Conjunto de cartas enviadas por Viriato da Cruz a José Carlos Horta, maioritariamente datadas do período em que Viriato da Cruz se encontrava em Pequim (fev. 1968 - fev. 1972).
O conjunto integra igualmente alguns rascunhos de cartas de José Carlos Horta, bem como correspondência não datada.
Por fim, inclui fotocópias de correspondência trocada entre Viriato da Cruz e José Carlos Horta e entre Viriato da Cruz e Monique Chajmowiez.
Carta
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Espólio pessoal de António Tomás Pinto Quartin, constituido quer por documentação de natureza pessoal, quer por panfletos, brochuras, jornais, revistas, e alguns objectos que foi acumulando. Espelha a actividade jornalística e política de Pinto Quartin, contendo ainda correspondência pessoal com políticos e intelectuais da época, e vários dos seus interesses culturais, com especial ênfase no teatro. Espelha também a relação conjugal de longa data (de 1916 a 1970) com Deolinda Lopes Vieira (1888-1993), professora primária.
Reúne fontes de grande potencial para a história social e política dos últimos anos da Monarquia Constitucional e da I República e para o estudo da Oposição política ao Estado Novo, cobrindo sensivelmente o período de finais do século XIX até aos anos 50 do século XX.
O espólio é composto por documentação (originais e cópias) que abrange a atividade pessoal e política de José Carlos Horta.
No âmbito da sua atividade pessoal, o espólio inclui materiais biográficos de José Carlos Horta, sobretudo fotocópias de documentação recolhida em arquivos nacionais, com o propósito de reconstituir o seu percurso político. Contém também imprensa e recortes de imprensa internacional (1980-1990), bem como correspondência pessoal, com destaque para a correspondência familiar (1961-1976) e uma riquíssima correspondência com Viriato da Cruz (1961-1972).
No âmbito da sua atividade política, o espólio reúne documentação produzida e acumulada por José Carlos Horta ao longo do seu percurso militante.
Inclui documentos de organizações transnacionais, como a União Geral de Estudantes da África Negra (UGEAN) - da qual Horta foi uma das principais figuras -, nomeadamente correspondência, documentação interna e publicações periódicas (1960-1968). Contém também documentação relativa à Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (1961-1965), incluindo estatutos, resoluções, discursos e publicações periódicas, assim, como publicações periódicas e recortes de imprensa de caráter transnacional (1962-1968).
Contém ainda documentação de movimentos políticos nacionais, abrangendo os contextos moçambicano, angolano, guineense e português.
No que diz respeito a Moçambique, reúne documentos de várias organizações políticas, nomeadamente da UDENAMO (1961-1965), FRELIMO (1962-1973) e COREMO (1964-1972). Inclui também, embora em menor quantidade, documentação de outras organizações como a UNEMO (1967), FUNIPAMO (1963), CEML (1962-1965), RENAMO (1981-1983), MONAMO (1979?) e FUMO (1978-1980). Estão igualmente presentes documentos relacionados com o domínio colonial português, o contexto da guerra de libertação e o período pós-independência (1962-1979).
Relativamente a Angola, o espólio inclui documentação do MPLA (1960-1963), sobretudo no âmbito da sua atividade político-diplomática, com especial destaque para o período em que José Carlos Horta exerceu funções como conselheiro político (1960-1961). Estão também representadas outras organizações angolanas, como a UPA (1962), LGTA (1962), ELNA (1962), FDLA (1963) e GRAE (1964-1965). Destaca-se ainda a documentação relativa à Guiné, produzida maioritariamente pelo PAIGC (1961-1964), incluindo estatutos, comunicados, documentos militares e diplomáticos, publicações periódicas e recortes de imprensa.
Por fim, inclui também documentação relativa a movimentos políticos no contexto português, nomeadamente o PCP (1970), a FAP (1965), o OCMLP (1968) e o CMLP (1964-1965). Assim como exemplares do Boletim "Notícias de Portugal" (1966), editado pelo Secretariado Nacional de Informação.
Horta, José CarlosContém correspondência de carácter predominantemente pessoal e familiar de José Carlos Horta, trocada entre as décadas de 1960 e 2000. Inclui cartas enviadas e recebidas de diversos membros da família, designadamente Maria do Carmo (mãe de José Carlos Horta, 1961-1976), Aurelina Horta (irmã, 1962-1976), José Carlos Salgado Horta (primo, 1976) e José Maria Sousa Horta (1975-1976), entre outros familiares.
Integra ainda uma vasta correspondência de natureza pessoal trocada com Graça Tavares (1971-1973), Domingos (Puskas) (1972), Maria Eugénia (1962-1974), Manuel Bernardo do Carmo Leal (1974), Gomes Barreto (1974), Carlos Lofgren (1976), Fernando Correia (s.d.), Carlos Pacheco (1998-2000), Edmundo Rocha (1996-1997), José Simuco (1997) e Artur Janeiro da Fonseca (1998), bem como uma carta-convite enviado pela Associação Casa dos Estudantes do Império (2000).
Por fim, inclui a série de correspondência trocada entre José Carlos Horta e Viriato da Cruz (1961-1972), onde se destaca o conjunto de cartas do período em que Viriato da Cruz se encontrava em Pequim (fev. 1968 - fev. 1972). De forma complementar, encontram-se ainda fotocópias dessas cartas de outras trocadas entre Viriato da Cruz e Monique Chajmowiez.
Viriato da Cruz confirma a José Carlos Horta ter recebido sua carta de 24 de Agosto.
Refere-se à carta de Domingos e que esta resulta das diligências iniciadas por este no mês de Junho sobre a sua saída da China.
Refere-se a Amílcar Cabral (codinome Djassi) como um “Júlio César”, representante do “novo czarismo”.
Viriato da Cruz solicita a José Carlos Horta que encaminhe uma carta e um questionário a Domingos.
Solicita-lhe o envio do Dicionário Lello Ilustrado
Pergunta-lhe sobre o novo endereço de Castro Lopo na França.
Viriato da Cruz agradece a José Carlos Horta os recortes e revistas de Moçambique. Comunica-lhe o seu novo endereço em Pequim.
Viriato da Cruz tece críticas a política internacional levada pelo “Príncipe perfeito”.
Relata não poder enviar a cópia de um livro que Domingos lhe solicitara; confessa que queimou a maior parte dos seus trabalhos por medo de ser apanhado pelos guardas-vermelhos.
Viriato da Cruz pede a José Carlos Horta que confirme com Domingos se a carta que recebeu fora mesmo enviada por ele.
Nega a sua relação com os ditos grupos “marxistas-leninistas”.
Pede informações sobre o PCA (Partido Comunista Angolano) e ressalta que seu nome vem sendo usado de maneira abusiva.
Viriato da Cruz solicita a José Carlos Horta que faça chegar uma carta a Domingos.
Viriato da Cruz demonstra desconfiança sobre uma carta – dactilografada – que recebera supostamente de Domingos com uma assinatura que parecia não ser a dele. Relata que angolanos estão sendo utilizados para enganá-lo. Cita o nome de Octávio Belo.
Viriato da Cruz confirma a José Carlos Horta o recebimento dos relatórios do Banco de Angola, agradecendo-lhe pelo envio; afirmar os estar lendo lentamente.
Refere-se como insuficientes os extractos do relatório de Cupertino Miranda publicado no jornal “Notícias”.
Fundamenta a Horta suas críticas às conceções “marxistas-leninistas”, que sustentavam a existência de “países socialistas”.
Viriato da Cruz confirma a José Carlos Horta o recebimento da sua carta de 26 de Setembro.
Agradece-lhe o envio do boletim “Liberté et Terre”.
Diz que escreverá a Campos.
Faz menção ao surgimento de um novo grupo político de Moçambique: União Nacional Africana de Rumbézia (UNAR), com sede em Malaw.
Tece comentários sobre a chegada de Marcello Caetano ao poder e sobre a sua política de continuidade em relação a António de Oliveira Salazar concernente às colónias portuguesas. Faz críticas ao Partido Comunista Português.
Discorre sobre o novo estágio do capitalismo: o Capitalismo Monopolista de Estado.
Viriato da Cruz tece um extenso comentário acerca das declarações de Murupa publicadas no “Notícias” de Lourenço Marques e declara não considerar uma novidade o medo que ele manifestou pelo socialismo e pelo comunismo.
Viriato da Cruz confirma ter recebido a carta de José Carlos Horta de 6 de Novembro.
Agradece-lhe pelo envio dos recortes de jornais.
Refere-se a Kaunda (Keneth Kaunda).
Agradece a Horta pela consulta ao Ferreira sobre a possibilidade de um emprego.
Viriato da Cruz confirma a José Carlos Horta o recebimento da sua carta de 14 de Fevereiro.
Agradece-lhe pelo envio dos jornais; refere-se ao “Mínimo”, a quem perdeu de vista há tempos.
Viriato da Cruz refere-se aos estudantes angolanos que já obtiveram bolsas de estudo.
Comenta sobre o estremecimento da relação entre Marcelino dos Santos e Eduardo Mondlane.
Viriato da Cruz pede que José Carlos Horta lhe confirme o recebimento da carta que lhe enviou em 26 de Fevereiro.
Envia-lhe fotos da sua família através do Viana.
Também informa a Horta o seu endereço em Pequim.
Viriato da Cruz refere-se à repressão do regime político da Guiné, liderado por Sékou Touré.
Desenvolve uma longa exposição sobre a dialéctica em Marx e sobre as condições socioeconômicas que podem criar as condições para uma luta de classes, a fim de demonstrar que a repressão do regime guineense não está de acordo nem com o marxismo, nem com as necessidades históricas da Guiné.