Após uma interrupção de alguns meses, iniciamos neste número a regularidade do Boletim de Estudos Operários (1982-1987) – dois números anuais. Essa nova periodicidade permite reunir e divulgar os trabalhos desenvolvidos nos meses anteriores, evidenciando a diversidade de fontes que o AHS tem vindo a salvaguardar. Este número percorre diferentes momentos do século XX: da história da Junta Nacional do Azeite durante a transição do Estado Novo ao internacionalismo secular da Escola Moderna, do campo dos Estudos Operários consolidado em Portugal nas últimas décadas às dinâmicas de anticolonialismo e pan-africanismo associadas às independências africanas.
Em destaque, o investigador Tiago Gomes oferece-nos uma reflexão a partir do mapa das cooperativas ligadas à JNA, salvaguardado por um projecto coordenado pelo investigador Manuel Lucena durante a transição do longo Estado Novo, e posteriormente reutilizado num manuscrito que não chegou a publicar. Neste número temos também a estreia de Catarina Pinto na secção escolha do arquivista, com um ensaio sobre o fundador da Escola Moderna, cuja morte teve impacto internacional, tal como expressam fontes no AHS oriundas do espólio de Pinto Quartin.
O Espólio Pinto Quartin mantém-se ainda como um manancial de fontes na longa duração. Catarina Pinto converteu também para digital o catálogo desenvolvido por Goreti Matias em 1985 e 1986, publicado em três partes no Boletim de Estudos Operários (nºs 7, 8, e 9), numa iniciativa AHS que recupera informação sistematizada para um campo de estudos então emergente.
Recentes adendas ao catálogo derivam do projeto de investigação de Annarita Gori, Export Portugal: Cultural Diplomacy and the Rebranding Strategies of the Estado Novo in the United States, e da doação do filho de Cristina Fernandes Pereira. Ao nível do inventário digital, destacam-se duas outras novidades: a biblioteca pessoal de António Sousa Ribeiro com mais de seis centenas de publicações sobre o colonialismo português; e, com a conclusão do tratamento arquivístico do espólio de José Carlos Horta, o acesso em linha a correspondência com Viriato da Cruz, nacionalista angolano, depois de em número anterior termos assinalado o seu papel na UGEAN. Boas leituras. Inês Ponte