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          Antunes, Carlos.
          Pessoa singular · 1938-2021

          Antifascista, fundador das Brigadas Revolucionárias (BR) e do Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), Carlos Antunes nasceu em São Pedro (Braga), em 1938. Em 1955 adere ao Partido Comunista Português (PCP), passando quatro anos mais tarde à clandestinidade. Em 1963 vai para a Roménia, onde se junta à Rádio Portugal Livre, e em 1966 instala-se em Paris onde será responsável pela organização do PCP e pela fundação, em 1969, dos Comités de Ajuda à Luta do Povo Português.

          Questões relacionadas com a invasão da Checoslováquia, a guerra colonial e a defesa da luta armada levam a que rompa com o PCP e venha a fundar com Isabel do Carmo as Brigadas Revolucionárias (BR), regressando clandestinamente a Portugal e organizando e participando em várias ações armadas contra o regime, nomeadamente contra o seu aparelho e infraestruturas militares. Uma dessas ações ocorreu em julho de 1971, quando largam em Lisboa dois porcos com trajes de almirante, numa alusão à fraude eleitoral que reelegera Américo Tomás.

          Em 1973, uma cisão na Frente Patriótica de Libertação Nacional leva à criação do Partido Revolucionário do Proletariado (PRP).

          Dirigiu com Isabel do Carmo o jornal “Revolução”, porta-voz do PRP-BR, que foi publicado entre 1974 e 1977, e o jornal “Página Um”, publicação igualmente próxima do PRP, editado de 1976 a 1978.

          Em 1978 Carlos Antunes e Isabel do Carmo, entre outros militantes do PRP, são presos e acusados de vários crimes/ações armadas e de assaltos a bancos. Ao fim de vários anos de prisão preventiva, uma primeira condenação, protestos e greves de fome acabariam por ser absolvidos após julgamento e libertados em 1982.
          -Museum do Aljube

          Carmo, Isabel do
          Pessoa singular · 1940-

          Maria Isabel Augusta Cortes do Carmo (Barreiro, 12 de setembro de 1940) é uma médica, professora e ativista antifascista portuguesa. Em 2004 foi condecorada pelo presidente Jorge Sampaio com o grau de grande oficial da Ordem da Liberdade.

          Enquanto estudante de medicina participou nas lutas académicas de 1962. Foi dirigente da Ordem dos Médicos até ao seu encer´ramento pelo Estado Novo em 1972. Foi fundadora e dirigente, em conjunto com Carlos Antunes do grupo Brigadas Revolucionárias (BR), criado em 1970 e mais tarde também do partido político, que lhe servia de fachada, o Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), criado em 1973. Posteriormente à revolução de 25 de abril de 1974, durante o Processo Revolucionário em Curso desenvolveu atividade política nas ruas, empresas e fábricas. Em 1978 foi detida sob a acusação de autoria moral da ações armadas, das quais foi mais tarde ilibada e negou sempre ter tido qualquer papel na colocação das bombas. Em 1989, liderou a Comissão Pró-Amnistia Otelo e companheiros

          Correia, Pedro Pezarat.
          Pessoa singular · 1932 -

          Pedro de Pezarat Correia nasceu no Porto em 16 de novembro de 1932. Fez o curso liceal no Colégio Militar e a licenciatura em Ciências Militares na então Escola do Exército em 1954. Oficial general reformado desde 1986.

          Esteve em seis comissões durante a Guerra Colonial (Índia, Moçambique, Angola e Guiné). Participante, desde as suas origens, na movimentação militar que desembocou o 25 de Abril de 1974, integrou o Conselho da Revolução desde a sua criação em março de 1975 até à sua extinção em outubro de 1982 e, nessa qualidade, comandou a Região Militar do Sul.

          Na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra instalou e lecionou a cadeira de Geopolítica e Geoestratégia. Conferencista no IDN, UAL e outros institutos superiores militares. Autor e coautor de muitas dezenas de livros e trabalhos sobre geopolítica e geoestratégia, estratégia e conflitos, 25 de Abril, Guerra Colonial e descolonização. Especificamente na área militar é autor de Centuriões ou pretorianos bem como de Manual de Geopolítica e Geoestratégia.

          Esquerda Socialista (Jornal)
          Pessoa coletiva · 1974/09/12 - 1975/07/16

          Esquerda Socialista: Orgão do Movimento de Esquerda Socialista era o jornal semanal do Movimento de Esquerda Socialista com 39 edições numerados (n.º0-38) e um especial sobre o golpe de 11 de Março 1975, saídos entre 1974/09/12 e 1975/07/16, quando foi substituído pelo jornal Poder Popular (nova série), cujo primeiro número saiu em 23 de Julho de 1975. Havia um plano de remodelação do jornal para revista periódica, mas isso nunca aconteceu.

          A primeira redação provisória localizava-se na Rua Garrett 80-4 Lisboa, mais tarde a redação mudou para a rua Rodrigues Sampaio 79, r/c Lisboa. O jornal era composto e impresso pela Renascença Gráfica, S.A.R.L.,
          O primeiro diretor interino foi César Oliveira (nº0 (?) - nº6 (?)) seguido pelo Rogério de Jesus (nº7- nº10) e Augusto Mateus (nº11-38)

          O número 12 (1975-01-14) foi erradamente impresso com n.º11 no cabeçalho. O número 20 (1975-03-18) foi erradamente impresso com n.º18 no cabeçalho.

          Gazeta da Semana
          Pessoa coletiva · 1976/04/01 - 1977/01/15

          GAZETA DA SEMANA, semanário, publicou-se de 1 de abril de 1976 e 3 de dezembro de 1976, totalizando 31 edições complementadas por um número especial, em 15 de janeiro de 1977, que pretendeu, sem êxito, relançar o jornal. Teve como diretor João Martins Pereira, e como último proprietário a ÁGUA MOLE – Sociedade Cooperativa para produção de actividades culturais e editoriais, SCAR. Era um jornal da esquerda revolucionaria, sem afiliação partidário.

          O novo semanário era propriedade de João Martins Pereira - secretário de Estado da Indústria e Tecnologia do IV Governo Provisório, em funções durante o “Verão Quente” de 1975 - que também era o diretor; o jornalista Jorge Almeida Fernandes assumia as funções de diretor-adjunto; a redação era constituída por jornalistas do recentemente desaparecido diário República (em 22/12/1975), e contava com a colaboração de Fernando Silva Oliveira Baptista, ministro da Agricultura do IV Governo Provisório, Valentim Alexandre, Alfredo Soveral Martins, Adelino Gomes e Joaquim Furtado, entre outros.

          Teve uma vida breve, 9 meses, e intermitente, pois conheceu duas interrupções, sempre derivadas de «dificuldades económicas», abertamente assumidas: a primeira, entre Agosto e Setembro; a segunda, e derradeira, entre Dezembro de 1976 e Janeiro de 1977. Deixou um legado de 31 números mais 1, um «Número Especial», a sua última batalha pela sobrevivência.
          -Hemeroteca Municipal de Lisboa

          Gomes, Francisco Costa
          Pessoa singular · 1914-2001

          Militar e político português. Foi comandante das Regiões Militares de Moçambique (1965-1969) e de Angola (1970-1972). Fez parte da Junta de Salvação Nacional e ocupou o cargo de presidente da república entre 1974 e 1976.

          Movimento: Boletim Informativo Das Forças Armadas
          Pessoa coletiva · 1974/09/09 - 1975/08/14

          [quinzenal] Boletim Informativo do Movimento das Forças Armadas, dirigido pela Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Foram publicados ao todo 25 números, entre 1 de setembro de 1974 e 14 de agosto de 1975, que tinham por objetivo divulgar a situação económica, social, política e militar vivida em Portugal, após o 25 de Abril de 1974. A edição do boletim era da responsabilidade da 5ª Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas, e a sua distribuição estava a cargo do jornal O Século.
          -http://casacomum.org/cc/arquivos?set=e_3147

          Página Um
          Pessoa coletiva · 1976/05/08 - 1978

          "Página Um" era um jornal da extrema-esquerda ativo durante os anos 1976-1978. Inicialmente era publicado num ritmo quase diário, e semanal a partir de 17 de Fevereiro de 1977. O jornal foi fundado por Isabel do Carmo e Carlos Antunes. O primeiro diretor era Jorge Fagundes, que deixou esse cargo em 21 de Julho de 1977, devido as outras obrigações profissionais. Foi substituído por Rui de Oliveira.

          Pereira, João Martins
          Pessoa singular · 1932-2008

          João Martins Pereira (JMP) nasce em Lisboa, em novembro de 1932. Apesar da formação inicial em engenharia química-industrial no Instituto Superior Técnico, em 1956, estuda sociologia e economia do trabalho no Institut des Sciences Sociales du Travail, em Paris, em 1963 e 1964. Dois anos depois, em 1966, entra para a redação da Seara Nova onde ficaria até 1968. A partir de 1969, faz parte da redação de O Tempo e o Modo, até ser expulso, em 1971, por uma maioria maoista associada ao Movimento Reoganizativo do Proletariado Português (MRPP). Entretanto, ainda em 1971, publica Pensar Portugal Hoje, e, em 1974, Indústria, Tecnologia e Quotidiano. Nesse mesmo ano, logo após o golpe militar de 25 de Abril, torna-se o principal responsável pela área económica da revista Vida Mundial, dirigida por Augusto Abelaira. A convite de João Cravinho entra, em Março de 1975, para o IV Governo Provisório como secretário de Estado da Indústria e da Tecnologia do IV Governo Provisório e está, por isso, à frente do processo de nacionalizações. No entanto, demite-se do cargo em julho desse mesmo ano. Em 1976, publica O Socialismo, a Transição e o Caso Português e apoia criticamente a candidatura presidencial de Otelo Saraiva de Carvalho, assinando uma carta aberta ao próprio publicada pela imprensa nacional e estrangeira. Ainda em 1976 ajuda a fundar a Gazeta da Semana (mais tarde, em 1980, Gazeta do Mês), da qual será diretor. Publica, em 1980, Sistemas Económicos e Consciência Social e, em 1983, No Reino dos Falsos Avestruzes: provavelmente o livro mais polémico do autor, merecendo críticas e elogios de diversos setores político-partidários. Dois anos mais tarde, vota em Maria de Lurdes Pintasílgo apesar de esta não lhe criar particular entusiasmo político. Em 1987 apoia a campanha para as eleições europeias do Partido Socialista Revolucionário (PSR) e entra para a redação do seu jornal Combate – do qual fará parte até 2003. Entretanto, em 1989, publica O Dito e o Feito: livro diarístico mas de fundo político. Apesar de não ser militante, intervem no congresso de fundação do Bloco de Esquerda, em 1999. Em 2005 publica o seu último livro em vida, Para a História da Indústria em Portugal: 1941-1965: adubos e siderurgia. Morre em novembro de 2008, vítima de cancro.
          -João Moreira

          Poder Popular
          Pessoa coletiva · 1975-04-03 - 1978-07-13

          O Poder Popular – foi criado no âmbito da campanha eleitoral para a Assembleia Constituinte. O seu título corresponde plenamente à deriva esquerdista do MES, dando eco a uma das palavras de ordem adoptadas: «Lutar, Criar, Poder Popular».

          A 1ª série consistiu em 7 números, editados entre 3 e 23 de Abril de 1975, formato grande, semelhante ao do DN da época, com uma tiragem de 10 000 exemplares, em edição bissemanal – às quintas-feiras e domingos. O seu director foi o Paulo Bárcia, tendo sido impresso na ADFA (Associação dos Deficientes das Forças Armadas) e, ao que consta, não deixou dívidas.

          A 2ª série do Poder Popular tem início em 23 de Julho de 1975, com o fim do Esquerda Socialista, anunciando que este jornal se havia de transformar na revista teórica do MES, da qual em breve sairia o primeiro número. Tal nunca viria a acontecer não passando de uma ideia que, embora sempre estivesse presente, nunca foi concretizada.

          Esta série do PP atravessa todo o período mais conturbado da revolução, desde o «Verão Quente» de 1975 até à campanha presidencial de Otelo, sendo no nº 48, publicado em 21 de Julho de 1976, divulgados os resultados das eleições presidenciais. Até ao nº 29 o director foi Fernando Ribeiro Mendes sendo tal tarefa, na sequência do II Congresso, atribuída a Eduardo Ferro Rodrigues, que dirigiu o PP do nº 30 ao nº 48.

          A 3ª série do PP foi dada à estampa entre Julho de 1976 e Fevereiro de 1978, com a edição de 16 números, a partir do nº 49, no qual se comemorava o 2º aniversário do jornal. O seu director, neste período, foi o subscritor destas linhas (até ao nº 61) que se viu a braços com uma situação política brevemente caracterizada, num relatório interno, nos seguintes termos: « – o desânimo e o desencanto, pós-presidenciais, de largos sectores revolucionários, …; – o fracasso progressivo dos GDUPs/MUP; – a existência de fortes divergências internas que, pela 1ª vez na nossa história, se põem duma forma aberta e atravessam o Partido, a sua direcção e os quadros mais activos; são as tomadas de posição polémicas face ao MUP, e a saída (no nº 54) da famosa Resolução da 8ª Reunião do CC …».

          A 4ª série do PP é publicada entre 1 de Fevereiro de 1978, (nº 65) e 13 Julho (nº 76) do mesmo ano, desde o nº 62, sob a direcção de Augusto Mateus, tendo sido o canto de cisne da imprensa do MES. No seu conjunto foram editados, entre 2 de Abril de 1975 e 13 de Julho de 1978, 83 números do Poder Popular.

          -Eduardo Graça

          Revolução (Jornal)
          Pessoa coletiva · 1974-1977 (?)

          Revolução era um jornal semanal, propriedade de Isabel do Carmo, e Porta-Voz do PRP/BR. Apesar de textos sobre os desenvolvimentos do partido e da situação dos trabalhadores, apresentou também artigos sobre anticolonialismos. Digno de destaque são as ilustrações e explicações dos certos armas, como, por exemplo, o Walther P39 9mm dentro número 53, indubitavelmente relacionados com os apelos á (e atos de) resistência armada do partido.

          Algumas edições foram impressas sem número, e houve algumas espécias.

          Spínola, António de.
          Pessoa singular · 1910-1996

          Militar e político português, foi Governador e Comandante-Chefe das Forças Armadas na Guiné entre 1968 e 1973. Em fevereiro de 1973, publicou o livro Portugal e o Futuro. Depois do 25 de Abril, é escolhido pela Junta de Salvação Nacional para exercer o cargo de Presidente da República (maio-setembro de 1974).

          Voz do Povo
          Pessoa coletiva · 1974 − >=1981

          "Voz do Povo" (1974/07/13) era um semanário da extrema-esquerda, critico do partido comunista portuguesa sob Cunhal a partir da sua criação.
          Era integralmente ligado ao UDP (que foi criado no dezembro do mesmo ano), e apesar de afirmar não ser um jornal partidário, dedicou muito espaço à cobertura favorável da UDP, informando sobre os acontecimentos do partido e chegando a ter o seu lema impresso no cabeçalho durante muito tempo.

          A maioria dos jornalistas era parte do PCP (R), um elemento do UDP, e o jornal as vezes recebeu dinheiro dos fundos do partido para cobrir déficits. As relações azedaram no 17 de abril de 1979 durante a cisão do PCP (R), quando a maioria da redação deixou o partido. No próximo dia militantes e líderes do partido entraram o edifício e tentaram de ameaçar a redação a ceder controlo, sem grande sucesso. Após deste acontecimento, o jornal Voz do Povo ainda apoiou o UDP (cujos dirigentes criticaram o comportamento do PCP (R)), mas regulamente apresentava artigos criticais sobre os desenvolvimentos no PCP (R).

          Ao longo dos anos mudou o seu formato vários vezes, mudou o dia da publicação e mais tarde começou também a ter primeiras páginas monocromáticas. Tinha vários suplementos.

          Existe um intervalo inexplicável de mais de um mês entre o número 154 (1978-03-30) e o início da segunda série com o número 155 (1978-05-03). Esta situação é estranhada pelo facto de o editorial do número 246 (1979-04-25) indicar que a primeira edição experimental da segunda série foi lançada exatamente um ano antes.