A Terra era um jornal clandestino e irregular, ligado com o PCP, publicado desde 1949 (1.ª série 1949, 2.ª série 1963). Era anticapitalista e antifascista, tendo como público-alvo os camponeses. Após o 25 de abril, continuou a existir, já não clandestino, e abordava temas como a política e a direito agrário, incluindo críticas à reversão da reforma agrária.
HISTÓRIA
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A Associação Tchiweka Documentação foi fundada em 2006 e reconhecida em 2012, por decreto presidencial, como instituição de utilidade pública.
É uma associação sem fins lucrativos que tem como principal objetivo a promoção e divulgação de atividades que contribuam para preservar a memória e aprofundar o conhecimento sobre a luta de libertação e soberania nacional dos povos africanos, da ex CONCP e mais particularmente de Angola.
Com esse propósito, a ATD organiza e gere um Centro de Documentação que tem como principal acervo a documentação conservada por Lúcio Lara durante toda a sua trajetória política e militar. Para além disso, promove e divulga atividades de carácter científico, educativo e cultural; realiza encontros ligados à luta pela libertação de África e executar e promove projetos de investigação.
Informação disponível no site da Associação Tchiweka Documentação
Percurso académico e profissional
Embora nascido no Porto, mudou-se em criança para Vila Real, onde viveu até finalizar os estudos liceais. Admitido na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, permaneceu nesta cidade até 1963. No mesmo período foi ator do CITAC - Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra. Deixou os estudos de Direito e partiu para a Suíça, onde se estabeleceu em 1963. Neste país, viria a licenciar-se em Economia Social, pela Universidade de Genebra, no ano de 1968. Findo o curso, foi assistente da mesma universidade, até 1970, ano em que passou a dedicar-se exclusivamente à investigação, integrando o Instituto de Pesquisas das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social. Fez parte desse Instituto desde 1969 até 1974.
Em 1985 voltaria à Universidade de Genebra para realizar o doutoramento em Sociologia. A sua tese intitula-se L’État et la société civile au Portugal: révolution et réforme agraire en Alentejo, 1974-1976, e encontra-se publicada em Portugal desde 1986.
Regressado a Portugal no período da Revolução de 25 de Abril de 1974, tornou-se investigador no Gabinete de Estudos Rurais da Universidade Católica Portuguesa, função que desempenhou até 1982. Nesse ano, ingressou no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde se manteve até à jubilação, em 2009.
Concomitantemente, foi professor de disciplinas de Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, tendo feito parte da Comissão Instaladora desta última.
Foi vogal do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Estatística.
Autor de vasta bibliografia, dedicou a sua investigação aos temas da emigração, do socialismo e da reforma agrária, evolução da sociedade portuguesa, indicadores sociais, justiça, regionalização, Estado e Administração Pública, Estado Providência, comportamentos políticos e retrato da região do Entre Douro e Minho.
Na televisão, assinou a série de documentários Portugal, um retrato social, realizada por Joana Pontes (RTP, 2006), e dedicou-se ao comentário político em Regra do Jogo, com José Miguel Júdice (SIC Notícias, 2006-2008).
Foi cronista do jornal Público a partir de 1991. Atualmente, escreve no Diário de Notícias uma coluna semanal ao domingo.
Percurso político
Foi militante do Partido Comunista Português entre 1963 e 1970, aderindo, após o 25 de abril de 1974, mais precisamente em dezembro desse ano, ao Partido Socialista.
Eleito deputado à Assembleia Constituinte, no ano seguinte, em 1975, seria membro do VI Governo Provisório (Pinheiro de Azevedo), como Secretário de Estado do Comércio Externo, e do I Governo Constitucional (Mário Soares), como Ministro do Comércio e Turismo, primeiro, e da Agricultura e Pescas, depois.
Fruto da sua passagem governativa como Ministro da Agricultura ficaria com o seu nome associado à alteração legislativa preparada no seu gabinete — a «Lei Barreto». Essa alteração pretendia redefinir o caminho da Reforma Agrária, procurando contrariar o modelo de expropriação e concentração que vinha sendo seguido pela extrema esquerda e pelo PCP, desde o 25 de abril[2].
Afastou-se do PS para apoiar o projeto da Aliança Democrática, liderado por Francisco Sá Carneiro, com o efémero Movimento dos Reformadores, criado com José Medeiros Ferreira e Francisco Sousa Tavares, em 1978.
Em 1985, apoiou Mário Soares, no MASP I (Primeiro Movimento de Apoio Soares à Presidência) para as eleições presidenciais portuguesas de 1986.
Na legislatura de 1987 a 1991, foi de novo deputado à Assembleia da República, pelo PS, estrutura da qual se afastou definitivamente na década de 1990.
Distinções honoríficas e prémios
Agraciado pelo Presidente Aníbal Cavaco Silva com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (8-06-2012). Agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa (5-10-2017).
Recebeu o Prémio Montaigne, atribuído pela Fundação Alfred Toepfer e pela Universidade de Tübingen, em 2004. Foi eleito membro Academia das Ciências de Lisboa em 2008.
Família
É o terceiro de sete filhos de Manuel da Costa Pinto Barreto (Peso da Régua, 17-12-1907 – Porto, 21-12-1981) e de sua mulher (Vila Real, Folhadela, 15-09-1938) Maria do Céu de Morais Taborda (Porto, 7-05-1912 – Porto, 5-03-1980), neta materna do 1.º Barão de Gouvinhas e sobrinha-neta materna do 1.º Visconde de Morais, que recusou o título de Conde de Morais, uma família com reminiscências fidalgas, católica e apoiante da monarquia[4]
Vida pessoal
Casado, em segundas núpcias, com a socióloga Maria Filomena Mónica.
Adaptado de https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Barreto
Amílcar Lopes Cabral (Bafatá, Guiné Portuguesa, actual Guiné-Bissau, 12 de setembro de 1924 — Conacri, 20 de janeiro de 1973) foi um político, agrónomo e teórico marxista da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Fundador do PAIGC.
Cesare Cantù - escritor e historiador italiano - nasceu em Brivio, dia 5 de dezembro de 1804 e morreu em Milão, dia 11 de março de 1895.
Publicou o seu primeiro volume ‘Sulla storia Lombarda del secolo XVII’ em 1832. A fama chegou-lhe com a publicação de um romance histórico, Margherita Pusterla, que escreveu enquanto estava preso. A sua grande obra é a ‘Storia Universale’ que é publicada em 35 volumes. Após a unificação de Itália foi também deputado.
Foi nomeado diretor do Arquivo de Estado em Milão, e também foi presidente da Sociedade Histórica Lombarda. Cantù conseguiu que todos os arquivos milaneses fossem concentrados no palácio do Senado.
Manuel Nunes Freire da Rocha , 1º Barão de Almeirim nasceu a 28 de Setembro de 1806 em Santo Estêvão do Santíssimo Milagre, Santarém. Era filho de Manuel Nunes Gaspar e de Rita Mariana Giralda Freire, foi aluno do Colégio Militar, fidalgo cavaleiro da Casa Real, Cavaleiro Professor na Ordem de Cristo, 3º Senhor do paço das Lameiras, deputado em várias legislaturas e Governador-Geral do distrito de Santarém. Sua família foi proprietária de várias terras no Pombalinho, como a Quinta do Outeiro, Mouchão da Velha, Quinta da Melhorada, Fonte Santa, Tapada do Secretariado e Mouchão do Inglês, assim como do prédio rústico e respectiva horta, situados na rua com a actual designação de Barão de Almeirim.
Manuel Nunes Freire da Rocha, casou em Lisboa com Luísa Maria Joana Braamcamp de Almeida Castelo Branco a 28 de Outubro de 1835 de quem teve três filhos, Maria Inácia Braamcamp Freire da Rocha, Manuel Nunes Braamcamp Freire 2º barão de Almeirim e Anselmo Braamcamp Freire, escritor, historiador, arqueólogo e genealogista.
Alguns dos seus descendentes ficaram ligados historicamente ao Pombalinho por razões marcantes das suas vidas como foi o caso de sua neta e filha de Manuel Nunes Braamcamp Freire 2º Barão de Almeirim, Clarisse Braamcamp Freire , que casou nesta aldeia em 28 de Abril de 1913 com José Soares Pinto de Cabedo e Lencastre, Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, ou de outro seu neto e irmão da mesma Clarisse, Manuel Braamcamp Freire 3º barão de Almeirim, que na mesma terra faleceu em 18 de Novembro de 1912. Também quatro suas bisnetas, filhas de Carlos Braamcamp Freire 4º Barão de Almeirim, ao Pombalinho ficaram igualmente ligadas por questões de natalidade, foram elas, Maria Luísa Braamcamp Freire que nasceu em 28 de Agosto de 1903, Maria Isabel Amado Braamcamp Freire , conhecida por "Nicha" que nasceu em 29 de Setembro de 1913, Maria da Madre de Deus Amado Braamcamp Freire , conhecida por "Piinha" que nasceu em 17 de Maio de 1915 e finalmente Maria Inácia Amado Braamcamp Freire , conhecida por “Naça”, que nasceu em 9 de Junho de 1922.
Sua mãe, Rita Mariana Giralda Freire , por ter ficado viúva de seu pai Manuel Nunes Gaspar, casa em segundas núpcias com o barão do Pombalinho, António Araújo Vasques da Cunha Portocarrero.
Constituída em Casablanca, Marrocos, com representantes de dez organizações de Angola, Cabo Verde, Guiné, Goa, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
É antecedido pelo MAC - Movimento Anti-Colonialista, fundado em dezembro de 1957, em Paris, numa reunião de vários nacionalistas das colónias portuguesas e pela FRAIN - Frente Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas, estabelecida durante a 2ª Conferência dos Povos Africanos, realizada em Tunes, em janeiro de 1960. A FRAIN foi criada por Amílcar Cabral, Hugo Azancot de Menezes, Lúcio Lara e Viriato da Cruz, reunindo inicialmente o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Hector Fleischmann (27 de outubro de 1882, Flandres Oriental, Bélgica - 3 de fevereiro de 1914, Paris) foi um ensaísta, romancista e historiador belga. Foi também poeta, jornalista e diretor de teatro. Maçon na loja de Victor Hugo em Paris, tornou-se o redator do jornal L'Événement e o secretário-geral do teatro de l'Œuvre. Foi o diretor da Revue des curiosités révolutionnaires a partir de novembro de 1910.
Após o início da guerra colonial em 1961, os dirigentes da União das Populações de Angola (UPA) decidiram reunir todas as forças numa frente nacional de libertação. É nesse processo que nasce a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), criada a 27 de março de 1962 em Léopoldville. A sua criação resultou da fusão entre a UPA e o Partido Democrático de Angola (PDA). A UPA e o PDA formaram um Governo Revolucionário no Exílio, chefiado por Holden Roberto. Este foi reconhecido pela Organização da Unidade Africana (OUA) e por 32 países africanos em 1963.
No processo de negociação de Angola, em 1974/1975, assim como na Guerra Civil Angolana de 1975 a 2002, a FNLA combateu o MPLA ao lado da UNITA.
GAZETA DA SEMANA, semanário, publicou-se de 1 de abril de 1976 e 3 de dezembro de 1976, totalizando 31 edições complementadas por um número especial, em 15 de janeiro de 1977, que pretendeu, sem êxito, relançar o jornal. Teve como diretor João Martins Pereira, e como último proprietário a ÁGUA MOLE – Sociedade Cooperativa para produção de actividades culturais e editoriais, SCAR. Era um jornal da esquerda revolucionaria, sem afiliação partidário.
O novo semanário era propriedade de João Martins Pereira - secretário de Estado da Indústria e Tecnologia do IV Governo Provisório, em funções durante o “Verão Quente” de 1975 - que também era o diretor; o jornalista Jorge Almeida Fernandes assumia as funções de diretor-adjunto; a redação era constituída por jornalistas do recentemente desaparecido diário República (em 22/12/1975), e contava com a colaboração de Fernando Silva Oliveira Baptista, ministro da Agricultura do IV Governo Provisório, Valentim Alexandre, Alfredo Soveral Martins, Adelino Gomes e Joaquim Furtado, entre outros.
Teve uma vida breve, 9 meses, e intermitente, pois conheceu duas interrupções, sempre derivadas de «dificuldades económicas», abertamente assumidas: a primeira, entre Agosto e Setembro; a segunda, e derradeira, entre Dezembro de 1976 e Janeiro de 1977. Deixou um legado de 31 números mais 1, um «Número Especial», a sua última batalha pela sobrevivência.
-Hemeroteca Municipal de Lisboa
Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara (Caála, 9 de abril de 1929 — Luanda, 27 de fevereiro de 2016), também conhecido por seu nome de guerra Tchiweka, foi um físico-matemático, político, professor, ideólogo anticolonial e um dos membros fundadores (e presidente) do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Juntou ao longo da sua vida documentação relativa à libertação das então colónias portuguesas, editando várias obras com base nesses documentos. A Associação Tchiweka de Documentação tem continuado a dinamizar o seu acervo.
Licenciada em História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e doutorada em História Contemporânea pela Universidade de Évora, foi investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (até 2015). Conceição Martins aborda nas suas publicações temáticas relacionadas, sobretudo, com a História económica e financeira portuguesa. Assim sendo, as suas publicações giram em torno da História vitivinícola, evolução dos preços e salários e ainda algumas biografias de personalidades políticas, e importantes para a História do vinho em Portugal.
[quinzenal] Boletim Informativo do Movimento das Forças Armadas, dirigido pela Comissão Coordenadora do Programa do MFA. Foram publicados ao todo 25 números, entre 1 de setembro de 1974 e 14 de agosto de 1975, que tinham por objetivo divulgar a situação económica, social, política e militar vivida em Portugal, após o 25 de Abril de 1974. A edição do boletim era da responsabilidade da 5ª Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas, e a sua distribuição estava a cargo do jornal O Século.
-http://casacomum.org/cc/arquivos?set=e_3147
Algumas das suas publicações com carácter periódico: Angola in Arms; Boletim do Militante; Boletim de Informação; Leopardo; Vitória ou Morte; Vitória é Certa, A Vitória é Certa.
A Organização da Unidade Africana (OUA) foi criada a 25 de Maio de 1963 em Addis Abeba, Etiópia, por iniciativa do Imperador etíope Haile Selassie através da assinatura da sua Constituição por representantes de 32 governos de países africanos independentes, para enfrentar o colonialismo e o neocolonialismo e apropriação das suas riquezas. A OUA foi substituída pela União Africana a 9 de Julho de 2002.
"Página Um" era um jornal da extrema-esquerda ativo durante os anos 1976-1978. Inicialmente era publicado num ritmo quase diário, e semanal a partir de 17 de Fevereiro de 1977. O jornal foi fundado por Isabel do Carmo e Carlos Antunes. O primeiro diretor era Jorge Fagundes, que deixou esse cargo em 21 de Julho de 1977, devido as outras obrigações profissionais. Foi substituído por Rui de Oliveira.
Nasceu em 1943, em Coimbra. Entre 1971 e 1976, lecionou em Moçambique, nas cidades da Beira (1971/72) e de Lourenço Marques/Maputo (1972 a 1976).
Após a independência do país, participou nas campanhas de alfabetização realizadas nos bairros limítrofes da cidade de Maputo (1974-1975) e colaborou, também em Maputo, na elaboração dos novos programas de História (História de África) para o curso complementar e respetivos textos de apoio (1976).
Em 1978 ingressou na Cooperação com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, lecionando entre 1978 e 1980 no Liceu Kwame N'Krumah, em Bissau, Guiné-Bissau. Foi membro do grupo de trabalho para a elaboração dos novos programas de História no Comissariado do Estado e Educação Nacional e do grupo de trabalho para a elaboração dos textos de apoio de História para o curso complementar, no mesmo Comissariado. Exerceu também o cargo de coordenadora da disciplina de História (novembro de 1978 a agosto de 1980).
Foi colaboradora num projeto de investigação histórica, que implicou deslocações ao interior da Guiné-Bissau, e colaboradora da revista Nô Pui Mon.
Em 1984 regressou à Cooperação com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e, entre 1984 e 1986, lecionou no Instituto Pedagógico de Maputo, Moçambique, a disciplina de História e Didática da História. Exerceu ainda o cargo de orientadora de estágio na formação de 26 professores para o ensino secundário e elaborou textos de apoio de História de África.
Em 1987 lecionou novamente em Bissau, Guiné-Bissau.
O Poder Popular – foi criado no âmbito da campanha eleitoral para a Assembleia Constituinte. O seu título corresponde plenamente à deriva esquerdista do MES, dando eco a uma das palavras de ordem adoptadas: «Lutar, Criar, Poder Popular».
A 1ª série consistiu em 7 números, editados entre 3 e 23 de Abril de 1975, formato grande, semelhante ao do DN da época, com uma tiragem de 10 000 exemplares, em edição bissemanal – às quintas-feiras e domingos. O seu director foi o Paulo Bárcia, tendo sido impresso na ADFA (Associação dos Deficientes das Forças Armadas) e, ao que consta, não deixou dívidas.
A 2ª série do Poder Popular tem início em 23 de Julho de 1975, com o fim do Esquerda Socialista, anunciando que este jornal se havia de transformar na revista teórica do MES, da qual em breve sairia o primeiro número. Tal nunca viria a acontecer não passando de uma ideia que, embora sempre estivesse presente, nunca foi concretizada.
Esta série do PP atravessa todo o período mais conturbado da revolução, desde o «Verão Quente» de 1975 até à campanha presidencial de Otelo, sendo no nº 48, publicado em 21 de Julho de 1976, divulgados os resultados das eleições presidenciais. Até ao nº 29 o director foi Fernando Ribeiro Mendes sendo tal tarefa, na sequência do II Congresso, atribuída a Eduardo Ferro Rodrigues, que dirigiu o PP do nº 30 ao nº 48.
A 3ª série do PP foi dada à estampa entre Julho de 1976 e Fevereiro de 1978, com a edição de 16 números, a partir do nº 49, no qual se comemorava o 2º aniversário do jornal. O seu director, neste período, foi o subscritor destas linhas (até ao nº 61) que se viu a braços com uma situação política brevemente caracterizada, num relatório interno, nos seguintes termos: « – o desânimo e o desencanto, pós-presidenciais, de largos sectores revolucionários, …; – o fracasso progressivo dos GDUPs/MUP; – a existência de fortes divergências internas que, pela 1ª vez na nossa história, se põem duma forma aberta e atravessam o Partido, a sua direcção e os quadros mais activos; são as tomadas de posição polémicas face ao MUP, e a saída (no nº 54) da famosa Resolução da 8ª Reunião do CC …».
A 4ª série do PP é publicada entre 1 de Fevereiro de 1978, (nº 65) e 13 Julho (nº 76) do mesmo ano, desde o nº 62, sob a direcção de Augusto Mateus, tendo sido o canto de cisne da imprensa do MES. No seu conjunto foram editados, entre 2 de Abril de 1975 e 13 de Julho de 1978, 83 números do Poder Popular.
-Eduardo Graça
José Maria dos Santos nasceu em 1832, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, e faleceu em junho de 1913. Foi considerado um dos grandes capitalistas da sua época, na área da agricultura e do vinho. Era filho de Caetano dos Santos, ferreiro, e de Gertrudes Maria, sendo de origens humildes.
Em 1857, casou-se com Maria Cândida Ferreira Braga, filha de Alexandre José Ferreira Braga (negociante, presidente da direção do Banco de Lisboa e vice-presidente da Associação Mercantil Lisbonense) e viúva de Manuel José Gomes da Costa São Romão (1810-1852). Através deste casamento ganhou a posse da Herdade do Rio Frio, que São Romão tinha adquirido na década de 1850 e elevou a sua categoria social, passando a pertencer às elites portuguesas.
José Maria dos Santos foi também diretor do Banco de Portugal na década de 1860, mas a maior parte da sua atividade deu-se no setor fundiário. Comprou as propriedades de Óbidos e Sabugal no Alentejo e a Herdade de Barroca d’Alva, em Alcochete, assim como as Herdades de Aldeia de Coelhos (Évora), Álamo do Pigeiro (Reguengos), Cabeça de Cardares (Redondo), Defesa da Pedra Alçada (Alandroal), Granja do Peral e do Perdigão (Arronches).
Em 1868, arrendou por 20 anos as Herdades de Palma e Moncorvo, em Alcácer, à casa do conde de Óbidos e Sabugal (morgado de Palma). Eventualmente, conseguiria comprar-lhas por 75 contos (em 1897), ficando total proprietário.
Foi deputado, iniciando-se na vida política como independente, pertencendo depois ao partido Regenerador, no qual se manteve até à morte de Fontes Pereira de Melo. Em 1892 foi nomeado par do reino.
A sua influência passava pela sua pertença a vários cargos que ocupou ao longo da vida, na Real Associação Central de Agricultura, da qual foi um dos fundadores, na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e dos Pares, na Junta Distrital de Lisboa, na Comissão Promotora do Comércio de Vinhos e Azeites, na Comissão Permanente que Trata da Aquisição de Adubos e Sementes, no Conselho Superior de Agricultura, no Conselho do Mercado Central de Produtos Agrícolas, na Sociedade Geral Agrícola e Financeira de Portugal.