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            Cabete, Adelaide.
            PT/AHS-ICS/AdCabete · Pessoa singular · 1867 - 1935

            Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabette (Alcáçova, Elvas, 25 de janeiro de 1867 — Lisboa, 14 de setembro de 1935), mais conhecida como Adelaide Cabete (na atual ortografia), foi uma das principais feministas portuguesas do século XX. Republicana convicta, foi médica obstetra, ginecologista, professora, maçom, autora, benemérita, pacifista, abolicionista, defensora dos animais e humanista.[1]

            Foi pioneira na reivindicação dos direitos das mulheres, e durante mais de vinte anos, presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Nessa qualidade reivindicou para as mulheres o direito a um mês de descanso antes do parto (licença de maternidade) e em 1912 reivindicou também publicamente o direito ao voto feminino, sendo-lhe apenas concedido em 1933, tornando-se na primeira e única mulher a votar, em Luanda, onde viveu, sob a nova lei eleitoral da Constituição Portuguesa de 1933.[2]

            [1] Serrão, Joel (1975). Dicionário de história de Portugal. [S.l.]: Iniciativas Editoriais

            Representou as mulheres portuguesas em congressos internacionais, nomeadamente no Congresso Internacional Feminista realizado em Roma, em 1923 e no Congresso Feminista de Washington em 1925


            "Nascida em Elvas, Adelaide Cabete tornou-se uma das primeiras mulheres portuguesas com um curso superior. Realizou estudos de Medicina, tendo concluÍdo a formatura com uma tese sobre "A protecção às mulheres grávidas pobres, como meio de promover o desenvolvimento fisico das novas geraçÕes" (1900). Activista republicana e membro da Maçonaria, foi sócia fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1909) e participou no 5 de Outubro, preparando as bandeiras republicanas que vieram a ser usadas na revolta. Em 1913 participou no Congresso Internacional de Gand com uma tese sobre o "ensino doméstico em Portugal" na qual se opunha ao uso dos véus, plumas, espartilhos e saltos altos pelas mulheres, por razÕes de saúde. Um ano depois participa na fundação do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e desenvolve uma considerável actividade feminista. Em 1923 representa o governo português no Congresso Internacional Feminista de Roma, sendo a primeira mulher a deter tal representação, que se renovara nos congressos seguintes. No âmbito da sua actividade feminista criou as Ligas da Bondade , dirigiu a revista Alma Feminina e escreveu vários opúsculos sobre temas como a educação, a protecção da mulher grávida, a prostituição, etc. Em 1929 vai viver para Angola de onde regressa em 1934, já bastante doente. Faleceu em 1935."
            José Pacheco Pereira, BEO, nº8, p. 75

            Cortesão, Jaime.
            Pessoa singular · 1884-1960

            Jaime Cortesão (Ançã/Cantanhede, 29-4-1884 – Lisboa, 14-8-1960) foi um escritor português (poeta, ficcionista, dramaturga, e também escritor de viagens), além de crítico literário, político e professor.

            Filho do filólogo António Augusto Cortesão e de Norberta Cândida Zuzarte Cortesão, Cortesão iniciou os seus estudos em Coimbra, em Filologia Clássica e Direito. Pensou em seguir Belas-Artes, mas acabou por escolher Medicina, também em Coimbra. Transferiu-se em 1905 para a Escola Médico-cirúrgica do Porto onde se envolveu na militância estudantil.

            Participou na greve académica de 1907, que se opunha ao governo de João Franco. Nesse ano, Cortesão foi um dos co-fundadores da Nova Silva, uma revista de orientação anarquista. O seu percurso político inicia-se com a sua adesão ao Partido Republicano Português em 1908. É um dos principais impulsionadores do movimento “Renascença Portuguesa” (que nasceu a 1 de janeiro de 1912) - de ideal nacionalista, ligado a ideias sebastianistas. Associado a este movimento surgem publicações como A Águia - revista de orientação republicana, e A Vida Portuguesa, que era efetivamente o órgão de imprensa desse movimento, e que Cortesão dirige.

            Jaime Cortesão concluiu a sua licenciatura em Lisboa em 1910 - com a dissertação ‘A arte e a medicina (Antero de Quental e Sousa Martins)’. É também nesse ano que publicou a sua primeira poesia - A Morte da Águia. Casou em Coimbra, em 1912, com a sua prima Carolina Ferreira Cortesão.

            Exerceu como médico durante um curto espaço de tempo. Instalou-se então no Porto lecionando História e Literatura no Liceu Rodrigues de Freitas. Como diretor da Renascença Portuguesa, animou a criação das Universidades Populares. Participou na Junta Revolucionária do Porto, que derrotou a ditadura de Pimenta de Castro, foi então eleito em junho desse ano pelo Partido Democrático, empenhando-se na defesa da participação de Portugal na I Guerra. Ele próprio foi para a frente como médico miliciano voluntário, para a Flandres, sendo ferido. Em Portugal, foi preso três meses pelo governo de Sidónio Pais. Combateu também contra a tentativa de restauração monárquica de 1919 (Monarquia do Norte) - e por isso foi recompensado pelo governo republicano com a direção da Biblioteca Nacional.

            Colaborando com Raul Proença, iniciou-se no projeto da Seara Nova em 1921. A partir da BN promoveu a edição dos Anais das Bibliotecas e Arquivos e da revista Lusitânia.
            Já na Ditadura militar, participou numa tentativa de derrube do regime, e foi então afastado do cargo de diretor da BN. Viveu em exílio até 1940, em Espanha e em França, dedicando-se à produção de estudos historiográficos. Em Espanha, colaborou com republicanos portugueses exilados e a ditadura franquista fá-lo fugir de novo para França, mas perante a ocupação alemã, regressou a Portugal. É de novo preso agora pelo governo de Salazar, que declarou o seu exílio para o Brasil. Aí ficaria até 1957. Durante o longo período de exílio produziu vários estudos historiográficos, além de ser responsável por cursos universitários, exposições, conferências, etc.

            De regresso a Portugal, participou no Diretório Democrático-social, viu o seu nome indicado para candidato à presidência da República, convite que recusou e envolveu-se na campanha de Humberto Delgado.
            Em 1958, com 74 anos, foi preso no Forte de Caxias, juntamente com António Sérgio, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes, tendo sido libertado depois de uma forte campanha de indignação e protesto por parte da imprensa brasileira.

            Costa, Emílio.
            Pessoa singular · 1877-1952

            Emílio Martins Costa - anarquista, jornalista e professor português - nasceu a 21 de fevereiro de 1877, em Portalegre, e faleceu a 17 de fevereiro de 1952, em Lisboa. Filho de Boaventura Costa, fabricante, e de Angélica Rosa Martins.

            De Portalegre, mudou-se para Lisboa em 1896, onde frequentou o Instituto Industrial e, em 1899, matriculou-se também no Curso Superior de Letras. Não viria a concluir nenhum dos cursos. Assinou o Manifesto Académico Republicano (1897), participou na fundação do Centro Académico Republicano e entrou para a Maçonaria Académica, passando depois para a Carbonária Portuguesa e pertencendo também à Loja Montanha onde alcançou o grau de mestre. Fundou o jornal O Amigo do Povo (1901-1903), onde defendeu, sob o pseudónimo de Demétrio, as suas ideias anarquistas e libertárias.

            Viveu alguns anos na Bélgica (1903-?) onde estudou na Universidade Nova de Bruxelas, sendo aluno do pensador anarquista Elisée Reclus. Em 1905, iniciou uma colaboração com o jornal Les Temps Nouveaux, que se prolongaria até 1914, dirigido por Jean Grave. Em 1906, iniciou também a sua colaboração com o jornal "A luta", de Brito Camacho (mantida até 1909).

            Publicou-se em 1907 A Conquista do Pão, semanário em parte dirigido por Emílio Costa. Em 1908, iniciou colaboração com o Germinal, de Setúbal, e com A Sementeira. Entrou também para a administração do parisiense La Révolution, dirigido por Émile Pouget. Em Paris, entrou em contacto com um grupo de intelectuais fundadores da Liga Internacional de Educação Racional para Crianças, entre os quais Ferrer, Max Nordeau, Alfred Naquet, etc. - seria inclusive secretário de Ferrer durante alguns meses.

            Em 1909, ano do seu regresso a Portugal, traduziu três brochuras - Sindicalismo e Socialismo, A Confederação Geral do Trabalho (Emile Pouget), A Ação Sindicalista (Victor Griffuelhes).

            Fundou em sua casa uma Biblioteca Popular, e colaborou no jornal republicano O Intransigente, dirigido por Baltazar Teixeira. Colaborou no semanário O Sindicalista até à sua partida para a Suíça, onde foi desempenhar as funções de secretário particular de Guerra Junqueiro, que era embaixador.

            De volta a Portalegre, iniciou a sua carreira como professor, dando aulas no Liceu Mouzinho da Silveira, em Portalegre, entre 1911 e 1913. Fez parte do grupo libertário Ação Direta, em Lisboa. Em 1912, iniciou sua colaboração com o Lumen, e como redator do Intransigente de Machado Santos. Fundou o semanário O Semeador, libertário, anticlerical e regionalista. Em 1913, começou a trabalhar na Sociedade de Propaganda de Portugal. Iniciou a publicação de A Semana, sendo seu diretor.

            A Grande Guerra causou uma clivagem no movimento anarquista - de um lado os não intervencionistas com o Grupo de Propaganda Libertária, editor de A Aurora (Porto). Em Lisboa, os que defendiam a intervenção na guerra, o Grupo Germinal, entre o qual se incluía Emílio Costa. Foi docente também no Liceu Passos Manuel (1915-1918?), em Lisboa, intermitentemente na Escola Comercial Ferreira Borges, e depois no Colégio Estoril (1918-1921). Também foi docente na Escola-Oficina n.º 1 e na Escola Académica.

            Em 1925, foi contratado para o Instituto de Orientação Profissional, dirigido por Faria de Vasconcelos.

            Em 1930, iniciou correspondência com Alexandre Vieira, que estava exilado em Paris.

            Durante o Estado Novo, opôs-se à ditadura, participando no Movimento de Unidade Democrática (MUD) desde a sua fundação - fazendo parte da junta consultiva como vogal.

            Escola Oficina n. 1
            PT/AHS-ICS/EscOfic1 · Pessoa coletiva · 1905 -1987

            A Escola Oficina n.º 1 de Lisboa (1905-1987) foi a mais emblemática das escolas novas portuguesas, tendo desenvolvido o seu projeto inovador principalmente entre 1907 e 1919. No entanto, a sua existência inscreveu-se num tempo longo, tendo funcionado durante mais de oitenta anos. O modelo pedagógico inovador que a caracterizou foi impulsionado por Adolfo Lima e inspirou-se nos ideais libertários e anarquistas, matriz a partir da qual foram interpretados os princípios da Educação Nova. Esta Escola adotou muitas das práticas inovadoras deste movimento, como o self-government escolar, a valorização dos trabalhos manuais, a educação física e a educação estética. Colocou o aluno no centro do processo pedagógico, visando a sua educação integral. Definiu rituais e normas no quotidiano escolar, assim como práticas de saúde e higiene. A partir dos anos trinta, com o regime político salazarista, perdeu o seu carácter experimental e tornou-se uma escola “normal”, igual a outras escolas oficiais.

            Ferrer, Francisco.
            Pessoa singular · 1859-1909

            Nascido em Alella (Barcelona), em 14 de janeiro de 1859, Ferrer educou-se como autodidata e iniciou a sua atividade política com o republicanismo. Afiliou-se à maçonaria em 1883 e participou na tentativa de sublevação republicana de 1886. Após este evento, exilou-se em Paris, onde entrou em contacto com representantes da pedagogia renovadora, laica e livre-pensadora e o seu pensamento político começou a evoluir para o anarquismo. Ferrer funda a Escola Moderna em Barcelona em 1901 - com um ensino inspirado no livre-pensamento, educando conjuntamente ambos os géneros e diferentes classes sociais.
            A 31 de maio de 1906 houve um tentado em Madrid contra o rei Afonso XIII cujo perpetrador era um antigo bibliotecário da Escola Moderna. Ferrer foi detido e condenado por conspiração, levando ao encerramento da Escola. Foi mais tarde absolvido por falta de provas, mas a Escola permaneceu encerrada. Após os eventos da Semana Trágica (decorridos em julho e agosto de 1909 e constituídos por uma série de confrontos violentos entre o exército espanhol e anarquistas, maçons, socialistas e republicanos na Catalunha) Ferrer foi de novo preso, sendo fuzilado no dia 13 de outubro de 1909, acusado de ser um dos principais instigadoras da Semana Trágica.

            Lima, Sebastião de Magalhães.
            Pessoa singular · 1850-1928

            Sebastião de Magalhães Lima (Santos, 30 Maio 1850 — Lisboa, 7 Dezembro 1928) foi um advogado, jornalista, político e escritor português, fundador do jornal O Século. Defensor de republicanismo com pendor a um socialismo utópico, fez parte da chamada Geração de 70 e foi durante largos anos grão-mestre da Maçonaria portuguesa, presidindo aos destinos da organização aquando do Golpe de 28 de Maio de 1926 e do desencadear das perseguições que levariam à sua posterior ilegalização durante o regime do Estado Novo.

            A defesa de um ideal republicano e a propaganda antidinástica e anticlerical estão patentes na sua produção escrita e jornalística, bem como na sua acção cultural e cívica (Garnel, Maria Rita Lino).

            A primeira mensagem que passou ao conselho do Grande Oriente Lusitano Unido, em 4 de Maio de 1906, logo após ter sido eleito seu dirigente e anteriormente à Implantação de República Portuguesa, foi: "impor a revolução laicista como linha oficial da maçonaria".

            Machado, Bernardino.
            Pessoa singular · 1851 - 1944

            Bernardino Luís Machado Guimarães, (Rio de Janeiro, 28 de março de 1851 - 28 de abril de 1944) foi um político português, sendo Presidente da República entre 1915-1917 e 1925-1926.

            Filho de António Luís Machado Guimarães e da sua segunda esposa D. Praxedes de Sousa Guimarães. Em 1860, a família regressou a Portugal, fixando residência em Joane, concelho de Famalicão.

            Concluídos os estudos secundários no Porto, matriculou-se, em 1866, na Universidade de Coimbra, onde estudou Matemática e Filosofia. Em 1873, concluiu a licenciatura em Filosofia.

            Ingressou na Maçonaria, iniciando-se na Loja “Perseverança”, em Coimbra, logo em 1874. Dentro do Grande Oriente Lusitano irá ocupar os cargos seguintes: Presidente do Conselho da Ordem, entre 1892 e 1895, Grão-Mestre, entre 1895 e 1899, Membro das lojas “Razão Triunfante”, “Elias Garcia”, “Fraternidade Colonial”, em Lisboa, e “Fernandes Tomás”, na Figueira da Foz, Apoiante do Supremo Conselho do Grau 33, em 1914, quando da cisão do Movimento Maçónico, regressando, no entanto, ao Grande Oriente Lusitano Unido em 1920, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33, desde 1929 até à data da sua morte.

            Em 28 de fevereiro de 1877, foi nomeado professor da Faculdade de Filosofia. Em 2 de julho de 1877, alcançou o doutoramento com a tese Dedução das Leis dos Pequenos Movimentos da Força Elástica. Em 17 de abril de 1879, foi nomeado lente catedrático de Filosofia. A partir de 1883, passou a dirigir em exclusividade a cadeira de Antropologia. Nesse mesmo ano licenciou-se em Agricultura Geral Zootécnica e Economia Rural.

            A sua atividade política tem início em 1882, ao ser eleito deputado por Lamego, pelo Partido Regenerador. Em 1886, é novamente eleito para o mesmo cargo, mas agora pelo círculo de Coimbra. Em 1892, integrou o Conselho Superior de Instrução Pública. Dirigiu também o Instituto Comercial e Industrial de Lisboa. Em 1893, fez parte do governo de Hintze Ribeiro, ocupando a pasta de ministro das Obras Públicas. A sua ação vai incidir na elaboração da legislação protetora do trabalho das mulheres e dos menores.

            Aderiu ao Partido Republicano em 31 de outubro de 1903, presidindo ao diretório, entre 1906 e 1909. Durante a crise académica de 1907, juntou-se aos estudantes e por esse motivo é obrigado a pedir a demissão do cargo de lente da Universidade de Coimbra.

            A partir da implantação da República, em 5 de outubro de 1910, ocupou vários cargos: Ministro dos Negócios Estrangeiros no Governo Provisório, Deputado à Câmara Alta até 1915, Ministro e embaixador no Brasil, desde 20 de janeiro de 1912, Presidente do Ministério, ministro dos Negócios Estrangeiros e do Interior entre 9 de fevereiro de 1914 e 23 de junho do mesmo ano, Presidente do Ministério e ministro do Interior desde aquela última data até 12 de dezembro de 1914. Ministro da Justiça interino até 22 de julho, Presidente da República, eleito no escrutínio de 6 de agosto de 1915.

            Foi deposto na sequência do movimento comandado por Sidónio Pais e expulso do país. Após a queda do sidonismo regressou à atividade política, sendo eleito senador em 1919, Presidente do Ministério e ministro do Interior entre 2 de março de 1921 e 23 de maio do mesmo ano; ministro da Agricultura interino, no mesmo Ministério até 4 de maio e Presidente da República, desde 1925, na sequência da resignação de Teixeira Gomes. Não terminou o mandato que foi interrompido na sequência do movimento militar do 28 de maio de 1926.

            Depois de entregar os poderes presidenciais ao almirante Mendes Cabeçadas em 31 de maio, manteve-se em Portugal até às derrotas das revoltas de 3 e 7 de fevereiro de 1927, sendo então novamente expulso do País. Exilado primeiro na Galiza e posteriormente em França.

            Foi autorizado a regressar em junho de 1940, na altura em que as forças nazis invadem a França. Proibido de residir em Lisboa, fixou residência no Alto Douro.

            Matos, José Norton de.
            Pessoa singular · 1867-1955

            José Mendes Ribeiro Norton de Matos nasceu a 23 de março de 1867 em Santa Maria dos Anjos, Ponte de Lima, local onde foi batizado a 23 de abril do mesmo ano. Descendente de Norton por parte do pai e de Matos Prego pelo lado materno, José Norton de Matos era filho de Tomás Mendes Norton, Comendador da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, natural de Viana do Castelo, e de Emília da Conceição de Matos Prego e Sousa, natural da freguesia da Queijada em Ponte de Lima, ambos proprietários, recebidos na Igreja de Santa Maria de Refóios do Lima e moradores na Rua D. Pedro (atual Rua General Norton de Matos em Ponte de Lima).
            Ingressou em 1884 na Universidade de Coimbra onde completou o 3.º ano do curso de Matemática e, posteriormente, assentou praça no Regimento de Infantaria 23. Entrou no ano de 1888 na Escola de Guerra em Lisboa na qual concluiu o curso de Estado-Maior.
            A 22 de novembro de 1896 nasce a sua filha de nome Rita Norton de Matos, fruto da sua relação com Ester Newton Pereira, com quem casou por procuração a 12 de fevereiro de 1905.
            Relativamente à sua vida profissional, o General Norton de Matos exerceu ao longo da sua vida cargos de natureza diversa mas sempre com elevada responsabilidade, que vão desde Professor a Governador-Geral e Escritor. Iniciou a sua atividade na Índia para onde partiu em 1898 para montar, organizar e dirigir os Serviços de Agrimensura, de Cadastro e da Carta Agrícola. Deste modo, foi diretor da Repartição de Agrimensura do Estado da Índia, trabalhou nos Serviços de Geodésia e Cadastro (parte da Repartição de Agrimensura), na execução da triangulação secundária do território e do cadastro predial, rural e urbano; exerceu funções como administrador das Matas, diretor das Obras Públicas, membro do Conselho do Governo, na delimitação de territórios; foi ainda encarregado de várias missões à Índia Inglesa com vários objetivos (ex. estudo da organização do cadastro, de instrução técnica e de outros serviços da administração inglesa). Em dezembro de 1907 foi nomeado Provedor da Santa Casa da Misericórdia em Goa. Regressa em outubro de 1908 a Portugal, após dez anos ausente da então metrópole.
            Poucos meses após ter regressado, foi nomeado por decreto a 25 de fevereiro de 1909, secretário da Missão Diplomática em Macau presidida por Joaquim Machado, integrado na Comissão para a Delimitação de Macau e suas dependências. Embarcou para o desempenho das suas funções a 20 de maio de 1909 com destino a Hong Kong tendo regressado apenas em 17 de março de 1910 novamente para Portugal onde exerceu serviço no Corpo de Estado-Maior. A 30 de maio de 1910 foi eleito sócio efetivo da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses e em novembro de 1911 ocupou o lugar anteriormente deixado por Ernesto Jardim Vilhena no cargo de Vice-Presidente da União Colonial Portuguesa. Nesse mesmo ano foi promovido a major e nomeado, após concurso, para professor do Instituto Superior Técnico onde lecionou as cadeiras de Geometria Analítica e Geodesia/Topografia. Durante esse período de tempo manifestou interesse em se integrar na vida política, expresso depois na sua filiação no Partido Republicano Português e assumido como um dos sócios fundadores do Centro Democrático Republicano.
            É em 1912 que se volta a ausentar da metrópole quando, a 18 de abril de 1912 viu ratificado a sua nomeação como Governador-Geral de Angola, cargo que veio a desempenhar até abril de 1915, após ter despoletado aquela que viria a ser a Primeira Guerra Mundial. Neste clima, parte de Angola para a metrópole para assumir por um curto período de tempo a pasta do Ministério das Colónias, entre junho e julho desse mesmo ano. Assumiu também, de forma interina, a pasta do Ministério dos Negócios Estrangeiros, nomeado para esse efeito a 26 de outubro de 1915 e novamente em junho de 1916, abrangendo dois governos distintos: o de José de Castro e o de António José de Almeida. Entre 19 de junho de 1915 e 22 de julho de 1915 foi Ministro os Negócios Estrangeiros de Portugal; e por fim a de Presidente do Ministério em momentos distintos de outubro e dezembro de 1917.
            Foi, no entanto, que no desempenho de Ministro da Guerra assumiu um maior relevo com decisões históricas e que marcaram o país. Iniciou a sua atividade a 22 de julho de 1915 e continuamente se manteve até ao Golpe de Estado de Dezembro de 1917.
            Nesse âmbito, devido ao período sidonista em que Portugal acabara de entrar, Norton de Matos seguiu exilado para Londres onde permaneceu até 1919. Nesse período de tempo envolvera-se em empresas privadas como agente da Empresa de Construções Navais Lda. (1918-1922) de José Branco e de outros associados, com sede em Lisboa e estaleiros em Viana do Castelo. Também se envolveu num projeto ligado à aviação que consistia na criação de um serviço comercial para Portugal e colónias, em associação com a firma Fernandes, Bragança e Pereira, Lda.
            Finalmente, após dois anos, regressa novamente a Portugal e é prontamente nomeado Delegado Português na Conferência da Paz, a convite de Afonso Costa.
            Em 1920 é nomeado Alto-Comissário da República em Angola, tendo assumido funções a 16 de abril de 1921 onde permaneceu até 1924.
            De regresso de uma forma conturbada, foi em 1 de julho de 1924 nomeado Embaixador de Portugal em Londres, lugar que ocupou até 1926.
            Maçónico desde 1912, data em que foi iniciado na Loja Pátria e Liberdade com o nome de Danton, foi progressivamente subindo nos degraus do Grande Oriente Lusitano, até atingir a 30 de abril de 1930 a posição de Grão-Mestre da Maçonaria, lugar em que se manteve até 1935, na véspera da publicação da chamada "Lei das Associações Secretas".
            Após uma década afastado da vida política, voltou ao ativo com a apresentação da candidatura à Presidência da República em 1948, cujas eleições vieram a decorrer em 13 de fevereiro de 1949. O opositor Norton de Matos acabou por desistir dias antes da candidatura, dando assim o lugar de vitória ao Marechal Óscar Carmona.
            Faleceu a 2 de janeiro de 1955 na sua casa de Ponte de Lima.

            Neves, Roberto Barreto Pedroso das.
            Pessoa singular · 1907-1981

            Roberto Barreto Pedroso das Neves nasceu no dia 7 de Setembro de 1907, no lugar de Escalos do Meio, Pedrógão Grande. Era filho de Manuel Vicente Pedroso Neves e de Dalila Barreto Pedroso e faleceu no Brasil a 28 de Setembro de 1981.1

            Assim Cantava um Cidadão do Mundo, já divulgado por nós em Outubro de 2015, é um livro que, há muito tempo se encontra esgotado, por isso difícil de encontrar, acaba de ser reeditado em fac-símile por Aires B. Henriques, proprietário do Museu da República e Maçonaria de Pedrógão Grande, terra da naturalidade de Robertos das Neves.

            “Roberto Barreto Pedroso das Neves é porventura um dos cidadãos que em Portugal mais viveu intensamente o curso dos diferentes períodos da política nacional, ao ponto de, pela acção e pelo verbo, nelas pretender intervir a bem dos valores da paz, da livre convivência e do progresso.” Aires Henriques

            Que belo seria o mundo
            Se não tivesse fronteiras
            E uma só língua falasse
            Sem divisão de Bandeiras”

            MÁRIO MÁXIMO, Escritor e poeta / Ex-Presidente da Associação Fernando Pessoa/ Gestor de Assuntos Lusófonos, escreveu na contracapa do livro:

            “UMA PÁTRIA PLANETÁRIA
            Natural de Pedrógão Grande, ROBERTO DAS NEVES é uma daquelas personalidades cuja vida e obra se fundem. A sua vida (1907-1981) desenrolou-se num tempo pródigo em acontecimentos mundiais de forte impacto global (duas guerras mundiais, a guerra civil de Espanha e, mais próximo, o 25 de abril de 1974). Sem dúvida um tempo pródigo em mudanças globais, mas também em ‘debates políticos, culturais, espirituais e artísticos’ muito intensos.
            ROBERTO DAS NEVES foi um devotado anarquista. Sendo, ainda, esperantista; maçon; ateu; vegetarianista; pacifista; jornalista; anticlerical; antissalazarista e anticomunista (recusando o caráter concentracionário do socialismo real). Foi, sem dúvida, um incansável lutador pela liberdade em todas as suas vertentes.

            Depois de conhecer, por diversas vezes, o cárcere salazarista, escolheu o Brasil como terra para tentar realizar os seus sonhos e ideais. Digamos que nessa escolha mostrou muito do seu apego à Língua Portuguesa que tanto amava e que tanto cultivou. ROBERTO DAS NEVES foi um escritor de vasta e multifacetada obra e foi poeta. Alguém lhe chamou de poeta maçónico.

            Paraf-Javal.
            Pessoa singular · 1858 - 1941

            George Mathias (Paraf-Javal) nasceu a 31 de outubro de 1858 em Paris e faleceu dia 13 de março de 1941 em Montluçon. Foi inspetor de navegação, professor de ciências naturais, artista e escritor. Defensor da ideologia do anarquismo individualista.

            Iniciou a sua atividade política no contexto do caso Dreyfus. Em 1902, juntamente com Élisée Reclus e outros, torna-se um dos fundadores da Société pour la création et le développement d'un milieu libre en France que apoiou a criação de uma comunidade libertária (La Clairière de Vaux). Foi um dos fundadores da Liga antimilitarista. Escreve para o jornal "Le Libertaire".

            Iniciou-se na maçonaria na loja "La Montagne" da Grande Loja da França, em Paris.

            Porto, César.
            PT-AHS-ICS-CPorto · Pessoa singular · 1873-1944

            Formou-se em Antropologia, em Paris, e exerceu o magistério primário em várias escolas portuguesas. Assíduo colaborador do jornal A Batalha tendo também colaborado na revista Renovação (1925-1926); era mação e republicano e iniciou sua vida política como libertário.

            Ganhou lugar entre a intelectualidade portuguesa participando no movimento para a educação progressista. A César Porto, professor de Português e Sociologia da Escola Oficina nº 1, se deve o primeiro estudo sobre a pedagogia soviética com base na vivência de uma viagem à Rússia a convite da Federação Pan-Russa dos Trabalhadores de Ensino. O relato da viagem, A Rússia Hoje e Amanhã, teve circulação restrita durante o governo da ditadura.

            Em 1924 fundou e dirigiu a revista Educação Social que era a favor da educação progressista, a Escola Única, em prática na Escola Oficina nº1 e na Escola da Granja. A revista teve a colaboração de várias personalidades proeminentes da educação e cultura que defendiam o ensino com base em filosofias de ensino com base na experiência da criança como as de Claparède, Stanley Hall, Ferrière, Kerchensteiner e Dewey.

            Fez parte da comissão promotora da Liga de Ação Educativa e do conselho pedagógico da Universidade Popular Portuguesa.

            Sociedade Promotora de Asilos, Creches e Escolas
            PT-AHS-ICS-SPACE · Pessoa coletiva · 1876 -

            Instituição fundada em 20 de junho de 1876, com a designação de Sociedade Promotora de Creches, tinha por objetivo receber crianças carenciadas com idades compreendidas entre um mês e quatro anos. A sua primeira creche será inaugurada, em 5 de novembro de 1876, no Largo do Outeirinho da Amendoeira, que contou com a presença do Rei D. Luís. Tinha origem na Maçonaria.

            Em 10 de novembro de 1878, transfere os seus serviços e a creche para o Largo da Graça.

            Em 26 de abril de 1904, são aprovados os novos estatutos e a instituição passa a denominar-se Sociedade Promotora de Asilos, Creches e Escolas.

            Em 1 de janeiro de 1905, é inaugurada a primeira escola-oficina, a Escola-Oficina N.º 1, contendo no seu plano curricular aulas de desenho, modelagem e escultura em madeira.

            Em 20 de Junho de 1912, é promulgada por Carta de Lei, uma reforma dos estatutos, e passa a designar-se Sociedade Promotora de Escolas, tendo como um dos seus fins a “manutenção de Escolas e a propaganda por todas as fórmulas de bons métodos educativos“.
            A Sociedade Promotora de Escolas passa a ser considerada de utilidade pública, por carta de lei datada de 20 de julho de 1912, publicada em 22 de agosto do mesmo ano.

            A partir do Estado Novo, e face aos Decretos-Lei n.º 20181, 7 de Agosto de 1931, e n.º 28081, de 9 de Outubro de 1937, em que determinam o regime de separação dos sexos em todas as escolas do país, a Sociedade Promotora de Escolas opta pelo ensino feminino e determina o encerramento das oficinas. A Escola Oficina N.º 1 passa a ter, então, exclusivamente, ensino primário e inteiramente gratuito.

            Após o 25 de Abril, com a reformulação do sistema de ensino básico do país, a Escola Oficina n.º 1 vê os seus alunos serem integrados no ensino oficial.