Teatro do Ginásio

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              Leal, Carlos
              Pessoa singular · 1878-1964

              Carlos Leal (Lisboa, 17/12/1878 – ?/?/1964) foi um ator português que se destacou na representação de revistas. Também colaborou ou escreveu as suas próprias revistas, assinou três volumes de memórias e colaborou com vários jornais.

              No início da sua carreira, Leal passou por vários palcos, como o Teatro da Trindade (1896), Teatro D. Amélia, Teatro da Rua dos Condes - onde permaneceu até 1902. A partir de 1903, iniciou-se na companhia do Teatro do Ginásio, e em 1906 trabalhou na Companhia Dramática de Lisboa, fazendo uma digressão pelo país.

              O seu sucesso viria no género musicado, como no Teatro do Príncipe Real com Ó da guarda (1907). Em 1909, no Teatro Avenida, desempenha um papel na opereta de André Brun A Severa. Passa de novo para o Trindade.
              Em 1910, regressou ao Príncipe Real, explorado por Luís Ruas, atuando na revista Sol e Sombras, ano da sua terceira digressão ao Brasil.

              Volta ao Brasil em 1911 com a companhia do Teatro Apolo, e apresentou-se no Rio de Janeiro com a empresa de Pascoal Segreto com Já te pintei! revista na qual se estrou como co-autor, seguidas de outras da sua co-autoria como A bomba, Braga por um canudo, Aguenta aí!, De três assobios, No país do sol e Pé de dança.

              Em 1913, integrou uma entrevista de grande sucesso, O 31, fazendo papel d’O 17 (um polícia da província). A partir de 1915, apresentou-se num repertório misto de drama e revista, trabalhou no Éden Teatro com a empresa de Luís Galhardo.

              Leal é sócio da ACAD e será impulsionador do sindicato que lhe segue a ACTT, ocupando o cargo de presidente.

              Colaborou toda a década de 20 com António de Macedo num repertório, sobretudo, de revista, mas também de opereta, levado ao palco de vários espaços tutelados pelo referido empresário: Éden Teatro, Coliseu dos Recreios, Chiado Terrasse, Teatro Maria Vitória/Parque Mayer e Palácio Foz, e, inclusivamente, aos palcos do Porto e do Brasil, para onde segue, em 1920, com a Companhia de Revistas Carlos Leal. Nesta fase, acumulou também a “direção artística” de alguns espetáculos. A colaboração com António de Macedo terminou no final da década.

              Na década de 40, integrou a Companhia do Teatro Variedades – Artistas Associados, coletivo que explora, em parceria com António de Macedo, o teatro do mesmo nome, no Parque Mayer, apresentando-se, também, no Teatro Apolo e no Teatro Avenida (com a Companhia do Teatro Avenida), em revistas e operetas dirigidas por Rosa Mateus.

              A récita de despedida de Carlos Leal deu-se no Teatro Politeama, no dia 4 de Junho de 1952, com o espetáculo O Clube dos Salsas, evocativo da revista O 31, voltando o ator a desempenhar, O 17.

              Sociedade Cooperativa Theatro Livre
              Pessoa coletiva · 1902 - 1908

              Inspirado em ideias libertárias e progressistas, e acreditando na função social da arte, o Teatro Livre foi um movimento político e cultural que implementou as suas atividades, em Portugal, entre 1902 e 1908. A Sociedade Cooperativa Theatro Livre foi fundada em 1902, pela iniciativa de César Porto, Luís da Mata, Adolfo Lima e Severino de Carvalho, e com a direção artística de António Pinheiro, sendo a sua atividade considerada a segunda fase desse movimento em Portugal. Durante a direção de Pinheiro, foram apresentadas várias peças no Teatro Ginásio de Lisboa, como "O condenado" de Valentim Machado, "Às feras" de Manuel Laranjeira, "Os que furam" de Emídio Garcia, e "Missa nova" de Bento Faria. Do repertório internacional, foram representadas, entre outras peças, "A maternidade" de Brieux, "Pai natural" de Ernest Dupré e Paul Charton, e "Uma falência" de Björnson. O Teatro Livre regressou para mais uma temporada em 1908, ainda sob a direção artística de António Pinheiro, dessa vez no Teatro D. Amélia (hoje S. Luiz).