Subsecção DP - Descolonização Portuguesa

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Código de referência

PT-AHS-ICS-ML-B-DP

Título

Descolonização Portuguesa

Data(s)

  • 1995-2003 (Produção)

Nível de descrição

Subsecção

Dimensão e suporte

17 docs com a transcrição das sessões de entrevistas e 91 cassetes com as gravações das sessões de entrevistas.

Zona do contexto

Nome do produtor

(1938 - 2015)

História biográfica

Manuel de Lucena nasceu em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1938. Viveu a infância e uma parte da adolescência em Angola com a família. Regressou a Lisboa com 16 anos, onde frequentou o Liceu Pedro Nunes e depois um colégio de Jesuítas. Ingressou no Instituto Superior Técnico no curso de Engenharia Química que viria a trocar pelo curso de Direito na Faculdade de Direito, onde se licenciou em 1981. Durante a sua juventude, participou em movimentos monárquicos e católicos, designadamente a JUC (Juventude Universitária Católica), o CCC (cineclube católico) e colaborou n' "O Tempo e o Modo". Depois da crise académica de 1962, passou a militar na Extrema-Esquerda. Redigiu grande parte dos comunicados estudantis da RIA (Reunião Interassociações de Lisboa). A sua oposição à política colonial de Salazar acabou por conduzi-lo ao exílio em 1963. Viveu em Roma, Paris e Argélia. Durante o exílio, foi dirigente do MAR (Movimento de Acção Revolucionária), fez parte da Frente Patriótica de Libertação Nacional e teve uma breve colaboração com a LUAR. Em Paris, estudou no Institut de Sciences Sociales du Travail, onde fez a sua tese sobre o corporativismo. A tese que preparou veio dar origem ao seu primeiro livro — “A evolução do sistema corporativo português”. Vol. I: o Salazarismo; vol. II: o Marcelismo —, publicado em Portugal em 1976.
Após o 25 de Abril de 1974, regressou a Portugal. Participou, como alferes, no processo de descolonização de Cabo Verde. Veio terminar o seu serviço militar em Lisboa, no Gabinete de Dinamização do Exército, situado no Estado-Maior do Exército. Abandonou a Extrema-Esquerda e apoiou o manifesto do Grupo dos “Nove”, de Melo Antunes. Em 1975, tornou-se investigador do Gabinete de Investigações Sociais (GIS) e depois do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS), que lhe sucedeu, onde fez carreira até se reformar em 2008. A última actividade política que se lhe conhece é adesão à Aliança Democrática e a participação na campanha presidencial do general Soares Carneiro, em 1980. Afastado da política activa, dedicou-se sobretudo ao comentário político e à investigação científica do corporativismo, dos fascismos e totalitarismos, do processo revolucionário português, a descolonização portuguesa e a consolidação democrática no pós-25 de Abril. Foi docente em cursos no Instituto de Defesa Nacional e na Força Aérea (para oficiais generais) e no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica abordando alguns dos referidos temas de investigação, sobre os quais também proferiu conferências e orientou seminários em várias outras instituições.

Nome do produtor

(1944-2016)

História biográfica

Maria de Fátima da Silva Patriarca nasceu no Monte do Sol Posto, concelho de Coruche, em 19 de Janeiro de 1944 e morreu em Lisboa no dia 11 de Março de 2016. A infância e a juventude foram passadas em Angola e em 1961 ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa para estudar Germânicas, curso que abandona, transferindo-se em 1963 para o Instituto Superior de Serviço Social, onde se diplomou em 1967. Em Novembro desse ano participou nas acções de socorro às vítimas das cheias a zona da Grande Lisboa, momento decisivo na sua formação cívica e política.
Entre 1968 e 1973 foi técnica de Serviço Social na Direcção-Geral de Previdência e Habitações Económicas. Entre 1970 e 1972 foi bolseira da Fundação Gulbenkian, frequentando o Troisième Cycle em Sociologia, na École Pratique des Hautes Études, VIe Séction, onde obteve o Diplôme d’Études Approfondies en Sciences Sociales. Após regressar de França colaborou no Grupo de Sociologia do Gabinete Técnico de Habitação da Câmara Municipal de Lisboa e em 1973 integrou o Centro de Documentação e Informação deste organismo.
Leccionou no Instituto Superior de Serviço Social entre 1969 e 1970 e, novamente, em 1974/1975. Em 1975 foi assistente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), onde leccionou o “Seminário sobre a sociedade portuguesa – área de conflitos de trabalho”, e ingressou no Gabinete de Investigações Sociais (GIS), dedicando-se em pleno à actividade como investigadora. Nos anos seguintes referência para o trabalho notável acerca das lutas na Lisnave durante o processo revolucionário.
Em 1980 licencia-se em Sociologia no ISCTE, com a classificação final de 18 valores. Em 1981 organizou o colóquio “O movimento operário em Portugal” e em 1984 coordenou o seminário “Fontes e arquivos com importância para o estudo do movimento operário”. Entre 1989 e 1991, sob orientação de Maria Filomena Mónica e Manuel de Lucena e, depois, de Adérito Sedas Nunes, desenvolve o projecto de investigação “O processo de instauração do corporativismo, no domínio das relações entre o capital e o trabalho (1930-1947)”. Participou ainda em projectos como “Conflitos de trabalho após o 25 de Abril”, “A acção operária nas empresas após o 25 de Abril – significado do movimento conflitual e grevista”, “O trabalho e a acção operária na indústria metalomecânica pesada” ou “Sindicatos, contratação colectiva e greve: o caso dos metalúrgicos portugueses (1968-1972) ”.
Em 1992 concluiu as provas da carreira de investigação no Instituto de Ciências Sociais (ICS), com a classificação máxima, com a dissertação “Processo de implantação e lógica e dinâmica de funcionamento do corporativismo em Portugal – os primeiros anos do salazarismo”, publicado em livro com o título “A Questão Social no Salazarismo, 1930-1947”. Além da dissertação, prestou provas complementares, tendo apresentado o trabalho “Projecto de investigação: sindicatos e luta social no regime corporativo – dos anos 50 a 1974”.
Tendo como área de especialização a Sociologia Industrial e concentrando o essencial da sua actividade no ICS, foi, com Maria Filomena Mónica, responsável pela criação do Arquivo Histórico das Classes Trabalhadoras, mais tarde Arquivo de História Social. Neste âmbito destaque para o rigoroso trabalho sobre o Diário do chefe de gabinete de Salazar, Antero Leal Marques. Publicou dezenas de artigos em revistas, obras colectivas ou entradas de dicionários.
Participou e leccionou também em seminários de pós-graduação ou cursos de mestrado em instituições como a Escola Nacional de Saúde Pública ou a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Em 2000 publicou “A Revolta do 18 de Janeiro de 1934”, em 2005 jubilou-se e em 2015 publicou o seu último trabalho, centrado na revisão científica de “Cronologias de Portugal Contemporâneo (1960-2015)”.

Nome do produtor

(1946 -2021)

História biográfica

Licenciado em Direito e doutorado em Sociologia Política pela Universidade de Lisboa, e com agregação em Instituições Políticas pela Universidade Nova de Lisboa, Luís Salgado Matos ingressou no ICS em 1982.

Da sua vasta obra publicada merecem especial destaque o livro "Investimentos Estrangeiros em Portugal" (Seara Nova 1972), obra pioneira de investigação sobre o enquadramento internacional da economia portuguesa, e o livro "O Estado de Ordens" (Imprensa de Ciências Sociais 2004), onde expõe a sua abordagem original sobre as articulações entre Igreja, Forças Armadas e Estado.

Para Salgado Matos são estas instituições triangulares que estão na base da formação das estruturas políticas das sociedades contemporâneas e que imprimem sentido às suas rotinas organizativas. A sua análise (desenvolvida em diversos livros e artigos) é fundamentada num aprofundado trabalho empírico sistemático sobre estas instituições que garantem a identidade (Igreja), a segurança (Forças Armadas) e a reprodução (Estado) do sistema político.

Luís Salgado Matos era dotado de uma vasta e plurifacetada cultura literária e académica nos múltiplos domínios das ciências sociais. E exibia um enorme sentido de humor e sentido crítico em relação às próprias instituições que o acolheram e que muito beneficiaram dos seus contributos reflexivos. Articulava investigação académica com observação participante das instituições que tão bem analisou.

Nas décadas de 1960 e 1970 colaborou com regularidade nas revistas O Tempo e o Modo e Seara Nova. Foi membro do Governo de Transição de Moçambique (1974-1975), presidente do Instituto Português de Cinema e da administração do Teatro Nacional São Carlos e do Porto de Lisboa (1983-1993). Foi também consultor do ministro da Defesa Nacional, Júlio Castro Caldas (2000), e do Presidente da República, Jorge Sampaio (entre 2001 e 2006). https://www.ics.ulisboa.pt/info/breve-biografia-0

Luís Salgado de Matos foi coordenador do Seminário Permanente sobre o Estado e as Igrejas, uma parceria entre o CEHR e o Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa (UL), que concretizou três projetos de investigação (2006-2015). Publicou, entre outras, ‘A Separação do Estado e da Igreja’ (2011) e ‘Cardeal Cerejeira: um patriarca de Lisboa no século XX português’ (2018). O seu percurso biográfico é também marcado pelo envolvimento na revista Seara Nova e no jornal O Tempo e o Modo (sob o pseudónimo de Luís Amado de Passos) além de ter sido preso pela PIDE em 1965, quando era estudante da Faculdade de Direito.

Entidade detentora

História do arquivo

Fonte imediata de aquisição ou transferência

Zona do conteúdo e estrutura

Âmbito e conteúdo

Série de transcrições de entrevistas sobre a descolonização portuguesa de 1974/1975, a protagonistas [portugueses] desse processo: por um lado, governantes, chefes militares, dirigentes do MFA e outros que então actuaram na Guiné-Bissau, em Cabo Verde, Angola e Moçambique; por outro lado, responsáveis metropolitanos ou íntimos colaboradores seus. A equipa, coordenada por Manuel de Lucena, incluia os investigadores Maria de Fátima Patriarca, Carlos Gaspar, Luís Salgado de Matos. Desenvolvido no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, o projecto foi apoiado pela Fundação Oriente.

"Não procurando promover qualquer interpretação, chegar a juízos gerais ou encerrar os eventos abordados numa dada problemática, o grupo entrevistador foi seguindo os relatos e aceitando as visões dos seus interlocutores, embora não deixasse de lhes solicitar esclarecimentos por vezes incómodos.
E, sendo esses interlocutores muito variados, designadamente do ponto de vista ideológico e político, das ditas conversas resultaram textos cujo principal interesse, para além do maná das informações soltas (algumas das quais inesperadas e outras contrárias a preconceitos correntes) consistirá talvez no estímulo de um pensamento livre e atento à complexidade dos temas em apreço. Mas disso julgarão os leitores."
"introdução: ponto V", por Manuel de Lucena

Avaliação, seleção e eliminação

Incorporações

Sistema de organização

Para além da introdução por Manuel Lucena, a subsecção é composta por 6 séries organizadas da seguinte maneira:
Série AO - Angola (4 documentos)
Série CV - Cabo Verde (4 documentos)
Série GW - Guiné Bissau (5 documento)
Série L - Metrópole (2 documentos)
Série MZ - Moçambique (2 documentos)
Série VK7 - Gravações (91 cassetes)

Zona de condições de acesso e utilização

Condições de acesso

Foi primeiro foco de divulgação autónoma em 2012, através do espaço dedicado ao AHS no site do ICS-ULisboa (2011-2012). Ver https://arquivo.pt/wayback/20100622092647/http://www.ahs-descolonizacao.ics.ul.pt/
Em 2015, após a transição para o AtoM, como também do falecimento do investigador, surge integrado no fundo de Manuel Lucena, sendo um de vários projectos de investigação que coordenou.

Condiçoes de reprodução

Idioma do material

    Sistema de escrita do material

      Notas ao idioma e script

      Características físicas e requisitos técnicos

      Instrumentos de descrição

      Zona de documentação associada

      Existência e localização de originais

      Existência e localização de cópias

      Unidades de descrição relacionadas

      Descrições relacionadas

      Nota de publicação

      Graça, Luis, 2012, Guiné 63/74 - P9526: As novas milícias de Spínola & Fabião (1): excerto do depoimento, de 2002, do Cor Inf Carlos Fabião (1930-2006), no âmbito dos Estudos Gerais da Arrábida (Arquivo de História Social, ICS/UL - Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa); in Luís Graça & Camaradas da Guiné, https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/Estudos%20Gerais%20da%20Arr%C3%A1bida [GUINÉ-BISSAU]

      Nota de publicação

      Faria, A. M. & Pires, S. (2013). Os militares do MFA estacionados em África: de fazer a guerra para passar à descolonização. Encontro da Red(e) Ibero-Americana Resistência e(y) Memória (RIARM).; https://repositorio.iscte-iul.pt/bitstream/10071/16071/1/Os%20Militares%20do%20MFA%20estacionados%20em%20%C3%81frica.pdf [CABO VERDE]

      Nota de publicação

      Marques, Alexandra, 2013, Segredos da descolonização de Angola. Lisboa: D. Quixote. [ANGOLA E PORTUGAL METROPOLITANO]

      Nota de publicação

      Maria Paula Meneses e Catarina Gomes. 2013. "Regressos? Os retornados na (des)colonização portuguesa" in Maria Paula Meneses e Bruno Sena Martins (orgs), As Guerras de Libertação e os Sonhos Coloniais, pp. 59-107; [MOÇAMBIQUE] https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/42480/1/Regressos_Os%20retornados%20na%20des%20coloniza%C3%A7%C3%A3o%20portuguesa.pdf

      Nota de publicação

      Graça, Luis, 2014, Guiné 63/74 - P12688: Notas de leitura (560): A descolonização da Guiné: Depoimentos de protagonistas - Parte 1 de 4 (Mário Beja Santos); in Luís Graça & Camaradas da Guiné, https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2014/02/guine-6374-p12688-notas-de-leitura-560.html [GUINÉ-BISSAU]

      Nota de publicação

      Matos, Helena (2014). "Afinal, quem realizou a descolonização?" in Observador, 11 de outubro, https://observador.pt/especiais/quem-realizou-descolonizacao/ [MOÇAMBIQUE E PORTUGAL METROPOLITANO]
      Matos, Helena (2015). "Descolonização: O terror do batalhão em cuecas" in Observador, 28 de fevereiro, https://observador.pt/especiais/descolonizacao-o-terror-do-batalhao-em-cuecas/#

      Nota de publicação

      Aires Oliveira, Pedro. «Decolonization in Portuguese Africa». Em Oxford Research Encyclopedia of African History, por Pedro Aires Oliveira. Oxford University Press, 2017. https://doi.org/10.1093/acrefore/9780190277734.013.41.

      Nota de publicação

      Marques, Isabel Alexandra Baptista. (2017). "Deixar África 1974-1977 : experiência e trauma dos portugueses de Angola e de Moçambique"
      Tese de doutoramento, História (Dinâmica do Mundo Contemporâneo), Universidade de Lisboa, com ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, Universidade de Évora, 2017, https://repositorio.ul.pt/handle/10451/28878 [ANGOLA]

      Nota de publicação

      Silva, António Duarte, 2019, O império e a constituição colonial portuguesa (1914-1974), Lisboa: Imprensa de História Contemporânea

      Nota de publicação

      Pires, Sandra M. da C. (2021). Os militares portugueses e a descolonização em Cabo Verde [Tese de doutoramento, Iscte - Instituto Universitário de Lisboa]. Repositório do Iscte. http://hdl.handle.net/10071/23083 [CABO VERDE]

      Nota de publicação

      Graça, Luis, 2024, Guiné 61/74 - P25382: A 23ª hora: Memórias do consulado do Gen Bettencourt Rodrigues, Governador e Com-Chefe do CTIG (21 de setembro de 1973-26 de abril de 1974) - Parte XVI: o golpe militar de Bissau; in Luís Graça & Camaradas da Guiné, https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2024/04/guine-6174-p25376-23-hora-memorias-do.html [GUINÉ-BISSAU]

      Zona das notas

      Identificador(es) alternativo(s)

      Pontos de acesso

      Pontos de acesso - Nomes

      Pontos de acesso de género (tipologias documentais)

      Identificador da descrição

      Identificador da instituição

      Regras ou convenções utilizadas

      Estatuto

      Nível de detalhe

      Datas de criação, revisão, eliminação

      Criação Sistema de Organização e Revisão âmbito e conteúdo 2023.11.15, jps.
      Acrescentado nota de publicação, Aires 2017; Marques (2017) e Pires (2017) ip, 2024-05. Acrescentado nota de publicação, Silva 2019 ip, 2025-06
      Acrescentado historial de condições de acesso; no âmbito, o 2º parágrafo do ponto 6; e notas de publicação: Faria & Paris (2013); Marques (2013), Matos (2014, 2015), Meneses & Gomes (2015), e Graça (2012, 2014, 2024) 2025-09, ip

      Línguas e escritas

        Script(s)

          Fontes

          Nota do arquivista

          Transcrições editadas por Rita Almeida de Carvalho, Fátima Patriarca e Amélia Sousa Tavares, com Manuel Lucena. IP, 2024-06

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