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              Abranches, Adelina
              Pessoa singular · 1866-1945

              Atriz portuguesa, Adelina Abranches nasceu em Lisboa a 15 de agosto de 1866 e faleceu na mesma cidade a 21 de novembro de 1945.

              Devido às incapacidades financeiras da família, iniciou a sua carreira no teatro ainda na infância, estreando-se como figurante aos cinco anos num espetáculo do Teatro Nacional D. Maria II - "Os meninos grandes", de Enrique Gaspar. Aos doze anos já tinha trabalhado no Teatro D. Maria II, no Teatro do Príncipe Real, no Variedade, no Teatro do Rato, no Teatro D. Fernando e no Teatro da Rua dos Condes. Representava com frequência papéis masculinos infantis e, mesma em adulta, continuou a fazer alguns papéis masculinos devido à sua constituição física.

              Foi no Teatro Luís de Camões que assinou o seu primeiro contrato mensal e teve o primeiro papel de protagonista - em "A princesa flor de seda". Os seus primeiros êxitos foram no ano de 1882, no palco do Teatro do Rato ("Maria da Fonte" e "O tipógrafo/"O gaiato de Lisboa" - no qual representou um dos seus papéis masculinos mais memoráveis). Na temporada seguinte, foi convidada a integrar o elenco do Teatro do Príncipe Real, onde conheceu o futuro marido - o empresário Luís Ruas - e teve alguns dos seus papéis mais populares ("Pérola" (1885) e "Rosa enjeitada" (1901)).

              Em 1902, mudou-se para o Teatro D. Amélia - destacando-se, por exemplo, em "Ressurreição" (1903), em "A cruz da esmola" (1903) e em "O avô" (1905). Também em 1902 dá-se o seu divórcio com Ruas, com o qual tivera dois filhos - Aura Abranches (Ruas) (1892-1962) e Alfredo Ruas (1890-1966), que seguiram ambos a carreira teatral, acompanhando muitas vezes a mãe em digressões.

              Foi convidada a integrar a segunda temporada do Teatro Livre e integrou a sociedade artística do Teatro Nacional D. Maria II, onde se manteve até 1910. Este envolvida no projeto do Teatro da Natureza. Foi também empresária teatral, fundando as companhias Adelina Abranches e Adelina - Aura Abranches, esta última em conjunto com a sua filha.

              Regressou ao D. Amélia em 1911, renomeado Teatro República, onde representou Brísida Vaz no "Auto da barca do Inferno". Representou vários espetáculos de grand-guignol no Teatro Sá da Bandeira no Porto, o que a levou ao Brasil em digressão (1913-1914). No seu regresso a Portugal, passou pelos palcos do Teatro Politeama, do Avenida e do Apolo, antes de regressar ao Teatro Nacional ("A mãe", de Russiñol, foi um dos seus maiores êxitos). Trabalhou com a companhia organizada Alves da Cunha e também com a companhia Rey Colaço-Robles Monteiro.

              Apesar da sua principal carreira ser no teatro, participou em três filmes na década de 30: "Maria do Mar" e "Lisboa, Crónica Anedótica", de Leitão de Barros (1930) e "A Rosa do Adro", de Chianca Garcia (1938).

              Faleceu de arteriosclerose, em Lisboa, aos 79 anos. Foi sepultada em jazigo no Alto de São João. As suas memórias foram publicadas após a sua morte pela filha, em 1947.

              Ferreira, Reinaldo.
              Pessoa singular · 1897 - 1935

              Reinaldo Ferreira, conhecido como Repórter X (10 de agosto de 1897, Lisboa - 4 de outubro de 1935, Lisboa) foi um jornalista, cineasta, dramaturgo e ficcionista português.

              Iniciou a sua carreira jornalística em 1914, no jornal A Capital. Em Junho de 1917, já jornalista de O Século, assinou o seu primeiro folhetim, disfarçado sob a forma de ‘cartas à redação’ de um leitor - “Mistérios da Rua Saraiva de Carvalho”, que descreviam um crime sangrento, apresentado como sendo real. Também desse ano, data a sua célebre entrevista com Mata Hari, totalmente fictícia (jornal O Mundo).

              Foi para Paris em 1920, mas em 1921 mudou-se para Barcelona, regressando depois a Portugal. Escreveu uma crónica atacando o ditador Primo de Rivera, assinando «Repórter». O tipógrafo leu um X no final da palavra, nascendo assim o seu pseudónimo. Já com a revista ABC, foi enviado à Rússia, em 1925, para acompanhar os eventos após a morte de Lenine. Em Paris, escreveu uma entrevista forjada a Conan Doyle e crónicas vindas de Moscovo - também elas forjadas, já que nunca saiu da capital francesa.

              Em 1926 fixou-se no Porto, escrevendo simultaneamente para a revista ABC e para O Primeiro de Janeiro. Em março desse ano, deu-se o assassinato da atriz Maria Alves, estrangulada num táxi e lançada morta para a sarjeta. Reinaldo Ferreira, inspirando-se em anteriores crimes e num romance espanhol conseguiu adivinhar o culpado pelo crime. Em 1930 fundou em Lisboa o jornal Repórter X.

              Fundou uma empresa de cinema - Repórter X Film - produzindo filmes e documentários como Táxi Nº 9297, inspirado na morte de Maria Alves, e Rita ou Rito?. Escreveu dezenas de livros e folhetos semanais de novelas policiais.

              Nobre, Roberto.
              Pessoa singular · 1903-1969

              Roberto Nobre (São Brás de Alportel, 1903 — Lisboa, 1969) foi um cineasta, crítico de cinema e pintor português. Pertence à segunda geração de pintores modernistas portugueses.

              Exerceu as funções de chefe dos serviços de publicidade da «Singer». Afirmou-se como crítico de cinema, nomeadamente na revista Seara Nova.

              Foi assistente Albert Durot e trabalhou, depois, com Artur Costa de Macedo.

              Entre 1923 e 1925 realizou Charlotin e Clarinha, uma farsa cómica em curta metragem (revelada apenas em 1972 no Festival de Santarém).

              No seu legado bibliográfico destacam-se Horizontes de Cinema (1939, 1971)- o primeiro grande estudo teórico português sobre cinema e a sua estética - e Singularidades do Cinema Português (1964).
              Em 1946, editou «O Fundo: comentários à Lei do Fundo de Cinema», que o regime, prontamente, mandou retirar da circulação.

              Ilustrou diversas obras de Ferreira de Castro (A Volta ao Mundo, etc.). Publicou desenhos e ilustrações em jornais e revistas, entre os quais: A Batalha, Renovação (1925-1926), Civilização, O Diabo, O Sempre Fixe, Magazine Bertrand, ABC, Voga, A Choldra.