Angelina Casimira da Silva Vidal (São José, Lisboa, 11 de março de 1847 – Anjos, Lisboa, 1 de agosto de 1917) foi uma jornalista, tradutora, professora, e escritora. Destacou-se na luta pelos direitos dos mais pobres e pelos direitos das mulheres. Ideologicamente, começou por estar alinhada com o republicanismo, transitando depois para o socialismo.
Filha ilegítima do Maestro Joaquim Casimiro Júnior e de Rita Adelaide de Jesus, pertencia a uma família médio-burguesa. Tinha nove anos quando o pai e a mãe faleceram passando então a estar à guarda de um colégio de freiras. Com apenas dezanove anos, em 1872, casou-se com Luís de Campos Vidal, com quem teve cinco filhos. O casal acabaria por separar-se doze anos depois, situação que a levou inclusivamente a perder a tutela das crianças.
Foi conferencista e jornalista, em particular na imprensa operária e muitas vezes sem remuneração. Iniciou nos anos de 1880 a colaboração com A Voz do Operário, do qual viria a ser editora entre 1897 e 1901. Colaborou também com o jornal Pró-Infância. Escreveu teatro, prosa e poesia, arrecadando dois prémios internacionais de poesia: um em 1885, com A Morte do Espírito, outro em 1902, com Ícaro. Fez uma breve incursão na olisipografia, publicando em 1900 o livro Lisboa Antiga e Lisboa Moderna.
Preocupou-se, sobretudo, com as condições das mulheres operárias: no seu texto Às operárias portuguesas (1886), incentivou-as a lutar pelas 12 horas de trabalho, à semelhança das operárias austríacas. Naquela época, o dia de trabalho tinha 15 horas.
Dirigiu ainda as publicações: Sindicato, Justiça do Povo, e A Emancipação (Tomar).
Como o estado de divorciada não era legal na altura quando Luís de Campos Vidal faleceu (1894) nunca lhe foi atribuída a pensão de viuvez e passou por muitas dificuldades - a recusa da pensão também se deveu às suas atividades políticas. Nesse ano, Angelina terá tentado o suicídio. As operárias das fábricas do tabaco abriram uma subscrição para ajudá-la financeiramente. Também A Voz do Operário conseguiu uma proposta de cotização que lhe assegurava um vencimento mensal pelo seu trabalho como professora de francês. Dois anos depois, já sem esse vencimento, foi novamente auxiliada pelas operárias.