi uma figura chave do livre-pensamento espanhol do século XX.

            Era maçon, tendo feito parte da loja de Zaragoza Luz e Trabalho. Também esteve envolvido no espiritismo.

            Em 1868 ingressou no serviço militar e no ano seguinte pediu entrada na Guardia Civil. No instituto armado conseguiu o título de mestre de educação primária. Conseguiu um lugar como professor nas Baleares, mas ao saber da criação de escolas nas prisões passou depois para o Presidio Peninsular de Sevilha. Em 1880, foi para a escola da prisão de Zaragoza.

            Aí se iniciou no espiritismo — que era um movimento ativo naquela cidade. As suas associações ao espiritismo valer-lhe-iam alguns problemas, já que depois de duas revoltas em anos consecutivos de um grupo de presos contra o cumprimento da Páscoa, Palasí foi denunciado ao arcebispo, foi então acusado pelo Governo Civil de ser espiritista e livre-pensador. Ele era então Secretário da Sociedade de Estudos Psicológicos (um grupo espiritista). Perdeu o posto porque se recusou a declarar-se católico (1885).

            Em julho desse ano já era diretor de uma escola laica de meninas, e no ano seguinte numa de meninos. Em 1895, mudou-se para Sabadell, para a escola Institución Libre de Enseñanza, onde permaneceu doze anos.

            Ao contrário de Ferrer, não defendia o anarquismo, mas somente o ensino laico e racionalista.

            Pestana, Alice
            Pessoa singular · 1860-1929

            Alice Evelina Pestana Coelho (Santarém, 7 de abril de 1860 — Madrid, 24 de dezembro de 1929) foi uma humanista, jornalista portuguesa, pedagoga da Institución Libre de Enseñanza, feminista e fundadora da Liga Portuguesa da Paz em 1899, considerada a primeira organização feminista em Portugal.

            Pi y Arsuaga, Francisco
            Pessoa singular · 1866-1912

            Francisco Pi y Arsuaga nasceu em Madrid, em 1866 e faleceu na mesma cidade dia 19 de março de 1912. Dramaturgo, jornalista de opinião e político espanhol, foi deputado nas Cortes durante a Restauração de Bourbon (1874-1931) em Espanha.

            Era filho do político republicano federalista Francisco Pi y Margall e de Petra Arsuaga (de origem basca). Desde jovem, escreveu peças de teatro e colaborou com o seu pai na escrita da obra 'Historia de España en el Siglo XIX (1902)'. Também foi colaborador de 'La Revista Blanca'. Pela morte do seu pai, sucedeu-lhe como líder do Partido Republicano Democrático Federal, foi eleito deputado no Congresso por Sabadell (Barcelona) em 1903 e 1905. Nas eleições gerais de 1907 apoiou a Solidaridad Catalana e foi de novo eleito deputado por Sabadell.

            Em 1908, propôs uma emenda ao projeto da Lei do Regime da Administração Local, na qual pretendia dar o voto às mulheres emancipadas, maiores de idade e chefes de família - foi recebida como uma proposta revolucionária, não tendo sucesso. Renunciou ao seu posto como deputado nos finais de 1908.

            Foi de novo eleito, agora pelo círculo de Madrid, em 1910 e foi nomeado secretário do Congresso dos Deputados.