MOVIMENTO OPERÁRIO E SINDICAL

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  • Resulta de várias ofertas. Entre os doadores, contam-se José Dias, José Reis, Raul da Silva Pereira, Elisa Lopes da Costa e Isabel Alves de Sousa. É formado por publicações, circulares, listas eleitorais, manuscritos e relatórios oriundos da Intersindical (1974-1979), da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios e Vestuário de Portugal, da União dos Sindicatos do Distrito de Braga, do Sindicato Têxtil e do Sindicato dos Trabalhadores do Vestuário, Lavandarias e Tinturarias, ambos do distrito de Braga, da Comissão de Trabalhadores e da Comissão Sindical da CGD bem como da Comissão de Trabalhadores da PHILIPS Portuguesa. (2006)

  • Entrada do fundo de ACP posterior a 2006, bem como catalogação de PQ, relativa ao movimento operário de finais do séc. XIX e inicio do XX (ip, 2024).

  • Para a história de movimentos operários em várias partes do mundo, ver https://socialhistoryportal.org/ (2024-06, ip)

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      A Terra (Jornal)
      Pessoa coletiva · Janeiro 1949 - ?

      A Terra era um jornal clandestino e irregular, ligado com o PCP, publicado desde 1949 (1.⁠ª série 1949, 2.⁠ª série 1963). Era anticapitalista e antifascista, tendo como público-alvo os camponeses. Após o 25 de abril, continuou a existir, já não clandestino, e abordava temas como a política e a direito agrário, incluindo críticas à reversão da reforma agrária.

      Batalha, Ladislau Estêvão da Silva.
      Pessoa singular · 1856 -1936

      Ladislau Estevão da Silva Batalha - escritor, jornalista, político e intelectual português de orientação socialista - nasceu a 2 de agosto de 1856, em Lisboa, e faleceu a 26 de fevereiro de 1939, em Arruda dos Vinhos. Era filho de João Cesário da Silva Batalha e de Emília Adelaide Batalha.

      A sua vida política iniciou-se muito jovem: com quinze anos, já frequentava o Centro Republicano Democrático. Frequentava também a Nova Livraria Internacional, onde passavam franceses e espanhóis foragidos ou exilados e figuras do republicanismo português.

      Em 1876, ocorreu a sua polémica expulsão do Centro Republicano Democrático, juntamente com Carrilho Videiro, por ser acusado de ser 'espião do governo'. Em resposta a estes eventos, escreveu o panfleto 'A nova inquisição ou o directorio republicano e os seus actos perante a opinião pública', criticando duramente o Centro Democrático. Decidiu então abandonar o país, viajando para São Tomé e Príncipe.

      Em S. Tomé, foi contratado pelo Governador-geral para ser intérprete, devido ao seu domínio do inglês, francês e alemão. Depois, tornou-se funcionário da Curadoria-Geral, com o objetivo de fiscalizar as roças. Perseguido pelos roceiros, partiu para Angola em 1877, onde trabalhou no Jornal de Luanda. Deslocou-se então para o interior de Angola, dedicando-se ao comércio. Recebeu uma proposta de casamento com uma princesa de Soba Quinebuto e chegou a casar-se - mas optou por fugir, seguindo com dois companheiros que conhecera na tribo para o norte de Angola.

      Daí chegou ao Congo Belga e ao Estado Livre do Congo, embarcando num navio baleeiro norte-americano rumo a New Bedford, Massachusetts. Nessa cidade, trabalhou numa fábrica de vidro como gravador. Integrou então a tripulação de um navio bacalhoeiro - viajando pelo Ártico. Embarcou de novo como marinheiro, desta vez rumando ao Japão e China. Com intenções de voltar à pátria, em Cabo Verde recebeu uma proposta de trabalho, prestando serviços para os consulados argentino e francês. Conheceu a sua primeira mulher, que lhe daria uma filha - mas ambas viriam a morrer de tuberculose.

      Regressou a Portugal c.1887-1890, dedicando-se à escrita de algumas obras políticas. Partiu de novo, desta vez para o Reino Unido, em 1903 - esta viagem foi alvo de relatos publicados inicialmente no Diário de Notícias, e depois reunidos num livro. Em 1909, juntamente com a sua mulher Ernestina Costa, estabeleceu-se no Barreiro. Aí se envolveu no movimento operário local e fundou o periódico Àvante! Defensor das classes trabalhadoras e dos interesses locaes (1909-1910).

      A 11 de maio de 1919, foi eleito deputado nas eleições para a Câmara dos Deputados nas listas do Partido Socialista Português pelo círculo eleitoral do Porto. Foi também eleito para a Comissão das Colónias. A sua última intervenção no parlamento foi em 1921.

      Em 1922, foi fundado o semanário O Protesto, do qual Ladislau Batalha foi o primeiro diretor. Entre 1926 e 1927, colaborou várias vezes no semanário A Batalha.

      Benedy, José do Patrocínio.
      Pessoa singular · 1866 - 1951

      Tipógrafo, fotógrafo e fotogravador.

      Militante de várias causas (defensor dos marinheiros republicanos em 1908; de Ferrer em 1909; dos trabalhadores rurais, etc.) , distinguiu-se pelas suas excentricidades verbais e .Polítiicas. Anarquista e republicano, aderente ao Partido Socialista em 1920, Benedy era uma típica figura de autodidata e erudito, cujos escritos se encontram em quase toda a imprensa operária da I RepÚblica. Redactor de A Greve fez parte da primeira geração sindicalista revolucionária. Em 1920 fundou um jornal com o seu nome José Benedy, de que era, como é lógico, o único redactor. Autor prolixo escreve entre outros Pedras Toscas, 1912, Cirurgia, 1913, Escrita Simplificada, 1913; O Grande e Horrível Cime, 1916; 3º Congresso cbs Trabalhadores Rurais, 1918; A Ciência Redentora, 1921; O Vinho e o seu valor Fisiológico, 1930; etc.
      (Sobre Benedy veja-se Alexandre Vieira, Figuras Gradas do Movimento Social). JPP

      Botelho, Adriano.
      Pessoa singular · 1892 - 1983

      Adriano Inácio Botelho (Angra do Heroísmo, 12 de setembro de 1892 — Lisboa, 1 de maio de 1983) foi jornalista, militante anarquista e dirigente anarco-ssindicalista, membro do Comité Confederal da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e dirigente de O Semeador, um dos mais produtivos grupos anarquistas portugueses.
      Tirou o ensino primário e o liceu nos Açores, frequentou a Universidade de Coimbra. Mudou-se para Lisboa em 1914, vivendo depois por uns anos em S. Miguel, retornando a Lisboa em 1919.
      Ao longo das décadas de 1920 e 1930 afirmou-se como um dos mais eficientes colaboradores da imprensa ligada à C.G.T. e às suas estruturas de base sindical. Considerado um «excelente jornalista», não houve nenhum jornal anarquista do tempo com o qual não colaborasse, o mesmo acontecendo com jornais operários como A Batalha, A Comuna, Aurora, Renovação (1925-1926) e muitos outros.

      Durante a fase inicial do Estado Novo, viveu na clandestinidade e colaborou, anonimamente, no jornal A Batalha.

      CGT - Confederação Geral do Trabalho
      PT-AHS-ICS-CGT · Pessoa coletiva · 1919 - ~1964

      A confederação Geral do Trabalho (CGT) era uma Fusão de vários Sindicatos de operários. Foi fundado no II congresso operário nacional em Coimbra, que se realizou no 13-15 de setembro de 1919, e substitui a união operário nacional (UON). Foi dominado para sindicalistas anarquistas que as vezes tiveram conflitos com os membros comunistas e o PCP que prejudicaram o movimento significativamente. Antes da proibição definitivo em 1927 pela ditadura militar, já era gravemente enfraquecido, com uma diminuição dos membros de 100 mil a 15 mil. A CGT e o seu jornal A Batalha, continuaram na clandestinidade, com a última reunião verificável no ano 1964.

      Pessoa coletiva

      A Comissão Organisadora da Conferência inter-sindical gráfica do norte organizou a conferência inter-sindical gráfica do norte nos dias 29 e 30 do novembro em 1924 no Porto e Lisboa, e publicou uns jornais para a preparação e acompanhamento dela

      Constantino, Bartolomeu.
      Pessoa singular · 1863-1916

      Propagandista e organizador do movimento operário em Portugal. Sapateiro de seu ofício, era um autodidacta e um idealista sem mácula.
      Dotado de qualidades oratórias invulgares, a sua palavra tornou-se indispensável nos grandes comícios revolucionários do princípio do sec. XX, em que Bartolomeu Constantino arrebatava multidões com os seus tropos. Exaltado apologista do princípio da divisão da propriedade e distribuição equitativa da riqueza, foi perseguidÍssino pelas autoridades policiais, passando vida atribuladíssima e sofrendo muitas misérias e prisões, sem conto.
      Viveu entre nós {Almada) talvez uns oito anos {de 1903 a 1911) , tendo uma oficina de sapataria numa escada da Mutela. Popularíssimo, sempre atento aos problems da classe operária deste país, arrumava com frequência a ferramenta e fechava a oficina à menor solicitação dos seus irmãos de classe. Desempenhou um papel preponderante no concelho de Almada nos anos da agitação republicana. Colaborou em vários jornais almadenses, entre os quais O Corticeiro, de Manuel Fevereiro, e O Correio do Sul, dirigido por Marcos da Assunção.
      Supõe-se ter nascido no Algarve, por volta de 1868. Faleceu em Lisboa, no Beco da Ricarda, n9 4, em 11 de Janeiro de 1916. Segundo o relato dos jornais da época, a sua norte causou uma profunda emoção nas massas trabalhadoras. O seu funeral foi promovido e dirigido pela Federação da Construção Civil e pela União Comunista-Anarquista,
      Mais de vinte mil pessoas acompanharam o seu corpo ao Cemitério dos Prazeres, construindo-se oito tribunas para que usassem da palavra todos os oradores que para tal se inscreveram. Três filamónicas estiveram presentes no cortejo fúnebre: Academia Verdi, de Lisboa, Sociedade Filarmónica União Artística Piedense e Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense, estas do nosso concelho.
      Diz-nos ainda que o Século de 13 a 17 de Janeiro de 1916 inseriu noticias sobre a morte de Bartolomeu Constantino. Naquele jornal também apareceram noticias sobre as lutas em que este participou nos meses de Agosto (dias 23 a 26r 28 e 30) e de Setembro (6 a 8 e 11) de 1911 .

      De Greef, Guillaume
      Pessoa singular · 1842-1924

      Guillaume De Greef (9 de outubro de 1842, Bruxelas - 26 de agosto de 1924, Bruxelals) foi um sociólogo, escritor e jornalista belga. A sua grande influência a nível do pensamento era Pierre-Joseph Proudhon - De Greef adotou a sua teoria do mutualismo, e foi editor do jornal de tendência 'proudoniana' La Liberté, com o seu colega Hector Denis. De Greef publicou a sua primeira obra sociológica teórica em 1886 - "Introduction à la sociologie".

      Devido às críticas positivas ao seu trabalho, foi nomeado para o cargo de catedrático em Sociologia na Universidade de Bruxelas. Enquanto esteve nesse cargo envolveu-se com a questão de Elisée Reclus que tinha sido demitido do seu cargo na universidade devido ao seu trabalho político. De Greef mobilizou um êxodo de professores e alunos que vieram a fundar um novo instituto progressista, L'université Nouvelle. Entre os principais trabalhos de De Greef estão "Strucuture géneral des societés" e "Lois sociologiques". Também tinha trabalhos de sociologia aplicada como "Ouvrière dentellière" (sobre as mulheres que faziam renda), "Rachat des charbonnages" (sobre as minas de carvão) e "Régime representatif" (sobre o governo representativo).

      Federação Maximalista Portuguesa
      PT-AHS-ICS-FMP · Pessoa coletiva · 1919 - 1920

      A Federação Maximalista Portuguesa (FMP) foi um movimento revolucionário, fundado no dia 27 de abril de 1919, em Lisboa, inspirado pelas fações mais radicais envolvidas na Revolução Russa de 1917. Principalmente composto por anarquistas, por sindicalistas e pela esquerda revolucionária do PSP (Partido Socialista Português).

      Fédération de l'Enseignement
      Pessoa coletiva · 1919 -1935

      Antecedida pela fédération nationale des Syndicats d^Instituteurs et d Institutrices publics de France et des Colonies (1905-1919)

      Em 1922 adere à CGTU - Confédération générale du travail unitaire (1921-1936)

      Lima, Cristiano
      Pessoa singular · 1887-1971

      Cristiano Lima (24 de Dezembro de 1887, Lisboa - 28 de Novembro de 1971, Lisboa) foi um escritor, dramaturgo e jornalista português.

      Em 1919, iniciou a sua carreira jornalística no jornal sindicalista A Batalha, ao lado de figuras como Pinto Quartin, Mário Domingues, Artur Portela ou David de Carvalho. Foi, na verdade, o último chefe de redação deste jornal, que seria encerrado em 1927, durante a Ditadura Militar. Entretanto em 1921 iniciou-se na literatura com a publicação de uma obra na secção editorial d'A Batalha, na coleção literária «A Novela Vermelha».

      Na política participou na fundação da União Anarquista Portuguesa (1923). Esta organização foi mais tarde reprimida durante a Ditadura Militar.

      Cristiano Lima foi um dos ativistas que contribuíram para o impulsionamento do associativismo sindicalista da classe dos jornalistas, ao lado de figuras como Jaime Brasil, Artur Portela, Ferreira de Castro, Alfredo Marques e Julião Quintinha. Foi vice-presidente do Sindicato dos Profissionais da Imprensa (antiga Associação dos Profissionais de Imprensa), que seria encerrado em 1933 pelo Estado Novo.

      Após o encerramento d’A Batalha, Cristiano Lima foi para a redação do Diário de Notícias, mantendo-se aí até ao final da vida.

      Em 1934, colaborou no lançamento do jornal O Diabo - um jornal opositor ao regime.

      No ano seguinte, teve uma das suas peças representadas no Teatro Nacional D. Maria II (O Inimigo).

      Em 1945, Lima foi um dos jornalistas do Diário de Notícias que apoiaram abertamente o (MUD - Movimento de Unidade Democrática). Mais tarde, em 1949, participou na campanha de Norton de Matos e em 1952-53, colaborou pontualmente num jornal de caráter antifascista, o Ler, que foi proibido pela censura. Foi também colaborador da página literária do jornal O Primeiro de Janeiro, do Porto.

      Lorenzo, Anselmo
      Pessoa singular · 1841-1914

      Anselmo Lorenzo Asperilla (Toledo, 21.04.1841 — Barcelona, 30.11.1914) Líder sindical anarquista. Chamado o “avô do anarquismo espanhol”.

      Começou a trabalhar como tipógrafo em Madrid aos quinze anos. Em 1870, participou na fundação de La Solidaridad, órgão da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) - Primeira Internacional, da secção de Madrid. Em junho desse ano, no primeiro congresso de trabalhadores espanhol em Barcelona, representou a secção de Madrid. A perseguição da Internacional em Espanha, devido aos eventos da Comuna de Paris, significou o seu exílio em Lisboa no verão de 1971 com outros membros do Conselho Federal.

      Foi eleito na conferência secreta de Valência para representar a secção espanhola na conferência da Internacional em Londres, conhecendo aí pessoalmente Karl Marx. Por haver conhecido Marx e ser amigo do seu genro, Paul Lafargue, e pela sua pertença à redação de La Emancipación, que tinha uma inclinação marxista, Lorenzo tinha despertado a desconfiança dos outros membros do Conselho Federal - que favorecia o anarquismo. Isso levou-o a demitir-se do Conselho Federal em junho de 1872.

      Foi para França, onde em Marselha entrou na redação do Le Sémaphore de Marseille. Em março de 1874, foi para Barcelona onde fixou a sua residência. Ingressou no grupo da Aliança da Democracia Socialista. Em 1878, foi eleito para representar a Federação Regional Espanhola no Congresso Internacional de Paris. Em 1881, foi expulso dessa federação, acusado de exercer coação nas eleições.
      Iniciou-se na loja maçónica de Barcelona “Hijos del trabajo” em 1883, onde se manteve ativo até 1895. No ano seguinte foi nomeado representante na Junta de Escolas Laicas. Foi um dos principais impulsionadores da sua loja maçónica, como orador. Defendia a compatibilidade entre o socialismo e a maçonaria.

      Voltou ao movimento anarquista em 1885, integrando-se na Sociedad de Obreros Tipógrafos. Em 1886 publicou os folhetos ¿Acracia o República? e Fuera política. Em 1886, juntou-se à redação da revista Acracia.
      O atentado contra a procissão do Corpus Christi (7 de junho de 1896) deu azo a uma perseguição do movimento anarquista em Espanha. Centenas foram presos, entre os quais Anselmo Lorenzo, na fortaleza de Montjuic. Foi deportado para Paris.

      Trabalhou como revisor para a editora Garnier em Levallois-Perret. Conheceu Charles Albert e Jean Grave. Graças à amnistia de 1899, pôde regressar a Barcelona. Foi em 1901 que iniciou a sua colaboração com Francisco Ferrer, que tinha conhecido em Paris. Colaborou no Boletim da Escola Moderna e na tradução de autores franceses relacionados com o anarquismo, como Jean Grave, Élisée Reclus, Émile Pataud e Émile Pouget, Paul Gille. Também fez parte da redação de La Huelga General, uma publicação periódica fundada por Ferrer e dirigida por José Clariá e colaborou com La Revista Blanca de Federico Urales.

      Por causa de ter participado na campanha da imprensa a favor da greve geral foi preso de novo em Montjuic em 1902. Posteriormente à Semana Trágica foi deportado para Alcañiz. Havia de regressar a Barcelona em 1910.

      Patriarca, Fátima
      PT AHS-ICS FP · Pessoa singular · 1944-2016

      Maria de Fátima da Silva Patriarca nasceu no Monte do Sol Posto, concelho de Coruche, em 19 de Janeiro de 1944 e morreu em Lisboa no dia 11 de Março de 2016. A infância e a juventude foram passadas em Angola e em 1961 ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa para estudar Germânicas, curso que abandona, transferindo-se em 1963 para o Instituto Superior de Serviço Social, onde se diplomou em 1967. Em Novembro desse ano participou nas acções de socorro às vítimas das cheias a zona da Grande Lisboa, momento decisivo na sua formação cívica e política.
      Entre 1968 e 1973 foi técnica de Serviço Social na Direcção-Geral de Previdência e Habitações Económicas. Entre 1970 e 1972 foi bolseira da Fundação Gulbenkian, frequentando o Troisième Cycle em Sociologia, na École Pratique des Hautes Études, VIe Séction, onde obteve o Diplôme d’Études Approfondies en Sciences Sociales. Após regressar de França colaborou no Grupo de Sociologia do Gabinete Técnico de Habitação da Câmara Municipal de Lisboa e em 1973 integrou o Centro de Documentação e Informação deste organismo.
      Leccionou no Instituto Superior de Serviço Social entre 1969 e 1970 e, novamente, em 1974/1975. Em 1975 foi assistente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), onde leccionou o “Seminário sobre a sociedade portuguesa – área de conflitos de trabalho”, e ingressou no Gabinete de Investigações Sociais (GIS), dedicando-se em pleno à actividade como investigadora. Nos anos seguintes referência para o trabalho notável acerca das lutas na Lisnave durante o processo revolucionário.
      Em 1980 licencia-se em Sociologia no ISCTE, com a classificação final de 18 valores. Em 1981 organizou o colóquio “O movimento operário em Portugal” e em 1984 coordenou o seminário “Fontes e arquivos com importância para o estudo do movimento operário”. Entre 1989 e 1991, sob orientação de Maria Filomena Mónica e Manuel de Lucena e, depois, de Adérito Sedas Nunes, desenvolve o projecto de investigação “O processo de instauração do corporativismo, no domínio das relações entre o capital e o trabalho (1930-1947)”. Participou ainda em projectos como “Conflitos de trabalho após o 25 de Abril”, “A acção operária nas empresas após o 25 de Abril – significado do movimento conflitual e grevista”, “O trabalho e a acção operária na indústria metalomecânica pesada” ou “Sindicatos, contratação colectiva e greve: o caso dos metalúrgicos portugueses (1968-1972) ”.
      Em 1992 concluiu as provas da carreira de investigação no Instituto de Ciências Sociais (ICS), com a classificação máxima, com a dissertação “Processo de implantação e lógica e dinâmica de funcionamento do corporativismo em Portugal – os primeiros anos do salazarismo”, publicado em livro com o título “A Questão Social no Salazarismo, 1930-1947”. Além da dissertação, prestou provas complementares, tendo apresentado o trabalho “Projecto de investigação: sindicatos e luta social no regime corporativo – dos anos 50 a 1974”.
      Tendo como área de especialização a Sociologia Industrial e concentrando o essencial da sua actividade no ICS, foi, com Maria Filomena Mónica, responsável pela criação do Arquivo Histórico das Classes Trabalhadoras, mais tarde Arquivo de História Social. Neste âmbito destaque para o rigoroso trabalho sobre o Diário do chefe de gabinete de Salazar, Antero Leal Marques. Publicou dezenas de artigos em revistas, obras colectivas ou entradas de dicionários.
      Participou e leccionou também em seminários de pós-graduação ou cursos de mestrado em instituições como a Escola Nacional de Saúde Pública ou a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Em 2000 publicou “A Revolta do 18 de Janeiro de 1934”, em 2005 jubilou-se e em 2015 publicou o seu último trabalho, centrado na revisão científica de “Cronologias de Portugal Contemporâneo (1960-2015)”.

      Pouget, Émile.
      Pessoa singular · 1860 - 1903

      Émile Pouget (Pont-de-Salars, 12 de outubro de 1860 - Palaiseau, 21 de julho de 1931) foi um jornalista francês, panfletista anarquista e sindicalista, conhecido pelo seu papel no desenvolvimento do sindicalismo revolucionário em França. O seu jornal Le Père Reinard foi influente no âmbito dos periódicos anarquistas. Pouget introduziu o termo 'sabotagem' como abordagem tática, termo depois adotado pela Confederação Geral do Trabalho em 1897. A combinação de Pouget de teoria política anarquista com táticas sindicalistas revolucionárias levou vários autores a identificá-lo como um proto-anarco-sindicalista.

      Em 1883, Pouget e Louise Michel foram aprisionados depois de um protesto em Les Invalidades. As chamadas Lois scélérates, que procuravam reprimir as atividades políticas anarquistas, obrigaram Pouget a exilar-se em Londres de 1894 a 1895. Aí, esteve exposto a pensadores e militantes internacionais anarquistas como Malatesta, e ao movimento sindicalista britânica. De regresso a França, fundou o jornal La Sociale em 1895 e iniciou uma colaboração com Fernand Pelloutier para promover as ideias do sindicalismo revolucionário no movimento laboral francês. Em 1902, ele tinha-se tornado uma figura proeminente na fação revolucionária da liderança da CGT e foi preso juntamente com outros líderes depois das greves violentas de Draveil e Villeneuve-Saint-Georges em 1908. Depois da sua libertação, Pouget distanciou-se da militância cada vez mais, especialmente após o colapso do seu jornal la Révolution em 1909.

      Quartin, António Tomás Pinto.
      PT-AHS-ICS-PQ · Pessoa singular · 1887-1970

      Filho de pai português e mãe brasileira, nasce no Rio de Janeiro, Brasil. Em 1905 inscreve-se na Universidade de Coimbra para estudar Direito, de onde é expulso em 1907 por participar na greve académica. Em 1913, por ter mantido a nacionalidade brasileira, é expulso para o Brasil, acusado de estar envolvido no rebentamento da bomba lançada na Rua do Carmo em Junho de 1913, e regressa novamente a Portugal em 1915. Trabalhou principalmente como jornalista, tendo dirigido diversas publicações anarquistas, como o jornal Amanhã (1909), Terra Livre (1913) e a redacção d’A Batalha; e colaborado em muitas outras. Casou-se com Deolinda Lopes Vieira, professora primária, e membro do Conselho Nacional de Mulheres Portuguesas, com quem teve 3 filhos.

      Renovação (quinzenário)
      PT/AHS-ICS/Renov_jornal · Pessoa coletiva · 1925-1926

      "A Renovação é um desenvolvimento natural do projecto de A Batalha, cujo brilhante Suplemento Semanal Ilustrado se distinguiu pela qualidade das colaborações e grafismo dinâmico.
      Convém recordar que se trata de um quinzenário publicado por uma central sindical, destinado a trabalhadores. A realidade social obriga à pedagogia, pelo que são objecto de tratamento questões como as da dignidade do trabalho, convenções sociais contestáveis, a condição da mulher, o colonialismo, modos vários de alienação. Ao mesmo tempo, pretende-se formar e enriquecer intelectualmente os leitores, com perfis de revolucionários, nas ideias e nas artes, além da colaboração literária, com a dupla função de contribuir para a fruição estética e a emancipação dos trabalhadores.
      Todos os autores da Renovação, com a excepção notória de Ferreira de Castro, caíram no limbo. A sua obra, a partir de Emigrantes (1928), que renovou decisivamente o romance português na primeira metade do século XX, é tributária do fervilhar de ideias que aí ocorreu.
      Como obra de conjunto de uma geração, de par com A Batalha, de onde promanou, ficará como importante testemunho para a história da cultura libertária."

      Ricardo António Alves

      Ribeiro, Hermenegildo Gomes
      PT AHS-ICS HGF · Pessoa singular · 1954?-

      Trabalhador na SOREFAME, doador de documentação que circulou entre trabalhadores dessa empresa, na década de 1980.

      Ribeiro, Manuel.
      Pessoa singular · 1878 - 1941

      Manuel António Ribeiro (Albernoa, Beja, 13 de dezembro de 1878 - Lisboa, 27 de novembro de 1941) foi um escritor, poeta e uma figura política de relevo na I República Portuguesa. Fundador da Federação Maximalista Portuguesa e dinamizador da fundação do PCP.

      Desde novo participou na política defendendo a causa republicana nos jornais de Beja. Quando terminou o liceu ingressou no curso de medicina em Lisboa, onde teve os primeiros contactos com as ideias anarquistas e sindicalistas. Quando se viu obrigado a abandonar os estudos, por falta de recursos económicos, passou a trabalhar para a Editora Guimarães onde conheceu Delfim Guimarães.

      Durante a República, aderiu às ideias sindicalistas revolucionárias, ficando conhecido pelo seu debate com Emílio Costa em que argumentava que o "sindicalismo se bastava a si mesmo" e que se tratava de uma doutrina independente do anarquismo.

      Com o início da II Guerra, posicionou-se do lado dos Aliados, tomando posição do lado dos signatários do Manifesto dos Dezasseis.

      Após a Revolução de Outubro, Manuel Ribeiro aproxima-se das ideias que inspiraram esta revolução, passando a preconizar a necessidade de haver uma fase transitória em ditadura para atingir a revolução operária. Pouco depois, iria organizar a Federação Maximalista Portuguesa, a primeira organização em Portugal com objetivo de seguir os exemplos da revolução bolchevique.

      No final de 1920 acabaria detido devido à sua colaboração enquanto diretor do jornal maximalista A Bandeira Vermelha. No seguimento desse acontecimento, figuras como Raul Brandão e Fernando Pessoa chegariam a assinar um abaixo-assinado pela sua libertação.

      Pouco tempo após a sua libertação começou aproximar-se do ideário católico e a afastar-se cada vez mais das ideias revolucionárias.

      Nos seus últimos anos de vida trabalhou enquanto conservador na Torre do Tombo, onde se dedicou ao estudo da Soror Mariana Alcoforado.