Zona de identificação
Código de referência
Título
Data(s)
- 10-04-1907 (Produção)
Nível de descrição
Dimensão e suporte
vários exemplares; Revistas; papel
Zona do contexto
Nome do produtor
História biográfica
Ministro da Instrução Pública por duas vezes, em 1919 e em 1923.
Nome do produtor
História biográfica
Jaime Cortesão (Ançã/Cantanhede, 29-4-1884 – Lisboa, 14-8-1960) foi um escritor português (poeta, ficcionista, dramaturga, e também escritor de viagens), além de crítico literário, político e professor.
Filho do filólogo António Augusto Cortesão e de Norberta Cândida Zuzarte Cortesão, Cortesão iniciou os seus estudos em Coimbra, em Filologia Clássica e Direito. Pensou em seguir Belas-Artes, mas acabou por escolher Medicina, também em Coimbra. Transferiu-se em 1905 para a Escola Médico-cirúrgica do Porto onde se envolveu na militância estudantil.
Participou na greve académica de 1907, que se opunha ao governo de João Franco. Nesse ano, Cortesão foi um dos co-fundadores da Nova Silva, uma revista de orientação anarquista. O seu percurso político inicia-se com a sua adesão ao Partido Republicano Português em 1908. É um dos principais impulsionadores do movimento “Renascença Portuguesa” (que nasceu a 1 de janeiro de 1912) - de ideal nacionalista, ligado a ideias sebastianistas. Associado a este movimento surgem publicações como A Águia - revista de orientação republicana, e A Vida Portuguesa, que era efetivamente o órgão de imprensa desse movimento, e que Cortesão dirige.
Jaime Cortesão concluiu a sua licenciatura em Lisboa em 1910 - com a dissertação ‘A arte e a medicina (Antero de Quental e Sousa Martins)’. É também nesse ano que publicou a sua primeira poesia - A Morte da Águia. Casou em Coimbra, em 1912, com a sua prima Carolina Ferreira Cortesão.
Exerceu como médico durante um curto espaço de tempo. Instalou-se então no Porto lecionando História e Literatura no Liceu Rodrigues de Freitas. Como diretor da Renascença Portuguesa, animou a criação das Universidades Populares. Participou na Junta Revolucionária do Porto, que derrotou a ditadura de Pimenta de Castro, foi então eleito em junho desse ano pelo Partido Democrático, empenhando-se na defesa da participação de Portugal na I Guerra. Ele próprio foi para a frente como médico miliciano voluntário, para a Flandres, sendo ferido. Em Portugal, foi preso três meses pelo governo de Sidónio Pais. Combateu também contra a tentativa de restauração monárquica de 1919 (Monarquia do Norte) - e por isso foi recompensado pelo governo republicano com a direção da Biblioteca Nacional.
Colaborando com Raul Proença, iniciou-se no projeto da Seara Nova em 1921. A partir da BN promoveu a edição dos Anais das Bibliotecas e Arquivos e da revista Lusitânia.
Já na Ditadura militar, participou numa tentativa de derrube do regime, e foi então afastado do cargo de diretor da BN. Viveu em exílio até 1940, em Espanha e em França, dedicando-se à produção de estudos historiográficos. Em Espanha, colaborou com republicanos portugueses exilados e a ditadura franquista fá-lo fugir de novo para França, mas perante a ocupação alemã, regressou a Portugal. É de novo preso agora pelo governo de Salazar, que declarou o seu exílio para o Brasil. Aí ficaria até 1957. Durante o longo período de exílio produziu vários estudos historiográficos, além de ser responsável por cursos universitários, exposições, conferências, etc.
De regresso a Portugal, participou no Diretório Democrático-social, viu o seu nome indicado para candidato à presidência da República, convite que recusou e envolveu-se na campanha de Humberto Delgado.
Em 1958, com 74 anos, foi preso no Forte de Caxias, juntamente com António Sérgio, Vieira de Almeida e Azevedo Gomes, tendo sido libertado depois de uma forte campanha de indignação e protesto por parte da imprensa brasileira.
Nome do produtor
História biográfica
"Fundador da revista A Águia, em 1910, é também um dos principais dinamizadores do grupo de jovens republicanos que criou, no Porto, a Renascença Portuguesa, de que a revista se tornaria órgão oficial, a partir da sua 2ª série, em 1912. As vinte cartas de Fernando Pessoa que, como seu destinatário, Álvaro Pinto deu a conhecer, em 1944, na revista Ocidente, constituem um precioso documento sobre as relações do poeta de Lisboa com o movimento saudosista portuense. Álvaro Pinto é, entre 25 de Abril de 1912 (data da primeira carta) e Novembro de 1914, um interlocutor privilegiado, atendendo à sua qualidade de secretário da redacção da revista e responsável, por isso, pelos contactos com os colaboradores. Torna-se, assim, também um elo de ligação de Pessoa com os principais renascentes: Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão. Por outro lado, dá mostras de um grande zelo na edição da revista (onde Pessoa aparece, pela primeira vez, em público, no nº 4, Abril de 1912, com «A nova Poesia Portuguesa sociologicamente considerada»), conforme as explicações de Pessoa e as suas desculpas pelo atraso no envio ou conclusão dos artigos prometidos deixam supor. O poeta felicita-o mesmo, numa carta de 28 de Janeiro de 1913, pela sua «maravilhosa tenacidade, a sua capacidade organizadora e aquela dedicação», postas «ao serviço de uma causa cuja importância é maior do que talvez o mais ousado de nós ousa dizer». Mas, Pessoa afasta-se progressivamento da orientação saudosista e lusitanista de A Águia, do espírito de seita que anima o grupo. Os mentores da revista começam a dar sinal de pouca simpatia pelas suas colaborações. Uma carta de 12 de Novembro de 1914 consuma o «divórcio», mostrando-se Pessoa ofendido pela ausência de resposta à sua vontade de publicar uma plaquette de O Marinheiro, através da revista, e clarificando as suas divergências com a Renascença Portuguesa, que Álvaro Pinto representa."
Entidade detentora
História do arquivo
Fonte imediata de aquisição ou transferência
Zona do conteúdo e estrutura
Âmbito e conteúdo
Revista ilustrada sob a direcção de Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão e Álvaro Pinto
A revista Nova Silva deu expressão à tendência libertária e anticlerical do grupo de jovens estudantes republicanos e livre-pensadores que esteve na origem da Renascença Portuguesa. Nova Silva adoptou como lema libertas. Livre de preconceitos, apartidária e independente de escolas e programas, procurou encontrar na liberdade o fundamento do bem e da justiça humanas. O mensário acompanhou a crise académica e incitou à greve geral académica de 1907. Com o mesmo empenho anunciou e divulgou os preparativos para a formação de uma escola livre em Coimbra, que não chegou a concretizar-se, mas que já prenunciava os projectos de educação popular, tão caros ao futuro movimento da Renascença.
Revista ilustrada (Fevereiro-Abril de 1907), sediada no Porto, apenas publicou cinco números. Teve como fundadores e directores Jaime Cortesão, Álvaro Pinto, Leonardo Coimbra e Cláudio Basto. Este último abandonou a direcção no final do n.º 3, afirmando ter-se desvinculado daquela responsabilidade no n.º 2. Com Cláudio Basto saiu também o editor, Amadeu da Assunção, ambos futuros médicos. O editor a partir do n.º 3, Carlos Gonçalves, era um publicista republicano que continuou nos anos seguintes a participar em projectos editoriais, quer com Jaime Cortesão quer com Álvaro Pinto. A paginação a duas colunas manteve-se ao longo da publicação, assim como o recurso a ilustrações e a desenhos. Nas duas primeiras edições, o sumário dos artigos surgiu na capa e a contracapa foi ocupada por publicidade. Nos últimos três números, a revista deixou de inserir publicidade e o sumário passou para a segunda página. A capa alterou-se no n.º 3, passando a apresentar cabeçalho com a imagem forte, a vermelho e preto, de um proletário que quebrara as algemas e se apresentava portador do fogo. Nos n.ºs 1 e 2, as gravuras foram realizadas na Litografia Portuguesa e, nas edições restantes, na Oficina de Gravura Cristiano & Nunes. A produção tipográfica manteve-se na Imprensa Civilização, na Rua Passos Manuel, 215, e a sede da direcção e redacção também se conservou inalterada, na Rua de Santa Catarina, 438.
Adelaide Machado
Avaliação, seleção e eliminação
Incorporações
Sistema de organização
Zona de condições de acesso e utilização
Condições de acesso
Condiçoes de reprodução
Idioma do material
Sistema de escrita do material
Notas ao idioma e script
Características físicas e requisitos técnicos
Instrumentos de descrição
Zona de documentação associada
Existência e localização de originais
ver 5 números em versão digital em https://pt.revistasdeideias.net/pt-pt/nova-silva
Existência e localização de cópias
Unidades de descrição relacionadas
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Identificador(es) alternativo(s)
Pontos de acesso
Pontos de acesso - Assunto
- ENSINO E EDUCAÇÃO » Escolas (movimentos educativos) » Escola Livre
- POLÍTICA » Ideologias e sistemas políticos » Anti-clericalismo
- ENSINO E EDUCAÇÃO » Educação popular
- MOVIMENTO ESTUDANTIL » Crise académica (1907)
- MOVIMENTO ESTUDANTIL » Imprensa estudantil
- POLÍTICA » Ideologias e sistemas políticos » Republicanismo
Pontos de acesso - Nomes
- A Renascença Portuguesa (Associação) (Assunto)
Pontos de acesso de género (tipologias documentais)
Identificador da descrição
Identificador da instituição
Regras ou convenções utilizadas
Estatuto
Nível de detalhe
Datas de criação, revisão, eliminação
alterado produtor para os directores da revista, acrescentado histórico editorial, 2024-08, ip
Línguas e escritas
Script(s)
Fontes
Adelaide Macedo, in https://pt.revistasdeideias.net/pt-pt/nova-silva/foreword/editorial-data