Operariado

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              Benedy, José do Patrocínio.
              Pessoa singular · 1866 - 1951

              Tipógrafo, fotógrafo e fotogravador.

              Militante de várias causas (defensor dos marinheiros republicanos em 1908; de Ferrer em 1909; dos trabalhadores rurais, etc.) , distinguiu-se pelas suas excentricidades verbais e .Polítiicas. Anarquista e republicano, aderente ao Partido Socialista em 1920, Benedy era uma típica figura de autodidata e erudito, cujos escritos se encontram em quase toda a imprensa operária da I RepÚblica. Redactor de A Greve fez parte da primeira geração sindicalista revolucionária. Em 1920 fundou um jornal com o seu nome José Benedy, de que era, como é lógico, o único redactor. Autor prolixo escreve entre outros Pedras Toscas, 1912, Cirurgia, 1913, Escrita Simplificada, 1913; O Grande e Horrível Cime, 1916; 3º Congresso cbs Trabalhadores Rurais, 1918; A Ciência Redentora, 1921; O Vinho e o seu valor Fisiológico, 1930; etc.
              (Sobre Benedy veja-se Alexandre Vieira, Figuras Gradas do Movimento Social). JPP

              Constantino, Bartolomeu.
              Pessoa singular · 1863-1916

              Propagandista e organizador do movimento operário em Portugal. Sapateiro de seu ofício, era um autodidacta e um idealista sem mácula.
              Dotado de qualidades oratórias invulgares, a sua palavra tornou-se indispensável nos grandes comícios revolucionários do princípio do sec. XX, em que Bartolomeu Constantino arrebatava multidões com os seus tropos. Exaltado apologista do princípio da divisão da propriedade e distribuição equitativa da riqueza, foi perseguidÍssino pelas autoridades policiais, passando vida atribuladíssima e sofrendo muitas misérias e prisões, sem conto.
              Viveu entre nós {Almada) talvez uns oito anos {de 1903 a 1911) , tendo uma oficina de sapataria numa escada da Mutela. Popularíssimo, sempre atento aos problems da classe operária deste país, arrumava com frequência a ferramenta e fechava a oficina à menor solicitação dos seus irmãos de classe. Desempenhou um papel preponderante no concelho de Almada nos anos da agitação republicana. Colaborou em vários jornais almadenses, entre os quais O Corticeiro, de Manuel Fevereiro, e O Correio do Sul, dirigido por Marcos da Assunção.
              Supõe-se ter nascido no Algarve, por volta de 1868. Faleceu em Lisboa, no Beco da Ricarda, n9 4, em 11 de Janeiro de 1916. Segundo o relato dos jornais da época, a sua norte causou uma profunda emoção nas massas trabalhadoras. O seu funeral foi promovido e dirigido pela Federação da Construção Civil e pela União Comunista-Anarquista,
              Mais de vinte mil pessoas acompanharam o seu corpo ao Cemitério dos Prazeres, construindo-se oito tribunas para que usassem da palavra todos os oradores que para tal se inscreveram. Três filamónicas estiveram presentes no cortejo fúnebre: Academia Verdi, de Lisboa, Sociedade Filarmónica União Artística Piedense e Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense, estas do nosso concelho.
              Diz-nos ainda que o Século de 13 a 17 de Janeiro de 1916 inseriu noticias sobre a morte de Bartolomeu Constantino. Naquele jornal também apareceram noticias sobre as lutas em que este participou nos meses de Agosto (dias 23 a 26r 28 e 30) e de Setembro (6 a 8 e 11) de 1911 .

              Vidal, Angelina.
              Pessoa singular · 1853-1917

              Angelina Casimira da Silva Vidal (São José, Lisboa, 11 de março de 1847 – Anjos, Lisboa, 1 de agosto de 1917) foi uma jornalista, tradutora, professora, e escritora. Destacou-se na luta pelos direitos dos mais pobres e pelos direitos das mulheres. Ideologicamente, começou por estar alinhada com o republicanismo, transitando depois para o socialismo.

              Filha ilegítima do Maestro Joaquim Casimiro Júnior e de Rita Adelaide de Jesus, pertencia a uma família médio-burguesa. Tinha nove anos quando o pai e a mãe faleceram passando então a estar à guarda de um colégio de freiras. Com apenas dezanove anos, em 1872, casou-se com Luís de Campos Vidal, com quem teve cinco filhos. O casal acabaria por separar-se doze anos depois, situação que a levou inclusivamente a perder a tutela das crianças.

              Foi conferencista e jornalista, em particular na imprensa operária e muitas vezes sem remuneração. Iniciou nos anos de 1880 a colaboração com A Voz do Operário, do qual viria a ser editora entre 1897 e 1901. Colaborou também com o jornal Pró-Infância. Escreveu teatro, prosa e poesia, arrecadando dois prémios internacionais de poesia: um em 1885, com A Morte do Espírito, outro em 1902, com Ícaro. Fez uma breve incursão na olisipografia, publicando em 1900 o livro Lisboa Antiga e Lisboa Moderna.

              Preocupou-se, sobretudo, com as condições das mulheres operárias: no seu texto Às operárias portuguesas (1886), incentivou-as a lutar pelas 12 horas de trabalho, à semelhança das operárias austríacas. Naquela época, o dia de trabalho tinha 15 horas.

              Dirigiu ainda as publicações: Sindicato, Justiça do Povo, e A Emancipação (Tomar).

              Como o estado de divorciada não era legal na altura quando Luís de Campos Vidal faleceu (1894) nunca lhe foi atribuída a pensão de viuvez e passou por muitas dificuldades - a recusa da pensão também se deveu às suas atividades políticas. Nesse ano, Angelina terá tentado o suicídio. As operárias das fábricas do tabaco abriram uma subscrição para ajudá-la financeiramente. Também A Voz do Operário conseguiu uma proposta de cotização que lhe assegurava um vencimento mensal pelo seu trabalho como professora de francês. Dois anos depois, já sem esse vencimento, foi novamente auxiliada pelas operárias.